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quarta-feira, 2 de julho de 2014

O gol contra de Vladimir Safatle




Por Erick da Silva

Houve um tempo em que a figura política do "intelectual" exercia um importante papel na sociedade. Os franceses Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir seguramente foram os mais influentes e significativos exemplos no século XX deste perfil de intelectual que não restringe sua atuação aos "muros da universidade". Com o fim do comunismo soviético e a vitória relativa do neoliberalismo este perfil de intelectual foi modificado, perdendo muito de sua relevância pública, não raro voltando-se quase que exclusivamente para dentro da vida acadêmica, alheios ao mundo que os cerca.

Felizmente nem todas e todos seguiram esse roteiro e trilharam caminhos buscando combinar o esforço reflexivo com uma atuação militante. Intelectuais que se dispõem a disputar publicamente suas posições é algo que devemos louvar, principalmente, tratando-se de um intelectual de esquerda, figura sempre "maldita" pelos grandes meios e cujo espaços são duramente conquistados. Furar o bloqueio é uma tarefa difícil e Vladimir Safatle é um destes raros casos. Professor livre-docente da USP, tornou-se conhecido por um público maior sobretudo por sua atividade como colunista no jornal Folha de S. Paulo. Ainda que não necessariamente concordando com todas suas colocações, seus artigos eram elementos de rara crítica em uma mídia dominada pelo culto ao "deus mercado".

No entanto, o Safatle que anteriormente buscava articular importantes reflexões críticas sobre a sociedade, tendo alguns momentos de brilhantismo e inspiração, teve suas análises afetadas após as "jornadas de junho". Ao final de 2013, quando se filia ao Psol com a perspectiva de ser candidato pela sigla ao governo de São Paulo, colocou-se claramente em um outro lugar, isto é, o da disputa institucional e partidária - o que obviamente não deve ser objeto de crítica. O grande problema parece ter vindo depois da não confirmação da sua candidatura, visivelmente expressado em dois artigos anti-copa.

O primeiro com o título "Não teve Copa", publicado dois dias antes do seu início, afirmou taxativamente que "não há grande evento que consiga esconder o desencanto de um povo." Em sua aposta agourenta, previa que este desencanto converteria-se em protestos, "cuja revolta pode explodir a qualquer momento". A Copa aconteceu e não houve nenhuma "explosão de revolta". O clima da Copa no Brasil contagiou cada canto deste país, não sem problemas pontuais e alguns poucos protestos vanguardistas que não causaram impacto algum na conjuntura. A identidade dos brasileiros com o futebol foi desconsiderada na análise exposta em seu artigo. Pretender entender o seu próprio povo, com toda as suas potencialidades e contradições não é fácil; exige o esforço de saber enxergar a realidade para além de seus desejos e expectativas. Apostava-se que após esta derrapada o filósofo teria a humildade de reconhecer que errou completamente em suas avaliações. Ledo engano!

Safatle voltou à carga em artigo publicado na Folha em 01 de Julho, onde partiu para o ataque já no título, classificando de "Esquerda Padrão Fifa" os setores que apoiam ao Governo Dilma e a realização da Copa do Mundo no Brasil. Se por um lado, ele acertou ao dizer que nem todos os que são críticos à Copa fazem o jogo da direita, por outro, desconsiderou o fato de que existe uma direita golpista no país disposta a manipular a democracia em nome de seus interesses eleitorais imediatos. A direita inúmeras vezes manifestou que esperava, através do mantra "imagina na Copa", produzir uma desestabilização potente o suficiente para funcionar como a "bala de prata" para derrotar a reeleição do governo petista.

Não podemos negar os inúmeros equívocos que ocorreram no processo de preparação para a Copa, com destaque para o grave problema das remoções por conta das obras para o evento. Esta crítica aos megaeventos é necessária e pertinente. Mas não é este o caminho que Safatle trilha em seu artigo. Usando com alguma competência certos artifícios retóricos, e no mesmo tom do artigo anterior, fica evidente que a leitura que faz destila se não incompreensão, uma dose elevada de amargura e pessimismo. A crítica à Copa é usada com o objetivo de atacar ao PT. Equiparar, por exemplo, o PT ao CNA, da África do Sul, é desconsiderar todas as particularidades gritantes que existem na formação dos dois partidos e de seus governos, como é próprio de generalizações sem fundamentação em dados empíricos concretos.

Em uma postura de terra arrasada, na qual os parâmetros de pureza ideológica são usados para uma crítica de conjunto ao PT, faz transparecer que o seu principal adversário é o petismo e não a direita e o capital. Afirmar que "a esquerda morre quando negocia sua força critica por alguns ingressos de futebol", para além do efeito da frase, pouco aponta de concreto.

A derrota do "Não vai ter Copa", ainda não assimilada por Safatle, turva a sua análise sobre a dinâmica da luta de classes no país. O PT segue sendo, com todas as suas contradições, o principal partido a organizar e servir como referência para as lutas populares e o único partido com condições reais de força para disputar a hegemonia. Para além das necessárias críticas que se possa ter ao Governo Dilma, não está colocada uma alternativa à esquerda com alguma viabilidade. Apostar na derrota do PT, com irresponsabilidade e imaturidade política contribui para o jogo da direita, além de bloquear a construção de alternativas críticas aglutinadoras no campo da esquerda.

Fonte:http://www.aldeiagaulesa.net/

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O Brasil já ganhou a Copa



Por Emir Sader.



Foi difícil, jogo duro, mas o Brasil já ganhou a Copa de 2014.

Na fase classificatória foi preciso derrotar a manipulação, a ma fé das informações. Se publicava aqui e se reproduzia fora todo tipo de informações falsas e/ou versões falsas sobre o que acontecia aqui. A ponto que o Ministério de Relações Exteriores da Alemanha chegou a definir o Brasil como “um pais de alto risco”.

