Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador IMPRENSA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador IMPRENSA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Carta Aberta aos Imbecis





Democracia é mesmo muito bacana. Mas tem os seus percalços. Um dos maiores é a gente ter que tolerar o sagrado direito de manifestação dos imbecis, um direito pelos quais muitos deles não brigaram mas do qual desfrutam com louvor. Pior é que esses imbecis tentam desqualificar os que não são com epítetos de "comunistas", "esquerdistas", "socialistas" e "petistas". Tentam colocar ideologia na discussão para se esconder atrás dos pilares da ignorância que representam. 

Ora, pois. Imbecis temos de todos os matizes mas hoje no Brasil os mais daninhos (e muitos deles nem sempre são tão inócuos pois atingem corações e mentes ignorantes como as deles) são aqueles que vituperam inverdades , sem nenhum conhecimento histórico ou sociológico . A maioria deles , aliás, pouco conhece de São Paulo além das ruas dos Jardins. Do Brasil então nem se fala.

Não vou nominar nenhum desses imbecis pois todos sabemos os seus nomes sempre associados a intolerância. São raivosos, agressivos, racistas, ignorantes, desinformados, maldosos, desumanos, preconceituosos e manipuladores. Imbecis que apostam na imbecilidade alheia , deformada por anos e anos de péssima educação escolar, analfabetismo crônico e manipulação midiática.Muita gente, mas muita gente mesmo, acha que ler a revista "Veja" e ver o "Jornal Nacional" é estar por dentro dos fatos. Esses milhares de imbecilizados não se envergonham de pôr seus preconceitos para fora e o fazem na forma dos mais toscos e nojentos comentários em grandes portais de notícias inverídicas . Não sou a favor que se censurem esses comentários que dão a exata medida de nossas trevas. Gente assim provavelmente queimaria Joana D'Arc e aplaudiria os discursos nacionalistas de Hitler e Mussolini. Não é de se espantar que preguem inclusive que as "raças impuras" das periferias não deveriam frequentar recantos onde eles põe os pés, inclusive os aeroportos.

O que me repugna nos imbecis não é serem imbecis. É terem a pretensão da superioridade ética , estética, imagética. É moldar a realidade conforme a conveniência deles e , nesse caso, rotular de "petistas", "petralhas" e congêneres a todos os que discordam deles. É justamente jogar uma cortina de fumaça na imbecilidade que representam. Como se todos nós que discordamos deles fossemos entusiastas do mensalão, do petrolão ou de qualquer outro escândalo politico empreendido por desonestos e canalhas. Aliás desonestos e canalhas que pululam em todos os partidos. Daí a generalizada descrença dos conscientes com partidos políticos em geral.

Buscar o conjunto de mazelas que levaram o PT de 35 anos recém completados ao impasse que vive hoje – o resgate da surrada credibilidade entre tantos escândalos – é desnecessário visto que seus detratores na grande mídia fazem isso dia e noite sem parar como uma borracharia 24 horas espancando pneus e os esvaziando de ar. Mas, para aqui evocar uma velha canção de Gil, o PT já é um copo vazio , cheio de ar. O PT, o PSDB, o PMDB e outras agremiações menores e vorazes em benefícios e cargos públicos. Está tudo dominado . Só que o jogo está sendo jogado e a cruzada dos imbecis quer embolar tudo ainda mais quando aposta no "impeachment", o mais rápido caminho para o caos, ainda mais quando se pensa que o presidente que ocuparia o lugar de Dilma é o nefasto Temer. Tudo a temer seus imbecis.

Um dos sinais dos péssimos caminhos da mídia é justamente o grande número de leitores que tem os imbecis . O grande número de ouvintes que tem os biltres e ignorantes golpistas. Dar guarida irresponsável a esses irresponsáveis que só apostam no "quanto pior melhor" é uma tragédia consumada. No meu tempo de jovem repórter você tinha que "pastar" muito tempo pra emitir opinião. E quando a fizesse tinha que vir acompanhada de um excelente texto. Hoje qualquer "fraldão" faz porcaria que é publicada. Antes fossem apenas "coxinhas". São coisa muito pior e devido ao horário me eximo de escrever aqui os adjetivos específicos.

