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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Caras de pau-brasil

Foi preciso que o FBI entrasse em cena para desencadear o escândalo do futebol. Porque, se dependesse do governo, da mídia, dos torcedores... Bem, deixemos para lá



O mundo se curva, o Brasil docet, diriam os antigos romanos. Ensina, leciona de cátedra. Não somos por acaso o país do futebol, a pátria de chuteiras. Em matéria, há tempo deixamos de ser os reis da bola, somos, porém, imbatíveis no gramado da corrupção.

Tudo escancarado há mais de 40 anos, sem ser denunciado e punido. A imponente mazela perpetrada em todos os campos do futebol nativo, a falcatrua constante, o engodo feroz, são vergonhosamente ignorados até pela mídia, esportiva ou não, com raríssimas e digníssimas exceções. Quando não são secundados, ou mesmo incentivados.

Tudo começa, no plano internacional, com João Havelange, dono da Fifa desde 1974, e chega agora a José Maria Marin. Na origem e no desenvolvimento os protagonistas nativos campeiam, graças à inestimável contribuição, com efeitos determinantes no cenário nacional por uma época farta, de Ricardo Teixeira, antecessor de Marin, autoexilado, para salvar a pele, em Boca Raton, paradeiro de nome bastante persuasivo. Nem por isso, seguro, a esta altura do campeonato.

Criatura de Havelange, de quem já foi genro, Teixeira corre riscos até ontem inesperados: entrou no enredo o FBI, aquele que a gente se acostumou a ver triunfar na televisão, e Marin, finalmente alcançado na Suíça, uma vez deportado para os Estados Unidos, lá será julgado e condenado com o rigor de quem leva as coisas a sério. Parece que Teixeira caiu na brasa.

Não haverá um Gilmar Mendes ianque para tirar da enrascada os envolvidos na grande tramoia. Como se deu, só para citar um exemplo, com o banqueiro Daniel Dantas, alcançado pela Operação Satiagraha, preso duas vezes e duas vezes libertado pela intervenção de Mendes, capaz, aliás, de emperrar o funcionamento da Suprema Corte brasileira em proveito dos seus próprios objetivos públicos.

Há certo parentesco entre os casos, a se considerar que Dantas já foi condenado fora do País, em Nova York, em Cayman e em Londres, enquanto aqui na terrinha pode-se permitir viver à larga em perfeito sossego. Desde a clamorosa roubalheira-bandalheira da privatização das comunicações, o maior escândalo da história pátria, até o enterro da Satiagraha e o desterro do delegado Paulo Lacerda para Portugal.

Não recordo que por ocasião destes dois momentos da trajetória de Dantas a mídia nativa tenha entrado em ação para martelar diuturnamente em denúncias e acusações como se dá hoje em relação ao “petrolão”. Do período que vai da Operação Chacal à Satiagraha sobrou a constrangedora impressão de que o banqueiro do Opportunity vive em paz por ter todo mundo no bolso.

A diferença entre Marin, e quantos mais vierem atrás dele, e Dantas, é representada, em primeiro lugar, pela presença do FBI, sem contar que logo após virá a Justiça americana, e os EUA são muito severos em relação à lavagem de dinheiro dentro de suas fronteiras. Por ora, Joseph Blatter, o presidente da Fifa, e outros, estrangeiros e nacionais, todos herdeiros diretos ou indiretos de Havelange, escapam aparentemente à investigação do Federal Bureau. Não se excluam surpresas, contudo.

Faz duas semanas, CartaCapital dedicou uma capa à CBF de Marco Polo Del Nero. A Confederação queixou-se, alegou não ter sido procurada para dirimir nossas dúvidas, como se não estivéssemos largamente habilitados a imaginar quanto teríamos de ouvir. Retrucamos, de todo modo, que muito nos agradaria entrevistar o próprio presidente da entidade, com total liberdade para formular perguntas. Não houve resposta.

Sabemos que na terra brasilis, os donos de poder, em qualquer instância, são intérpretes insuperáveis de uma secular tradição de desfaçatez, prepotência e hipocrisia na certeza da impunidade por direito divino. São os caras de pau-brasil. O futebol, está claro, entre nós não é assunto de somenos, e algo intrigante é a razão por que, sempre a ficar em meros exemplos, as partidas noturnas tenham necessariamente de acontecer depois da novela da Globo. Ah, sim, a Globo... Quanto valerão tantas benesses que lhe foram concedidas?

E é possível que o governo federal, hoje representado por um ministro do Esporte inepto, não intervenha nos gramados da política do futebol, entregue a uma máfia de cartola? Permito-me lembrar que a seleção canarinho adentra aos gramados do mundo ao som do Hino Nacional.

sábado, 30 de maio de 2015

Corrupção na Fifa: Entenda por que o silêncio de Ronaldo e Pelé está ligado a J. Hawilla e aos EUA, país que lidera investigações



No país do futebol, não são poucos os brasileiros que se questionam sobre o silêncio de grandes ídolos da bola, como os ex-jogadores Ronaldo Fenômeno e Pelé acerca do escândalo de corrupção na Fifa. Uma rápida busca nas redes sociais permite ver que a demanda por uma palavra deles existe. Porém, a expectativa não deve ser atendida por pelo menos dois motivos: José Hawilla e os Estados Unidos.

