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sábado, 27 de agosto de 2016

O Brasil já não será o mesmo



Qualquer que seja o desenlace imediato da mais profunda e prolongada crise que o país já viveu, o Brasil não sairá igual, já nunca mais será o mesmo. A crise devastou a credibilidade de todo o sistema politico, liquidou a legitimidade do Congresso, propagou a descrença no Judiciário e fez o povo ver que não basta votar e ganhar eleição para que o mandato presidencial seja respeitado. Em suma, o que se acreditava que tínhamos como república, acabou. O que se propagava que era um sistema político democrático, já não sobreviverá. Ou construímos uma democracia sólida – para o que esse Congresso, esse Judiciário, esse monopólio privado dos meios de comunicação não poderão seguir existindo como agora – ou deixamos realmente de viver em democracia.

A direita mostra sua cara sem eufemismos. No início seria um projeto de "reunificar o país", supostamente dividido pelos governos do PT. Se valia da perda de popularidade do governo Dilma e do Congresso mais conservador e desqualificado que já tivemos, assim como do papel escandalosamente e já sem pudor algum da velha mídia, para destruir a democracia política que tivemos e promover um governo antidemocrático, antipopular e antinacional.

Mas rapidamente se viu que se trata do projeto de restauração do projeto fracassado nos anos 1990 com Collor e Com FHC, por um governo golpista e minoritário, contra o povo, a democracia e o Brasil.

Como se pronunciará o STF sobre qualquer tema, se se calou diante do golpe, posto em prática sob seus narizes, presidido no Senado por seu presidente, que apoia a todas as brutais ilegalidades que se põem em prática? De que serve um Judiciário, um STF, que não fosse para impedir que um crime contra a democracia fosse perpetrado pelo Congresso? O que houve foi um silêncio cúmplice, mesclado com um vergonhoso aumento de 41% dos seus salários, concedido publicamente – com foto e tudo – pelo político mais corrupto do país, cuja impunidade só existe pela cumplicidade de quem deveria puni-lo e tantos dos membros do governo, inclusive o presidente interino. Já não haverá democracia no Brasil sem um Judiciário eleito e controlado pela cidadania, com mandatos limitados e poderes circunscritos.

Não haverá democracia sem um Congresso efetivamente eleito sem financiamento privado, sem que represente os lobbies eleitos pelo poder do dinheiro. Um Congresso democrático tem que estar fundado no voto condicionado, pelo qual os eleitores controlam aqueles em que votaram e que se comprometem com um programa e um partido determinado.

Numa democracia todos tem direito a voz, a opinião publica não pode ser fabricada por algumas famílias, que impõem seu ponto de vista ao pais, como se pudessem falar em nome do pais, quando perdem todas as eleições presidenciais. Ninguém deve perder o direito de falar, mas todos devem ter o direito de se expressar, senão não se trata de uma democracia, mas da ditadura de uma minoria oligárquica.

Numa democracia um impostor não poderia assumir a presidência, mesmo interinamente, por um golpe e impor o programa econômico derrotado 4 vezes sucessivamente, inclusive em 2 em que esse golpista esteve na lista vencedora, com um programa radicalmente opostos. Se isto ocorre, é porque a democracia foi ferida de morte.

Se o golpismo triunfar no Senado, será preciso fazer com que pague duramente o preço do atentado ao país que estará perpetrando. Que seus projetos fracassem, que a vida dos seus componentes seja insuportável, que seu bando de ladrões sejam vitimas da ingovernabilidade. Que se ocupe e se resista em todos os espaços desse governo ilegítimo, antidemocrático, antipopular e antinacional.

Faz parte intrínseca da resistência democrática impedir qualquer ação contra Lula, que representa os anseios majoritários do povo brasileiro, conforme as próprias pesquisas que os golpistas usavam para tentar buscar legitimidade popular, apontam. Esse será o sinal de que sobrevivem espaços democráticos ou não. Se blindarem de tal forma seu governo e constitucionalizarem o neoliberalismo, terão enterrado definitivamente qualquer sinal de democracia no país. E terão o mesmo destino dos seus antecessores: serão derrubados, derrotados, execrados e um tribunal da verdade os julgará e os condenará por crime contra a democracia e o Brasil. Serão derrotados pelo povo, pela democracia, pelo Brasil, que construirão uma democracia de verdade no país

sábado, 5 de março de 2016

O futuro do Brasil é agora!

:


EMIR SADER

O futuro do Brasil depende do que aconteça com o Lula. Ou a direita o exclui da vida política, pela repressão física e jurídica e faz o que bem entende do país, de novo. Ou o Lula supera tudo isso e se elege de novo Presidente do Brasil e retoma o caminho do melhor governo que o país já teve.

A direita sempre teve a obsessão de que um dia o PT terminaria ganhando, teria que fracassar e ela pode dirigir o pais com tranquilidade. Lula ganhou e, ao contrario, deu mais certo do que qualquer expectativa otimista. Aí a direita se pôs a caçar o Lula e o PT.

Tentou derrotá-lo em 2006, não conseguiu. Tentou impedir que ele elegesse sua sucessora, não conseguiu. Tentou impedir que ela se reelegesse, tampouco conseguiu.

Agora se dedica a tentar impedir que o Lula se candidate de novo, ganhe e volte a ser Presidente do Brasil.

É o golpe branco: castrar a democracia brasileira do seu principal líder por uma via institucional completamente conspurcada. Excluir o Lula da vida política é ferir de morte a frágil democracia que temos. Primeiro foram invadindo os espaços institucionais com o Judiciário, depois com a Polícia Federal. O pretexto de combate à corrupção é uma farsa, dado que os tucanos são totalmente preservados. Trata-se de uma operação política contra o Lula.