Tem hora que a gente cansa. Eu cansei de ficar só vendo, ouvindo e lendo tanta imbecilidade irresponsável. Não tenho a menor pretensão de com esse protesto ser ouvido. Mas agora na minha trincheirinha de boca solta eu vou bradar contra a ignorância. Ignorância é o golpismo que vocês pregam. Ignorância é querer tirar o país dos trilhos. Ora, se quem conduz a nação não é apto vamos ajudar. Muita ajuda quem não atrapalha. Sabemos que a nossa presidente fala da boca pra fora quando diz que a Educação será prioridade. Vamos fazer com que ela leve a "prioridade" a sério e obrigue a todos os imbecis, jovens e velhos, adolescentes e de meia idade a voltarem para as aulas de história. Talvez só assim eles percebam que pregar golpe é um golpe contra o futuro . Já vimos no que isso deu no nosso passado. Perdão , esqueci que os imbecis não conhecem o retrovisor e nem dão seta. Querem ultrapassar pelo acostamento e , lógico, pela direita.

sábado, 3 de maio de 2014

Sobre cristãos, a esquerda, o bolsa-família e o ódio ao PT



por Ana Lucia Sorrentino


No domingo de Páscoa entrei no Facebook e me deparei com uma charge que resumiu de uma só vez tudo o que vem me aborrecendo terrivelmente já há um bom tempo: Jesus, ao centro, dizendo que multiplicara pães e peixes e dera aos famintos. Ao seu redor, uma turma de revoltados o chamava de comunista, de assistencialista, de populista e de “petralha”. Referiam-se aos famintos como “vagabundos” e gritavam contra o “bolsa-esmola”, defendendo o ensino da pesca em lugar da doação de peixe. Por fim, mandavam Jesus ir para Cuba. Acima da imagem, a frase: “Será que um dia a ficha cai?”.

Desde que comecei a postar sobre o que me agrada na esquerda, vira e mexe alguém invade o meu mural usando exatamente essas palavras para combater minha defesa de um mundo menos desigual. Seus “argumentos” vão de xingamentos a gargalhadas, que acabo deletando sumariamente, porque não há diálogo possível nesses termos.

Tenho me perguntado todos os dias sobre o real motivo desse desproporcional ódio ao PT e à esquerda, porque jamais senti isso com tanta intensidade como no último ano. À medida que as eleições se aproximam, a animosidade contra o PT se recrudesce de forma assustadora. Os que têm manifestado seu ódio tentam, muitas vezes, justificar sua sistemática oposição ao governo recorrendo aos episódios de corrupção que nada têm de diferente dos de governos anteriores, senão o fato de que quando o acusado é petista a lei é moldada artificialmente com o objetivo de mandá-lo para a cadeia, enquanto acusados direitistas se safam, até porque os julgamentos são tão adiados que os crimes prescrevem. Mas estou me convencendo de que o grande pedregulho no sapato de quem odeia o PT é a redistribuição de renda. O olhar especial que o PT tem para os mais pobres e seu esforço para diminuir a imensa e doentia desigualdade que vivemos.

Passei meu domingo de Páscoa entre cristãos. Clima de confraternização em meio à prosperidade. Orações, agradecimentos, fartura. Em certo momento escutei um militante da direita dizer que “agora era torcer pro Brasil perder a Copa, porque só o povo estando muito aborrecido com uma derrota na Copa pra não votar na Dilma”. Considerei isso uma clara declaração de que o atual governo é muito bem sucedido. Paradoxalmente, mais tarde, alguém citou um artigo da Veja, demonstrando preocupação com a “terrível situação do Brasil”. Não pude me conter: - Não leia a Veja, por favor. – pedi. Mas eu quis saber qual seria, exatamente, a “terrível situação do Brasil”, porque não me parecia que estavam se referindo ao Brasil em que vivo. De mais a mais, se a situação do Brasil fosse tão terrível assim, não seria preciso perder a Copa para o povo não votar na Dilma... Iniciou-se aí uma conversa que enveredou por um caminho tortuoso de citações duvidosas de fatos substancialmente irrelevantes que tentavam desenhar uma realidade que eu não reconhecia. E que, por fim, me levou à inevitável pergunta: “mas, afinal, o que piorou na vida de vocês nos últimos dez, onze anos?” Silêncio. Que alguém quebrou expressando pleno repúdio a “todo e qualquer tipo de bolsa”. Por quê? – perguntei. As pessoas em geral acham injusto o governo cobrar impostos dos mais afortunados e redirecioná-los a miseráveis. E todas as vezes em que converso sobre isso percebo que quase ninguém tem consciência do que é “estar abaixo da linha da miséria”. Apoiam-se em casos pontuais de declarações infelizes dadas a jornais tendenciosos sobre o bolsa-família “não dar nem pra comprar um jeans pra minha filha” e desconsideram completamente que há gente que passa fome. E que quando alguém não tem o que comer, não tem força nem para pensar em trabalhar. Quanto mais para ir à escola, evoluir, aprender um ofício, procurar um emprego. Para aprender a pescar é preciso ter força para segurar a vara. Para frequentar uma escola é preciso ter algo para comer e algo para vestir. No mínimo.