Citado pela Justiça norte-americana como um delator no processo que investiga o pagamento de propinas a cartolas nos últimos 24 anos, o empresário brasileiro J. Hawilla possui conexões com os principais dirigentes do futebol nacional há décadas. Ele intermediou negócios da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no auge da era Ricardo Teixeira. A empresa fundada por ele, a Traffic, comandou diversas negociações, de direitos de transmissão a jogadores.

A ligação com Hawilla fez do empresário Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo,o primeiro alvo de buscas por parte da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), na quarta-feira (27), no Rio de Janeiro. As autoridades brasileiras participam do esforço concentrado que, além dos EUA, ainda possui um braço investigatório na Suíça – este apurando mais precisamente os processos das escolhas das Copas do Mundo de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar).

Tanto Ronaldo quanto Pelé possuem conexões antigas com Hawilla. O primeiro projeto do Fenômeno na área de comunicação, em 2002 – a compra dos direitos de transmissão do Campeonato Espanhol pela Rede Bandeirantes – aconteceu em uma parceria com a Traffic. Na época, Kleber Leite (então vice-presidente da empresa de Hawilla) disse ao jornal Folha de S. Paulo que a “intenção é fazer com que o brasileiro possa assistir ao maior jogador da atualidade todos os domingos”. Ronaldo integrava o time galáctico do Real Madrid na ocasião.

Posteriormente, a Traffic chegou a ter algumas disputas de mercado com a 9ine, empresa que o Fenômeno abriu para atuar no mercado do marketing esportivo – uma delas no Flamengo, como noticiou o Lance! em 2011. Apenas um ano antes, em uma festa que comemorou os 30 anos de atuação da Traffic no mercado, Hawilla reuniu a nata do futebol nacional – incluindo Ronaldo, Pelé e Ricardo Teixeira –, mostrando ao mundo por que era tido como "dono do futebol brasileiro".

Hawilla se afastou dos negócios e se mudou para os EUA em 2013. Lá, passou a ser figura importante na NASL, sendo dono inclusive de alguns times da liga que é uma espécie de segunda divisão do futebol americano. Em dezembro de 2014, Ronaldo adquiriu uma participação no Fort Lauderdale Strikers, time adquirido quatro meses antes por um grupo de empresários brasileiros da Traffic – que ainda detém o Carolina RailHawks.

A sociedade indireta entre Ronaldo e Hawilla no futebol dos EUA também atinge, em menor grau, o Rei Pelé. Enquanto explodia o escândalo da Fifa, com prisões em um hotel de luxo de Zurique – incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin –,Pelé estava em Nova York. Lá o maior jogador de futebol de todos os tempos fez história com o New York Cosmos, clube com o qual mantém relações (emocionais e econômicas) até hoje. Pelé inclusive irá com a delegação da equipe para Cuba, onde um jogo amistoso entre o Cosmos e a seleção cubana será realizado no dia 2 de junho.

Os dados disponíveis até o momento em torno das investigações nos EUA não implicam o nome de Ronaldo ou de Pelé em irregularidades. Possivelmente isso nem venha a ocorrer. O mesmo não pode ser dito da Traffic e da própria NASL. O executivo Aaron Davidson, ex-presidente dos Strikers, atual presidente dos RailHawks e da Traffic nos EUA, é um dos executivos da Fifa denunciados pelas autoridades americanas. Para tentar conter a crise, a NASL e seus executivos suspenderam Davidson e também os negócios com a firma de Hawilla.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Torcida do Santos comemora vaga e grita contra a Rede Globo na Vila Belmiro



Por Allan Simon

A torcida do Santos aproveitou a classificação do Peixe para a sétima final consecutiva de Campeonato Paulista para provocar a Rede Globo, que tem ignorado os jogos da equipe santista nos últimos tempos em suas escolhas para transmissões. Desde os minutos finais da vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, a torcida entoou gritos contra a emissora carioca.

“Chupa, Rede Globo, é o Santos na final de novo”, gritavam os torcedores do Santos. Nas quartas de final, na última semana, o jogo entre o Peixe e o XV de Piracicaba foi marcado para as 16h do domingo, um horário tradicional para a exibição de partidas ao vivo no canal, mas a Globo exibiu um filme do Homem-Aranha no horário.

Durante a semana, a Globo alegou que não transmitiu porque o contrato com a Federação Paulista de Futebol prevê apenas um jogo no fim de semana, e que a escolha foi pelo duelo entre Corinthians e Ponte Preta, realizado no sábado.

Na final, o Santos enfrentará outro time cuja torcida tem se revoltado contra a Rede Globo. Também ignorado pela emissora nas transmissões, chegando a ter o mesmo número de exibições na TV aberta que o Danúbio do Uruguai em 2015, o Palmeiras tem em seus torcedores um sentimento de contrariedade também pela forma como a emissora se refere ao novo estádio do Verdão, o Allianz Parque, chamando de Arena Palmeiras por causa da restrição a naming rights.

sábado, 12 de julho de 2014

Falta a Rede Globo no debate sobre mudanças no futebol

Felizmente, muita gente entrou no debate sobre a necessidade de renovação no futebol brasileiro. Nem tinha como ser diferente. A situação atual chegou a um ponto de não retorno. Ou se discutem essas mudanças, ou vamos jogar o sonho do hexa para nunca mais, deixar para trás uma de nossas marcas – a do país do futebol – e ficar remoendo derrotas.

Galvão Bueno entrevista o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

E administrando o prejuízo, este futebol e política de esportes, em geral, ultrapassados, clubes falidos e cartolas que se tornaram verdadeiros imperadores em seus postos.

