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sábado, 1 de novembro de 2014

A ‘nova direita’ brasileira lembra cada vez mais a velha direita venezuelana

Herdeiro do Estadão em evento do PSDB



Via: Diario de Centro do Mundo

Paulo Nogueira

A direita brasileira lembra cada vez mais a venezuelana.

Tumultua, dá golpes baixos, mente — se agarra loucamente, enfim, a privilégios que fizeram do Brasil um dos grandes campeões mundiais em desigualdade.

Veja esta questão da recontagem de votos pedida pelo PSDB.

O mesmíssimo expediente foi utilizado pela direita venezuelana depois que Maduro venceu Caprilles.

A mídia venezuelana – como a brasileira, a voz da direita enraivecida – tentou de todas as formas transformar a vitória nas urnas de Maduro e do chavismo numa fraude para justificar a tentativa de golpe branco.

Observadores estrangeiros isentos acompanharam as eleições venezuelanas. Jimmy Carter, pessoalmente, investigou o método eleitoral da Venezuela e o classificou como um dos mais seguros do mundo.

Mas nada disso deteve o tumulto promovido pela direita.

Lá, como todos sabiam que ia acontecer, a recontagem apenas confirmou a vitória de Maduro.

A mesma coisa ocorre agora no Brasil.

Não bastam todas as delinquências durante a campanha: o uso de pesquisa fajuta por Aécio, a complacência da mídia amiga em investigar coisas como o helicóptero dos Perrelas e o aeroporto de Cláudio – e sobretudo a capa criminosa da Veja em cima das eleições.

Não bastam também as monstruosidades pós-eleições, como a torrente de insultos aos nordestinos partida da direita, dos quais o mais simbólico foi o de Diogo Mainardi na Globonews.

Não basta nada, na verdade: agora, o ataque é dirigido contra os votos dos brasileiros.

É a plutocracia contra a democracia, como escreveu recentemente Paul Krugman, Nobel da Economia. Ele estava se referindo aos Estados Unidos, mas podia estar falando do Brasil, tamanhas as semelhanças.

O filósofo Paulo Eduardo Arantes, professor aposentado da USP, fez há poucos dias considerações interessantes sobre o que definiu como “nova direita” brasileira.

Para ele, ela surgiu depois das Jornadas de Junho. Seu objetivo, segundo Arantes, não é fazer política e conquistar votos: é apenas impedir qualquer mudança no status quo.

Ele nota o que classifica como “relação assimétrica” entre a “nova direita” e a esquerda. A esquerda – moderada, como ele corretamente assinala – se vale dos instrumentos clássicos de fazer política.

A direita atropela qualquer coisa. E, para reforçar a assimetria, é bancada pelas grandes corporações.

O novo governo Dilma está sendo forçado a realizar uma coisa que Luciana Genro na campanha disse ser vital quando você quer promover uma sociedade mais igualitária: contrariar interesses.

Lula, como o grande conciliador que sempre foi, evitou isso ao máximo em seus oito anos, e foi seguido por Dilma.

A maior demonstração disso está nas bilionárias verbas publicitárias federais que nestes anos todos abasteceram os cofres da voz da direita: as grandes companhias de mídia.

Sem enfrentar essa voz a assimetria de que fala o filósofo será cada vez maior.

O primeiro passo, aí, seria um simples choque de capitalismo.

Examinar, a partir da chamada base zero, o quanto se está colocando de dinheiro público na grande mídia para verificar quanto é justo que se coloque.

Isto está em todo manual de administração.

O SBT, para ficar apenas num caso, merece 150 milhões de reais por ano?

Isto se chama meritocracia.

A real meritocracia, não aquela cínica que Aécio usou demagogicamente em sua campanha.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Também, peço voto em Dilma! Vote 13

VOTO EM DILMA





Nunca foi tão necessário derrotar o pensamento conservador, o eterno obscurantismo que tenta fazer a roda da História andar para trás

Minha razão para votar em Dilma tem origem na convicção fundamental de que o dever principal do Estado e dos governantes é defender os humildes e os desprotegidos, os que não tiveram oportunidade.

Também se baseia nas melhores estatísticas, que podem ser lembradas sempre que necessário, e ajudam a entender quem fez o quê, quando, para quem.

Estou falando da distribuição de renda, para lembrar que queremos viver num Brasil de cidadãos iguais, homens e mulheres. Acredito que é preciso manter a prioridade no emprego e no salário, no mercado interno, porque sabemos que só progresso no bem-estar da população de baixo gera melhoras reais para o conjunto da sociedade.

Não tenho religião mas tenho uma fé política: creio que numa democracia todos os poderes emanam do povo. Não imagino um país de cabeça baixa, refúgio de escravos tristes e senhores de sorriso amarelo pelo excesso de esperteza.

Não acredito em contos de fada nem admiro heróis de álbum de figurinha.

Não creio num futuro de privilégios nem de favores. A hierarquia não eleva. A inferioridade incomoda.

Só a luta pela igualdade é ética.

Penso em Dilma quando tentam nos assustar com o medo ridículo de mais uma queda na Bolsa, querendo ligar o destino do país ao enriquecimento de tubarões de um cassino pobre e podre, habituados a embolsar seus lucros e transferir suas desgraças para a maioria da população.

Penso em Dilma quando vejo um candidato aparecer na TV sem conseguir — apesar de muito treinamento — disfarçar sua conversa vazia. Nada consegue dizer porque muito tem a esconder.