Quando falo sobre isso sinto que há uma enorme refratariedade no ar. Talvez porque só consigamos ter empatia pelo que está muito perto de nós, não sei. Talvez porque alguém da classe média consiga sentir mais dó de alguém que não tem dinheiro para comprar um tênis de marca do que de alguém que não tenha um naco de pão pra comer. Porque esta última realidade está tão distante da sua que o reconhecimento é difícil.

Me intriga especialmente o repúdio de cristãos à redistribuição de renda. Porque se alguém tem Cristo como seu líder espiritual e se o idolatra como exemplo de bondade e caridade, qual a lógica desse mesmo alguém refutar tanto a ideia de que a riqueza deve ser minimamente redistribuída

Questionaram-me sobre se acho certo os impostos cobrados dos mais ricos serem transferidos para os mais pobres. Sim, acho. Acho certa toda e qualquer ação que redistribua renda. Perguntaram-me se acredito que o governo está fazendo isso. Sim, acredito. Cada vez que se cobra mais impostos de ricos e menos de pobres, se distribui renda. Cada vez que se aumenta o custo de serviços públicos para bairros nobres e se diminui para a periferia, se distribui renda. Cada vez que se direciona impostos que os mais ricos pagam para beneficiar os mais pobres com o bolsa-família, bolsa-escola e outros programas do mesmo tipo, o governo está redistribuindo renda.

Mas parece-me que as pessoas não entendem um ponto crucial desses programas: quando se redistribui renda, não é apenas o miserável que está sendo beneficiado. TODOS estamos sendo beneficiados. Porque o governo está não só possibilitando ao pobre que se alimente, frequente uma escola, procure um emprego, etc., mas está transformando-o em um consumidor. Está injetando dinheiro no mercado.

Aquele que até então não podia comprar comida para alimentar sua família, ou roupa, ou seja lá o que for, passa a fazê-lo. E quando vai às compras está movimentando a economia. Isso é garantia de que o dono do mercado ou da loja venderá mais, conseguirá manter seu estabelecimento funcionando, precisará de mais empregados para ajudá-lo e poderá consumir mais também. Esse empresário pagará seus impostos e eles serão novamente redirecionados e assim cria-se um ciclo de mais prosperidade. Além disso, aquele que recebe o benefício sai de uma situação da qual jamais sairia se não recebesse alguma ajuda, porque sabemos muito bem que quanto menos se tem, menos chance de sair dessa situação se tem também. Ninguém, ou quase ninguém, dá emprego a um mendigo. Em última instância, se for pra sermos altruístas egoístas, temos que concordar que um mendigo a menos, um assaltante a menos, um flanelinha a menos nas ruas sempre representará uma melhoria nas vidas de todos nós.

Também já escutei, algumas vezes, que esse dinheiro que é entregue às famílias pobres acaba não sendo usado para os fins a que se destina. Que a mulher que o recebe entrega-o ao marido para que ele vá beber no bar. Mas esses programas têm mecanismos de controle que conseguem, ao menos em parte, cobrar dos beneficiados aquilo que ficou acordado. E, se em casos pontuais o marido for beber no bar, ainda assim ele estará consumindo, ou seja, injetando dinheiro na economia. Claro que não é o ideal, mas também não é o que ocorre massivamente.