A mudança que se discute, cujo debate precisa ser ainda mais ampliado, não é só a de renovação do nosso futebol, mas também a de modernização dos clubes, da CBF e de propostas que levem a mudanças até na Fifa. Por isso é muito bom, merece aplausos, que a presidenta da República, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o pessoal do Bom Senso F.C. (grupo de jogadores insatisfeito com a série de anomalias no nosso futebol e que se organizou para reivindicações, o que não é comum entre nós), tenham entrado na discussão, todo mundo enfim…

Mas falta a entrada de um personagem importante nesse debate: a Rede Globo. A discussão sobre a necessidade das mudanças começou no mesmo dia, ou no seguinte ao da derrota do Brasil pela Alemanha, quando colocou-se aqui no blog imediatamente a necessidade de ser examinado, também, o papel da Rede Globo nesta Copa. Mas, da emissora, só silêncio. Ela não questiona a cobrança, não diz palavra a respeito. Tudo indica que pretende continuar na posição majestática de fazer com que os brasileiros engulam tudo o que ela quer continuar lhes impingindo.

A Globo é só silêncio

A discussão desse papel da Globo no Mundial, como dissemos antes, tem de começar pela forma como ela fez a cobertura. Primeiro com uma campanha sistemática contra a Copa, passando ao Brasil todo que seria um fracasso em organização e infraestrutura, apostando num desgaste do governo de olho na sucessão presidencial, na eleição nacional deste ano. Ainda que muitas vezes isso não fosse feito de forma explícita, muito direta, foi feito na forma em que a Globo é especializada – manipulada.

Depois, a rede buscou de todas as formas fazer da Copa a Copa da Globo. Era como se tudo fosse obra dela e dos torcedores. Só ela e eles contavam no noticiário no lado dos acertos, e seriam os responsáveis pelo sucesso do evento, naquela fórmula que a Globo tem de “vender” esperança, de que tudo é simples. Há que se reconhecer que, pelo seu comportamento de sempre, o que a Globo menos quer é discutir, debater o seu papel. Suscitar qualquer discussão, é o que menos lhe interessa.

Sem contar que que toda a cobertura da Globo teve um lado tendencioso, buscou o endeusamento de determinados jogadores e a criação de novos ídolos e heróis, sem tratar, ou raramente tratando do conjunto (da seleção, da comissão técnica…). Sem falar em toda mistificação, colocando o futebol – e ela, sempre que era possível – como sinônimo da pátria e da nacionalidade.

Emissora vem perdendo audiência

Levar ao ar em seu noticiário as deficiências e debilidades da seleção e da comissão técnica e, pior, a superioridade dos adversários, isso ela nunca quis e nunca fez. Agora, quando se desencadeia este grande debate nacional, a Rede Globo deveria ser a 1ª interessada nele. Até porque, nem a transmissão da Copa do Mundo da forma como falamos conseguiu alavancar a audiência da Rede este ano.

Conforme reportagem publicada pelo portal Brasil 247, no 1º semestre deste 2014, a emissora da família Marinho perdeu 4% de seu público na média diária (das 7h à meia-noite) em São Paulo. A emissora, que manteve a média de 14,3 pontos nos primeiros seis meses de 2013, caiu para com 13,8 pontos de audiência no primeiro semestre deste ano. E a perda ocorreu no horário nobre, o mais caro da TV brasileira, que conta com o Jornal Nacional e a novela das 21h – a atual, “Em Família”. Em contrapartida, no mesmo período a Rede Record cresceu 4%; a RedeTV!, 14%; e os canais pagos e UHF saltaram 20% em audiência .

O portal 247 lembra, inclusive, que de acordo com a colunista especializada em TV, Keila Jimenez, de janeiro a junho deste ano, o horário nobre da emissora foi o principal responsável pela perda de telespectadores. E na faixa noturna (das 18h à meia-noite), a mais cara da TV, o canal viu a sua audiência cair 10%. A Globo marcou 23,5 pontos nos primeiros seis meses de 2013, ante 21,2 pontos em 2014. O SBT e a Band tiveram perdas infinitamente menores no primeiro semestre do ano: 1% e 2% respectivamente.

A hora de a Rede se rediscutir é agora

Assim, é ou não é hora de a Rede Globo, se rediscutir e entrar nesse debate já iniciado e cobrado pelo país?

Estamos falando da Rede globo, mas cumpre registrar também: é lamentável a posição anunciada pelo ainda presidente da CBF ( o futuro presidente, Marco Polo Del Nero, só assume no início do próximo ano), José Maria Marin. Com todo mundo na discussão (exceção da Globo), sugerindo, opinando, ele vem com essa: a CBF não aceita entrar no debate; nela ninguém mexe; nela ninguém nem palpita.

Fonte: Blog Zé Dirceu

sábado, 14 de junho de 2014

José Trajano - as redes sociais estão intragáveis

Podem vir com pedras, que eu levarei laranjas


[...] Eu fechei minha conta do Facebook para não perder amizades, assustado que estava com o pensamento proto-fascista de seguidores de Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Augusto Antunes e outros semelhantes (ênfase nos semelhantes, pois o discurso é tão homogêneo que é quase impossível distingui-los).

As páginas da Veja estão recheadas de insultos voltados a petistas ou esquerdista: canalha, ignorante, cretino, idiota, apedeuta, safado, cafajeste... e na falta de mais termos agressivos, inventam-se neologismos, como petralha, para atacar quem está no polo ideológico oposto.