Se conseguirem dar esse golpe branco, o país se tornará uma "democracia restringida", um Estado de exceção, excluindo os setores populares da vida política do país, porque em seguida virá a repressão contra os movimentos sociais, contra todas as forças democráticas, contra o mundo da cultura, contra tudo o que resistir. A mídia se encarregara de esconder tudo e promover a ideia de que a democracia sai fortalecida, que o obstáculo para o país voltar a crescer é o Lula.

Ou o Lula consegue superar mais essa e sai ainda mais fortalecido, a campanha eleitoral de 2018 começa diretamente, as denúncias sobre a politização e fascistização de setores do Judiciário e da PF virão à tona.

Ou o Brasil democratiza seu Estado ou a direita incrustrada no Estado terminará com a democracia no Brasil.

O momento decisivo é este. Ou se detém a ação das forças do golpe branco ou é a democracia e todos os direitos conquistados pelo povo que se reverterão. O governo Dilma será definitivamente avassalado pela direita golpista.

É a hora decisiva do Brasil. Seu futuro se decide agora. No destino do Lula se decide o futuro do país.

terça-feira, 3 de março de 2015

Quem tem medo do Lula?

Por Emir Sader, no site Carta Maior:


Lula é odiado porque deveria ter dado errado e deixado as elites para seguirem governando o Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador.



A direita – midiática, empresarial, partidária, religiosa – entra em pânico quando imagina que o Lula possa ser o candidato mais forte para voltar a ser presidente em 2018. Depois de ter deixado escapar a possibilidade de vencer em 2014, com uma campanha que trata de colocar o máximo de obstáculos para o governo de Dilma – em que o apelo a golpe e impeachment faz parte do desgaste –, as baterias se voltam sobre o Lula.

De que adiantaria ajudar a condenar a Dilma a um governo sofrível, se a imagem do Lula só aumenta com isso? Como, para além das denuncias falsas difundidas até agora, tratar de desgastar a imagem de Lula? Como, se a imagem dele está identificada com todas as melhorias na vida da massa da população? Como se a projeção positiva da imagem do Brasil no mundo está associada à imagem de Lula? Como se a elevação da auto estima dos brasileiros tem a ver diretamente com a imagem de Lula?

Mas, quem tem tanto medo do Lula? Por que o ódio ao Lula? Por que esse medo? Por que esse ódio? Quem tem medo do Lula e quem tem esperanças nele? Só analisando o que ele representou e representa hoje no Brasil para entendermos porque tantos adoram o Lula e alguns lhe têm tanto ódio.

Lula deu por terminados os governos das elites que, pelo poder das armas, da mídia, do dinheiro, governavam o pais só em função dos seus interesses, para uma minoria. Derrotou o candidato da continuidade do FHC e começou uma serie de governos que melhoraram, pela primeira vez, de forma substancial, a situação da massa do povo brasileiro.

Quem se sentiu afetado e passou a odiar o Lula? As elites politicas que se revezavam no governo do Brasil há séculos. Os que sentiram duramente a comparação entre a formas deles de governar e a de Lula. Sentiram que o Brasil e o mundo se deram conta de que a forma de Lula de governar é a forma de terminar com a fome, com a miséria, com a desigualdade, com a pobreza, com exclusão social. Eles sofrem ao se dar conta que governar para todos, privilegiando os que sempre haviam sido postergados, é a forma democrática de governar. Que Lula ganhou apoio e legitimidade, no Brasil, na América Latina e no mundo justamente por essa forma de governar.

Lula demonstrou, como ele disse, que é possível governar sem almoçar e jantar todas as semanas com os donos da mídia. Ele terminou seu segundo mandato com mais de 80% de referências negativas na mídia e com mais de 90% de apoio. Isso dói muito nos que acham que controlam a opinião publica e o pais por serem proprietários dos meios de comunicação.

Lula demonstrou que é possível – e até indispensável – fazer crescer o pais e distribuir renda ao mesmo tempo. Que uma coisa tem a ver intrinsecamente com a outra. Que, como ele costuma dizer, “O povo não é problema, é solução”. Dinheiro nas mãos dos pobres não vai pra especulação financeira, vai pro consumo, para elevar seu nível de vida, gerando empregos, salários, tributação.

Lula mostrou, na pratica, que o Brasil pode melhorar, pode diminuir suas desigualdades, pode dar certo, pode se projetar positivamente no mundo, se avançar na superação das desigualdades – a herança mais dura que as elites deixaram para seu governo. Para isso precisa valorizar seu potencial, seu povo, elevar sua auto estima, deixar de falar mal do país e de elogiar tudo o que está lá fora, especialmente no centro do capitalismo.

Lula fez o Brasil ter uma política internacional de soberania e de solidariedade, que defende nossos interesses e privilegia a relação solidaria com os outros países da America Latina, da África e da Ásia.

Lula foi quem resgatou a dignidade do povo brasileiro, de suas camadas mais pobres, em particular do nordeste brasileiro. Reconheceu seus direitos, desenvolveu politicas que favoreceram suas condições de vida e uma recuperação espetacular da economia, das condições sociais e do sistema educacional do nordeste.

Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo.

A melhor resposta ao ódio ao Lula é sua consagração e consolidação como o maior líder popular da historia do Brasil. A força moral das suas palavras – que sempre tentam censurar. Sua trajetória de vida, que por si só é um exemplo concreto de como se pode superar as mais difíceis condições e se tornar um líder nacional e mundial, se se adere a valores sociais, políticos e morais democráticos.

Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia.

O Lula é a maior garantia da democracia no Brasil, porque sua vida é um exemplo de prática democrática. O amor do povo ao Lula é a melhor resposta ao ódio que as elites têm por ele.