Penso nela quando até um ator de Hollywood, envergonhado, sentiu-se no dever de informar que fez papel de bobo e retira o apoio a uma concorrente.

Os analistas de gabinete estão atônitos, os economistas de encomenda e os consultores milionários fogem de clientes inconformados. Faltam poucos dias para o povo ir às urnas e tudo que imaginaram, prometeram, deu errado. Mentiram, apenas mentiram, mentiram de novo.

Apesar do massacre cotidiano, das cortinas de fumaça, das trapaças, das demonstrações de má fé, milhões de brasileiros foram capazes de compreender aonde estão seus interesses, distinguir quem zela por suas necessidades e tem disposição de lutar por elas. Não é de hoje que aprenderam o que é classe social.

Por vários caminhos, com as idéias mais exóticas, incongruentes na origem mas idênticas na finalidade, formou-se uma grande aliança para tentar fazer a roda da história andar para trás. Deu errado.

Dilma só é chamada de agressiva, e suas críticas são chamadas de ataques, porque é assim que acontece com quem desafia o coro das ideias dominantes.

Nunca os mais pobres conseguiram vencer tantos enganos, tantas ilusões.

Nunca tiveram a mesma oportunidade de arrumar o país para ficar um pouco do seu jeito, onde possam fazer valer sua vontade e serem tratados com dignidade.

Nunca foi tão necessário derrotar o preconceito, a ideologia nefasta dos senhores de sempre, o pensamento conservador do eterno obscurantismo — marcas daquilo que muitos anos atrás nosso maior poeta do século XX chamou de mundo caduco.

Em meio a tanta dificuldade, tanta injustiça, tanta mudança a ser feita, vivemos num país onde 94% dos favelados dizem que estão felizes com a vida que levam.

Por isso, voto e peço voto em Dilma.

domingo, 7 de setembro de 2014

Rodrigo Vianna: Aécio comemora o novo escândalo da “Veja”




Aécio comemora escândalo da “Veja”: segundo avião a cair sobre a campanha?

“O escândalo da Petrobras – que nesse momento serve aos interesses de Aécio Neves – mostra a necessidade de uma Reforma Política urgente. PSDB, PT, PSB, PP, PMDB: todos parecem usar meios ilegítimos de financiar suas campanhas. Constituinte Já!

por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador

Primeiras impressões sobre o escândalo da Petrobrás: é ruim para a base aliada de Dilma (não necessariamente para a presidenta), mas é também desastroso para a imagem de Marina Silva. A ”nova” política é jogada na lama, ao lado de petistas, peemedebistas (e de tucanos e demos; mas estes serão poupados nas manchetes de Veja, Globo etc).

Eduardo Campos – ex-candidato do PSB, apontado como um “santo” da “nova” política – estaria na lista (aliás, que lista? Não apareceu um documento até agora). Fica claro que se trata de uma operação para trazer Aécio Neves de volta ao jogo da eleição.

Não se conhecem muitos detalhes da denúncia. O que se sabe: Paulo Roberto da Costa (ex-diretor da Petrobras nas gestões Lula e Dilma) teria fornecido - em depoimento “secreto”, que vazou de forma seletiva, e até agora sem provas - detalhes de um esquema criminoso de financiamento político. Delação premiada, arrancada a fórceps. Mais um escândalo de boca de urna.

Atenção: apure os ouvidos e abra bem os olhos, porque nos próximos dias “Veja” e “Globo” tentarão transformar um caso (que se for comprovado é grave, mas que estranhamente “vaza” a 30 dias da eleição) em ferramenta política a favor do PSDB.

Claro que não vou defender aqui ninguém, de partido nenhum, que tenha recebido propina. Nem quem se alie a doleiro e a esquemas criminosos – ainda que o faça em nome da “luta política”. Nada disso. Mas tenho o dever de lembrar: a “Veja” nunca fez (e jamais fará) capa a mostrar os esquemas de financiamento de campanha do PSDB (ainda mais a 30 dias da eleição): a Alstom, os trens em São Paulo, o Robson Marinho, os tucanos de Aécio (parceiros antigos do Mensalão do PSDB – que segue impune em Minas). Nada disso surge nas capas de revista ou nas manchetes do JN da Globo.

As listas da “Veja” (se é que são verdadeiras) indicam um (entre dezenas) de esquemas privados de financiamento de campanha. Por “coincidência”, a maior parte dos parlamentares e governadores citados agora pertence à base aliada do governo. Mas se recorremos à própria Veja, descobrimos que “Fornecedores da Petrobras sob suspeita financiaram campanha de 121 parlamentares em atividade”: nessa lista aqui há também tucanos, demos, gente do PPS e até o vice de Marina, Beto Albuquerque.

Na prática, o escândalo de boca de urna da “Veja” pode ser um segundo avião a desabar sobre a campanha presidencial.

Agora se entende porque Aécio vinha chamando Marina de “PT2″ nos últimos dias. E porque mervais e outros quetais pediam que “ainda” não se abandonasse Aécio (afinal, Marina “poderia ter problemas logo adiante”). Sabiam que a cavalaria Abril/Globo viria para salvar o exército tucano em frangalhos.