Outra crítica que sempre ouço sobre as políticas de transferência de renda é de que elas produzem pessoas acomodadas, que se habituam a receber dinheiro do governo e passam a não querer trabalhar. Eu não sei exatamente quais os parâmetros que as pessoas têm para afirmar tal coisa. Mas, para mim, é absolutamente inimaginável acreditar que alguém que receba, digamos, R$70,00 do governo para, assim, completar uma renda mensal de R$140,00, possa suprir todas as suas necessidades com isso, a ponto de não querer mais trabalhar. Para mim, soa como piada. De mais a mais, embora o governo não estipule prazo determinado para recebimento dos benefícios, mais de 1,7 milhão de famílias já devolveu o cartão espontaneamente, o que vai contra a tese de que o governo está criando vagabundos. 
Por fim, me perguntaram o porquê da ausência desses que defendem o bolsa-família em ações como distribuição de café da manhã ou sopão aos mendigos, pelas ruas da cidade. Eu respondi que acredito que quando se trabalha em prol de um programa como o bolsa-família se faz muito mais do que isso. E quando cheguei à minha casa, metabolizando tudo o que havia sido conversado nesse domingo cristão, lembrei de uma frase de Paulo Freire que diz com mais precisão o que eu queria dizer:

“Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.”

Nasci, cresci, e virei mulher vendo a elite só lembrar de que os pobres existem quando precisa deles para lhe prestar serviços a preços módicos ou quando tem que, forçosamente, se deparar de frente com eles. Hoje, com as trocas de opiniões nas redes sociais, percebe-se claramente o quanto a elite está incomodada por ver uma hierarquia de subjugação solidamente alicerçada pelo capital sair da zona de conforto e ter que se repensar. A educação, a inclusão, a informação mais acessível a todos e a consciência da cidadania são fatores que vêm competir com o simples poder aquisitivo. E isso se conquistou com um governo de esquerda. Quero crer que apenas a ignorância possa explicar essa resistência em enxergar que um mundo menos desigual seria mais confortável para todos. Se não for por ignorância, o que explicaria isso? Tenho medo de pensar em outra resposta.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

LULA, DILMA, CORRUPÇÃO, MARCO REGULATÓRIO, IMPRENSA, OPOSIÇÃO E 2014

O Partido dos Trabalhadores anuncia que a imprensa corporativa e de mercado está a fazer campanha para taxar o ex-presidente Lula de corrupto. Não é somente isso. A mídia de direita deseja, sobretudo, que Lula se cale, não articule composições políticas e que não apareça, de forma positiva, em suas telas televisivas, bem como nas páginas dos jornais e revistas. A ordem é não mostrar, de forma alguma, seu legado, além de superdimensionar até os fatos corriqueiros, além de criar polêmicas onde não existem polêmicas. E crises onde não há crise.

É o verdadeiro e autêntico jornalismo de esgoto, declaratório, elaborado na fofoca e na maledicência cujo objetivo é desqualificar o único político brasileiro de grandeza internacional e que se prepara para o combate das eleições de 2014. Por seu turno, até que enfim o PT saiu do imobilismo, porque se depender do Governo da presidenta Dilma Rousseff, política filiada ao partido, os integrantes do PT que estão na linha de frente a enfrentar uma oposição não partidária e sem voto vão ser imolados e calados sem o direito de se defender e muito menos se contrapor ao que é dito pela máquina midiática e por seus aliados incrustrados no STF.

É a ditadura da imprensa de negócios privados, que tem lado, cor e ideologia. A imprensa alienígena e de direita controlada, a ferro e a fogo, pelos patrões da oligarquia midiática e por setores poderosos do Judiciário (STF, STJ e PGR), que interferem no processo politico brasileiro, por intermédio da desconstrução da imagem de Lula, da criminalização do PT e da judicialização da política, que acarreta o engessamento da autonomia do Congresso e do seu direito constitucional de legislar.

Agora o PT “descobriu” que a direita sempre vai proceder e agir como direita, ou seja, tal qual ao escorpião, que vai sempre agir e proceder como escorpião. Então, vamos às perguntas que não querem calar: por que o PT até o momento não lançou ainda, em âmbito nacional, uma campanha a favor da efetivação do marco regulatório para as mídias? E por que a presidenta Dilma Rousseff tem tanta parcimônia com os plutocratas de mídias, que há quase um século golpeiam os políticos que não rezam por suas cartilhas, ou seja, aqueles que não seguem seus princípios políticos e seus interesses econômicos? Com a resposta, a própria presidenta, a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann e o ministro das comunicações Paulo Bernardo.