O padrão Veja de discussão política tomou conta de parte da sociedade brasileira.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Bom Senso FC responsabiliza a CBF por fim do Brasileiro decidido nos tribunais


Bom Senso envia carta a Marin e ironiza: não está acostumado à democracia

Bom Senso FC - Carta aberta à CBF



Caro Presidente,

Talvez o senhor não saiba, mas não somos apenas um grupo de jogadores. Somos mais de 1000 (mil), reunidos em apenas três meses, em prol de um futebol melhor para todos.

Um grupo democrático, onde todos os envolvidos têm poder de votar, opinar e participar. Sabemos que o senhor não está acostumado com essa tal democracia e até entendemos que seja difícil se adaptar, faz pouco tempo...

O senhor tem razão quando diz que existe um calendário permanente desde 2003. E um calendário ruim desde então. Porque antes disso ele era péssimo.

Mas o senhor conseguiu resolver todos os problemas do calendário do dia para a noite. Foi só limitar o número de jogos dos jogadores e não dos clubes e pronto, eis que melhoraremos a qualidade no espetáculo. Ou seja, a saída escolhida é o mesmo que encontrar um burro dentro de sua sala e pedir para trocarem o sofá, pois algo lhe parece estranho.

Não nos diga que o senhor tem orgulho do calendário de apenas quatro meses de competição para a maioria dos clubes do Brasil. Talvez o senhor dê pulos de alegria quando vê a formula de disputa do Campeonato Paulista de 2014, que pode fazer com que um time seja campeão e rebaixado ao mesmo torneio. 

Desconfiamos até que o êxtase o atinja quando o senhor percebe a extraordinária estratégia de um time precisar ser desclassificado de uma competição nacional (Copa do Brasil) para se classificar para um torneio internacional (Copa Sul-Americana). 

Quanta genialidade! Responda-nos uma coisa: É justo que os times percam seus melhores jogadores quando há partidas das seleções simplesmente porque o campeonato daqui não para nas datas FIFA?

Responder não parece ser seu forte, não é mesmo? 

Inclusive, esse "grupo de meia dúzia de jogadores" deve ser muito chato mesmo para exigir explicações tão "complicadas".

De qualquer forma, e apesar de tudo, foi importante o senhor ter falado das Séries C e D e ressaltar a boa ação da CBF com essas duas competições. Mas veja, caro presidente, a fonte de receita da CBF é a Seleção Brasileira, fruto final do futebol jogado no país. Logo, usar parte desses recursos para subsidiar as competições para as quais a confederação não consegue receita não é caridade, é uma simples obrigação. Afinal, assim como os direitos sobre a NOSSA Seleção são da CBF, os deveres sobre o futebol brasileiro também devem ser.

Só para lembrá-lo, é graças à grandeza do futebol brasileiro, construída por clubes e jogadores nos últimos 100 anos, que a CBF possui hoje, 14 legítimos patrocinadores. Logo, não basta cuidar apenas da Seleção, é preciso regar a raiz do nosso futebol.

Outra coisa. Talvez o senhor não tenha lido, mas já falamos abertamente sobre os salários do futebol. E temos certeza de que o Fair Play Financeiro implementado de forma eficaz (não aquele de faz de conta da FPF) irá diminuir os salários. E mesmo cortando na nossa própria carne, continuaremos lutando pelo bem do futebol. Porque quem regula o salário pago aos jogadores é o mercado e se o gestor for obrigado a gastar apenas o que o clube arrecada, pagará menos a todos. O que gera salários astronômicos (e atrasados) é a falta de um dispositivo punitivo (esportivo e civil) a quem gasta mais do que ganha. 

Mas isso é encrenca política demais para alguém assumir em ano de eleição, não é?

E para ajudar o Bom Senso FC a virar consenso de uma vez por todas, o Campeonato Brasileiro terminou de forma melancólica, dentro do tribunal! A frase: "Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas" não poderia se encaixar melhor nessa situação. A justiça desportiva se torna protagonista e o resultado de campo fica para trás. Sem discutir o mérito de quem está certo ou errado, a conclusão final é de que a CBF é que deveria ir para a segunda, terceira, quarta divisão.

No fundo e para finalizar, a nossa expectativa é que a CBF, que se denomina entidade maior do futebol brasileiro, realmente assuma o seu papel de gestora do nosso esporte e participe do debate jogando, atuando, e não apenas assistindo.

E antes que nos perguntem, as férias têm nos feito muito bem. 

Em janeiro nos vemos por aí. Boas Festas!

Bom Senso Futebol Clube

Por um futebol melhor
para quem joga, 
para quem torce,
para quem apita,
para quem transmite, 
para quem patrocina.

Por um futebol melhor para todos.

Fonte:http://esportes.terra.com.br/futebol/brasileiro-serie-a/bom-senso-envia-carta-a-marin-e-ironiza-nao-esta-acostumado-a-democracia,6fc4ac8863103410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

CBF e STJD mudam as regras para o campeonato de 2014

Parágrafo Único!

Está proibido o rebaixamento do Fluminense, não importam as circunstâncias





Tenho vergonha dos bastidores do nosso futebol.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

E quem vai me pedir desculpas?



Texto de Jamil Cabral Sierra.