Aécio estava emparedado pela polarização Dilma/Marina, desde a queda do avião de Eduardo Campos. Começava a se consolidar um debate sobre dois projetos para o Brasil: PT/Lula/Dilma x Marina/PSB/Rede (com nacos do tucanato migrando para essa segunda turma). Nesse momento, a heróica e destemida “Veja” aparece para colocar Aécio de novo no páreo. E tenta trazer de volta a pauta da escandalização (sem provas, por enquanto).

De novo, repito: isso não quer dizer que as gravíssimas denúncias não devam ser investigadas. Mas é evidente que, como acontece desde 2006, a “Veja” vai jogar em tabelinha com a “Globo”. Aguardem 10 minutos diários de “repercussão” do caso no JN: hoje, segunda, terça… e até o dia 5.

A Dilma agora vai-se arrepender de ter ido preparar omeletes com Ana Maria Braga. Ah, a falta de apetite petista para o confronto. Ah, que saudades de Brizola…

Em 2006, eu trabalhava na Globo (era repórter especial), e vi de perto o moralismo seletivo praticado pela emissora. Ao lado de outros colegas jornalistas, me insurgi internamente quando a Globo (a duas semanas do primeiro turno) botou todo seu peso na investigação dos “aloprados petistas” (claro, deviam ser investigados), mas recusou-se a investigar as denúncias contra Serra contidas no dossiê de um lobista chamado Vedoim.

Quando saí da emissora, poucos meses depois, publiquei uma carta em que contava detalhes do episódio. E questionava a direção de Jornalismo, sob comando de Ali Kamel.

A CartaCapital também publicou uma capa mostrando como a Globo manipulou o noticiário às vésperas do primeiro turno em 2006… Vale a pena ler – aqui.

Em 2014, mais uma vez, a turma do moralismo seletivo não está preocupada com o Brasil. O moralismo de ocasião é só uma ferramenta daqueles setores desesperados com uma eleição que transformava PSDB/Globo/Veja em coadjuvantes absolutos.

Mas o escândalo mostra também a necessidade de uma Reforma Política urgente. PSDB, PT, PSB, PMDB: todos (ou pelo menos partes importantes dos principais partidos) parecem usar meios ilegítimos de financiar suas candidaturas. Muitas vezes, o poder econômico banca as campanhas e se transforma em dono dos mandatos.

Mais um argumento para se defender a necessidade de uma Reforma Politica para proibir doações privadas em campanhas.

Constituinte já!

É preciso proibir as doações de empresas a campanhas (como pede a OAB, em ação bloqueada no STF, por um pedido de vistas de Gilmar Mendes - sempre ele).

Abaixo o moralismo seletivo de Veja/Globo e dos tucanos!

Investiguemos todos os escândalos, inclusive os que atingem amigos da velha mídia: Serra/PSDB de São Paulo, Aécio/PSDB de Minas (o aeroporto de Cláudio é fichinha perto do que há por lá), Marina/PSB/Rede.

E que o PT explique como quer “reformar” o Brasil pedindo dinheiro (legal ou ilegalmente) de gente que quer qualquer coisa, menos reformas no Brasil…

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O que pode salvar o Brasil é a política, não a sua negação

Já que o brasileiro não liga para a política, detesta os políticos, acha que todo político é ladrão ou corrupto, o jeito é eleger para presidente alguém que não seja político.
E aí, como mágica, surge o nome dessa doçura de pessoa chamada Marina Silva.
Ela é, para esse brasileiro que tem pelos políticos um ódio visceral, tudo de bom.
Como o brasileiro que cultiva a ojeriza pela política, Marina também externa esse sentimento, garantindo que com ela essa raça de abominações que tem acabado com o Brasil vai ser posta devidamente em seu lugar, ou seja, ficará completamente fora da máquina administrativa.
Marina diz que esses partidos que estão aí fazem parte de um modelo ultrapassado, que todo o sistema político brasileiro não presta, que é preciso colocar algo novo - ela, é claro - em seu lugar, que é necessário mudar tudo para que a sociedade brasileira, e a própria democracia, avancem.

Quando eu era adolescente, de certa forma, também pensava mais ou menos dessa maneira.
Com o tempo, porém, percebi que só há duas formas de se fazer mudanças sociais num organismo tão complexo quanto uma nação: devagar, de modo quase imperceptível, para que os afetados pelas transformações possam absorvê-las, ou abruptamente, pela força de uma revolução.
Como a segunda hipótese, por razões óbvias, é uma possibilidade inviável no Brasil, resta apenas a primeira.
Desde 2003 o governo trabalhista vem mudando o país.
Devagar, devagarinho.

Parece que quase nada foi feito, mas esse pouco, essas migalhas que melhoraram a vida de milhões de pessoas, conseguiram tirar o sono daqueles que sempre consideraram o Brasil sua propriedade particular - uma enorme senzala controlada por meia dúzia de casas grandes.
A Marina que surge nesta eleição como a representante de uma "nova política" parece não entender o que se passa no país.

Ignora todos os avanços sociais e econômicos dos últimos anos.
E, o pior, com a sua pregação juvenil, rejeita a única forma que existe para levar o Brasil ao Primeiro Mundo, que é exatamente a política, feita e conduzida por políticos dedicados à vida pública, pessoas preparadas para entender o sofisticado mecanismo social - e não por operadores do mercado financeiro, aventureiros e carreiristas, socialites e herdeiras de fortunas, fanáticos religiosos e ambientalistas, picaretas de todos os matizes.