A verdade é que a imprensa de caráter golpista pauta seus aliados, a oposição partidária (PSDB, PPS e DEM) e o Judiciário, e cria as estratégias políticas e criminosas de boicote e de sabotagem contra os governos trabalhistas de Lula e agora o de Dilma. A presidenta sabe disso e sempre soube. Afinal, ela militou na esquerda armada, foi presa e vitimada pela tortura. Ninguém está mais consciente do que a presidenta sobre o fato e a realidade de que os barões da imprensa jamais comporão politicamente com mandatários trabalhistas. Essa gente de direita tem uma imensa compreensão de quem são os trabalhistas e o que representam: o segmento ideológico e político brasileiro que deu fim definitivo à escravidão em 1930, bem como modernizou e industrializou o País, além de distribuir renda e garantir os direitos trabalhistas.

Os barões da imprensa conservadora e os homens e mulheres que alugam suas forças de trabalho e servem como porta-vozes de seus patrões sempre souberam que foram os trabalhistas que modernizaram e criaram ferramentas de controle estatal no que diz respeito à arrecadação do estado e à fiscalização do setor privado, que teima em sonegar impostos e desviar recursos de forma criminosa para o exterior. A direita sempre soube disso e por isso, na verdade, nunca se preocupou muito, apesar de tê-los perseguidos, com os comunistas que se tornaram ex-comunistas e que hoje, desavergonhadamente, são aliados de seus algozes, a exemplo de Roberto Freire, Raul Jungmann, Fernando Gabeira, Ferreira Gullar e muitos outros, como o Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal —, que vendeu o País e não satisfeito foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires na mão, porque quebrou o Brasil três vezes.

Acontece que nada vai adiantar se o Governo de Dilma Rousseff não propiciar as condições para que o povo brasileiro tenha um sistema de comunicação democrático e aberto à sociedade. Enquanto houver meia dúzia de oligarcas a dominar um setor econômico da maior importância para qualquer País, a sociedade vai ficar à mercê dos ditames de empresários que são capazes, como ocorreu no passado, de conspirar contra governantes eleitos pela população e, de forma real, concretizar golpes de estado. Lembremos, sempre, de Getúlio Vargas, de João Goulart e até mesmo Leonel Brizola, que não foi presidente da República, mas pagou um preço altíssimo por jamais ter sido cooptado pelos senhores condestáveis da mídia privada brasileira.

Como se percebe, no Brasil e em muitos países vizinhos da América do Sul presidentes trabalhistas foram, recorrentemente, alvos de uma direita cruel, perversa e capaz de qualquer ato ou ação para derrubar do poder mandatários trabalhistas que colocaram em prática seus programas de governo e a projetos de estado. A direita midiática, política e judiciária, com o apoio de setores da indústria, do campo, do comércio e dos banqueiros, querem a derrota de Dilma Rousseff em 2014, que insiste a não enxergar a montanha que está à frente de seus olhos. Contudo, é preciso ter discernimento e coragem. Não haverá paz para governar e muito menos para efetivar as políticas públicas se a presidenta continuar a tergiversar, a dissimular sobre a séria questão que é a implementação do marco regulatório para o setor midiático.

Para início de conversa, a bancada do PT no Congresso e alguns de seus aliados, como o PCdoB, têm de questionar o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que “esqueceu”, talvez para sempre, o projeto do jornalista Franklin Martins, que dispõe sobre um novo marco regulatório para o segmento midiático brasileiro, tanto na esfera pública quanto no âmbito privado. Afirmo e reafirmo o que já se tornou um mantra: a oligarquia midiática brasileira é historicamente golpista, não tem compromisso com a Nação brasileira, porque é aliada dos interesses de governos estrangeiros, representa os banqueiros, além de ser herdeira da escravidão. Por isso e por causa disso tem um profundo desprezo pelas conquistas sociais e econômicas do povo brasileiro, bem como odeia os políticos trabalhistas que ousaram a ouvir e a atender os anseios e os desejos dos trabalhadores deste País que cooperaram, e muito, para que as “elites” ficassem podres de ricas.