No futebol brasileiro (1) é assim: jogador pede desculpa por dar selinho no amigo, jogador pede desculpa por sair com pessoas trans*, jogador pede desculpas por dar pinta em campo. Agora, pedir desculpa por inflar a homofobia, por espalhar a transfobia, por reiterar o machismo e o (cis)sexismo nenhum desses jogadores vem a público se desculpar.

Lembro-me, até hoje, como eram sacrificantes para mim as aulas de Educação Física (2) na escola, especialmente quando, nessas aulas, eu era obrigado, por imposição de docentes, a jogar futebol. Me sentia tão humilhado e fracassado nessas aulas que a única coisa que eu queria era sumir da escola e das aulas de Educação Física e nunca mais voltar. Essa violência a que eu era submetido cotidianamente materializava-se por caminhos cruéis e, evidentemente, promotores de exclusão. Mesmo que, à época, eu me apresentasse socialmente como um garoto branco, cis, de classe média e bom nos estudos eu não tinha garantia alguma de que tais privilégios fossem suficientes para me salvar das ofensas que pululavam da cabeça de coleguinhas adolescentes que se achavam mais homens do que eu por terem sido treinados a chutar a bola – e a chutar, consequentemente, toda a diferença que incomodavam a norma para fora da quadra. E por que tais privilégios não eram suficientes para garantir minha paz em campo? Eu era branco como eles, eu me vestia como como eles, eu tinha uma bola Topper como a deles, eu tinha pinto como eles… mas eu era gay e eles não. Isso bastava para que me colocassem em uma determinada categoria identitária desprezada e, com isso, me enquadrassem no campo da anormalidade, revogando-se, assim, todo e qualquer direito que, supostamente, eu poderia acessar. Meu único direito era o de ser escolhido por último para o time.

Minha gueizidade me fazia querer experimentar o corpo de outras formas, me lançava na experimentação do físico muito menos para me afirmar como homem e muito mais para, no contato com outros corpos, inventar relações das quais eu pudesse extrair algum tipo de prazer. Como não via ali, no futebol, nada que pudesse me dar prazer, eu não fazia. Acolhia-me, junto às meninas, na mesa de ping-pong, na amarelinha, no pega-pega. Com elas, ao menos, experimentava certa afetividade e contato corporal que me satisfaziam. Em vista disso, as aulas de Educação Física se constituíam, para mim, apenas como um lugar em que se processavam, no interior da escola, as mesmas violências com as quais eu era obrigado a lidar fora dela, o que significava que eu não estava seguro em lugar algum: nem na rua, nem na escola; nem no campinho do vizinho, nem na quadra do colégio.

Foto de Cesinha Marin no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Evidentemente que na época eu não conseguia perceber, de forma mais analítica, o quanto eu era violentado por meio do esporte, em especial, pelo futebol. Não reconhecia, obviamente, como o futebol se convertia numa tecnologia que além de operar a fabricação dos gêneros operava, também, como diz Foucault (3), o governo de corpos de modo a conduzir a conduta daqueles moleques todos em direção à heteronormatividade, à cissexualidade, ajudando a construir, assim, o machismo e o (cis)sexismo que, no futuro, seriam seus comparsas em campo e fora dele. Não era capaz de enxergar que o culpado não era eu. Não via, ao contrário, que eu era a vítima de todos eles que me imputavam rótulos e me perseguiam feito gafanhotos. Não conseguia perceber que não gostar de futebol não era um problema intrinsicamente meu, que não era uma obrigação minha – por ter sido designado como menino ao nascer, compulsória e naturalmente, como uma inscrição em meu DNA – saber dar dribles e acertar o gol. A adolescência é, de fato, cruel com a gente, não é?

Por tudo isso, não se enganem. O futebol, como vários outros esportes, é uma maquinaria disposta a fabricar gêneros, a reforçar os lugares do feminino e do masculino, a reiterar performatividades hegemônicas, engendrando formas de violência e exclusão. O campo de futebol, lugar em que se reitera o dispositivo da sexualidade, como descreveu Foucault (4), publiciza uma noção de masculinidade que ignora as múltiplas vivências masculinas, que invisibiliza outros modos viver o corpo-homem, que subjulga e ignora as masculinidades trans*. O campo de futebol, como lugar em que se produz o macho-atacante, em que se negociam as formas de ser e parecer homem de verdade, em que se refratam gritos e gestos de intimidação tão tipicamente preconceituosos se transforma em um lócus privilegiado de produção do machismo e do (cis)sexismo que vemos por aí. O torcedor ou o jogador que entre as quatro linhas ofende o juiz chamando-lhe de “filho da puta” e zoa com o adversário chamando-lhe de “viado” é feito, em grande parte das vezes, do mesmo amalgama do homem que, ao chegar em casa, depois de ver o jogo da arquibancada, bate na esposa e achincalha o filho gay por não ter ido ao estádio com ele participar desse espetáculo homofóbico e machista.

Por isso, não adianta dar selinho no amigo para fazer média com a opinião pública, se depois vai ter que pedir para torcida do time desculpas pela “tamanha obscenidade” praticada. O que acontece hoje nos campos de futebol não é diferente das mesmas violências que praticavam os meus colegas nas aulas de Educação Física. Pessoas, inclusive, que me devem, até hoje, um pedido de desculpas.

Notas e Referências

(1) Falo aqui especialmente do futebol masculino, aquele jogado por homens cis e, em sua grande maioria, héteros. Não falo do futebol feminino, por achar que nessa modalidade há algumas especificidades que o diferem, inclusive em termos de reprodução da lógica machista, do futebol masculino.