Nas oitavas de final foi necessário derrotar o analfabetismo político, sob a forma da versão demagógica de que os recursos que financiaram as obras da Copa teriam sido subtraídos da educação e da saúde.

Nas quartas de final foi preciso eliminar os que alegavam que o país se encontrava sob “estado de sitio” (pobre do Agamben), os que previam que os BBs deitariam e rolariam. As manifestações foram pífias, o povo passou a apoiar a Copa em mais de 80% assim que começaram os jogos.

Nas semifinais, a derrota foi a dos que consideravam – como o Ministério de Relações Exteriores da Alemanha – que o Brasil seria “um pais de alto risco”. Risco zero para os que vieram. Ninguém, alemão ou de outro pais, deixou de vir. E os que vieram estão deslumbrados com o país.

A final foi a prova de que os aeroportos funcionam super bem, os estádios ficaram todos prontinhos, os transportes dão conta perfeitamente do que se precisa para a Copa.

Não bastasse tudo isso, o nível técnico da Copa é altíssimo.

O Brasil já ganhou a Copa fora do campo. Quem apostou contra a Copa, perdeu, foi eliminado. Esta já é a Copa das Copas.

domingo, 18 de maio de 2014

“Desde o início eu vejo que tentam sabotar esse governo”, diz Otto sobre Lula e Dilma



Músico falou também a respeito das táticas Black Bloc e sobre as manifestações

Por Redação

Em entrevista para a revista Cult, o cantor pernambucano Otto falou sobre os governos Lula e Dilma, comentou a respeito da Copa do Mundo e também abordou a questão das manifestações. “Sou contra a violência. Nunca concordei com Black Bloc, com as pessoas quebrarem coisas. Não achava que o Brasil precisava chegar num desespero tão grande”, comentou o cantor.

O músico acredita que há muita coisa acontecendo que é pensada para atrapalhar o governo federal. “O que eu vejo é uma politicagem, uma sabotagem em cima desse governo, algo que eu sinto desde o primeiro governo de Lula. Eu morava no alto Leblon quando Lula ganhou. Era só eu e mais dois apartamentos gritando e o resto calado”, disse Otto, que ainda declarou que é impossível andar pelo país e não notar a mudança. “Eu que ando pelo Brasil vejo que a gente nunca teve uma situação melhor. Mas tem pessoas que não aguentam ver o pobre garantir mais coisa”, criticou.

Otto declarou voto em Dilma Rousseff e apontou que a utilização da violência nas manifestações pode despertar os grupos de extrema direita do Brasil. “Fico do lado da democracia sempre. Principalmente em horas como agora. Torço muito por dona Dilma, mas tô esperando a votação, o que vai dar. Respeito isso aí. Mas sou contra essa manifestação toda, esse perigo no qual estão colocando o Brasil. Parar a Copa, acho isso tudo aí meio ingênuo (…) O Brasil tem uma coisa pacífica tão bonita e isso está se perdendo. Falava com meus amigos que estavam numa de quebrar tudo, de destruir: ‘Calma aí’. Senão isso vai atiçar os bolsonaros, pode ver que eles subiram todos. Nessa hora sobe esse ‘boa família’, preconceituoso, careta… Esse cara está amando na hora que radicaliza. Vem a marcha da família, essas coisas tristes”.

Por fim, Otto falou sobre as contradições da base governista e as alianças políticas. “Democraticamente eu consegui mudar esse país, com meu voto. Já fui um tempo mais radical, mas eu tinha Sarney de presidente. Hoje ele é apoiador da base do meu governo. E eu não posso derrubar o meu voto porque o Sarney está me apoiando. Tenho que defender um pouco o apoio dele. É delicada a coisa. A democracia se constrói pouco a pouco”.

sábado, 17 de maio de 2014

Manifestação pelo tumulto





Desculpem, mas não foi contra a Copa coisa nenhuma. Poderia ser, não foi. Hoje foi a favor de qualquer coisa que parasse o trânsito em nossas cidades, e pra isso bastam cem debiloides e alguns cartazes.
O que está acontecendo nesse momento no Brasil não é uma manifestação da insatisfação popular contra a Copa ou a FIFA. O que acontece é uma soma de ações de grupos organizados pelos mais diferentes motivos, mas sob o guarda-chuva da Copa. Isso é desonesto, mas quem vai cobrar honestidade de black bloc?

Em São Paulo, por exemplo, professores municipais em greve tomaram a avenida 23 de maio e sem-teto se deslocaram pela Zona Leste. O que isso tem a ver com Copa? Algumas centenas de black blocs e assemelhados subiram a avenida Consolação e quebraram uma concessionária de automóveis e queimaram lixo. Cadê o tema? A manifestação era contra ao capitalismo coreano, ou o não-recolhimento de lixo na capital? Que Copa?

Pergunte a um desses blocs qual é exatamente o problema com a Copa? Lembram daqueles atorezinhos globais que fizeram um anúncio contra Belo Monte e não acertaram um só dos motivos pelos quais aquilo fosse mesmo a fonte de todo o mal? Seus bloc: qual o problema de vocês com a Copa? Corrupção? É na Copa que tem corrupção? É a questão dos aeroportos? Vocês se afligem muito com os aeroportos, isso?
O dinheiro que deveria ir pra Saúde? A Saúde gasta por ano mais de 100 bilhões de reais, e gasta bem e mal pra caramba. A Copa vai custar uns oito bilhões, pra sempre. Quem sabe se manifestar contra a burocracia que destrói a Saúde e desvia ou desperdiça bilhões fosse uma causa mais legítima para quem está mesmo indignado com os desvios do país? A Educação? De que adianta investir mais em uma Educação do século dezenove? Seu bloc: você está enfurecido pela desorientação do currículo escolar implementado pelo MEC, é isso?