A direita gosta da direita e atura os de fora do seu círculo que foram cooptados, a exemplo de José Serra, aquele que tem sérias dificuldades para terminar um mandato, e, quando a cumpri-lo, recusa-se a melhorar as condições de vida da população. E os barões da imprensa e seus sabujos ainda o chamam de “elite da elite”. Seria cômico se não fosse trágico. Todavia o que está em jogo é a eleição presidencial de 2014, e por isso a campanha sistemática e insidiosa contra o PT e o maior líder político deste País — o ex-presidente Lula.

Lula é um intelectual orgânico, ponderado e sábio, pois conhece profundamente a política brasileira e seus meandros. Tenho a impressão de que quanto mais o jogo político ficar intrincado e radicalizado, mais o Lula gosta, porque, como no futebol, as provocações e as jogadas desleais são o combustível para a reação, ou seja, para o debate e a apresentação de propostas e do que já foi feito por ele e sua equipe, além do que pode ainda ser realizado. Lula elegeu dois técnicos para dois dos cargos mais importantes da República — a Presidência e a Prefeitura de São Paulo.

Ao analisar essas realidades cheguei à conclusão que não adiantou muito aos jornalistas que prestam serviços à oligarquia midiática composta por meia dúzia de famílias. Por isso, torna-se importante a atuação do Judiciário integrado por juízes e promotores conservadores, que fizeram de seus ofícios um auto de fé nada republicano e voltado para combater politicamente os trabalhistas que conquistaram o poder em um tempo de 11 anos e que têm grandes possibilidades de vencer as eleições presidenciais de 2014 e, consequentemente, darem continuidade a programas e projetos sociais e de infraestrutura que deixaram de ser de governo e passaram a ser de estado. E é exatamente essa realidade que incomoda a direita e àqueles que querem e desejam um País VIP, para poucos privilegiados, que de tão autoritários, petulantes e arrogantes pensam que estão “em uma boa” porque, quiçá, consideram-se escolhidos por Deus.

Quando a presidenta Dilma Rousseff compõe extraoficialmente com o baronato midiático procede, a meu ver, de forma arriscada. Quem não se previne fica aberto a contratempos, como ocorre com o boxeador que baixa a guarda ou quando um visitante ou curioso mesmo ao lado do treinador de grandes felinos permite que, por exemplo, um tigre o abrace. Não é de bom alvitre, e considero que a presidenta trabalhista é cônscia dessa realidade. Não se empenhar para que o Brasil tenha um marco regulatório que atenda e seja coerente com a época atual é nada mais e nada menos do que uma grande insensatez, um despropósito inominável, porque sabemos que a mídia de negócios privados é a voz viva e atuante dos interesses dos grandes conglomerados e trustes nacionais e principalmente internacionais. Ponto.

Dilma Rousseff é a responsável maior por esse estado de coisas no que tange à falta de regras, de um marco regulatório que faça com que o setor midiático atue e aja dentro da legalidade, a seguir preceitos éticos e morais sem ser falso moralista, coisa que muitos homens e mulheres de imprensa se comportam e se conduzem, e, contraditoriamente, transformam-se em lubrificadores da máquina midiática moedora de almas e reputações e que não concede o direito de defesa ao agredido e desrespeitado, porque no Brasil não existe legislação adequada e específica que regulamente a imprensa corporativa e de mercado, que neste País atua e age como se estivesse em um mundo paralelo, alheio às leis a totalmente apropriado a seus devaneios e desejos, a seus interesses e á sua pauta.

É assim que a banda toca nesses pagos verdejantes, de céu anil e do gorgeio do sabiá. Existe uma certa “elite” econômica que se pudesse rasgaria a Constituição, a exemplo da posse do deputado José Genoíno, condenado, sem provas, no caso “mensalão” e que vai assumir uma cadeira na Câmara por ser suplente de um deputado que vai assumir a prefeitura de São José de Campos (SP). A imprensa questiona, maldosamente, a posse do petista de passado histórica e que participou da Guerrilha do Araguaia na década de 1970. Contudo, Genoíno ainda pode recorrer e sua punição ainda não foi publicada pelo Judiciário.