(2) Evidentemente que falo aqui de uma experiência de aulas de Educação Física muito particular e pessoal, fruto do meu processo de escolarização em uma cidade muito pequena, do interior do Paraná, entre os anos de 1980 e 1990. Lógico que talvez há, hoje, outras possibilidades de experienciação do corpo nas aulas de Educação Física mais dissociadas dos processos de heteronormatividade pelos quais eu passei.

(3) FOUCAULT, Michel. Segurança, território, população. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

(4) FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade: a vontade de saber. V. 1. 14 ed. Rio de Janeiro: Graal, 2001.

Jamil Cabral Sierra é professor da UFPR, pesquisador na área de Gênero e Diversidade Sexual e, como não canto, não danço, não atuo, não toco nenhum instrumento, não pinto… nem bordo (só às vezes), não desenho e não esculpo, resta apenas inventar-me na/pela escrita. Uso os caracteres como arma de guerrilha.

Via:http://mariadapenhaneles.blogspot.com.br/

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Rússia: Torcida do Zenit pede ao clube para não contratar gays, negros e latinos




Mais homofobia vinda da Rússia. Lamentável. Lamentável, também, o racismo!

Torcedores do Zenit, de São Petersburgo, na Rússia, causaram um grande escândalo nesta segunda-feira ao publicar um manifesto no qual pedem para que o clube deixe de contratar jogadores gays, negros ou latino-americanos.

Este absurdo surgiu em meio a uma onda de protestos de atletas russos do elenco contra o valor astronômico (mais de R$ 100 milhões) desembolsado para a contratação do brasileiro Hulk, que chegou ao clube em setembro e foi o jogador mais caro da última janela de transferências do futebol europeu.

Apesar do conteúdo nitidamente racista e homofóbico do texto publicado no seu site, o grupo de torcedores Landskrona rejeitou qualquer acusação de racismo. “Não somos racistas, mas, para nós, a ausência de jogadores negros no Zenit faz parte de uma importante tradição, que marca a identidade do clube”, disse o manifesto.

São racistas, sim! Deveriam ter a coragem de assumir isso.

O texto ainda diz que o clube “nunca foi mentalmente relacionado com África, América do Sul, Austrália ou Oceania” e alega que o clube “está impondo jogadores negros no time praticamente à força”.
A empresa semiestatal Gazprom, gigante mundial do mercado de gás natural e proprietária do Zenit, divulgou um comunicado para pedir mais tolerância ao seus torcedores e deixou claro que “a contratação dos jogadores não tem nada a ver com a nacionalidade ou a cor da pele”.
“A luta contra qualquer forma de intolerância é um princípio de base para o desenvolvimento do clube, do futebol e do esporte no mundo todo”, completou a Gazprom.

O elenco do Zenit já havia sido personagem de uma controvérsia envolvendo a chegada de Hulk. Em setembro, vários jogadores do elenco boicotaram o atacante brasileiro por conta do alto salário que ele recebe. O volante Desinov, antigo capitão da equipe, chegou a declarar que tais valores só se justificariam se fossem Messi ou Iniesta.

Trecho do manifesto (cuidado para não vomitar no computador!):

“Nós não somos racistas, mas a ausência de jogadores negros na escalação do Zenit é uma importante tradição que enfatiza a identidade do clube e nada mais.

Nós como o clube mais setentrional das grandes cidades europeias nunca compartilhamos a mentalidade da África, América do Sul, Austrália ou Oceania. Nós apenas queremos jogadores de outras nações eslavas, como Ucrânia e Belarus, assim como dos países bálticos e Escandinávia. Temos a mesma mentalidade, histórico e cultura que estas nações.

Grande parte desses campeonatos é jogada em climas duros. Nessas condições, às vezes é difícil para os jogadores técnicos de países quentes exibirem seus talentos no futebol de forma completa. Queremos jogadores mais próximos da nossa alma e mentalidade para jogar pelo Zenit. E somos contra a inclusão de representantes das minorias sexuais no time”.

Imagina o quanto o Hulk não deve sofrer jogando no Zenit. Deveria haver uma campanha mundial, séria, contra o racismo e a homofobia no futebol. A Fifa poderia deveria fazer algo.

Sobre o Zenit, a empresa semiestatal, a Gazprom, em um país cujo governo é homofóbico. Aí fica complicado mesmo
Via:http://contextolivre.blogspot.com.br

sábado, 7 de julho de 2012

O Centenário do clássico mais famoso do Brasil - FLA X FLU

“Até hoje em todo o mundo não há um jogo que chegue aos pés do Fla-Flu. Que é cada vez mais empolgante. E cada jogo entre o Fluminense e o Flamengo parece ser o maior do século e será assim eternamente”. (Nelson Rodrigues)





Hoje o clássico mais charmoso do país, está completando 100 anos de espetáculo. Flamengo vai entrar em campo no clássico histórico de domingo contra o Fluminense prestando uma homenagem aos seus jogadores de 1912. Na partida que marca os 100 anos do Fla X Flu, serão estampados nas camisas de Vagner Love, Ibson e companhia os nomes dos atletas da época, como o goleiro Baena, o zagueiro Pindaro, o atacante Borgeth, entre outros.








quinta-feira, 5 de julho de 2012

Corinthians - Conquista a América






Enfim, após 102 anos de espera, o bando de loucos comemora o inédito título da libertadores de 2012

Parabéns bando de loucos...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Os sete pecados capitais da Seleção Brasileira de 1982


Trinta anos se passaram e a pergunta ainda não quer calar: por que a Seleção Brasileira perdeu a Copa de 82? Para tentar respondê-la, formularam-se teses, buscaram-se culpados, escreveram-se livros. No fim, concorde-se com elas ou não, essas explicações podem ser adaptadas ao velho e conhecido conceito dos sete pecados capitais. 