Há um ano, a indignação era com os transportes, alguém lembra? Pra onde ela foi? Transporte e Copa são a mesma coisa? A Copa dura um mês, os transportes a gente usa e necessita a vida inteira. O que deveria nos preocupar mais? Aliás, com toda a indignação bloc, alguém viu alguma planilha de custos das empresas de transporte ser aberta e analisada? Em algum lugar? 

Ou seja, no ano passado a gente incendiou o país por uma causa justa – a falta de transparência nos pagamentos feitos a empresas de transporte que oferecem pouco e ganham muito. Nada se resolveu, nada avançou, mesmo que o aumento tenha sido suspenso, o que não resolve em nada o problema, uma vez que provavelmente as empresas estão sendo pagas com dinheiro público, pelo que deixaram de receber desde junho passado.

Nada do que era assunto no ano passado avançou um milímetro, e todos vocês já estão de novo colocando aquelas mascarazinhas ridículas por uma outra causa? De que adianta a indignação abastecida a molotov contra tudo isso que está aí? Vocês querem transformar radicalmente o aí? Para que servem vocês, se não sabem sequer o que são contra? Apenas para assassinar cinegrafistas e encher o saco de todo mundo?

O que acontece hoje, é que vocês assassinam causas. Vocês ridicularizam a democracia com essas máscaras sem sentido, e a democracia significa muito para mim, que vivi muitos anos sem ela. Vocês afastam todo mundo das ruas. Vocês são umas pragas.

O que eu quero ver é planilha de custos de ônibus, transparência e honestidade na definição dos custos e investimentos, e um transporte mais bem gerenciado, planejado, e quem roubou dinheiro dos trens e metrô na cadeia. O que eu quero ver é quem sobreorçou os estádios pagando por isso. Quero ver as mamatas expostas e os responsáveis chamados diante da Justiça e o dinheiro de volta. Quero ver o Ministério dos Esportes mostrando exatamente o que foi feito, o que não foi feito, e as causas, e não apenas gastando milhões com consultorias inúteis. Quero novos métodos de gestão do dinheiro público, com indicadores que nos permitam avaliar o retorno sobre TODOS os investimentos que bancamos com nossos impostos.

E isso, estimados blocs, não se consegue indo lá fora resolver nossos problemas com a autoridade paterna. Isso se resolve com ação contínua, organização dos cidadãos, com mobilização e disciplina, com meios de comunicação que queiram o bem do país, e não apenas os favores de quem apoiam. 

Isso tudo só se consegue com cidadania, algo adulto, que começamos (mal) em 1989 e estamos longe de acabar. 

Eu quero ver a Copa em paz. Já pagamos por ela, e temos esse direito. Eu quero começar a pensar na eleição presidencial e nos rumos que o Brasil vai tomar. Eu quero seguir em frente com o fortalecimento das instituições e do estado laico, deixando a Marina Silva longe de qualquer coisa parecida com poder. Eu quero seguir trabalhando, organizando, pensando e debatendo, porque sem isso o que existe é pauta e imposição. Se isso serve para os partidecos de exquerda, não serve para ninguém que viva no século 21.

Eu quero a gente curtindo a vida, sem desligar por um segundo da nossa responsabilidade para com ela e para com o país. Eu quero a gente livre dos black blocs e de volta às manifestações sérias, na dura tarefa de fazer o que tem que ser feito, e não apenas berrar ao vento pelo que nunca pode ou deve acontecer.

Gostaria ainda que a nossa Seleção fosse bem e não fizesse feio na frente de todo mundo. Mas, não sei se já perceberam, eu sei muito bem o que dá pra pedir, e o que é melhor deixar pra lá.

Um bom dia a todos, e vamos em frente.

sábado, 3 de maio de 2014

Sobre cristãos, a esquerda, o bolsa-família e o ódio ao PT



por Ana Lucia Sorrentino


No domingo de Páscoa entrei no Facebook e me deparei com uma charge que resumiu de uma só vez tudo o que vem me aborrecendo terrivelmente já há um bom tempo: Jesus, ao centro, dizendo que multiplicara pães e peixes e dera aos famintos. Ao seu redor, uma turma de revoltados o chamava de comunista, de assistencialista, de populista e de “petralha”. Referiam-se aos famintos como “vagabundos” e gritavam contra o “bolsa-esmola”, defendendo o ensino da pesca em lugar da doação de peixe. Por fim, mandavam Jesus ir para Cuba. Acima da imagem, a frase: “Será que um dia a ficha cai?”.

Desde que comecei a postar sobre o que me agrada na esquerda, vira e mexe alguém invade o meu mural usando exatamente essas palavras para combater minha defesa de um mundo menos desigual. Seus “argumentos” vão de xingamentos a gargalhadas, que acabo deletando sumariamente, porque não há diálogo possível nesses termos.

Tenho me perguntado todos os dias sobre o real motivo desse desproporcional ódio ao PT e à esquerda, porque jamais senti isso com tanta intensidade como no último ano. À medida que as eleições se aproximam, a animosidade contra o PT se recrudesce de forma assustadora. Os que têm manifestado seu ódio tentam, muitas vezes, justificar sua sistemática oposição ao governo recorrendo aos episódios de corrupção que nada têm de diferente dos de governos anteriores, senão o fato de que quando o acusado é petista a lei é moldada artificialmente com o objetivo de mandá-lo para a cadeia, enquanto acusados direitistas se safam, até porque os julgamentos são tão adiados que os crimes prescrevem. Mas estou me convencendo de que o grande pedregulho no sapato de quem odeia o PT é a redistribuição de renda. O olhar especial que o PT tem para os mais pobres e seu esforço para diminuir a imensa e doentia desigualdade que vivemos.

