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segunda-feira, 29 de junho de 2020

Piero Leirner: militares acabarão por criar ‘anomia’ da qual tanto falam

Para antropólogo, militares buscam espécie de "conversão cultural" de corações e mentes do povo brasileiro - por Pedro Marin | Revista Opera


Quando o antropólogo Piero Leirner, sob a insistência de sua orientadora, Maria Lúcia Montes, decidiu estudar o Exército, o Brasil vivia seu primeiro governo eleito por voto direto em 21 anos. A ideia de Leirner era fazer um estudo de campo em pelotões de fronteira na Amazônia, tema comum do discurso público dos militares nos idos dos anos 90. Acabou parando na Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME) no começo de 1992, onde, diz ele, foi “tratado como uma espécie de orientando ou estagiário”, posto para ler textos e fazer fichamentos, enquanto se preparava para estudar o que realmente queria. Acabou ficando lá por três anos, sem conseguir o tão desejado acesso aos pelotões de fronteira. “Um dia pensei ‘caramba, eu estou há anos aqui, indo toda hora para a Escola de Comando, e isso não é campo?’ Notei que eu tinha feito um campo; que muitas coisas sobre esse campo eram regidas pelas ideias de hierarquia militar”, diz. Transformou a experiência em um trabalho de mestrado, segundo estudo antropológico feito no Brasil sobre o tema, defendido em 1995 e publicado em 1997 pela FGV: “Meia volta volver: um estudo antropológico sobre a hierarquia militar”.

23 anos depois, num momento em que se diz cansado do Exército, o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) volta mais uma vez os olhos aos militares, dessa vez em um cenário em que retornam ao centro do poder político, no trabalho “O Brasil no Espectro de uma Guerra Híbrida: militares, operações psicológicas e política em uma perspectiva etnográfica”. Em entrevista à Revista Opera, Piero Leirner explica sua pesquisa e a forma como vê a ascensão militar.

Revista Opera: Peço que você fale dessa sua nova tese, do porquê decidiu escrevê-la e porque escolheu essa abordagem, da Guerra Híbrida.

Piero Leirner: É uma tese que fiz para o cargo de professor titular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que é onde dou aula, onde estou há 22 anos. Depois do doutorado eu tinha trabalhado um monte de coisas, mas o tema do Exército tinha me enchido o saco. Tinha me afastado dessa conversa toda. 

Em 2010 eu fui para a Amazônia, fui para a área dos pelotões de fronteira, e voltei em 2013 – morei lá durante um semestre, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Mas eu estava mais interessado em etnologia indígena do que nos militares; queria estudar os índios que estavam servindo lá, no Exército, mas de novo foi muito difícil, simplesmente o comandante “sumiu”. Então decidi partir para outra, disse que não queria nunca mais saber desse assunto. Fui estudar parentesco e hierarquia entre os índios Tukano da região do Alto Rio Negro.

Mas em 2016, quando começa a história do impeachment e todas aquelas agitações, a Maria Lúcia começou a demandar que eu passasse a fazer uma leitura sobre o que estava acontecendo com os militares. E nós entramos em um grupo de discussão por internet, no blog do Romulus – que tinha acabado de conhecer quando ele ainda era comentarista do GGN –, e fui puxado de novo para a discussão sobre os militares. E de fato comecei a suspeitar que eles estavam mexendo os pauzinhos de uma maneira muito estranha – porque você deve se lembrar bem, vocês na Opera provavelmente foram os primeiros a detectar isso, ninguém mais falava que eles iriam agir como atores primários nesse processo. O que o general [Eduardo] Villas Bôas transmitia o tempo inteiro é que eles se mantinham absolutamente neutros e distantes de todo o processo político. Foi aí que eu comecei a olhar um pouco a essa literatura sobre Guerra Híbrida, mais como uma curiosidade – mas nessa época começou a cair no meu colo textos em que os próprios militares descreviam o que eles consideravam ser uma Guerra Híbrida. Tinha alguma noção do que eles falavam pois por volta de 2008 acabei estudando, em um pós-doutorado, justamente manuais de operações psicológicas, contrapropaganda, etc. Isso porque havia nos EUA um uso institucional de antropólogos nas Forças Armadas, no Iraque e Afeganistão. E eu comecei a perceber, nesse processo, que os textos que eles escreviam aqui eram instrumentos de produção de desinformação, típicos de uma Guerra Híbrida: ou seja, eles estavam produzindo uma Guerra Híbrida interna.

Então, sobre a Guerra Híbrida, vejo muito mais como conceito nativo do que como uma realidade concreta e autoexplicativa, entende? Mas o conceito nativo começa a ser tão usado que passa a fazer sentido por ele próprio, quando os atores começam a acreditar demais naquilo que eles escrevem. Foi a partir disso que eu resolvi reunir as coisas que estava pensando de 2016 para cá e, em junho de 2019, comecei a escrever essa tese; terminei ela em setembro e defendi em dezembro.

Revista Opera: Na sua tese você cita algo que é um pouco desconhecido, no geral; essa aproximação que os militares têm mantido, pelo menos desde a redemocratização, com intelectuais, jornalistas, empresários, etc. Como você vê esse tipo de aproximação?

Piero Leirner: Logo depois do Plano Collor, eles estavam extremamente decepcionados com os rumos que o Collor tinha tomado, porque depositavam uma fé muito grande nele. Isso me era falado o tempo inteiro nessa época – e eles foram sucateados, era impressionante como às vezes eu pegava carona em viatura que servia coronel ou até general, e a porta da viatura não tinha tranca, o soldado ia segurando com o braço para fora. Estavam realmente muito preocupados e desconfiados com os rumos que a democracia estava tomando, o que casava um pouco com aquelas teorias sobre as ONGs e o interesse internacional na Amazônia, que estava começando a virar um protoplasma ideológico e algo doutrinário entre eles. Por que? Porque nesse momento, com o fim da Guerra Fria, falavam claramente que não ganharam nada no processo de alinhamento com os Estados Unidos, que na verdade saíram prejudicados, ao contrário do que aconteceu com a Europa depois da Segunda Guerra. Então pensavam que era necessário procurar um alinhamento nosso, próprio, autóctone – é daí que veio toda essa mitologia da Amazônia associada a Guararapes, ao nascimento da nacionalidade, etc. “Invenção do Exército Brasileiro” é um livro interessante de Celso Castro, no qual ele mostra como eles criam, a partir de coisas mais ou menos dispersas, essa história de Guararapes e sua associação à Amazônia.

Bom, nesse ínterim eles identificaram que não havia um projeto nacional; diziam “somos uma Força Armada procurando a nossa raiz e o nosso norte, mas a gente não tem na sociedade o mesmo tipo de movimentação. Então nós é que temos que fazer isso”. E o que fazem? Tiram da cartola, de novo, a ideia de que eles são a ossatura da nacionalidade, que vão conduzir o processo de gestão e formação da Nação. É nesse momento que eles começam a trazer, para dentro da Escola de Comando, um monte de gente; mas uma coisa meio sem critério, que ia de José Genoíno a Olavo de Carvalho. Então o que eu acho que eles estavam fazendo nessa época? Sondando as teorias que se encaixavam ali, produzindo a cacofonia que nós estamos vendo hoje, uma coisa absolutamente maluca. Juntar a ideia de soberania na Amazônia com a entrega da EMBRAER, sei lá eu. Parece algo completamente esquizofrênico – e é mesmo [risos]. Essa é a minha opinião: eles passaram por um processo de dissonância cognitiva, é o que acho que aconteceu durante anos ali dentro.

A partir disso eles começaram a armar essa rede, nos anos 90. Mas ela fica mais sólida quando eles acionam uma reação ao “comunismo” que estava voltando pro Brasil. Foi isso que galvanizou, a partir dos anos Lula, mas que aumenta para valer a partir de 2010, com a Dilma, que é quando eles procuram fazer costuras mais efetivas – sobretudo com empresários, por meios desses institutos, “Instituto Liberal”, “Mises”, etc., – mas também, sobretudo, botando lenha na ESG (Escola Superior de Guerra), chamando gente do próprio Estado lá para dentro. Você olha as listas a partir de 2010 dos frequentadores dos cursos da ESG e vê um monte de procurador e juiz entrando lá. O que é isso? De novo a formação daqueles complexos tipo IPES/IBAD (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais e Instituto Brasileiro de Ação Democrática) no pré-64. Igualzinho; a mesma coisa.

Revista Opera: Na tese você diz que se por um lado eles fazem esse movimento para dentro, isto é, esse processo de dissonância, há também um movimento de “domesticação do mundo de fora a partir do mundo militar”. 

Piero Leirner: Sim, é um pouco do que vi como experiência etnográfica na Amazônia. Essa noção, de que eles têm de carregar o País nas costas, no fundo ela é acompanhada pela noção de que eles são uma espécie de administradores de uma fazenda que têm como tarefa domesticar animais selvagens. O que significa isso? De certa maneira, trazer todo o campo de diferenças sociais para uma conversão, uma espécie de digestão e projeção, a respeito do que eles entendem como sendo parte da realidade. Que é uma realidade muito monótona (no sentido “narcísico” do termo), não é? Então não acho que seja um processo de tutela – tutela se faz com uma criança, na tutela você pressupõe que a criança estará sempre na mesma condição – o que eles querem é a conversão da população a uma outra forma, acho que há um projeto “cultural” de transformação da realidade, de corações e mentes alteradas. Por isso acho que é um projeto que embute, em seu interior, muito dessas operações psicológicas. Não é suficiente dizer que é só um interesse por cargos que faz eles irem nessa direção nos últimos anos.