Primeiro pecado capital: Cobiça

Desejo insaciável, além do necessário. Querer ter sempre mais, não se contentando com o que já se tem. Uma forma de cobiça.

Talvez seja essa a principal acusação que se faz ao time de 82. Na partida em que foi eliminado, contra a Itália, o Brasil teve três vezes a seu favor o empate que o classificaria para as semifinais: 0 a 0 (embora apenas nos primeiros cinco minutos de jogo), 1 a 1 (até a metade do primeiro tempo) e 2 a 2 (até os 29 do segundo). Mesmo assim, por querer ter sempre mais, teria se lançado desnecessariamente ao ataque em busca da vitória e sofrido o terceiro gol do mesmo jogador, Paolo Rossi, no mesmo dia, aquela fatídica segunda-feira, 5 de julho, no Estádio Sarriá, em Barcelona.

Até aquele momento, porém, não era só o time, mas todo o País que cometia o pecado da cobiça. Esse sentimento ficou claro nas palavras do locutor Luciano do Valle, a voz oficial daquela Copa transmitida com exclusividade pela TV Globo, logo após o gol de Falcão: “Quem sabe agora o Brasil, se conscientizando cada vez mais, vai partir para uma grande vitória”. 

Absolva-se naquele momento apenas o técnico Telê Santana. Logo depois dos 2 a 2, ele fez o que podia para segurar o empate, ao trocar imediatamente o inoperante Serginho por Paulo Isidoro e, assim, reforçar o meio-campo. Se mais não fez, foi porque não podia — o volante Batista, agredido por Maradona com um chute na virilha no jogo anterior, contra a Argentina, não tinha condições físicas de entrar em campo, como até hoje cobram alguns críticos de Telê.

Lance da partida entre Brasil e Alemanha Ocidental em 1982

Mas o time, talvez por sua própria vocação ofensiva, continuou atacando. Entre o segundo gol de empate brasileiro, marcado por Falcão, e o terceiro de Rossi, que afinal decretou a derrota por 3 a 2, o Brasil só atacou. Naquele curto período de sete minutos, os brasileiros concluírem mais quatro jogadas. Zico, de frente para o gol, chutou por cima do travessão. Éder perdeu excelente chance ao carimbar o corpo de um adversário em vez de passar a bola para Sócrates, que estava livre (naquele momento, eram os dois brasileiros contra um da defesa italiana). Paulo Isidoro mais uma vez chutou a gol, ainda que sem direção e em uma jogada já paralisada por impedimento. Por fim, o goleiro italiano, Zoff, teve que cortar um perigoso cruzamento na cabeça de Sócrates. 

Ao contrário do que se poderia imaginar àquela altura, o gol da vitória da Itália não surgiu de um contra-ataque, mas de um escanteio, com todos os 11 jogadores brasileiros postados (embora mal postados) dentro da área. Nos últimos dez minutos, o time seguiu atacando desordenadamente. Chegou até a sofrer um quarto gol, marcado por Antognoni, aos 42, e erroneamente anulado por impedimento pelo árbitro Abraham Klein, de Israel, atendendo à marcação do bandeirinha Cham Tan, de Hong Kong. 

Segundo pecado capital: Avareza

Apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro. 

O Brasil havia embarcado, em 31 de maio de 1982, do Rio de Janeiro para Portugal, onde permaneceu por uma semana no Hotel do Guincho, um luxuoso recanto à beira-mar em Cascais. Lá, passou seis dias treinando. No domingo, 6 de junho, véspera da ida para a Espanha, a CBF definiu o prêmio pela conquista da Copa: 10,3 milhões de cruzeiros para cada jogador, o equivalente a 62 mil dólares da época. 

O futebol já vivia, então, o início de sua era mercantilista. Em 1981, dos 90 milhões de cruzeiros (cerca de 1 milhão de dólares) que o Flamengo pagava a Zico, 25 saíam dos cofres de um parceiro comercial, a Coca-Cola. No início de 1982, o craque rubro-negro aparecia em comerciais de bancos, remédios, xampus, refrigerantes e artigos esportivos. Sócrates, Falcão, Cerezo, Júnior e até o técnico Telê Santana também fecharam proveitosos contratos publicitários. Se o Brasil voltasse campeão, os salários dos jogadores deveriam saltar a valores estratosféricos.


Terceiro pecado capital: Luxúria

Desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”. 

E a maior paixão daquela Seleção Brasileira e de seu técnico, Telê Santana, era o futebol bem jogado. Dominado por essa paixão, o Brasil acabou perdendo a Copa. Telê optou por colocar em campo um time com dois laterais ofensivos (Leandro e Júnior), um zagueiro clássico (Luizinho) e um meio-campo de sonhos, recheado de craques (Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico). Não tinha nenhum carregador de pianos. Quem fazia o “trabalho sujo”, o trabalho de destruição, protegendo a defesa? Ninguém, e na batalha final contra os italianos isso acabou fazendo falta. 