Passei meu domingo de Páscoa entre cristãos. Clima de confraternização em meio à prosperidade. Orações, agradecimentos, fartura. Em certo momento escutei um militante da direita dizer que “agora era torcer pro Brasil perder a Copa, porque só o povo estando muito aborrecido com uma derrota na Copa pra não votar na Dilma”. Considerei isso uma clara declaração de que o atual governo é muito bem sucedido. Paradoxalmente, mais tarde, alguém citou um artigo da Veja, demonstrando preocupação com a “terrível situação do Brasil”. Não pude me conter: - Não leia a Veja, por favor. – pedi. Mas eu quis saber qual seria, exatamente, a “terrível situação do Brasil”, porque não me parecia que estavam se referindo ao Brasil em que vivo. De mais a mais, se a situação do Brasil fosse tão terrível assim, não seria preciso perder a Copa para o povo não votar na Dilma... Iniciou-se aí uma conversa que enveredou por um caminho tortuoso de citações duvidosas de fatos substancialmente irrelevantes que tentavam desenhar uma realidade que eu não reconhecia. E que, por fim, me levou à inevitável pergunta: “mas, afinal, o que piorou na vida de vocês nos últimos dez, onze anos?” Silêncio. Que alguém quebrou expressando pleno repúdio a “todo e qualquer tipo de bolsa”. Por quê? – perguntei. As pessoas em geral acham injusto o governo cobrar impostos dos mais afortunados e redirecioná-los a miseráveis. E todas as vezes em que converso sobre isso percebo que quase ninguém tem consciência do que é “estar abaixo da linha da miséria”. Apoiam-se em casos pontuais de declarações infelizes dadas a jornais tendenciosos sobre o bolsa-família “não dar nem pra comprar um jeans pra minha filha” e desconsideram completamente que há gente que passa fome. E que quando alguém não tem o que comer, não tem força nem para pensar em trabalhar. Quanto mais para ir à escola, evoluir, aprender um ofício, procurar um emprego. Para aprender a pescar é preciso ter força para segurar a vara. Para frequentar uma escola é preciso ter algo para comer e algo para vestir. No mínimo.

Quando falo sobre isso sinto que há uma enorme refratariedade no ar. Talvez porque só consigamos ter empatia pelo que está muito perto de nós, não sei. Talvez porque alguém da classe média consiga sentir mais dó de alguém que não tem dinheiro para comprar um tênis de marca do que de alguém que não tenha um naco de pão pra comer. Porque esta última realidade está tão distante da sua que o reconhecimento é difícil.

Me intriga especialmente o repúdio de cristãos à redistribuição de renda. Porque se alguém tem Cristo como seu líder espiritual e se o idolatra como exemplo de bondade e caridade, qual a lógica desse mesmo alguém refutar tanto a ideia de que a riqueza deve ser minimamente redistribuída

Questionaram-me sobre se acho certo os impostos cobrados dos mais ricos serem transferidos para os mais pobres. Sim, acho. Acho certa toda e qualquer ação que redistribua renda. Perguntaram-me se acredito que o governo está fazendo isso. Sim, acredito. Cada vez que se cobra mais impostos de ricos e menos de pobres, se distribui renda. Cada vez que se aumenta o custo de serviços públicos para bairros nobres e se diminui para a periferia, se distribui renda. Cada vez que se direciona impostos que os mais ricos pagam para beneficiar os mais pobres com o bolsa-família, bolsa-escola e outros programas do mesmo tipo, o governo está redistribuindo renda.

Mas parece-me que as pessoas não entendem um ponto crucial desses programas: quando se redistribui renda, não é apenas o miserável que está sendo beneficiado. TODOS estamos sendo beneficiados. Porque o governo está não só possibilitando ao pobre que se alimente, frequente uma escola, procure um emprego, etc., mas está transformando-o em um consumidor. Está injetando dinheiro no mercado.

Aquele que até então não podia comprar comida para alimentar sua família, ou roupa, ou seja lá o que for, passa a fazê-lo. E quando vai às compras está movimentando a economia. Isso é garantia de que o dono do mercado ou da loja venderá mais, conseguirá manter seu estabelecimento funcionando, precisará de mais empregados para ajudá-lo e poderá consumir mais também. Esse empresário pagará seus impostos e eles serão novamente redirecionados e assim cria-se um ciclo de mais prosperidade. Além disso, aquele que recebe o benefício sai de uma situação da qual jamais sairia se não recebesse alguma ajuda, porque sabemos muito bem que quanto menos se tem, menos chance de sair dessa situação se tem também. Ninguém, ou quase ninguém, dá emprego a um mendigo. Em última instância, se for pra sermos altruístas egoístas, temos que concordar que um mendigo a menos, um assaltante a menos, um flanelinha a menos nas ruas sempre representará uma melhoria nas vidas de todos nós.

Também já escutei, algumas vezes, que esse dinheiro que é entregue às famílias pobres acaba não sendo usado para os fins a que se destina. Que a mulher que o recebe entrega-o ao marido para que ele vá beber no bar. Mas esses programas têm mecanismos de controle que conseguem, ao menos em parte, cobrar dos beneficiados aquilo que ficou acordado. E, se em casos pontuais o marido for beber no bar, ainda assim ele estará consumindo, ou seja, injetando dinheiro na economia. Claro que não é o ideal, mas também não é o que ocorre massivamente.

Outra crítica que sempre ouço sobre as políticas de transferência de renda é de que elas produzem pessoas acomodadas, que se habituam a receber dinheiro do governo e passam a não querer trabalhar. Eu não sei exatamente quais os parâmetros que as pessoas têm para afirmar tal coisa. Mas, para mim, é absolutamente inimaginável acreditar que alguém que receba, digamos, R$70,00 do governo para, assim, completar uma renda mensal de R$140,00, possa suprir todas as suas necessidades com isso, a ponto de não querer mais trabalhar. Para mim, soa como piada. De mais a mais, embora o governo não estipule prazo determinado para recebimento dos benefícios, mais de 1,7 milhão de famílias já devolveu o cartão espontaneamente, o que vai contra a tese de que o governo está criando vagabundos. 
Por fim, me perguntaram o porquê da ausência desses que defendem o bolsa-família em ações como distribuição de café da manhã ou sopão aos mendigos, pelas ruas da cidade. Eu respondi que acredito que quando se trabalha em prol de um programa como o bolsa-família se faz muito mais do que isso. E quando cheguei à minha casa, metabolizando tudo o que havia sido conversado nesse domingo cristão, lembrei de uma frase de Paulo Freire que diz com mais precisão o que eu queria dizer:

“Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.”