Revista Opera: Você mencionou essa relação que os militares mantêm com setores do Judiciário. Cita na tese as relações que mantinham com gente do TRF-1, TRF-2 e TRF-4 – o que chama atenção. Como você vê agora, com esses militares do governo, essas relações? Como você vê isso tudo, levando em consideração a recente saída do Moro do governo?

Piero Leirner: A primeira coisa a se fazer é procurar escapar de uma visão trivial a respeito da posição deles em relação ao governo e a política. No processo que podemos recuar desde 2016 para cá, tudo é produzido em um movimento de pinça; sempre com estruturas mais ou menos duais. Se fôssemos resumir, eu diria o seguinte: eles usam um para-raios, tocam fogo em uma situação, e eles mesmos são os bombeiros que vão apagar o fogo que eles criaram. Em certo sentido o Bolsonaro representa esse papel. Uma coisa é falar em Bolsonaro, outra em governo – eu diria que ambos são governo, mas o governo em si é algo meio dualista.

O que eu vejo, por exemplo, em situações como a saída do Santos Cruz, que virou esse personagem imaculado que a imprensa toda mima. Creio que a saída do Santos Cruz, que pareceu ser uma saída por conta de conflitos com o governo, é uma válvula de escape do próprio governo – não que ele não tenha saído do governo, mas o governo, lato sensu, botou ele em uma posição de oposição controlada, compreende? Porque agora ele assume uma voz na oposição, de sensatez – sei lá como poderíamos chamar isso – mas não deixa de ser operado pelos mesmos agentes que era antes; os militares. É a válvula de escape dos militares operando como se fosse oposição, mas não é. Eles controlam ambas as posições. 

E eu acho que, em certa medida, o Moro entra nessa chave. Eles sempre vão estar batendo com um porrete e amansando com a outra mão. Interessa para eles uma posição que é de confronto, sempre, entre o Bolsonaro e uma outra posição, e eles aparecem como mediadores mais ou menos equidistantes disso. Não sei ainda qual vai ser o desfecho da questão da Polícia Federal, mas me parece que será exatamente essa posição: não vão nem pegar o Moro, nem o Bolsonaro, e vão pegar os dois ao mesmo tempo. Esse é meu palpite. Quer dizer, deve se repetir a mesma forma de Santos Cruz; Moro passa para uma “oposição” – bem entre aspas. [A entrevista foi realizada no dia 13 de maio, portanto antes de ser revelado o vídeo da reunião ministerial de Bolsonaro].

Então eu acho que, primeiro, todas essas manifestações do Bolsonaro são provocadas, não são acidentais, estão dentro de um esquema que foi pensado – não precisa fazer muito plano para elaborar, basta bater nas costas do sujeito e dizer “vai lá, Jair, vai na manifestação e faça o que você faria normalmente”. A provocação para criar um dualismo com o Judiciário é evidente, mas ao mesmo tempo o Judiciário é refém deles faz tempo. Quem está lá? O general Ajax [Porto Pinheiro]. Olhe o vídeo do general Ajax a quinze dias das eleições. Todas as teses que estão no “Carta no Coturno” estão lá, todas, pode conferir. De que os comunistas estão prestes a transformar o Brasil na Venezuela, que o PT quer mexer dentro da sua casa, com seus valores, toda aquela paranoia. Quinze dias depois ele estava no STF, dizendo o que pode e o que não pode.

Então eu acho que o STF entrou agora nessa chave que eles estão produzindo: o STF estica a corda de um lado, o Bolsonaro estica do outro, e os militares vão aparecer como solução de ordem para algo que parece cada vez mais caótico. Porque vai chegar um ponto em que a tese que eles estão pondo, de que o Brasil está para entrar em uma situação de anomia, vai acontecer. Mas é uma anomia que foi provocada por eles mesmos. E aí eles vêm e se oferecem, “somos a solução para isso”. Você junta isso com um cenário de pandemia.

Veja bem se essa “sinergia” que eles falavam ter com o TRF-4, se acabou. Outro dia mesmo eu vi, Heleno passou a tarde tomando chá com duas desembargadoras – isso estava na agenda dele. Continuam distribuindo medalhas a torto e a direito para procuradores e juízes. Então como é essa história? Não brigou de fato com o Judiciário. Pelo contrário. Estão causando a cismogênese dentro dele, é isso que está acontecendo.

Revista Opera: Na tese você identifica um ponto-chave, entre 2013-2014, e diz perceber uma certa euforia dentro do Exército, com oficiais perdendo a calma sobre a Comissão Nacional da Verdade (CNV), a partir de 2011. Como você vê essa aparente virada, mobilizando o velho tema do anticomunismo e a Comissão Nacional da Verdade?

Piero Leirner: A virada foi um pouco antes. O que aconteceu na verdade foi que, no último ano do governo Lula, em 2010, a Casa Civil – cuja ministra era a Dilma – começou a esboçar a Comissão da Verdade. E o que acontece nessa época? Começa a ter um zum-zum-zum de militares, e temos também o primeiro militar da ativa que sai para falar a questão da Comissão da Verdade. Quem é esse camarada aí? É o general Maynard Santa Rosa, que estava no governo até pouco. O general Maynard foi exonerado da função em que estava em 2010, foi jogado para escanteio – já houve aí uma pequena reação, entende? Eles ficaram incomodados com a Dilma. Quando ela se torna o projeto do Lula para a continuação do Partido dos Trabalhadores no governo, esses caras ficam de cabelo em pé. Essa história já tinha se espalhado.

E aí ela se elege em 2010 e, no final de 2011, oficializa a CNV. Já começa a tensão entre a CNV e os militares porque, entre outras coisas, um monte de oficiais da ativa, especialmente do Exército, eram parentes de militares que tiveram participação na ditadura. Se não era algo que atingia a pessoa física deles, no mínimo atingia a “pessoa familiar”, vamos dizer. E dentro desse conceito de família militar que eles têm, que é algo complicadíssimo.

Seja como for, isso vai pegando, e quem vai se manifestando são os de sempre – sempre ao redor do Clube Militar. E aí há de considerar outro processo, que são aqueles grupos que tinham ficado de escanteio logo na abertura, que tinham passado por um processo de “limpeza” produzido pelo Geisel, que pegou todo o porão da máquina de repressão e informação e jogou para fora da hierarquia – nenhum deles subiu para general, Brilhante Ustra, etc. Muitas dessas pessoas ficaram nesses grupelhos, associações “civis” – TERNUMA, Inconfidência, Guararapes. Cada vez que acontecia de um militar entrar em atrito com a política, ele corria para esses grupos. Quando houve aquela briga do general Heleno com o Lula em 2008, por causa da Raposa Serra do Sol – que é uma briga prototípica, digamos, quase um arquétipo – Heleno correu para o TERNUMA. E esses grupos todos orbitando o Clube Militar, desde sempre, que passa a ser uma espécie de válvula de escape, um lugar onde se começa a expressar uma contrariedade em relação à Comissão Nacional da Verdade, e eles lançam um manifesto, acho que no início de 2012.

A Dilma fala para o Celso Amorim, ministro da Defesa na época, que tire esse manifesto do Clube, o Amorim ordena ao general Enzo Martins Peri fazer isso, e o general passa um pito no Clube Militar, que é uma associação da reserva, entende? Eles refazem o manifesto, agora com a indignação de terem sido “calados” por uma ordem “autoritária” – percebe como começa a inversão do jogo? – e hospedam um novo manifesto na página da internet do Ustra, “A Verdade Sufocada”. Esse movimento do porão da ditadura sempre existiu, mas era marginal – Ustra, coisas que o Olavo de Carvalho escrevia. Eles até podiam ter uma entrada dentro dos militares, mas não era algo assumido. São 800 coronéis que assinaram esse manifesto, não sei quantos generais, da reserva, da ativa, de tudo que é lugar. Aí você percebe que, bom, a guerra estava declarada.

Mas não foi só isso. Foi uma série de preocupações que eles estavam nutrindo. Por que? Somava-se isso a coisa das ONGs, da Amazônia, da “dissolução da família, dos valores”, por coisa de gays, etc. Aí vão começando a fabricar uma meleca, é assim que começam a ativar uma teoria interna, que parece ser algo que compram, mas na verdade fazem um rearranjo dela para os próprios propósitos, que é essa ideia da Guerra Híbrida. De que na verdade o centro emissor da Guerra Híbrida no Brasil eram o PT e o Governo Federal. Não é doido um negócio desses? Uma Guerra Híbrida produzida pelo núcleo do poder de um Estado? Mas é o que eles diziam: que o objetivo final do PT era dividir o País e aniquilar as Forças Armadas. E é isso o que eles pensam até hoje.

Revista Opera: Isso tem muitas semelhanças com certas leituras que eles faziam na década de 90 em relação a 1964. E é algo na verdade até anterior, porque na década de 50 eles falavam disso, usavam um termo engraçado pra quem seria pró-Getúlio, que era “Gregórios”, em referência ao Gregório Fortunato, chefe da guarda do Getúlio. Em 1964, há uma continuação, esses “Gregórios” agora chegam ao poder com João Goulart, e eles querem “comunizar o Brasil”, etc. Você vê essas semelhanças?