“Desejo sinceramente que, de agora em diante, com a ajuda de técnicos, dirigentes, de jogadores, da imprensa e da torcida, façamos sempre a bola correr dentro de campo”, declarou um emocionado Telê logo após a derrota para a Itália. Dez anos depois, com craques como o próprio Toninho Cerezo e Raí, mas também com o zagueiro Ronaldão e o apenas aplicado volante Pintado, o técnico, enfim, conquistaria seu primeiro título mundial, o de clubes, pelo São Paulo. No ano seguinte, com outro volante, Doriva, na função de cão-de-guarda, chegaria ao bi. 

Quarto pecado capital: Ira

Intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor, que pode ou não gerar sentimento de vingança.

Apesar de ele próprio ter feito sua carreira de jogador como falso ponta-direita no Fluminense dos anos 1950, o técnico Telê Santana parecia nutrir certo rancor pelos jogadores da posição. Na Copa de 1978, o Brasil já havia atuado sem pontas especialistas. Quatro anos depois, Telê repetia a fórmula, ao menos pelo lado direito. 

O clamor popular por um ponta direita materializou-se no personagem Zé da Galera, do humorista Jô Soares, cujo bordão era “Bota ponta, Telê!”. Mas o técnico manteve sua opinião até o fim. Tanto que, na lista final de convocados, havia um único ponteiro de verdade – Éder, ainda assim pelo lado esquerdo. 

Dois jogadores que se encontravam em grande forma, mas que haviam se desentendido com o treinador em outros momentos de suas carreiras, também foram vítimas da ira de Telê Santana: Leão, goleiro do Grêmio, e Jorge Mendonça, meia e artilheiro do Guarani. Ambos acabaram fazendo falta na Copa da Espanha.


Gentile, da Itália, observa Zico no lendário embate entre as duas seleções.

Quinto pecado capital: A Inveja

Desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. 

Quatro anos depois daquela Copa do Mundo, já às vésperas da seguinte, no México, em 1986, o zagueiro Edinho, reserva em 1982, teria dito ao repórter Marcelo Resende, em entrevista à revista Placar, que “Éder e Serginho ganhavam 1.000 dólares para comemorar cada gol perto de uma placa [de publicidade] [...] Isso não pode acontecer”. 

“Estava na hora de alguém abordar esse assunto”, reagiu Sócrates à época. Zico admitiu que havia sido procurado para fazer o mesmo, mas não aceitou, porque “isso sempre acaba atrapalhando”. Edinho afirmou que o repórter agiu de má-fé e que jamais citaria nomes de outros jogadores se soubesse que eles seriam publicados. Serginho jamais perdoou Edinho, chamando-o de “traíra”.


Sexto pecado capital: Preguiça


Tendo como preparador físico um profissional exigente como era Gilberto Tim, não se pode dizer que a Seleção Brasileira de 1982, como um todo, tenha pecado pela preguiça. Mas alguns jogadores ficaram marcados para sempre pela “falta de capricho, de esmero, de empenho, negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza que a leva à inatividade”, que caracterizam este sexto pecado capital. 


Telê Santana (c) comandando a seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 1982 

Um deles foi o goleiro Waldir Peres, embora ele tenha falhado uma única vez em toda aquela Copa, ao sofrer um gol na estreia contra a União Soviética, e o time ainda tenha conseguido virar aquele jogo para 2 a 1. 

Outro foi o zagueiro Luizinho, considerado clássico demais, a ponto de permitir que Paolo Rossi marcasse os fatídicos três gols da desclassificação brasileira atuando pelo seu setor. 

O centroavante Serginho também foi muito criticado por ser considerado tecnicamente a peça mais fraca do ataque e também por ter trocado suas características de brigador pelas de bom moço durante aquela Copa. Por último, Toninho Cerezo, o volante que errou um displicente passe lateral à frente da área brasileira, permitindo o segundo gol de Paolo Rossi. Além disso, ao tentar atrasar a bola com a cabeça para o goleiro Waldir Peres, foi também Toninho Cerezo quem cedeu o desnecessário escanteio no lance que originaria o terceiro gol da Itália. 

Sétimo pecado capital: Orgulho

Também conhecido como soberba, arrogância e vaidade. Do ponto de vista futebolístico, este sétimo e último pecado capital é mais conhecido como “já ganhou”. Mas não se ganha uma Copa do Mundo de véspera, e os brasileiros já deveriam saber disso desde a fatídica derrota para o Uruguai, em casa, em 1950. 

O pior é que em 1982, assim como em 1950, tudo conspirava para aquele clima. A Itália havia passado da primeira para a segunda fase graças ao número de gols marcados, apenas empatando seus três jogos, todos por 1 a 1, contra Polônia, Peru e Camarões. Já o Brasil, na estreia, havia contado com a sorte e a boa vontade do árbitro espanhol Lamo Castillo, que deixou de marcar dois pênaltis do zagueiro Luizinho, para derrotar a União Soviética por 2 a 1. Mas, depois disso, goleou as fracas Escócia (4 a 1) e Nova Zelândia (4 a 0). Já na segunda fase, alcançou o status de maior favorito à conquista da Copa e o direito de empatar com os italianos para ir às semifinais, ao vencer com autoridade a Argentina, seu maior rival e então detentora do título, por 3 a 1. Ao final da primeira fase, uma enquete entre jornalistas do mundo inteiro apontava o Brasil como campeão com 51% dos votos. A Itália recebera apenas 4%. A soberba, portanto, não vinha só dos brasileiros, mas era inevitável.


Fonte: Portal Yahoo!