Só a política, e não a sua negação, é capaz de salvar o Brasil.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A verdade que a burguesia e a direita não querem ver e aceitar

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre




O Partido dos Trabalhadores é integrado por vários grupos políticos, muitos deles de força ideológica socialista, comunista, que se dividem em subgrupos considerados radicais. Eles desejam uma solução política que ao menos domestique o capitalismo selvagem que viceja no Brasil, um sistema econômico não filosófico, mas que apenas tem por finalidade primordial favorecer o lucro em detrimento da maioria da população de qualquer país.

Contudo, apesar de o PT ser um partido de esquerda e, mais do que isto, ocupa majoritariamente e politicamente o espaço à esquerda do espectro ideológico no Brasil, a agremiação política mais poderosa da América Latina é, na verdade, um partido reformador e não revolucionário, como muitos socialistas queriam, inclusive eu, o autor deste artigo.

O PT é um partido transformador, e, consequentemente, apresentou nas eleições ao povo brasileiro um programa de governo e um projeto de País que viabilizasse as mudanças esperadas há décadas pela sociedade. Válido é salientar que desde o último governo do estadista trabalhista Getúlio Vargas o Brasil e seus consecutivos governantes se recusaram a mexer nas estruturas de um País agrário que foi edificado por intermédio do trabalho escravo e que tem uma das "elites" mais perversas e violentas do mundo.

Uma classe social abastada e que domina os meios de produção e controla um sistema midiático, que desestabiliza até mesmo governos trabalhistas, a exemplo de mandatários populares como Lula e Dilma Rousseff, que ano após ano têm de enfrentar todo tipo de acusações, muitas delas levianas, e denúncias vazias, que jamais são comprovadas, porque similares a tiros na água, cujo propósito é apenas causar confusão à sociedade, principalmente aos grupos sociais conservadores, como as classes médias alta e tradicional, altamente sugestionáveis, além de serem reacionárias e preconceituosas por natureza.

São grupos sociais conservadores e que ainda não entenderam que o Brasil mudou, porque acreditam nos valores e nos princípios de uma burguesia minoritária, colonizada há séculos, que igualmente não conhece o poderoso País sul-americano, além de não se importarem com as condições de vida da maioria do povo brasileiro. Equivocadamente, consideram-se parte das "cortes", retratadas nos Estados Unidos e na Europa Ocidental. São pequenos burgueses que sonham algum dia participar do baile dos ricos, serem sócios de seus clubes, porque carregam em seus espíritos a vã esperança de não serem barrados nas portas de suas mansões.

Equivoca-se, redondamente, a classe dominante quando pensa em retrocesso político, a fim de eleger candidato conservador que conquiste a cadeira da Presidência da República e comece a trabalhar em prol dos interesses do establishment, e, por seu turno, continue a manter o status quo intacto, como se o povo brasileiro não soubesse que com a ascensão dos trabalhistas e socialistas ao poder a sua condição de vida não tivesse melhorado, realidade esta que sem sombra de dúvida é notada por qualquer pessoa, por mais alienada que ela seja. As condições de vida do brasileiro melhoraram em todos os sentidos.

É evidente que tem muito trabalho a realizar e, por sua vez, fazer com que o Brasil seja mais igualitário, solidário e viabilize as oportunidades a todos os brasileiros, independente de suas origens ou classes sociais. O povo deste País sabe disso e por causa dessa compreensão a virtual candidata do PT é a favorita em todas as pesquisas até agora divulgadas pelos meios de comunicação de direita e que efetivam há 11 anos oposição sistemática aos governos populares do PT, que, como afirmei anteriormente, são de carácteres reformistas e não revolucionários. Ponto.

Mesmo assim a direita brasileira é tão reacionária, sectária e egoísta que luta, com todas suas forças, para que os milhões de brasileiros mais pobres não se emancipem. Essa realidade acontece porque somos uma sociedade patriarcal, casuística, autoritária e de passado escravocrata, que impinge valores e conceitos terrivelmente bárbaros e de conotação fascista, que estão enraizados na alma e na mente das classes médias e ricas, sendo que a primeira é a caixa de ressonância dos grupos dominantes deste País e por isto difundem tais condutas e pensamentos reacionários, que na verdade visam, efetivamente, manter por tempo indeterminado o status quo e a dominação social e econômica sobre os pobres e os trabalhadores.

A verdade é que o PSDB se chama Partido da Social Democracia Brasileira. Mas quem é social democrata, por ser reformista, é o PT. O partido dos tucanos é de direita, aliado à direita patrimonialista e porta-voz dos conservadores nos fóruns públicos, a exemplo do Congresso, do STF e do Ministério Público Federal. Esta poderosa direita tupiniquim, uma das mais influentes do mundo, não quer reformas, como não as quis quando derrubou o grande presidente trabalhista João Goulart, o Jango, e conspirou contra o estadista Getúlio Vargas, até a sua morte trágica em 1954.


A direita brasileira é escravocrata e a efetivação de simples reformas propostas pelos governos trabalhistas causa a ela um sentimento de perda. Não a perda de seu dinheiro e do patrimônio amealhado ou acumulado no decorrer de décadas ou até mesmo séculos. É um sentimento mais profundo, que remonta historicamente o sentimento de posse e domínio sobre seres humanos. É terrível e muito complexo enfrentar essas questões tão enraizadas na sociedade brasileira, que atinge, inclusive, os corações e as mentes da classe média de pele branca e valores morbidamente capazes de deixar uma pessoa que preza a igualdade e a democracia com o queixo caído, porque se trata de gente que, indelevelmente, é empregada dos ricos por toda sua vida.