Nasci, cresci, e virei mulher vendo a elite só lembrar de que os pobres existem quando precisa deles para lhe prestar serviços a preços módicos ou quando tem que, forçosamente, se deparar de frente com eles. Hoje, com as trocas de opiniões nas redes sociais, percebe-se claramente o quanto a elite está incomodada por ver uma hierarquia de subjugação solidamente alicerçada pelo capital sair da zona de conforto e ter que se repensar. A educação, a inclusão, a informação mais acessível a todos e a consciência da cidadania são fatores que vêm competir com o simples poder aquisitivo. E isso se conquistou com um governo de esquerda. Quero crer que apenas a ignorância possa explicar essa resistência em enxergar que um mundo menos desigual seria mais confortável para todos. Se não for por ignorância, o que explicaria isso? Tenho medo de pensar em outra resposta.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Imagina na Copa? É a frase dos calhordas...

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre



Qualquer pessoa medianamente inteligente e razoavelmente informada sabe que a Copa do Mundo a ser realizada no Brasil vai favorecer a população brasileira, bem como compreende que os recursos provenientes do BNDES investidos para a realização do megaevento não foram doados à iniciativa privada ou aos estados e municípios, porque o banco de fomento, que empresta e financia mais do que o Banco Mundial (Bird), vai ser ressarcido com o tempo e, por seu turno, recuperar todo o dinheiro empenhado.

O resto é balela e fofoca maledicente de uma oposição tucana derrotada três vezes nas urnas, juntamente com seus aliados, DEM e PPS, além das empresas midiáticas e apátridas, pois alienígenas, porque não têm quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo, mas que aposta nos lucros bilionários que vão ter, a exemplo das Organizações(?) Globo, que de um lado faz campanha intermitente contra a Copa, enquanto do outro firma inúmeros contratos, que, sem sombra de dúvida, vão-lhes render valores assombrosos.

A Globo e a imprensa em geral são como o escorpião da fábula, que aproveita a carona do sapo para atravessar o rio e, quando chega na margem, envenena seu benfeitor, para logo dizer-lhe que sente muito, mas que não pode ir contra sua natureza perversa e traidora. É exatamente dessa forma que procedem muitos empresários de uma imprensa de mercado que trata a vida pública como uma novela de péssimo enredo, porque a intenção é negar as conquistas sociais e econômicas da população deste País, que optou por eleger políticos de esquerda, pois não agüentava mais a iniqüidade administrativa dos tucanos.

Eis que, a toda hora e todo o momento, os analistas, comentaristas, colunistas, âncoras, blogueiros, radialistas e "especialistas" de prateleiras, bem como os coxinhas de classe média que os ouvem, leem e veem proferem uma frase que se assemelha a uma senha, com o propósito de negativar e desqualificar a Copa de 2014. É como se eles tivessem combinado, e, a pleno pulmões, dão a sentença em forma de maldição: "Imagina se fosse na Copa?!" Existe frase mais calhorda e intelectualmente simplória do que esta, ao questionarem o evento que essa gente torce contra?

A frase "maldita" é um misto de interrogação, ao tempo que de exclamação, como se o Brasil, a sexta economia do mundo e que realizou, nos governos entreguistas e subservientes do PSDB, a maior privatização de empresas estatais que se tem notícia no mundo moderno, e, de repente, não tivesse competência estrutural, tecnológica e profissional para que a sociedade brasileira se torne uma anfitriã orgulhosa de realizar tão importante festa. A resumir: realizar a Copa das Copas, no País do futebol habitado por um povo que ama o "velho e violento esporte bretão" e que espera há 64 anos para ser o anfitrião de um evento de massas e midiático tão importante como o é a Copa do Mundo.

Então, vejamos: um Brasil, ainda rural, que realizou no longínquo ano de 1950 uma Copa do Mundo, para os patetas colonizados da mídia não teria condições de realizar uma Copa em pleno ano de 2014. Só que o gigante sul-americano há décadas é a sede onde acontecem eventos grandiosos e internacionais, como o Carnaval, os reveillons, os Rock in Rio, a Eco 92, a Rio+20, as visitas dos Papas, a Jornada Mundial da Juventude, as Olimpíadas Militares, a Paraolimpíadas, a Minicopa de 1972, os Jogos Pan-Americanos de 1963 e 2007, a Copa das Confederações e muitos outros eventos, que, certamente, dão ao Brasil um know how que poucos países adquiriram através dos tempos.

Considero uma pilhéria, um deboche e falta de senso crítico dos coxinhas reacionários e também das famílias donas de mídias diversas que, por intermédio de seus empregados, fazem uma campanha sórdida e desconstrutiva contra a Copa quando a verdade é que o legado vai ser grande e, consequentemente, vai ser mostrado no horário eleitoral gratuito, pois já se percebe que contar com grupos empresariais de caracteres golpistas e com grande parte da classe média conservadora é impossível e por isso, evidentemente, que os atuais políticos que administram o Brasil não somente têm de mostrar o que não é repercutido pela imprensa corporativa, bem como têm o dever e a obrigação de dar publicidade aos benefícios estruturais, econômicos e financeiros que eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas vão trazer para o Brasil e o seu povo.