Piero Leirner: Sempre fazendo microatualizações, mas a coisa vem sempre em uma linha de continuidade. Em 1935, por exemplo, a Intentona Comunista vira uma espécie de “mito de origem” na cabeça deles. Em 1961 eles começam a falar de Guerra Revolucionária, e conseguem plasmar o anticomunismo nessa história. Aí vem 1964, depois a coisa esfria – mas a Amazônia está ali, entendeu? Ressuscitam a questão, mas invertendo o sinal: dizendo que o Exército teria que agir como uma resistência colonial contra os interesses das grandes potências. E o que fazem a partir de 2010? Começam a inventar a ideia de que o comunismo internacional estaria plasmado com o globalismo, que é um pouco essa ideia do Olavo de Carvalho. Então a resistência teria que ser contra esse comunismo que estaria embutido, “invisível”, eles gostam de dizer “homiziado” – têm uns termos assim – no interior da ideologia globalista, mas com os propósitos de fazer um “comunismo 2.0” vingar aqui no Brasil.

Então eles vêem a Dilma, o aspecto direto, e o aspecto indireto na ideia de que ela estaria disposta a vender o Brasil para a China. O que eles tiram do chapéu, para dar conta dessa realidade? A história da Guerra Híbrida. Pegam os paladinos das Forças Especiais, como o general Álvaro Pinheiro, que foi na Comissão da Verdade, porque participou no Araguaia, e que é alguém que estava introduzindo essa ideia sobre a Guerra Híbrida. Como eles lêem a Guerra Híbrida? Pensam como algo que gera a dissolução entre as fronteiras da guerra e da política, e que dilui militares e civis, galvanizando terrorismo, organizações criminosas e interesses anti-nacionais globalistas. Vira tudo uma coisa só, e eles começam a dizer que há uma suposta associação entre PT, FARC, Hezbollah e PCC, como um “grande projeto” de transformação do Brasil em uma espécie de Colômbia sob domínio chinês, onde as oligarquias instituiriam um comunismo chinês 2.0. Então tem essa história toda que começa a ganhar corpo. Um comunismo difuso, ressuscitando várias teorias, e agora pondo esse verniz novo da Guerra Híbrida, como se adicionassem um personagem numa historinha, para dar consistência a ela. Quando cruza a ideia de que o PT seria uma organização criminosa, é tudo que eles precisavam, porque casa com a teoria que eles estavam lendo a partir de Washington.

Revista Opera: Sobre esse cenário caótico, de vários acontecimentos que por vezes sequer conseguimos recompor, uma coisa que me chamou atenção na sua tese é que você menciona como o general Heleno diz que ao longo da carreira ele consolidou uma “longa experiência” trabalhando com a imprensa, foi até consultor de um grupo, parece. Isso é interessante porque aquela briga com o Congresso, que começou pouco antes da chegada da pandemia, foi justamente por causa de um “vazamento” de uma conversa em que ele dizia que o Congresso estava chantageando o governo. A senha para esse conflito entre governo e Congresso, que agora chega até o STF, foi dada por ele.

Piero Leirner: Claro. E ele soube o momento certo de recuar e parar de aparecer. Antes o que ele estava fazendo? Assumiu o protagonismo, estava sempre à direita do Bolsonaro, sentado, dando a palavra final. Quando a corda começou a esticar para valer, ele recuou. Botam o Braga Netto em uma chamada posição de “presidente operacional”, e o Bolsonaro começa a elevar o grau de tensão dos raios que caem na própria cabeça. É impressionante o jogo do Heleno. Há uma entrevista para estudantes de jornalismo em que ele diz que “tomou muito gosto por esse negócio de comunicação”.

Agora, a bomba mesmo eu vi recentemente, algo que eu nunca tinha me dado conta. O discurso de saída do general Rego Barros para assumir como porta-voz da Presidência da República, em fevereiro de 2019. A frase é simplesmente inacreditável: “Coube ao Exército mergulhar de cabeça no submundo das mídias sociais – Facebook, Instagram, Twitter, Whatsapp, portal responsivo, e-blog, etc., e se tornar o órgão público com maior influência no mundo digital no Brasil. Exigiu sangue frio e interlocução sem rosto, típica da internet […]”. Literalmente dizendo que o Exército foi para o submundo do Whatsapp. Esse negócio do “gabinete do ódio” é uma lorota. Botam o Bolsonaro e os filhos como os bois-de-piranha. Para mim ficou claríssimo que esse problema todo, que está no STF agora por conta das fake news do Whatsapp, em que o Bolsonaro aparece querendo proteger os filhos, no fundo interessa a quem? Interessa ao Exército. Porque os camufla de terem feito uma operação nessa coisa do Whatsapp. Está claro no discurso do Rego Barros, é impressionante.

Revista Opera: A despeito das diferenças pessoais que cada militar tem em relação a outro militar, eles têm uma noção de espírito de corpo que é bastante diferente do que vemos em partidos, por exemplo. Me pergunto se para eles é necessário realmente que conquistem a presidência, porque não precisam disso em última instância para operacionalizar a política. Como você vê as demissões de militares, que muitos argumentam ser uma derrota deles? E precisamos de fato ter o Mourão como presidente para ter um “governo militar”?
Piero Leirner: Primeiro as demissões: como disse sobre Santos Cruz, eles têm um mecanismo de válvula de escape, que já está um pouco pré-programado; com ou sem os demitidos terem ciência disso. Eu não sei por exemplo se o Santos Cruz é esse gênio todo, como dizem, para saber que ele estava indo em direção a uma fogueira que já estava armada. Aos poucos eles vão enxotando alguns militares e colocando outros em posições-chave – como se estivessem na oposição, para acentuar a ideia de que têm um aspecto técnico e neutro. Essas pessoas viram uma oposição controlada e potencial, para o futuro – sabe Deus se em 2022 ou o quê. Esse é o primeiro ponto: Moro e Santos Cruz são quase duas faces da mesma moeda.

E aí lucram nessa operação, jogando no colo do Bolsonaro e na família dele a ideia de que são completamente irascíveis, de que a loucura parte deles, que há um problema de personalidade, de que é tudo reflexo de uma chamada “ala ideológica” que é incontrolável e irracional, enquanto, por contraste, os militares são iluminados como salvadores da Pátria.

O que engata na segunda pergunta: agora estão em uma posição em que não aparecem como os emissores do caos, mas como a solução de ordem – como se eles não estivessem lá. E para isso eles têm de ocupar todas as posições do cenário.

Qual é o plano, então? Se eu fosse pensar em uma metáfora, que é aquela com a qual eu finalizo a tese, é que se isso fosse um sistema de computação, eles farão uma espécie de reinicialização, em que o computador é reiniciado em modo de segurança, são os administradores, que dizem o que pode e o que não pode operar no sistema. Não é todo programa que está instalado que vai rodar, entende? Primeiro a tomada do aparelho do Estado – aparelhar o Estado o máximo possível, isso eles já estão fazendo. Segundo, o processo – que é mais complicado – de “conversão ideológica” das pessoas. Algo mais complexo, mas considerando que eles tentam se colocar como elementos de mediação, de meio-termo, de bom senso, sensatos, nós vamos ver crescentemente eles aparecendo como “meio” entre dois polos radicais. Não é à toa que há quem esteja nesse esforço desesperado em dizer que Bolsonaro e Lula são a mesma coisa, para sugerir que o Brasil tem de “sair dos extremos” e eles se colocarem como força de coesão ideológica.

Então eu acho que é isso: primeiro um processo de aparelhamento de fato e depois vão para uma solução cultural de estilo “gramsciana” (falo ironicamente). Acho então que, a princípio, era melhor para eles manter o Bolsonaro até o fim do mandato, porque esse edifício continua todo de pé. Agora, é óbvio que em um campo cheio de incertezas, como a gente está, talvez não dê para segurar ele. As pessoas me perguntam: “Ele vai cair? Vai ter golpe?” – essa é a pergunta mais absurda, se vai ter golpe. Eu sempre falo: “Amigo, você acha que aconteceu o que? Recua aí na tua cabeça e se pergunte se teve!”. Então tendo a achar, sim, que o melhor seria manter a solução como está – mas concordo com você, meio que tanto faz. O ponto para eles é controlar o processo todo, como administradores do sistema; quem entra e quem sai. Aí, de fato, a posição de presidente é a que menos conta.

Revista Opera: Um outro ponto abordado na tese é a posição que o general Etchegoyen manteve dentro do governo Temer. Porque quando o Temer entra, ele reergue o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e o Etchegoyen fica responsável por isso. No meio de uma crise gerada por aquela gravação do Joesley, algo que no mínimo seria um descuido do GSI, é justamente Etchegoyen quem sai como homem forte e, até certo ponto, mantém o governo em pé.