O PT e seus membros são diuturnamente desqualificados e desconstruídos pelo establishment em forma de mídias, notadamente a imprensa de negócios privados, setor este que sonega impostos e deve muito dinheiro ao poder público. Essa realidade acontece porque o PT e seus governos romperam os paradigmas estabelecidos há séculos pelas oligarquias inquilinas da Casa Grande.


São "elites" que não conseguem conviver com a igualdade entre as pessoas, porque se acham superiores, quiçá pessoas tão "formosas" e "superiores" que se consideram diretamente "escolhidas" por Deus para receberem todos os benefícios e privilégios que a vida pode dar, mesmo se muito de suas riquezas e prazeres são originários do trabalho duro dos trabalhadores brasileiros.


É inaceitável viver em um País onde campeia a desigualdade. Para reverter este quadro lúgubre e nefasto, necessário se torna concretizar ferramentas e instrumentos que viabilizem a ascensão social, econômica e financeira dos pobres e dos desvalidos, bem como dos pequenos empreendedores, pois são eles os responsáveis maiores pela criação dos postos de trabalho no Brasil. Os governos trabalhistas de Lula e Dilma Rousseff estão a investir pesadamente em educação, pesquisa, infraestrutura e também em saúde.


Entretanto, nada é divulgado nas mídias mercantilistas e ditatorialmente controladas por magnatas bilionários que não têm o menor compromisso com o Brasil e seu povo. O PT e seus aliados vão ter de mostrar suas ações e realizações por intermédio do horário eleitoral gratuito, bem como responder à altura toda denúncia vazia, acusações infundadas e ataques ferozes que visam confundir para manipular a verdade e a realidade perante o eleitor, que é o cidadão brasileiro.


O PT luta pela cidadania plena dos brasileiros, mas está a pagar um altíssimo preço ao enfrentar o establishment, retratado em instituições ainda "pertencentes" à Casa Grande, a exemplo do STF, da PGR e de setores da Polícia Federal, além, evidentemente, da forte oposição da imprensa de mercado e de partidos conservadores como o PSDB. As reformas dos trabalhistas são as verdades que a burguesia e a direita não querem ver e aceitar. É isso aí.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

LULA, DILMA, CORRUPÇÃO, MARCO REGULATÓRIO, IMPRENSA, OPOSIÇÃO E 2014

O Partido dos Trabalhadores anuncia que a imprensa corporativa e de mercado está a fazer campanha para taxar o ex-presidente Lula de corrupto. Não é somente isso. A mídia de direita deseja, sobretudo, que Lula se cale, não articule composições políticas e que não apareça, de forma positiva, em suas telas televisivas, bem como nas páginas dos jornais e revistas. A ordem é não mostrar, de forma alguma, seu legado, além de superdimensionar até os fatos corriqueiros, além de criar polêmicas onde não existem polêmicas. E crises onde não há crise.

É o verdadeiro e autêntico jornalismo de esgoto, declaratório, elaborado na fofoca e na maledicência cujo objetivo é desqualificar o único político brasileiro de grandeza internacional e que se prepara para o combate das eleições de 2014. Por seu turno, até que enfim o PT saiu do imobilismo, porque se depender do Governo da presidenta Dilma Rousseff, política filiada ao partido, os integrantes do PT que estão na linha de frente a enfrentar uma oposição não partidária e sem voto vão ser imolados e calados sem o direito de se defender e muito menos se contrapor ao que é dito pela máquina midiática e por seus aliados incrustrados no STF.

É a ditadura da imprensa de negócios privados, que tem lado, cor e ideologia. A imprensa alienígena e de direita controlada, a ferro e a fogo, pelos patrões da oligarquia midiática e por setores poderosos do Judiciário (STF, STJ e PGR), que interferem no processo politico brasileiro, por intermédio da desconstrução da imagem de Lula, da criminalização do PT e da judicialização da política, que acarreta o engessamento da autonomia do Congresso e do seu direito constitucional de legislar.

Agora o PT “descobriu” que a direita sempre vai proceder e agir como direita, ou seja, tal qual ao escorpião, que vai sempre agir e proceder como escorpião. Então, vamos às perguntas que não querem calar: por que o PT até o momento não lançou ainda, em âmbito nacional, uma campanha a favor da efetivação do marco regulatório para as mídias? E por que a presidenta Dilma Rousseff tem tanta parcimônia com os plutocratas de mídias, que há quase um século golpeiam os políticos que não rezam por suas cartilhas, ou seja, aqueles que não seguem seus princípios políticos e seus interesses econômicos? Com a resposta, a própria presidenta, a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann e o ministro das comunicações Paulo Bernardo.

A verdade é que a imprensa de caráter golpista pauta seus aliados, a oposição partidária (PSDB, PPS e DEM) e o Judiciário, e cria as estratégias políticas e criminosas de boicote e de sabotagem contra os governos trabalhistas de Lula e agora o de Dilma. A presidenta sabe disso e sempre soube. Afinal, ela militou na esquerda armada, foi presa e vitimada pela tortura. Ninguém está mais consciente do que a presidenta sobre o fato e a realidade de que os barões da imprensa jamais comporão politicamente com mandatários trabalhistas. Essa gente de direita tem uma imensa compreensão de quem são os trabalhistas e o que representam: o segmento ideológico e político brasileiro que deu fim definitivo à escravidão em 1930, bem como modernizou e industrializou o País, além de distribuir renda e garantir os direitos trabalhistas.