Sempre questionei a Secretaria de Comunicação (Secom) do Governo trabalhista. Seu sistema de comunicação social é fraco, tímido, quase pusilânime e com vocação para botar panos quentes no que é condizente às relações com a mídia tradicional de caráter hegemônico e imperialista. Por isto e por causa disto afirmo: depois da Copa vão acontecer as eleições, e não se pode tergiversar e muito menos se calar diante daqueles que se comportam como abutres a comer o fígado de Prometeu.

É necessário reagir e responder, sistematicamente, acusação por acusação, denúncia por denúncia, mentira por mentira e verbo por verbo. Do contrário, o PT, seus aliados e o Governo trabalhista vão ficar à mercê da direita brasileira, dona da casa grande e que governou este País durante séculos sem, no entanto, edificar as pedras para termos um Brasil solidário, democrático, independente, justo e emancipado. Perder a guerra da comunicação pode não ser a derrota final, mas é, sobretudo, uma espécie de linchamento que enfraquece o moral, a determinação e a dedicação das pessoas que acreditam no projeto de distribuição de renda e de riqueza efetivado no Brasil a partir dos governos de Lula e de Dilma Rousseff. Crescimento com desenvolvimento social e livre das visitas do FMI. Ponto!

Não vai adiantar a direita espernear. Vamos ter Copa, sim! E vai ser a melhor Copa de todas as copas, porque o Brasil tem todas as condições de fazer com que as coisas aconteçam da melhor maneira possível. Não somos um País incompetente e muito menos disposto a "pagar" vexames porque assim desejam os coxinhas amargos, derrotistas e que detestam o Brasil e amam Miami, bem como não vão ter esse prazer a "elite" brasileira de alma colonizada, subserviente e que torce contra o Brasil.

A burguesia que prefere eternamente viver na periferia e se beneficiar das migalhas dos países ricos, que a tutelam secularmente, porque essa gente com complexo de vira-lata ainda pensa como se vivesse nos tempos da Guerra Fria quando, para ela, era necessário ser defendida dos comunistas comedores de criancinhas, que acabariam com seu mundo cristão e dilapidariam seu patrimônio conquistado às custas da escravidão, do monopólio empresarial, da acumulação de terras, bem como dos salários baixos e das péssimas condições de trabalho para os trabalhadores.

Entretanto, a Copa vai ser realizada, mesmo contra a vontade dos calhordas e as mentiras da imprensa de negócios privados. Se não, vejamos: o Governo trabalhista não está a gastar com os estádios, porque o dinheiro do BNDES é emprestado e retornará aos cofres públicos, com o tempo, por intermédio de contratos firmados com o setor privado e os estados da Federação que participam da Copa. Além disso, é a mais pura e desvairada mentira que o Governo trabalhista desviou dinheiro público destinado à saúde e à educação para construir estádios.

Os investimentos da Copa são da ordem de R$ 25,6 bilhões, segundo o Ministério do Esporte. Todavia, o setor midiático privado, aliado dos tucanos, insiste na falácia e na bazófia ao afirmar que a educação e a saúde foram prejudicadas. Repito novamente: é mentira! A partir de 2007 quando o Brasil foi confirmado como o País da Copa de 2014, foram investidos, em educação, R$ 311,6 bilhões; enquanto a saúde recebeu R$ 447 bilhões, o que põe por terra as diatribes da oposição de direita, que todo dia inventa alguma crise ou escândalo, porque a finalidade é disputar as eleições presidenciais com chances de vencer, porque projeto de País e programa de governo os tucanos e seus apoiadores não têm para oferecer ao povo brasileiro. Ponto!

Além disso, o último balanço da Copa do Mundo mostra que os investimentos públicos e privados, como já foi informado neste artigo, alcançam a soma de R$ 25,6 bilhões — divididos nesta ordem:

1)R$ 8 bilhões em obras de mobilidade urbana;
2)R$ 8 bilhões em construção e reformas de estádios;
3)R$ 6,3 bilhões em aeroportos;
4)R$ 1,9 bilhão em segurança;
5) R$ 600 milhões em portos;
6) R$ 400 milhões em telecomunicações;
7) R$ 200 milhões em infraestrutura turística; e
8) R$ 200 milhões em instalações complementares.

Em qualquer país do mundo a Copa é tratada como um presente, uma conquista econômica, social e política. A grandeza do evento atrai pessoas do mundo inteiro, as empresas se mobilizam, bem como os governos. Somente no Brasil, uma casta social perversa, faz oposição a um evento econômico ao tempo que lúdico como o é a Copa do Mundo.

Os interesses políticos, de classe e a disputa eleitoral de 2014 fizeram com que certos segmentos empresariais e políticos atuassem como kamikazes e apostem contra o próprio País onde vivem e ganham muito dinheiro. A "elite" brasileira é surreal, ridícula e provinciana.

Deseja um País menor, com uma economia que atenda somente à casta dos privilegiados, e que o acesso a serviços, ao consumo, aos estudos, ao emprego e às oportunidades variadas sejam um direito a quem se considera, equivocadamente e arrogantemente, escolhidos por Deus ou simplesmente bafejados pela sorte.

A frase "Imagina na Copa?" se transformou no retrato do derrotismo, da negatividade, da total falta de senso crítico e de civismo de uma direita destrutiva que aposta na derrota e gostaria que a Copa do Mundo acontecesse longe do Brasil, talvez na Inglaterra, que há séculos, juntamente com os EUA, coloniza a cabeça dessa gente, que se sente menor do que os outros.

O problema, então, pertence a eles. Se o são pessoas incapazes, ou se consideram assim, que vão se tratar por intermédio de uma terapia. Vocação para ser vira-lata é o sinal, inquestionável, de quem não se respeita e não se dá o respeito. A frase que virou um adágio "Imagina na Copa?" é realmente coisa de calhorda. É isso aí.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A democracia e a liberdade de expressão estão em risco

A frase tem sido repetida à exaustão nas manchetes de jornais, em meio à enorme comoção causada pela trágica morte do cinegrafista da Band Santiago Ilídio Andrade, atingido por um rojão no dia 06 de fevereiro de 2014, enquanto cobria uma manifestação no centro do Rio de Janeiro contra o aumento das passagens de ônibus. A violência no contexto das manifestações não é de hoje.