Piero Leirner: Sim. Isso em 2017, até que eles arrematam isso em 2018 com a intervenção no Rio. Aí não sobra nada em pé, porque neutralizam completamente o governo Temer, e toda possibilidade do PSDB, por exemplo, conduzir uma transição para uma eleição em que eles estariam capitalizados. Porque durante a intervenção não tem mais Congresso para fazer votação de Reforma da Previdência, e esse era o grande ativo. Essa enorme psy-op (operação psicológica) no Rio de Janeiro serve para eles irem testando a ideia de intervenção militar como solução. Isso já está colocado no inconsciente das pessoas. E não é à toa que o Braga Netto, que era interventor, esteja hoje na posição que está. Interessantíssimo também o discurso de despedida do cargo do Villas Bôas, algo que não tinha me dado conta, onde ele diz que o Brasil tem três heróis nacionais: Bolsonaro, que tinha permitido nos livrarmos do comunismo, o Moro, que estava limpando a corrupção, e o Braga Netto – que ele deixa suspenso no ar. Ninguém deu bola para isso, quando ele falou isso o Braga Netto não era ainda o chamado “presidente operacional” do Brasil [risos]. Isso sugere que foi parte da armação, realmente começaram a construir isso, viram a janela de oportunidade para valer com o Temer assumindo.

Revista Opera: Como você avalia a postura dos últimos governos petistas em relação aos militares? Porque vendo o processo histórico a partir de 2016, fica evidente que o PT manteve, durante todo o tempo, uma postura quase que de anestesia em relação aos militares, como se eles não pudessem mais aparecer como atores na política. E mesmo quando apareciam – por exemplo com os tuítes do Villas Bôas, ou com a movimentação sobre a Comissão da Verdade – parece que ninguém levava isso a sério, o governo não levou a sério.

Piero Leirner: Você usou a palavra certa: é anestesia. Se blindaram para olhar o mundo, não viram um monte de coisas. Mas com os militares é talvez a postura mais absurda de todas; porque eles acharam, de fato, que poderiam prescindir deles. E talvez o que tenha acontecido tenha sido um processo narcísico tão absurdo, por conta de um governo que estava dando certo, que eles não perceberam que o tapete estava sendo puxado debaixo. Uma coisa é dizer: “Mas o Lula ouvia o conselho dos generais”. Mas ele tinha um serviço de informações decente? Ele tinha gente que falava o que estava se passando de A a Z? Tinha preocupação em ver o que estava sendo ensinado dentro das academias militares? Tinha preocupação em participar dos eventos militares, que é algo que para eles é dar doce para criança? Os militares diziam isso, em 2013, 2014: falavam de eventos em que os cadetes ficaram horas esperando debaixo do sol esperando alguém do governo chegar… Isso ia criando um ódio dentro deles. E eles começaram a sabotar. E então veio a Lava-Jato, o pessoal abrindo a porteira para a espionagem norte-americana. Furaram o que já era uma peneira, não é? E isso culminou com a Dilma querendo peitar eles; extinguindo o GSI, etc. E aí veio aquele grampo – que eu acho que era ambiental, não era no telefone do Lula, porque se ouve tudo o que estava se passando no gabinete antes do Lula atender a ligação – um absurdo, a imprensa obliterou isso, e não vi sequer o PT fazendo o escândalo que merecia. É a mesma história do Joesley; o GSI permitiu esse furo, que acabou com o governo do Temer. Então eu não sei, creio que foi de uma irresponsabilidade completa. Não leram Maquiavel: é preciso ter boas leis e boas armas. Fizeram leis terríveis e não deram bola nenhuma para as armas. Sobrou o que sobrou. Se eu acho que tem alguma coisa nesse sentido, de que é necessário a eles tirar os esqueletos do armário e fazer a autocrítica, é essa: “não prestamos atenção nos setores essenciais”. Vai além, mas aí é só ir tirando uma carta de cima da outra. Deixaram uma juristocracia condescendente tomar conta do partido, se estabelecendo como hegemônica, e ao mesmo tempo não prestaram atenção na questão mais essencial que poderia segurar o governo, como segurou o governo Temer até o fim. Por que Temer não caiu? Porque eles não deixaram. Só por isso. E foi assim que se instalaram no Planalto.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Antipetismo como ideologia de poder

Por Jeferson Miola, em seu blog:


“Nós não podemos errar. Se nós errarmos, os senhores bem sabem quem poderá voltar. E as pessoas de bem, que foi a maioria que acreditou naquilo que nós pregamos nos últimos anos [racismo, violência, ódio, autoritarismo e preconceitos] não poderá se decepcionar conosco” - Bolsonaro, em 7/1/2019, na posse dos presidentes do BNDES, BB e CEF.

“Se eu errar, o PT volta” - Bolsonaro, em 2/11/2018, em entrevista.


“Nós ainda só somos uma democracia e um país com liberdade graças às Forças Armadas. Nós somos o último obstáculo para o socialismo. Se envergarem a nossa coluna, tristeza virá sobre todos nós e nós não queremos isso” - Bolsonaro, em 25/12/2018, em entrevista.

Ao discursar na cerimônia de transmissão do comando do Exército que Bolsonaro “libertou” o país “das amarras ideológicas”, Villas Bôas não pretendeu anunciar o fim das ideologias.

O general quis se referir ao que, na visão dele, significaria o “fim” especificamente de uma ideologia em particular: a “ideologia inimiga”, cujas “amarras” “sequestraram o livre pensar, embotaram o discernimento e induziram a um pensamento único e nefasto”.

Na vida real, contudo, não existem sinais que confirmem delírios como a supressão do livre pensar e a imposição de pensamento único, que na gramática do Villas Bôas parece ser sinônimo de pensamento marxista ou do chamado “marxismo cultural”.

Os pressupostos do general, empiricamente indemonstráveis porque inexistentes na realidade e na vida, têm como propósito exclusivo, portanto, construir a narrativa oficial de um regime falsamente nascido “livre de amarras ideológicas”.

É o discurso do chefe militar vitorioso que, no momento em que se retira do terreno de guerra uma vez completada a missão de sobrepujar seu inimigo, proclama a vitória da sua ideologia, erguida em cima da ideologia dos “inimigos internos” que foram derrotados na guerra.

[Obs.: Villas Bôas se retira apenas do comando do Exército. Este general que teve notório papel na tutela do STF, ganhou cargo de assessor especial do GSI (sic), a despeito das sérias limitações impostas pela enfermidade degenerativa de que padece].

A des-ideologização como simulacro

Em que pese o simulacro de “neutralidade” e isenção ideológica embutido no pronunciamento do Villas Bôas, seu discurso é radicalmente ideológico – na forma e no conteúdo.

O argumento da des-ideologização é insustentável, pela simples razão de que não existem governos ideologicamente neutros ou livres de ideologias. Nem mesmo governos militares – como o do Bolsonaro – o são.

A retórica de des-ideologização proferida ad nauseam serve, na realidade, de biombo para o doutrinarismo teocrático-militar que orienta as políticas públicas de educação, saúde, assistência social, de ciência, tecnologia etc; a gestão estatal e a política externa de desbragado capachismo ao presidente dos EUA, Donald Trump.

É da natureza de governos ditatoriais pretextarem a des-ideologização para legitimarem o aniquilamento dos seus inimigos internos e a imposição da sua ideologia reacionária, anti-democrática e, sob o comando atual das Forças Armadas, ideologia também entreguista.

A explicação do Onyx Lorenzoni de que a demissão de 320 funcionários foi uma medida para “despetizar” o Estado, é parte desse teatro burlesco, dissociado da realidade. Basta lembrar que o PT foi derrubado do governo federal em 2016, e os cargos comissionados foram todos ocupados pela camarilha que tomou o Planalto de assalto por meio do golpe apoiado pelos militares e oferecido por Bolsonaro como homenagem ao sanguinário torturador coronel Brilhante Ustra.

O fascismo e a ideologia para a construção do poder

No artigo “Um fascismo do século XXI” [ler aqui], Juarez Guimarães/UFMG resgata a reflexão do historiador inglês Roger Griffin, para quem é equivocado catalogar o fascismo como fenômeno datado no período do entre-guerras [1920-1945] e, portanto, congelado no tempo e na história.

Para Griffin, o fascismo é uma tradição política viva, uma opção do próprio capitalismo e que se apresenta como alternativa ao liberalismo e ao socialismo. É uma tradição que não desapareceu com a derrota do Hitler e do Mussolini.

O fascismo é, enfim, uma corrente político-ideológica que subsiste desde após a 2ª guerra e cuja representação pública cresceu sobremaneira na última década do século 20, em especial na Europa, e se expandiu de maneira exponencial nos últimos anos deste século.

Como anota Juarez Guimarães, para Griffin o fascismo é

“uma ideologia de construção de poder que, em meio a uma sociedade em crise, mobiliza todas as energias para operar um renascimento que envolve uma regeneração tanto da cultura política, quanto da cultura social e ética que a sustenta. Um ideal de purgação, limpeza, recomeço e redenção legitimaria o uso da violência para extrair do organismo unitário, nacional e/ou racial, que se almeja construir, as partes não sadias. Auschwitz, símbolo maior do extermínio de seis milhões de judeus pelo nazismo, seria o ‘ânus da Europa’, na linguagem hitleriana documentada”.

Apesar da tirania se tornar a característica marcante no estágio avançado de regimes fascistas, governos fascistas não se originam de golpes de Estado; chegam ao poder pelas vias “normais”, mediante processos eleitorais, como na eleição do Bolsonaro.

Para reforçar sua identidade ideológica, a extrema-direita precisa eleger um inimigo central; um bode expiatório. Na Alemanha dos anos 1930, os inimigos eram os judeus, os ciganos, os gays, os comunistas.