Os barões da imprensa conservadora e os homens e mulheres que alugam suas forças de trabalho e servem como porta-vozes de seus patrões sempre souberam que foram os trabalhistas que modernizaram e criaram ferramentas de controle estatal no que diz respeito à arrecadação do estado e à fiscalização do setor privado, que teima em sonegar impostos e desviar recursos de forma criminosa para o exterior. A direita sempre soube disso e por isso, na verdade, nunca se preocupou muito, apesar de tê-los perseguidos, com os comunistas que se tornaram ex-comunistas e que hoje, desavergonhadamente, são aliados de seus algozes, a exemplo de Roberto Freire, Raul Jungmann, Fernando Gabeira, Ferreira Gullar e muitos outros, como o Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal —, que vendeu o País e não satisfeito foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires na mão, porque quebrou o Brasil três vezes.

Acontece que nada vai adiantar se o Governo de Dilma Rousseff não propiciar as condições para que o povo brasileiro tenha um sistema de comunicação democrático e aberto à sociedade. Enquanto houver meia dúzia de oligarcas a dominar um setor econômico da maior importância para qualquer País, a sociedade vai ficar à mercê dos ditames de empresários que são capazes, como ocorreu no passado, de conspirar contra governantes eleitos pela população e, de forma real, concretizar golpes de estado. Lembremos, sempre, de Getúlio Vargas, de João Goulart e até mesmo Leonel Brizola, que não foi presidente da República, mas pagou um preço altíssimo por jamais ter sido cooptado pelos senhores condestáveis da mídia privada brasileira.

Como se percebe, no Brasil e em muitos países vizinhos da América do Sul presidentes trabalhistas foram, recorrentemente, alvos de uma direita cruel, perversa e capaz de qualquer ato ou ação para derrubar do poder mandatários trabalhistas que colocaram em prática seus programas de governo e a projetos de estado. A direita midiática, política e judiciária, com o apoio de setores da indústria, do campo, do comércio e dos banqueiros, querem a derrota de Dilma Rousseff em 2014, que insiste a não enxergar a montanha que está à frente de seus olhos. Contudo, é preciso ter discernimento e coragem. Não haverá paz para governar e muito menos para efetivar as políticas públicas se a presidenta continuar a tergiversar, a dissimular sobre a séria questão que é a implementação do marco regulatório para o setor midiático.

Para início de conversa, a bancada do PT no Congresso e alguns de seus aliados, como o PCdoB, têm de questionar o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que “esqueceu”, talvez para sempre, o projeto do jornalista Franklin Martins, que dispõe sobre um novo marco regulatório para o segmento midiático brasileiro, tanto na esfera pública quanto no âmbito privado. Afirmo e reafirmo o que já se tornou um mantra: a oligarquia midiática brasileira é historicamente golpista, não tem compromisso com a Nação brasileira, porque é aliada dos interesses de governos estrangeiros, representa os banqueiros, além de ser herdeira da escravidão. Por isso e por causa disso tem um profundo desprezo pelas conquistas sociais e econômicas do povo brasileiro, bem como odeia os políticos trabalhistas que ousaram a ouvir e a atender os anseios e os desejos dos trabalhadores deste País que cooperaram, e muito, para que as “elites” ficassem podres de ricas.

A direita gosta da direita e atura os de fora do seu círculo que foram cooptados, a exemplo de José Serra, aquele que tem sérias dificuldades para terminar um mandato, e, quando a cumpri-lo, recusa-se a melhorar as condições de vida da população. E os barões da imprensa e seus sabujos ainda o chamam de “elite da elite”. Seria cômico se não fosse trágico. Todavia o que está em jogo é a eleição presidencial de 2014, e por isso a campanha sistemática e insidiosa contra o PT e o maior líder político deste País — o ex-presidente Lula.

Lula é um intelectual orgânico, ponderado e sábio, pois conhece profundamente a política brasileira e seus meandros. Tenho a impressão de que quanto mais o jogo político ficar intrincado e radicalizado, mais o Lula gosta, porque, como no futebol, as provocações e as jogadas desleais são o combustível para a reação, ou seja, para o debate e a apresentação de propostas e do que já foi feito por ele e sua equipe, além do que pode ainda ser realizado. Lula elegeu dois técnicos para dois dos cargos mais importantes da República — a Presidência e a Prefeitura de São Paulo.

Ao analisar essas realidades cheguei à conclusão que não adiantou muito aos jornalistas que prestam serviços à oligarquia midiática composta por meia dúzia de famílias. Por isso, torna-se importante a atuação do Judiciário integrado por juízes e promotores conservadores, que fizeram de seus ofícios um auto de fé nada republicano e voltado para combater politicamente os trabalhistas que conquistaram o poder em um tempo de 11 anos e que têm grandes possibilidades de vencer as eleições presidenciais de 2014 e, consequentemente, darem continuidade a programas e projetos sociais e de infraestrutura que deixaram de ser de governo e passaram a ser de estado. E é exatamente essa realidade que incomoda a direita e àqueles que querem e desejam um País VIP, para poucos privilegiados, que de tão autoritários, petulantes e arrogantes pensam que estão “em uma boa” porque, quiçá, consideram-se escolhidos por Deus.