Desde junho de 2013, foram ao menos 118 agressões a jornalistas em todo o Brasil, a maioria delas cometidas pela polícia. O número de manifestantes atingidos gravemente por balas de borracha e estilhaços de bombas “de efeito moral” é incontável e expressa a força estatal da repressão militarizada. Essa violência institucional que vem sendo acionada para coibir as manifestações também produziu vítimas fatais: contabilizam-se ao menos 18 mortes em todo o Brasil, incluídas neste número as execuções de 9 moradores da Maré durante uma operação da PMERJ, com apoio da Força Nacional de Segurança, no dia 24 de junho, a partir da justificativa de “buscar suspeitos” de terem realizado um arrastão durante uma manifestação em Bonsucesso.

A democracia e a liberdade de expressão estão em risco quando assistimos a um sinistro avanço de medidas de repressão extrema às lutas sociais no Brasil: prisões para averiguação, detenção pelo crime de desacato, flagrantes forjados, violação do segredo nas comunicações e espionagem por meio de redes sociais, sigilo nas investigações policiais e falta de acesso à informação sobre os trâmites dos processos. Adiciona-se a essa lista o uso de legislações que remetem ao período de exceção – como a lei de segurança nacional (antes aplicada para punir quem lutava contra a ditadura civil-militar) e o projeto de lei 499 de 2013 que tramita no Senado e tipifica o crime de terrorismo.

A democracia e a liberdade de expressão estão em risco quando mais uma vez se atualiza a tentativa de deslegitimar e criminalizar os movimentos sociais e a indignação popular. A luta pelos direitos humanos fortalece a democracia . É inaceitável a morte de Santiago e também a perseguição e ameaça àqueles que atuam para assegurar o direito de defesa de todo e qualquer manifestante.
A democracia e a liberdade de expressão estão em risco quando mortes são usadas politicamente para manipular a opinião pública, abafar as pautas das manifestações e atacar defensores de direitos humanos de forma extremamente irresponsável. O problema a ser enfrentado é e sempre foi justamente o oposto: as violações a esses direitos.

Assinam essa nota:
Organizações
Apafunk – Associação dos Profissionais e Amigos do Funk
Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia – AATR
Associação Homens e Mulheres do Mar da Baía de Guanabara – AHOMAR
Associação Nacional de Ação Indigenista – ANAI
Associação Pela Reforma Prisional – ARP
Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto/BA
Casa da Mulher Trabalhadora – CAMTRA
CEDECA Rio De Janeiro
Centro de Direitos Humanos Dom Oscar Romero – CEDHOR
Centro de Convivência É de Lei – Redução de Danos/São Paulo
Centro de Teatro do Oprimido – CTO/RJ
Coletivo Das Lutas
Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher – CLADEM
Comitê pela Desmilitarização da Policia e da Política
Comunicadores Populares RJ
CONECTAS
Conselho Regional de Psicologia/RJ
Cultura Verde – coletivo antiproibicionista e antimanicomial
Dignitatis
Diretoria da Adunirio – SS do ANDES – Sn
Equipe Clínico-Política RJ
Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro – FAFERJ
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE
Fórum de Reparação e Memória do Rio de Janeiro
Fórum de Saúde do Rio de Janeiro
Fórum Social de Manguinhos
Frente Estadual Drogas e Direitos Humanos – RJ
Geledés – Instituto da Mulher Negra
Grupo Tortura Nunca Mais/RJ
Ibase
Instituto Búzios
Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH)
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul – PACS
Instituto Práxis de Direitos Humanos
Instituto Terra Trabalho e Cidadania (ITTC)
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
ISER
Justiça Global
Laboratório de Análise da Violência da UERJ
Movimento Mães de Maio
Movimento Nacional de Luta por Moradia
Movimento pela Legalização da Maconha
Núcleo de Direitos Humanos do Departamento de Direito da PUC-Rio
Pastoral Carcerária Nacional
Quilombo Xis-Ação Cultural Comunitária
Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência – RJ
Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadorxs – Renajoc
Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares – RENAP
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos
Tribunal Popular
Viração Educomunicação
Visão da Favela Brasil
Indivíduos
Abrahão de Oliveira Santos – Professor de Psicologia da UFF
Adriana Britto – Defensora Pública e Articuladora do Fórum Justiça
Alexandre Anderson – AHOMAR
Ana Maria Bezerra Galdeano – Agente comunitária de saúde
Bruno Marinoni – Jornalista
Bruno Ramos Gomes – Psicólogo, coordenador do Centro de Convivência É de Lei
Cecília Coimbra – Professora da Universidade Federal Fluminense e fundadora do GTNM/RJ
Celi Cavallari – Psicóloga, psicanalista, conselheira da REDUC (Rede Brasileira de Redução De Danos) e membro da ABRAMD (Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas)
Charles Toniolo de Sousa – Professor da Escola de Serviço Social da UFRJ/Presidente do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS-RJ) entre 2011 e 2013
Christiane dos Passos Guimarães – CRES
Claudio Gomes Ribeiro
Danichi Hausen Mizoguchi – Professor de Psicologia da Universidade Federal Fluminense
Daniela Albrecht – Núcleo Estadual do Movimento da Luta Antimanicomial do RJ e Fórum de Saúde do RJ
Danielle Vallim – Socióloga. Doutoranda visitante da Universidade de Columbia
Débora Rodrigues – Assistente social
Diogo Justino – Advogado, mestre e doutorando em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ) e professor da Universidade Cândido Mendes
Eduardo Baker – Advogado
Eduardo Passos – Professor de Psicologia da UFF
Fernanda Pradal – Advogada
Fernando Delgado – Advogado
Flávia Fernando Lima Silva – Psiquiatra
Geandro Ferreira Pinheiro – EPSJV/Fiocruz
Geo Britto – Ator e sociólogo
Heliana Conde – Professora de Psicologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Helen Sarapeck – CTO/RJ
Ignácio Cano – Professor da UERJ
Janne Calhau – Psicóloga institucional
Julia Bustamante – Diretora do DCE da UFRJ
Julia Horta Nasser – Psicóloga, membro do Fórum de População Adulta em Situação de Rua
Leonardo Vidal Mattar – Membro do Fórum de Saúde/RJ
Luís Fernando Tófoli – Psiquiatra, professor da UNICAMP
Marcos Arruda – Educador
Maria Gorete Marques de Jesus – Socióloga e pesquisadora
Maria Rosário de Carvalho – Antropóloga
Maria Virgínia Botelho
Maurício Renault de Barros Correia – Membro da Frente Estadual Drogas e Direitos Humanos/RJ
Monique Ribeiro Alves – Assistente social e membro do Fórum de Saúde/RJ
Moniza Rizzini – Advogada
Patricia Birman – Professora da UERJ
Paulo César de C. Ribeiro – Diretor da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio – Fiocruz
Renato Roseno – Advogado
Repper Fiell
Rita de Cássia Santos Fortes – Assistente social
Roberto Leher – UFRJ
Rodolfo Valente – Advogado
Rodrigo Mattei – Membro do Cultura Verde, da Frente Estadual Drogas e Direitos Humanos/RJ, do Planta na Mente e do DCE-UFRJ
Rogério Alimandro – PSOL/RJ
Rosane M. Reis Lavigne – Defensora Pública e Articuladora do Fórum Justiça
Sandra Lucia Goulart, antropóloga, Doutora em Ciências Sociais pela Unicamp, Professora da Faculdade Cásper Líbero
Sandra Quintela – Economista
Silvia Dabdab Calache Distler – Assistente social
Taiguara L. S. e Souza – Professor de Direito Penal
Tânia Kolker
Taniele Rui – Pós-doutoranda do Social Science Research Council
Tiago Joffily – Promotor de Justiça – RJ
Tiago Régis – Psicólogo, doutorando no Programa de Pós-Graduação de Psicologia da UFF
Vera Malaguti Batista – Instituto Carioca de Criminologia
Vera Vital Brasil – Psicóloga