No Brasil, os inimigos são os pobres, os negros, as mulheres, as políticas distributivas, as juventudes, as pessoas LGBTQI+, a esquerda, os socialistas, os progressistas, os democratas – enfim, todo gênero humano e social que pode ser envelopado sob o invólucro de “petista”, independentemente do pertencimento partidário, se do PDT, do PSOL, PCdoB, PSTU, do PT etc [ler aqui O antipetismo e os judeus na Alemanha dos anos 1930].

Enquanto o neoliberalismo des-democratiza a política, ou seja, estreita e limita a soberania popular mediante a dominação do poder econômico e a manipulação da mídia, o fascismo elimina fisicamente, com terror e violência estatal, todas as formas de resistências e oposições populares e democráticas, como bem ensina a experiência histórica.

O antipetismo como ideologia de poder

A burguesia brasileira faz da estigmatização do PT um método para a manutenção da sua hegemonia e poder, mesmo que nos seus governos o PT não tenha posto em xeque os pilares da dominação burguesa. No chamado mensalão, em 2005, o oligarca Jorge Bornhausen, do atual DEM, já defendia, abertamente, a “eliminação dessa raça [dos petistas] pelos próximos 30 anos”.

Bolsonaro ocupou o posto do antipetismo antes ocupado pelo conglomerado PSDB/DEM, e com isso conseguiu se eleger presidente numa eleição ocorrida no marco do Estado de Exceção que impediu a candidatura virtualmente vitoriosa do Lula.

O antipetismo atingiu um nível assombroso de histeria. Enquanto Bolsonaro “ameaçou” seus aliados com o retorno do PT em caso de fracasso do seu governo e Onyx fez a pantomima da “despetização”, o lunático chanceler Ernesto Araújo desencadeou um processo de caça às bruxas para esmagar os melhores e mais experientes diplomatas já formados pelo Estado brasileiro pelo simples fato de terem sido profissionalmente valorizados nos governos passados, e não só os do PT, porque melhor desempenhariam a política externa do país.

Apesar de centrar o ódio, a raiva e o preconceito nominalmente contra o PT, na realidade o foco deste governo militar de extrema-direita são todos os movimentos sociais, organizações civis e partidos políticos de oposição ao regime.

Antipetismo é tão somente o nome genérico da ideologia da extrema-direita para instalar-se no poder para dar continuidade ao golpe de 2016 e executar o mais audacioso projeto anti-povo, anti-nação, anti-soberania e anti-democracia jamais antes conhecido no Brasil.

A luta pela libertação do Lula e a defesa dos militantes petistas, dos militantes do MST, do MTST e dos demais movimentos e organizações sociais, nesta perspectiva, é muito maior que a defesa do maior partido popular do Brasil, o PT, porque se confunde com a defesa da democracia e do Estado de Direito contra o avanço fascista.

É preciso ter consciência de que o antipetismo é o passaporte para o fascismo. A divisão do campo progressista, decorrente de mesquinharias, incompreensões e ressentimentos políticos, carimba o passaporte para a extrema-direita implantar uma ditadura fascista no Brasil.

sábado, 13 de outubro de 2018

As crônicas do antipetismo

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

A pesquisa Datafolha de ontem trouxe Jair Bolsonaro com 16 pontos de vantagem sobre o petista: 58% dos votos válidos a 42%. 

Para virar o jogo, Haddad teria que crescer quase um ponto por dia, conquistando diariamente cerca de um milhão de eleitores. Tamanho desafio exigirá do PT, para além de alianças, um esforço monumental para desconstruir Bolsonaro e desmentir as crônicas do antipetismo, discurso que articula os demais pretextos para votar no candidato da extrema direita. E isso devia começar hoje, no horário eleitoral, em que cada um terá cinco minutos diários duas vezes por dia.

Haddad ocupa-se, neste momento, da ampliação de forças para resistir à insurgência reacionária. 

Os apoios do PSOL, PSB e PDT foram garantidos, com maior ou menor entusiasmo. 

Hoje terá encontro com a cúpula da CNBB, movimento importante para neutralizar o apoio das igrejas evangélicas a Bolsonaro. Nos cultos e nos grupos entre frequentadores da mesma igreja, os pastores determinam aos irmãos o voto contra o “candidato comunista, que é contra a família e a pregação do evangelho”. 

A frente é importante mas sem uma vigorosa ofensiva contra o antipetismo, será tudo em vão.

Se o programa eleitoral dedicar-se, como no primeiro turno, a evocar romanticamente os bons tempos dos governos petistas, não conquistará os eleitores disponíveis, entre eles os 20 milhões que não votaram em ninguém no primeiro turno. 

Impregnados pelo antipetismo, se não forem confrontados com argumentos fortes e convincentes, não votarão em Haddad, ainda que não se animem também a votar no capitão. 

Por ter cometido seus pecados, o PT permitiu que lhe fossem também atribuídos erros e crimes que não cometeu. 

Deixou que proliferassem calúnias e mentiras, algumas até ridículas, como a do kit gay que seria distribuído nas escolas.

Cobra-se do PT a autocritica pelos casos de corrupção, que foi seletivamente e gradualmente revelada, de modo a grudar menos nos outros. 

Que comece por aí, admitindo que, chegando ao governo, e precisando formar a maioria, errou ao fazer o que os outros sempre fizeram, distribuindo cargos aos aliados para ter votos no Congresso. 

E que, tanto quanto eles, também passou a receber recursos ilícitos, ou propinas, para financiar as campanhas e a vida partidária. Que alguns petistas, é verdade, embolsaram parte dos recursos, corromperam-se, como o delator-mor, Antonio Palocci, mas que a raiz do mal é o conluio secular entre o capital e a política, o público e o privado.

Admitindo o erro, nestes termos, o PT pode obter audiência e crédito para rebater as crônicas caluniosas, que vão de seu suposto “comunismo” à acusação de ter quebrado o país. 

Poderá lembrar o crescimento nos anos Lula, as obras realizadas, como a transposição do Rio São Francisco e as hidrelétricas, ou o vasto legado social, que vai do Luz para Todos ao Bolsa Família. 

Contra a lenda de que destruiu o pais, poderia recordar o pagamento da dívida externa de US$ 40 bilhões, as reservas de mais de US$ 300 bilhões que ainda estão aí, a duplicação da safra agrícola e o boom da economia nacional, que passou do 13º para o sexto lugar no ranking mundial em 2011, no início do governo Dilma. 

Devia admitir que houve erros de gestão econômica no governo dela mas denunciando cabalmente a sabotagem do MDB, do PSDB e de Eduardo Cunha, com as pautas bombas que minaram as contas públicas.

E por que não lembrar aos militares que nos governos petistas as Forças Armadas foram reequipadas, com a aquisição dos caças Grippen, dos mísseis Astros, do submarino nuclear e do cargueiro militar KC 390?

Mas são as crônicas mais simplórias as mais deletérias, e a mais em voga agora é a do comunismo. 

Fosse o PT comunista, por que não acabou com a propriedade privada em seus governos, quando banco e empresas ganharam tanto dinheiro? 

A democracia é bela mas dá muito trabalho, como disse Ciro Gomes quando o Cabo Daciolo falou na suposta Ursal.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Ninguém pode prender ideias

Recebemos uma missão de Lula: olhar nos olhos do povo e construir juntos um país diferente.


Carta ao Povo Brasileiro


Curitiba, 11 de setembro de 2018


Meus amigos e minhas amigas,


Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do país.

Nunca aceitei a injustiça nem vou aceitar. Há mais de 40 anos ando junto com o povo, defendendo a igualdade e a transformação do Brasil num país melhor e mais justo. E foi andando pelo nosso país que vi de perto o sofrimento queimando na alma e a esperança brilhando de novo nos olhos da nossa gente. Vi a indignação com as coisas muito erradas que estão acontecendo e a vontade de melhorar de vida outra vez.

Foi para corrigir tantos erros e renovar a esperança no futuro que decidi ser candidato a presidente. E apesar das mentiras e da perseguição, o povo nos abraçou nas ruas e nos levou à liderança disparada em todas as pesquisas.

Há mais de cinco meses estou preso injustamente. Não cometi nenhum crime e fui condenado pela imprensa muito antes de ser julgado. Continuo desafiando os procuradores da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e o TRF-4 a apresentarem uma única prova contra mim, pois não se pode condenar ninguém por crimes que não praticou, por dinheiro que não desviou, por atos indeterminados.

Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim. Eles não querem prender e interditar apenas o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Querem prender e interditar o projeto de Brasil que a maioria aprovou em quatro eleições consecutivas, e que só foi interrompido por um golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, que não cometeu crime de responsabilidade, jogando o país no caos.

Vocês me conhecem e sabem que eu jamais desistiria de lutar. Perdi minha companheira Marisa, amargurada com tudo o que aconteceu a nossa família, mas não desisti, até em homenagem a sua memória. Enfrentei as acusações com base na lei e no direito. Denunciei as mentiras e os abusos de autoridade em todos os tribunais, inclusive no Comitê de Direitos Humanos da ONU, que reconheceu meu direito de ser candidato.

A comunidade jurídica, dentro e fora do país, indignou-se com as aberrações cometidas por Sergio Moro e pelo Tribunal de Porto Alegre. Lideranças de todo o mundo denunciaram o atentado à democracia em que meu processo se transformou. A imprensa internacional mostrou ao mundo o que a Globo tentou esconder.

E mesmo assim os tribunais brasileiros me negaram o direito que é garantido pela Constituição a qualquer cidadão, desde que não se chame Luiz Inácio Lula da Silva. Negaram a decisão da ONU, desrespeitando o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que o Brasil assinou soberanamente.