Quando a presidenta Dilma Rousseff compõe extraoficialmente com o baronato midiático procede, a meu ver, de forma arriscada. Quem não se previne fica aberto a contratempos, como ocorre com o boxeador que baixa a guarda ou quando um visitante ou curioso mesmo ao lado do treinador de grandes felinos permite que, por exemplo, um tigre o abrace. Não é de bom alvitre, e considero que a presidenta trabalhista é cônscia dessa realidade. Não se empenhar para que o Brasil tenha um marco regulatório que atenda e seja coerente com a época atual é nada mais e nada menos do que uma grande insensatez, um despropósito inominável, porque sabemos que a mídia de negócios privados é a voz viva e atuante dos interesses dos grandes conglomerados e trustes nacionais e principalmente internacionais. Ponto.

Dilma Rousseff é a responsável maior por esse estado de coisas no que tange à falta de regras, de um marco regulatório que faça com que o setor midiático atue e aja dentro da legalidade, a seguir preceitos éticos e morais sem ser falso moralista, coisa que muitos homens e mulheres de imprensa se comportam e se conduzem, e, contraditoriamente, transformam-se em lubrificadores da máquina midiática moedora de almas e reputações e que não concede o direito de defesa ao agredido e desrespeitado, porque no Brasil não existe legislação adequada e específica que regulamente a imprensa corporativa e de mercado, que neste País atua e age como se estivesse em um mundo paralelo, alheio às leis a totalmente apropriado a seus devaneios e desejos, a seus interesses e á sua pauta.

É assim que a banda toca nesses pagos verdejantes, de céu anil e do gorgeio do sabiá. Existe uma certa “elite” econômica que se pudesse rasgaria a Constituição, a exemplo da posse do deputado José Genoíno, condenado, sem provas, no caso “mensalão” e que vai assumir uma cadeira na Câmara por ser suplente de um deputado que vai assumir a prefeitura de São José de Campos (SP). A imprensa questiona, maldosamente, a posse do petista de passado histórica e que participou da Guerrilha do Araguaia na década de 1970. Contudo, Genoíno ainda pode recorrer e sua punição ainda não foi publicada pelo Judiciário.

Os jornalistas que servem ao sistema sabem disso, bem como eu sei que o “mensalão” não foi juridicamente comprovado. O julgamento foi de ordem política, e a posse do petista histórico na verdade evidencia, sobretudo, que o País vive uma normalidade democrática tão substancial e sólida que mesmo o cidadão que foi punido pela maioria dos juízes de direita do STF (mas que pode ainda recorrer) tem o direito constitucional de assumir sua cadeira e com o apoio de seu partido, que, ao que parece, começou a reagir à malhação promovida pela imprensa direitista com a cumplicidade e a operacionalidade de juízes e procuradores que se aliaram aos tucanos e seus apêndices (DEM e PPS) que foram derrotados em três eleições presidenciais, perderam São Paulo, bem como, apesar do “mensalão”, vão ter de ver o PT governar o maior número de brasileiros, porque os políticos petistas eleitos vão administrar a maioria das maiores cidades do Brasil. Ponto.

Esta é a verdade que não sai nos jornais conservadores. A direita brasileira herdeira da escravidão e do golpe civil-militar violento e de caráter alienígena, articulado e efetivado para atender os interesses geopolíticos e econômicos dos Estados Unidos, bem como impedir a concretização das reformas de base propostas pelo grande presidente trabalhista João Goulart não se importa se o crescimento econômico experimentado no Brasil nos últimos 11 anos a beneficiou.

O preconceito ideológico e a crença em um mundo privado que se autorregulamenta, a liberdade excessiva dos banqueiros para jogar no mercado, a valorização dos rentistas em detrimento dos que produzem, os juros altos, a especulação imobiliária, bem como a diminuição dos estados nacionais com a venda de estatais estratégicas de inúmeros países levam os que militam no campo da direita a nadar contra a maré, porque foi exatamente por isso que os países europeus e os Estados Unidos foram vitimados por um tsunami econômico e financeiro que já dura cinco anos e, conforme os especialistas, não tem data para terminar, ou seja, para os países estabilizarem suas economias.

Contudo, os “especialistas” do Instituto Millenium, entidade de direita financiada pelas famílias Marinho e Civita, insistem com a ladainha que não deu certo como demonstram as economias combalidas da maioria dos países europeus e as sérias dificuldades pelas quais passam os EUA. Ademais, quem tem um mínimo de discernimento e sensatez sabe que os inquilinos do Millenium se recusam a pensar o Brasil, como sempre se recusaram as nossas “elites” em todos os tempos.

Ridiculamente tratam o mercado como “deus” e, inquestionavelmente, “esquecem” de trabalhar em prol do bem-estar de grande parte de população que necessita do apoio e da cooperação do estado. Tal entidade conservadora não passa de um foco de golpistas, autênticos reacionários inconformados com os trabalhistas no poder. De forma alguma esses homens e mulheres que posam de sábios vão perder seu tempo a pensar o Brasil, porque simplesmente, antes de tudo, eles servem aoestablishment e se reportam à sociedade, especificamente à parcela conservadora da classe média ressentida e que acredita que manter o status quo é o caminho para que ela, inadvertidamente, tenha ascensão de classe social e, por conseguinte, livrar-se da massa.