Os jornalistas que servem ao sistema sabem disso, bem como eu sei que o “mensalão” não foi juridicamente comprovado. O julgamento foi de ordem política, e a posse do petista histórico na verdade evidencia, sobretudo, que o País vive uma normalidade democrática tão substancial e sólida que mesmo o cidadão que foi punido pela maioria dos juízes de direita do STF (mas que pode ainda recorrer) tem o direito constitucional de assumir sua cadeira e com o apoio de seu partido, que, ao que parece, começou a reagir à malhação promovida pela imprensa direitista com a cumplicidade e a operacionalidade de juízes e procuradores que se aliaram aos tucanos e seus apêndices (DEM e PPS) que foram derrotados em três eleições presidenciais, perderam São Paulo, bem como, apesar do “mensalão”, vão ter de ver o PT governar o maior número de brasileiros, porque os políticos petistas eleitos vão administrar a maioria das maiores cidades do Brasil. Ponto.

Esta é a verdade que não sai nos jornais conservadores. A direita brasileira herdeira da escravidão e do golpe civil-militar violento e de caráter alienígena, articulado e efetivado para atender os interesses geopolíticos e econômicos dos Estados Unidos, bem como impedir a concretização das reformas de base propostas pelo grande presidente trabalhista João Goulart não se importa se o crescimento econômico experimentado no Brasil nos últimos 11 anos a beneficiou.

O preconceito ideológico e a crença em um mundo privado que se autorregulamenta, a liberdade excessiva dos banqueiros para jogar no mercado, a valorização dos rentistas em detrimento dos que produzem, os juros altos, a especulação imobiliária, bem como a diminuição dos estados nacionais com a venda de estatais estratégicas de inúmeros países levam os que militam no campo da direita a nadar contra a maré, porque foi exatamente por isso que os países europeus e os Estados Unidos foram vitimados por um tsunami econômico e financeiro que já dura cinco anos e, conforme os especialistas, não tem data para terminar, ou seja, para os países estabilizarem suas economias.

Contudo, os “especialistas” do Instituto Millenium, entidade de direita financiada pelas famílias Marinho e Civita, insistem com a ladainha que não deu certo como demonstram as economias combalidas da maioria dos países europeus e as sérias dificuldades pelas quais passam os EUA. Ademais, quem tem um mínimo de discernimento e sensatez sabe que os inquilinos do Millenium se recusam a pensar o Brasil, como sempre se recusaram as nossas “elites” em todos os tempos.

Ridiculamente tratam o mercado como “deus” e, inquestionavelmente, “esquecem” de trabalhar em prol do bem-estar de grande parte de população que necessita do apoio e da cooperação do estado. Tal entidade conservadora não passa de um foco de golpistas, autênticos reacionários inconformados com os trabalhistas no poder. De forma alguma esses homens e mulheres que posam de sábios vão perder seu tempo a pensar o Brasil, porque simplesmente, antes de tudo, eles servem aoestablishment e se reportam à sociedade, especificamente à parcela conservadora da classe média ressentida e que acredita que manter o status quo é o caminho para que ela, inadvertidamente, tenha ascensão de classe social e, por conseguinte, livrar-se da massa.

Coitada da classe média de caráter lacerdista e que está sempre disposta a participar de marchas da Família com Deus pela Liberdade atualmente reeditada em movimentos Cansei que não atraem mais do que dois mil gatos pingados enraivecidos e obcecados, pois manipulados pelas informações que recebem de uma imprensa que acredita em um mundo para poucos e que pretende perpetuar a hegemonia de classe social e para isso tem como sua principal aliada e irradiadora de suas ideias a reacionária classe média. Bucha de canhão dos ricos e do sistema midiático privado é o que ela é, e que a usam como porta-voz de seus valores e princípios sectários e que luta, ferozmente e rotineiramente, contra a emancipação do povo brasileiro.

O que a direita não compreende ou finge não entender é exatamente isto. Para o povo, Lula simboliza sua própria emancipação, realidade esta que transforma o fundador do PT e da CUT em um político orgânico, inserido na profundamente na sociedade em todas suas faces, tanto a organizada e a desorganizada composta por milhões de brasileiros, que até então não tinham acesso à segurança alimentar quanto mais a um modesto emprego ou a uma simples conta em um banco.