Por ação, omissão e protelação, o Judiciário brasileiro privou o país de um processo eleitoral com a presença de todas as forças políticas. Cassaram o direito do povo de votar livremente. Agora querem me proibir de falar ao povo e até de aparecer na televisão. Me censuram, como na época da ditadura.

Talvez nada disso tivesse acontecido se eu não liderasse todas as pesquisas de intenção de votos. Talvez eu não estivesse preso se aceitasse abrir mão da minha candidatura. Mas eu jamais trocaria a minha dignidade pela minha liberdade, pelo compromisso que tenho com o povo brasileiro.

Fui incluído artificialmente na Lei da Ficha Limpa para ser arbitrariamente arrancado da disputa eleitoral, mas não deixarei que façam disto pretexto para aprisionar o futuro do Brasil.

É diante dessas circunstâncias que tenho de tomar uma decisão, no prazo que foi imposto de forma arbitrária. Estou indicando ao PT e à Coligação “O Povo Feliz de Novo” a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Haddad, que até este momento desempenhou com extrema lealdade a posição de candidato a vice-presidente.

Fernando Haddad, ministro da Educação em meu governo, foi responsável por uma das mais importantes transformações em nosso país. Juntos, abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, negros, indígenas, filhos de trabalhadores que nunca tiveram antes esta oportunidade. Juntos criamos o Prouni, o novo Fies, as cotas, o Fundeb, o Enem, o Plano Nacional de Educação, o Pronatec e fizemos quatro vezes mais escolas técnicas do que fizeram antes em cem anos. Criamos o futuro.

Haddad é o coordenador do nosso Plano de Governo para tirar o país da crise, recebendo contribuições de milhares de pessoas e discutindo cada ponto comigo. Ele será meu representante nessa batalha para retomarmos o rumo do desenvolvimento e da justiça social.

Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o País, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad.

Ao lado dele, como candidata a vice-presidente, teremos a companheira Manuela D’Ávila, confirmando nossa aliança histórica com o PCdoB, e que também conta com outras forças, como o PROS, setores do PSB, lideranças de outros partidos e, principalmente, com os movimentos sociais, trabalhadores da cidade e do campo, expoentes das forças democráticas e populares.

A nossa lealdade, minha, do Haddad e da Manuela, é com o povo em primeiro lugar. É com os sonhos de quem quer viver outra vez num país em que todos tenham comida na mesa, em que haja emprego, salário digno e proteção da lei para quem trabalha; em que as crianças tenham escola e os jovens tenham futuro; em que as famílias possam comprar o carro, a casa e continuar sonhando e realizando cada vez mais. Um país em que todos tenham oportunidades e ninguém tenha privilégios.

Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo.

Quero agradecer a solidariedade dos que me enviam mensagens e cartas, fazem orações e atos públicos pela minha liberdade, que protestam no mundo inteiro contra a perseguição e pela democracia, e especialmente aos que me acompanham diariamente na vigília em frente ao lugar onde estou.

Um homem pode ser injustamente preso, mas as suas ideias, não. Nenhum opressor pode ser maior que o povo. Por isso, nossas ideias vão chegar a todo mundo pela voz do povo, mais alta e mais forte que as mentiras da Globo.

Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República. E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salario digno e reforma agrária.

Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros.

Até breve, meus amigos e minhas amigas. Até a vitória!

Um abraço do companheiro de sempre,

Luiz Inácio Lula da Silva

domingo, 2 de setembro de 2018

Primeiro programa eleitoral do PT

Assista ao primeiro programa do PT que acaba de ir ao ar. Vamos trazer o Brasil de Lula de volta.



13 provas de que a direita errou feio





Então a direita resolveu dar outro golpe e impugnou a candidatura de Lula... Caiu como um patinho da FIESP em seu maior erro histórico.

Haddad pode não ter a popularidade e a história de vida de Lula. É até óbvio que não tenha. É mais jovem e tem muito pela frente.

Mas aqui vão 13 provas de que a direita errou feio ao tirar Lula e colocar Haddad no fronte.

1- Haddad herdará todos os votos de Lula.

2 - Haddad tem um conhecimento sobre o Brasil que poucos intelectuais possuem.

3 - Não é um político chicaneiro que fica esmolando apoio da direita.

4 - Tem ideias progressistas sólidas e conhece bem o que está em jogo no Brasil, no Mundo e no jogo político brasileiro.

5 - Tem muito mais eloquência e conhecimento teórico que Ciro em qualquer área do saber. E de “bônus” tem uma postura de um verdadeiro estadista. Não é um destemperado que morre pela boca.

6 - Haddad dá um olé em todos os jornalistas da direita. Tem clareza nas ideias e não cai em armadilhas.

7 - É um candidato moderno que sabe dialogar com todos os setores da sociedade civil de forma franca, sincera e soberana.

8 - É uma pessoa com firmeza de convicções e que sabe com quem deve e com quem quem não deve sentar, quando tiver que conversar com o grande capital.

9 - Representa o novo, com Manuela D’Ávila como sua sucessora natural. Não tem medo de assumir que a saída do país e do mundo é pela esquerda.

10 - É um homem que sabe se valer das novas linguagens para se comunicar com a juventude, sem abandonar a esquerda tradicional que - corretamente - aponta as contradições de classe como nosso maior desafio civilizacional.

11 - Haddad é o novo em sua forma de síntese superadora. Um político com a cara e com a essência de um século XXI alternativo. Um líder que poderá colocar o Brasil no seu devido lugar no mundo, ou seja, como um país soberano e uma potência econômica.

12 - É um político que sabe conversar de forma serena e com profundidade sobre a nossa complexa realidade, mas que também sabe ir para as ruas levantar as massas para as lutas que estão por vir.

13 - Haddad aprendeu bem que a elite brasileira não possui um projeto de desenvolvimento para o Brasil, mas um projeto de entrega de nossa nação. Não será um conciliador. Será aquele que dará início a uma nova era para a América Latina. Não há nesse hemisfério um líder tão espetacular como Haddad.

Por isso, deixemos os mortos enterrarem os seus mortos. É um privilégio termos Haddad como candidato. Haddad é o presidente que o Brasil precisa. E o resto é de 13 a 13.

sábado, 1 de setembro de 2018

Nota do PT: Contra a cassação política, com Lula até o fim

Diante da violência cometida hoje (31) pelo Tribunal Superior Eleitoral contra os direitos de Lula e do povo que quer elegê-lo presidente da República, o Partido dos Trabalhadores afirma que continuará lutando por todos os meios para garantir sua candidatura nas eleições de 7 de outubro.

Vamos apresentar todos os recursos aos tribunais para que sejam reconhecidos os direitos políticos de Lula, previstos na lei e nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Vamos defender Lula nas ruas, junto com o povo, porque ele é o candidato da esperança.

É mentira que a Lei da Ficha Limpa impediria a candidatura de quem foi condenado em segunda instância, como é a situação injusta de Lula. O artigo 26-C desta Lei diz que a inelegibilidade pode ser suspensa quando houver recurso plausível a ser julgado. E Lula tem recursos tramitando no STJ e no STF contra a sentença arbitrária.

É mentira que Lula não poderia participar da eleição porque está preso. O artigo 16-A da Lei Eleitoral prevê que um candidato sub judice (em fase de julgamento) pode “efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica”.

A Justiça Eleitoral reconheceu os direitos previstos nestas duas leis a dezenas de candidatos em eleições recentes. Em 2016, 145 candidatos a prefeito disputaram a eleição sub judice, com registro indeferido, e 98 foram eleitos e governam suas cidades. É só para Lula que a lei não vale?

O Comitê de Direitos Humanos da ONU determinou ao Brasil garantir os direitos políticos de Lula, inclusive o de ser candidato. E o Brasil tem obrigação de cumprir, porque assinou o Protocolo Facultativo do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos. E o Congresso Nacional aprovou o Decreto Legislativo 311 que reconhece a autoridade do Comitê. O TSE não tem autoridade para negar o que diz um tratado internacional que o Brasil assinou soberanamente.

É falso o argumento de que o TSE teria de decidir sobre o registro de Lula antes do horário eleitoral, como alegou o ministro Barroso. Os prazos foram atropelados com o objetivo de excluir Lula. São arbitrariedades assim que geram insegurança jurídica. Há um sistema legal para os poderosos e um sistema de exceção para o cidadão Lula.

Em uma semana que envergonhará o Judiciário para sempre, a cúpula desse Poder negociou aumento de 16,4% nos salários já indecentes de ministros e juízes, sancionou a criminosa terceirização dos contratos de trabalho e, agora, atacou frontalmente a democracia, os direitos dos eleitores e os direitos do maior líder político do país. É uma cassação política, baseada na mentira e no arbítrio, como se fazia no tempo da ditadura.

A violência praticada hoje expõe o Brasil diante do mundo como um país que não respeita suas próprias leis, que não cumpre seus compromissos internacionais, que manipula o sistema judicial, em cumplicidade com a mídia, para fazer perseguição política. Este sistema de poder, fortemente sustentado pela Rede Globo, levou o país ao atraso e o povo ao sofrimento e trouxe a fome de volta.

A candidatura do companheiro Lula é a resposta do povo brasileiro aos poderosos que usurparam o poder. Lula, e tudo o que ele representa, está acima dos casuísmos, das manobras judiciais, da perseguição dos poderosos.