Coitada da classe média de caráter lacerdista e que está sempre disposta a participar de marchas da Família com Deus pela Liberdade atualmente reeditada em movimentos Cansei que não atraem mais do que dois mil gatos pingados enraivecidos e obcecados, pois manipulados pelas informações que recebem de uma imprensa que acredita em um mundo para poucos e que pretende perpetuar a hegemonia de classe social e para isso tem como sua principal aliada e irradiadora de suas ideias a reacionária classe média. Bucha de canhão dos ricos e do sistema midiático privado é o que ela é, e que a usam como porta-voz de seus valores e princípios sectários e que luta, ferozmente e rotineiramente, contra a emancipação do povo brasileiro.

O que a direita não compreende ou finge não entender é exatamente isto. Para o povo, Lula simboliza sua própria emancipação, realidade esta que transforma o fundador do PT e da CUT em um político orgânico, inserido na profundamente na sociedade em todas suas faces, tanto a organizada e a desorganizada composta por milhões de brasileiros, que até então não tinham acesso à segurança alimentar quanto mais a um modesto emprego ou a uma simples conta em um banco.

Por sua vez, Lula sabe quem ele é e a quem representa. E a direita sabe disso e por causa disso tenta desmoralizá-lo e desconstruí-lo, como ocorreu com os trabalhistas de todas as épocas, nas pessoas de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Lula veio do trabalho. Sua origem é o trabalho, e não há nada que incomoda mais os barões da imprensa e a direita em geral do que um trabalhista no poder, como ocorre no momento com Dilma Rousseff na cadeira da Presidência da República.

Lula não é corrupto, com não o foram Brizola, Jango e Getúlio. O tempo é o senhor da razão e a história é escrita de maneira fria e isenta. A história é escrita por historiadores sérios e estudiosos e não pelos escribas do Instituto Millenium a soldo de empresários proprietários da Folha de S. Paulo, da Veja e de o O Globo. Quero deixar claro e a quem possa interessar que corrupta é a velha imprensa empresarial, pois golpista e mentirosa; dissimulada e manipuladora. Todo mundo sabe disso. Até mesmo a classe média reacionária, que acredita um dia ficar rica, como muita gente crê em Papai Noel, na mula-sem-cabeça, no lobisomem ou no boitatá. 

Desconfio que os donos das mídias privadas e seus papagaios de pirata também compreendem que o candidato de Lula para 2018 talvez seja o prefeito recém-eleito de São Paulo, Fernando Haddad. E por que, não? Dilma Rousseff, segundo as pesquisas, tem 78% de aprovação popular. Creio que a mandatária vai ser a candidata do PT, em 2014. Lembro aos navegantes que tal qual à Dilma, Haddad é um político de perfil técnico, nunca antes tinha concorrido a uma eleição, bem como é um político novo em idade, além de ter sido um competente e eficiente gestor à frente do Ministério da Educação. 

O prefeito de São Paulo é o responsável pela inclusão social de negros e pobres nas universidades públicas até então um reduto ou redoma de cristal dos filhos da classe média abastada e dos ricos, que, contraditoriamente, quando crianças e adolescentes foram matriculados por seus pais em escolas particulares que oferecem serviços escolares e educacionais muito melhores do que as escolas públicas, que foram sucateadas pelas “elites” brasileiras no decorrer das décadas, principalmente a partir de 1964, ano do violento golpe empresarial e militar. 

Sob a administração de Haddad, o MEC propiciou o ingresso de centenas de milhares de negros e, portanto, de pobres, porque centenas de milhares de cidadãos de baixa renda são oriundos dos bairros populares, dos subúrbios, enfim, da periferia. Estive, há cerca de três anos, no Morro do Urubu, no bairro do Engenho da Rainha, no Rio de Janeiro. O sol estava inclemente e a temperatura nos relógios de rua marcava 39°.

Subi o morro em uma comitiva. O acesso à comunidade é dificílimo porque a ladeira é de quase 90°. Muito inclinada e longa. Conversei com alguns moradores. Eles me disseram que muitos idosos moram na comunidade, não descem para a cidade há dez e até 20 anos por falta de condições físicas e de saúde. E quando Lula financiou o teleférico do Complexo do Alemão, a direita o criticou açodadamente, debochou e seus apaniguados escreveram textos cretinos e sem noção da realidade nas páginas dos grandes jornais. Hoje os teleféricos são essenciais para a vida da comunidade, dos idosos, dos enfermos, das donas de casa e dos trabalhadores. Por ironia do destino, os bondinhos do Alemão servem como paisagem para a novelaSalve Jorge da TV Globo, que anteriormente também criticou a ocupação das favelas e hoje, na mesma novela, personagens militares andam pelas comunidades. Nada como um dia após o outro.

A direita não realiza nada e nada dá para a população quando está no poder. Nem os impostos ela devolve em forma de investimentos sociais e de infraestrutura. Sempre foi assim. A direita, sim, sempre se beneficiou dos legados dos governantes trabalhistas, que, ao contrário dos comunistas, conquistaram quatro vezes a Presidência da República. A direita sabe do que se trata, e por isso transborda seu ódio pelos olhos, boca e ventas. Lula sabe disso tudo. Quem parece que esqueceu é a presidenta Dilma Rousseff, que, aparentemente, está a compor com quem não deveria para não ser alvo de ataques. Porém, em 2014, Dilma vai enfrentar uma campanha agressiva e baixa por parte de seus adversários, como ocorreu em 2010. A direita é como um felino: ronrona e ronrona... e depois dá o bote. É isso aí.

DAVIS SENA FILHO