Por sua vez, Lula sabe quem ele é e a quem representa. E a direita sabe disso e por causa disso tenta desmoralizá-lo e desconstruí-lo, como ocorreu com os trabalhistas de todas as épocas, nas pessoas de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Lula veio do trabalho. Sua origem é o trabalho, e não há nada que incomoda mais os barões da imprensa e a direita em geral do que um trabalhista no poder, como ocorre no momento com Dilma Rousseff na cadeira da Presidência da República.

Lula não é corrupto, com não o foram Brizola, Jango e Getúlio. O tempo é o senhor da razão e a história é escrita de maneira fria e isenta. A história é escrita por historiadores sérios e estudiosos e não pelos escribas do Instituto Millenium a soldo de empresários proprietários da Folha de S. Paulo, da Veja e de o O Globo. Quero deixar claro e a quem possa interessar que corrupta é a velha imprensa empresarial, pois golpista e mentirosa; dissimulada e manipuladora. Todo mundo sabe disso. Até mesmo a classe média reacionária, que acredita um dia ficar rica, como muita gente crê em Papai Noel, na mula-sem-cabeça, no lobisomem ou no boitatá. 

Desconfio que os donos das mídias privadas e seus papagaios de pirata também compreendem que o candidato de Lula para 2018 talvez seja o prefeito recém-eleito de São Paulo, Fernando Haddad. E por que, não? Dilma Rousseff, segundo as pesquisas, tem 78% de aprovação popular. Creio que a mandatária vai ser a candidata do PT, em 2014. Lembro aos navegantes que tal qual à Dilma, Haddad é um político de perfil técnico, nunca antes tinha concorrido a uma eleição, bem como é um político novo em idade, além de ter sido um competente e eficiente gestor à frente do Ministério da Educação. 

O prefeito de São Paulo é o responsável pela inclusão social de negros e pobres nas universidades públicas até então um reduto ou redoma de cristal dos filhos da classe média abastada e dos ricos, que, contraditoriamente, quando crianças e adolescentes foram matriculados por seus pais em escolas particulares que oferecem serviços escolares e educacionais muito melhores do que as escolas públicas, que foram sucateadas pelas “elites” brasileiras no decorrer das décadas, principalmente a partir de 1964, ano do violento golpe empresarial e militar. 

Sob a administração de Haddad, o MEC propiciou o ingresso de centenas de milhares de negros e, portanto, de pobres, porque centenas de milhares de cidadãos de baixa renda são oriundos dos bairros populares, dos subúrbios, enfim, da periferia. Estive, há cerca de três anos, no Morro do Urubu, no bairro do Engenho da Rainha, no Rio de Janeiro. O sol estava inclemente e a temperatura nos relógios de rua marcava 39°.

Subi o morro em uma comitiva. O acesso à comunidade é dificílimo porque a ladeira é de quase 90°. Muito inclinada e longa. Conversei com alguns moradores. Eles me disseram que muitos idosos moram na comunidade, não descem para a cidade há dez e até 20 anos por falta de condições físicas e de saúde. E quando Lula financiou o teleférico do Complexo do Alemão, a direita o criticou açodadamente, debochou e seus apaniguados escreveram textos cretinos e sem noção da realidade nas páginas dos grandes jornais. Hoje os teleféricos são essenciais para a vida da comunidade, dos idosos, dos enfermos, das donas de casa e dos trabalhadores. Por ironia do destino, os bondinhos do Alemão servem como paisagem para a novelaSalve Jorge da TV Globo, que anteriormente também criticou a ocupação das favelas e hoje, na mesma novela, personagens militares andam pelas comunidades. Nada como um dia após o outro.

A direita não realiza nada e nada dá para a população quando está no poder. Nem os impostos ela devolve em forma de investimentos sociais e de infraestrutura. Sempre foi assim. A direita, sim, sempre se beneficiou dos legados dos governantes trabalhistas, que, ao contrário dos comunistas, conquistaram quatro vezes a Presidência da República. A direita sabe do que se trata, e por isso transborda seu ódio pelos olhos, boca e ventas. Lula sabe disso tudo. Quem parece que esqueceu é a presidenta Dilma Rousseff, que, aparentemente, está a compor com quem não deveria para não ser alvo de ataques. Porém, em 2014, Dilma vai enfrentar uma campanha agressiva e baixa por parte de seus adversários, como ocorreu em 2010. A direita é como um felino: ronrona e ronrona... e depois dá o bote. É isso aí.

DAVIS SENA FILHO