É com o povo e com Lula que vamos lutar até o fim.

Lula Livre!

Lula Candidato!

Lula Presidente!

Eleição sem Lula é fraude

O resultado do TSE de rejeitar candidatura do Lula faz parte do golpe. Portanto não vamos deixar de lutar. O povo não pode permitir que o retrocesso avance na destruição do Brasil. Agora, é Haddad e Manuela

Programa eleitoral de Lula que o fascista Barroso quer censurar


quarta-feira, 13 de junho de 2018

CIRO DESTOA DE TODOS

Francisco Costa

Marxista, por princípio e prática, buscando a Práxis como metodologia de militância e luta, resistência, como enunciado por Karl Marx, estou petista.

Afirmo estou e não que sou, porque entendo o PT como um degrau - e sólido, na ascensão do proletariado brasileiro no rumo da sua emancipação e não como projeto final.

Entendo mais, que homens não fazem revoluções, isto é idealismo, mas o povo insatisfeito, buscando uma liderança que o personifique, encarne e lidere e, no Brasil, hoje, este homem tem nome: Luis Inácio Lula da Silva, o mais é coadjuvante.

Assim, entendo que sob qualquer argumento, seja de que está preso, que ficará inelegível, que haverá manobras judiciárias... O nome Lula não pode deixar de ser prioritário, entendendo ainda, que todos os artifícios usados pelos conservadores, para impedir a sua eleição mais reforçam a sua posição, dentro dos dialéticos princípios da luta de classes.

E esclareço: a adoção do marxismo não me obriga ou desobriga às alianças, preferencialmente no mesmo campo ideológico, mas até mesmo no campo oposto, se necessário, como aconteceu na Segunda Guerra Mundial, quando a União Soviética se viu aliada dos Estados Unidos e Inglaterra, contra a maldição nazista.

A aliança com a direita, no entanto, só se justifica, como a citada, entre a URSS e o Bloco Ocidental, quando o inimigo é mais forte, mais poderoso, e ameaça aniquilar os dois lados, o que os leva naturalmente à aliança.

Estamos em período de processo eleitoral e quase todos os candidatos à presidência da república têm posições ideológicas determinadas e claras, exceto um, Ciro Gomes.

Ocorre que no Brasil, hoje, não há uma ameaça totalitária, padrão nazi-fascismo, ou de outra ordem, obrigando a direita e a esquerda a se unirem, dependes e acima dos seus projetos políticos.

Dentro deste quadro e obedecendo a esses critérios, a tentativa do candidato Ciro Gomes, de buscar apoio à esquerda e à direita, ao seu nome, sem que se defina ideologicamente, demonstra um projeto pessoal, individualista, acima do que o senso comum julga o bem ou o mal.

Esta aliança de Ciro, aliada às suas declarações em relação a Lula e ao petismo, o coloca, insofismavelmente, como um atraso político, na medida em que amacia e ameniza a luta de classes, fazendo-se tentativa de ponte entre esquerda e direita, caracterizando o que denominamos “pelego”, inimigo infiltrado, mais perigoso que os inimigos declarados, porque arrebanhando incautos, os menos politizados.

Fosse um homem de esquerda e Ciro estaria ao lado de Lula, Boulos e Manuela, preparando um futuro governo de coalizão.

Fosse de direita e seria o nome que a direita não tem, patinando entre Alckmin e ninguém.

Mas Ciro quer servir aos dois lados, ter apoio dos dois lados, como se os interesses burgueses e proletários fossem conciliáveis, e não contrários, opostos, imiscíveis com água e óleo.

A máxima cristã de que não se pode e nem se consegue servir a dois senhores vale para a política e a economia também.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

A produção do caos

Vladimir Safatle


Fim da Nova República terá brutalização da espoliação e Estado tutelado pelas Forças Armadas

Talvez a formulação mais precisa a respeito do sentido da prisão do ex-presidente Lula, ocorrida na semana passada, tenha sido fornecida pelo filósofo Renato Lessa: "impeachment preventivo".

Dentro do horizonte de radicalização da brutalidade das relações de classe pela qual passa atualmente o Brasil, não há mais espaço para pactos e compromissos. Lula foi a encarnação mais bem acabada dos pactos nacionais. Sua prisão é uma forma dos operadores tradicionais dizerem que esta era definitivamente acabou.

Por mais que esse sistema de pactos que imperou na Nova República tenha sido responsável por preservar uma democracia de fachada com sua violência armada contra setores desfavorecidos da população, é inegável que ela conseguiu frear, por um momento, os arroubos mais fortes do neoliberalismo.

O Brasil é um país que chegou a 2018 como uma espécie de capitalismo de Estado no qual, por exemplo, 2 dos 4 principais bancos são públicos, assim como as duas maiores empresas nacionais (Petrobras e BR distribuidora).

Suas universidades públicas são completamente gratuitas, seu sistema de saúde público (embora problemático) é universal para uma população de 209 milhões. Tudo isso está completamente fora da cartilha neoliberal reinante.

Mas para avançar no choque de acumulação primitiva e de concentração de renda seria necessário impor o aumento exponencial e a generalização completa da violência de Estado, isso em um país no qual esta já era responsável por uma política contínua de desaparecimento, tortura e simples execução.

Como fazer isso não produzindo deliberadamente o caos, ou seja, dando a impressão de que nenhuma resposta política seria mais possível, sendo necessário apelar à força? Mas produzir o caos significava eliminar todos os atores políticos críveis, assim como impedir que novos sujeitos políticos aparecessem.

Dentro dessa estratégia, a Operação Lava Jato teve um papel central. Desde que o juiz Sergio Moro decidiu por divulgar em cadeia nacional os grampos de conversa entre Dilma e Lula, a fim de impedir sua posse como ministro, ele transformara uma operação importante de combate à corrupção em modo de intervenção política.

Sua caçada a Lula foi construída a partir do calendário político do país, seus passos foram claramente calculados para impedir um grupo político de atuar. Ou seja, sua operação foi uma farsa por estar politicamente comprometida e interessada.

Seus resultados concretos no que diz respeito a combate contra a corrupção são inexistentes. Ao contrário, o Brasil caiu 17 posições no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) nos últimos dois anos.

Nosso governo atual é explicitamente mais corrompido do que o anterior sem que nada possa pará-lo.
Sem contar que a Lava Jato normalizou práticas impensáveis até mesmo em uma democracia liberal, como grampear telefones de advogados de um acusado.

O resultado não poderia ser diferente do alcançado por seu congênere italiano, a Operação Mãos Limpas: entregar o país para um grupo ainda mais corrompido e "apolítico" (no caso, Berlusconi).

No entanto, há uma especificidade brasileira. Dentro desse cenário de caos, as Forças Armadas sentem-se completamente à vontade para retornar seu protagonismo e se impor ao país como verdadeiro poder.

Este será o saldo do fim da Nova República: brutalização da espoliação e Estado tutelado pelas Forças Armadas.

Nesse horizonte, espero que as forças progressistas lembrem do destino de Lula.

Aquele que melhor encarnava as dinâmicas de negociação entre classes da Nova República terminou na cadeia. Aquele que acreditou que os processos de transformação poderiam ser garantidos por meio de um reformismo gradual e seguro foi simplesmente jogado na cadeia na primeira oportunidade, independente do caos que isso possa gerar. Esta é uma aula sobre o que de fato é o Brasil.

terça-feira, 27 de junho de 2017

O Lulismo não é utopia, não é projeto. O Lulismo é experiência.


Rodrigo Perez Oliveira


Pesquisa eleitoral é aquele tipo de coisa que a galera despreza, diz que não serve pra nada, mas que atrai a atenção de todo mundo, fundamentando análises e pitacos aqui e acolá.


É justo.

Afinal, não há outra maneira de olhar para além do nosso próprio umbigo e de nossas relações pessoais mais próximas que não seja através das pesquisas, dos dados estatísticos.

Curto muito os dados. Muito mesmo.

Os institutos de pesquisa erram? De montão. Mas como é o que temos, vão lá os meus pitacos. Assim, organizadinhos, pois sou desses.

1°) Aos companheiros petistas orgânicos.

Não se iludam! A popularidade não é do PT. É do Lula.

Sim, isso mesmo, sem piti! Tem uma galera no PT que é mimizenta, parece até PSOL. Chatos até não poderem mais.

O PT sem Lula não chega nem a 4%, meus amores. Haddad, com todas ciclovias, com os prêmios internacionais, os projetos urbanos, com aquele charme de intelectual uspiano, não dá nem pra saída.

A força do PT está na combinação entre o carisma de Lula e a memória popular. As pessoas sabem que nos tempos de Lula a vida era melhor, que o prato estava mais cheio.

É que esse negócio de “classe trabalhadora” é mais uma abstração do que um dado real, entendem? É claro que o conceito é importante, pois é o fundamento da nossa identidade ideológica; tem alguma utilidade como ferramenta analítica.

Mas cá pra nós, assim, no miudinho, sem os reaças ouvirem: na prática a ideia de "classe", assim, fria, não serve pra muita coisa.

Os afetos, as demandas, as opções eleitorais das pessoas são configurados pelas suas experiências, entendem? É ali, no nível da prática, que a coisa acontece. O negócio é quente.

E num país como o Brasil, onde historicamente 35% da população é formada por pobres e outros 20% por miseráveis, o povão, o povão mesmo, tá preocupado com ganhos de curto prazo.

O povão só quer ter uma vidinha digna: trabalhar, ter acesso ao crédito, aposentadoria, 13°, colocar os meninos na escola. Comprar geladeira. Namorar. Fazer neném.

Só isso.

Essa galera não tá ligando pra revolução, pra reforma política, pra ciclovia, pra camada de ozônio, pra identidade de gênero.

Essas pautas aí vêm depois que a barriga tá cheia e cá no Brasil, amigos, nós só ensaiamos o Estado de Bem Estar Social. Mal começamos a encher as barrigas e os caras vieram e pá! Golperaram.

Só que o golpe se dá no plano das instituições, da política formal, e não nos afetos. Por mais que a mídia manipule, o povão não é burro.

O povão olha pra Lula e vê exatamente a tal vidinha digna, que via também na imagem do "Dr Getúlio".

O povão não quer sabe se o lulismo surfou na onda do boom das commodities, se é ideologicamente conservador, se tencionou ou não as estruturas do grande capital.

O povão não quer saber se o itaú ganhou milhões de reais.

O povão sabe, pela experiência, que antes a vida tava melhor, e isso já basta.

Não sei se se esses afetos serão suficientes para trazerem o povão pra rua numa eventual prisão de Lula: às vezes acho que sim, às vezes acho que não.

Mas tenho certeza de que esses afetos são mais que suficientes para fazerem as pessoas apertarem 13 nas urnas em 2018.

Apertar 13 se a foto que aparecer lá for a de Lula, com aquela barba, com as covinhas na bochecha.

Se não for a foto a de Lula, meus amigos, vai ser difícil, muito difícil.

Capital político não se transfere assim, como se fosse dinheiro em conta corrente.

Se rolar um empenho grande de Lula na campanha, pode até ser que se repita o que aconteceu com Dilma. Mas não se iludam, amigos petistas, isso não é garantido, não é nada garantido.

Quem sobreviveu à crise foi Lula, e não o PT.

Seria prudente, então, que os companheiros Lindberg e Tarso baixassem as bolas, pois parece que eles não entenderam o que está acontecendo. Tão cabaçando, pagando de psoletes, tão fechando na errada, fechando com gente errada.

2°) Sobre o bolsonarismo.

É claro que o que mais chama atenção nessa pesquisa divulgada pelo DataFolha é o tal bolsonarismo, que já bate nos 15%.

Bom, vamos lá, no meio termo entre o desespero e a indiferença.

Por um lado, é óbvio que o bolsonarismo não pode ser ignorado, não mais. Mas duvido, e muito, que tenha fôlego para vencer eleição majoritária.

Acho mesmo que numa campanha eleitoral, o fôlego político de Bolsonaro não é tão grande. É muita barbaridade junta, e isso seria explorado à exaustão.

Ele bate no teto dos 10% e daí não passa.

Só que o fato de termos 10% dos eleitores brasileiros votando na barbárie já é um problemão.

O termo é exatamente esse "barbárie": o bolsonarismo não é uma ideologia política, pois o que temos ali não são propostas políticas.

Tudo bem ser liberal e achar o que o Banco Central deve ter autonomia. Discordo, mas beleza, estamos aqui na esfera do debate politico.

Tudo bem ser conservador e questionar os debates sobre gênero no sistema educacional. Discordo, pois acho essas discussões fundamentais, principalmente para adolescentes. Pra crianças de primeira infância, tenho lá minhas dúvidas.

E sim, posso tê-las, pois aqui estamos no reino da opinião, da controvérsia, dos debates políticos. Nem adianta o piti!

Agora, não dá, de forma alguma, pra defender a tortura, o estupro, o extermínio como política de Estado.

Não dá pra debochar dos desaperecidos do Araguaia. É indigno.

Aqui, não estamos mais no terreno da opinião. Direitos Humanos não são matéria de opinião. Desrespeitar os direitos humanos não é uma opção. É crime.

Por isso, os 10% do bolsonarismo traduzem, de um lado, o aspecto mais terrível da crise; uma crise que não é apenas política, que não é só institucional. A crise é civilizacional.

Por outro lado, essa direita incivilizada, bárbara, não é exatamente uma novidade. Essa galera tava se escondendo sob as asas tucanas do PSDB desde os anos 1990.

Venho lendo muito sobre o PSDB. Tô muito convencido de que a face mais triste da dimensão política da crise foi o colapso do PSDB.

Um partido que nasceu marcado pelas ventos mais renovados do marxismo pós-estruturalista se tornou isso que é hoje: uma legenda de gangsters, um amontoado de golpistas. É triste.

Seria muito saudável para o nosso sistema político se o PSDB tivesse se tornado, de fato, um partido social-democrata, com tendências liberais.

Nunca foi.

Talvez tenha sido ali no comecinho, entre a fundação, em 1988, e o início do primeiro governo de FHC, em 1995.

Depois se tornou o portador de um neoliberalismo entreguista da pior espécie e, já no século XXI, um partido sustentado por um eleitor sem identidade, pelo voto antipetista, pelo voto de direita, de uma direita raivosa e violenta.

Uma pena, uma pena mesmo.

Cerca de 60% dos eleitores do PSDB, segundo dados de uma pesquisa realizada em 2006, tinham identidade eleitoral negativa. Ou seja, votavam no PSDB porque odiavam o PT. A semente do bolsonarismo já estava ali.

Acontece é que a crise está muito marcada por um certo conceito deontológico de corrupção. Aí o tal Bolsonaro consegue surfar nessa onda da “honestidade”.

Somem isso à mobilização de algumas tópicas com grande capilaridade na cultura popular, como "família" e "honra masculina", e temos a força do bolsonarismo. Uma força relevante, mas limitada, ao menos na minha avaliação.

O bolsonarismo, portanto, é um problemaço, mas não tem força pra vencer eleição majoritária. Sou capaz de apostar várias cervejas nisso.

3°) Por último, aquilo que anula tudo que falei até agora.

A pesquisa eleitoral, nas atuais circunstâncias, é pura ficção.

Por que estamos ainda muito longe das eleições? Não, não e não.

Eleição sugere a saúde do sistema político e a atual crise é, exatamente, a crise geral do sistema político.

A classe política, já há algum tempo, não está no controle da crise. Ela é um passageiro desesperado em uma locomotiva desorientada, sem comando central.

O capital especulativo não está comando da crise, e já entendeu que Temer não entregará as tais reformas, ao menos não como prometeu.

A classe política olha para Temer e vê nele a única esperança de salvação, através do controle do judiciário, especialmente da Procuradoria Geral da República.

Temer já mandou matar um ministro do STF e nomeou para vaga um homem da sua confiança. Temer nomeou três ministro do TSE para salvar o seu mandato.

Temer irá substituir Rodrigo Janot na PGR, nomeando um engavetador geral da Reública. E fará assim, tudo na base do "foda-se o que vocês pensam".

Uma coisa temos que admitir: Temer está dando uma aula de como defender um mandato.

A força de Temer, cuja popularidade é uma margem de erro de 2%, está no sentimento corporativo da classe política, quase toda envolvida em escândalos de corrupção.

Temer está manipulando esse sentimento, esse medo, com maestria.

Por isso, amigos, tirem o cavalinho da chuva: Temer não cai pela via da política. Rodrigo Maia não abre um processo de impeachment nem que a vaca dance forró. Os parlamentares estão com o Temer, não exatamente na agenda das reformas, pois o preço político desse apoio é caro.

Os parlamentares estão com o Temer no contra-ataque ao judiciário. O núcleo duro da crise tá aqui: Políticos X Juízes.

Então, amores, podemos colocar dez milhões nas ruas, tatuar "Fora Temer" nas nossas testas e nas nossas bundas que o vampiro não irá cair.

Se depender da política, Temer governará até 18, para proteger a si mesmo e os seus pares. O país ficará parado. Os pobres, que são os que mais precisam do governo, sofrerão muito.

A outra possibilidade é a Procuradoria Geral da República entrar em cena.

Provavelmente, Rodrigo Janot denunciará Michel Temer. Aí, o jogo muda um pouco, pois o Congresso Nacional precisará decidir se aceita ou não a denúncia. Até que ponto os parlamentares irão se expor para defender Temer?

Nesse cenário, a peça fundamental passa a ser Rodrigo Maia. Se o gordinho convencer a turma de que ele mesmo pode proteger a rapaziada da jornada moralizante de Janot, Temer tá fudido. Do contrário, nada muda, e Temer fica exatamente onde está.

Hoje, o grande problema do Brasil não é Michel Temer. O grande problema do Brasil é a PGR, comandada por Rodrigo Janot. Se o projeto de poder desses caras se concretizar, se eles escaparem da ofensiva comandada pela classe politica, sob a liderança de Michel Temer, joguem as pesquisas no lixo, pois eles darão as cartas e o voto será moeda sem valor.

Ah, vocês acham que o voto já não tem valor em um sistema político corrompido pelo captial? Esperem só pra ver numa ditadura da toga. A coisa sempre pode piorar.

Confesso pra vocês que nessa disputa, to torcendo pros políticos. O político corrupto nós podemos derrubar nas urnas. Já o juiz ninguém controla. O juiz é Deus. E brigar com Deus é "barril", como se costuma falar cá na Bahia.

"Barril"! Adoro essa expressão.