domingo, 5 de janeiro de 2014

JORNALISTA DENUNCIA "A JOGADA DA COPA"



Um dos profissionais mais premiados da história da televisão brasileira, Gabriel Priolli, que já editou o Jornal Nacional e comandou o jornalismo de emissoras como Record e Gazeta, denuncia: golpistas farão de tudo para melar a Copa do Mundo de 2014, no Brasil; "Quem sabe se, em meio ao eventual fiasco da Copa, os eleitores não resolvem jogar toda a culpa em Dilma?", questiona Priolli; neste domingo, a Folha convoca os brasileiros para um ensaio dos protestos, já no mês de janeiro, numa coluna com um título que repete o mote dos baderneiros: "Não vai ter Copa"; será?


Setores conservadores da sociedade brasileira, descrentes de sua capacidade de chegar ao poder pelas vias convencionais, teriam um plano: promover a "aventura catastrofista" da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A tese é levantada pelo jornalista Gabriel Priolli, um dos mais consagrados profissionais da televisão brasileira.

"Dias atrás, na primeira vez em que externei essa preocupação, recebi o previsível fogo de barragem. Disseram que é paranóia minha, exagero. Que as convicções democráticas da oposição e de sua mídia são inquestionáveis. E que a eleição transcorrerá dentro das regras, sem tentativas de tapetão", disse ele. "Será mesmo? O pré-golpe de 1964, em que muitos não acreditavam que a legalidade fosse demolida, talvez nos ensine melhor sobre os métodos do conservadorismo para tomar o poder".

Coincidência ou não, a edição da Folha deste domingo destaca uma coluna com o mote "Não vai ter Copa", dos que pretendem tumultuar o País durante o Mundial de 2014 (leia mais aqui). Um repeteco de junho de 2013 em 2014, durante os jogos, parece ser a esperança de setores da sociedade para promover uma mudança na agenda política do País.

Abaixo, o texto de Gabriel Priolli:

A Jogada da Copa

Por Gabriel Priolli, do blog A Priolli

Seis meses depois dos protestos que tomaram inúmeras cidades brasileiras, decantadas as insatisfações apresentadas pelos manifestantes e as múltiplas soluções aventadas por todos os atores políticos para a estranha crise que se formou, temos um quadro bem claro. A maioria da população quer mudanças no país, mas prefere que elas sejam conduzidas por Dilma e não pela oposição. A presidenta lidera em todas as sondagens de intenção de voto.

Falta muito tempo até as eleições, certamente, e já assistimos a oscilações espetaculares de intenção de voto nos pleitos anteriores, inclusive candidaturas que “atropelaram” na reta final e venceram. Tudo pode acontecer, portanto, até que se proclamem os resultados. Mas, até segunda ordem, quem lidera é Dilma. A soma dos votos de seus adversários não supera os votos da candidata governista e tudo indica que a eleição será definida já no primeiro turno.

Sim, mas há um outro roteiro possível para este ano. Nele, as massas sairiam novamente às ruas em junho, em plena Copa do Mundo, e causariam tal transtorno à competição que seria impossível ignorá-las. A mídia mundial distribuiria a todo o globo imagens de multidões pedindo reformas, de black blocs destruindo seus alvos habituais e das polícias reprimindo com a cortesia conhecida.

As cenas passariam a impressão de um país sem governo e de um governo sem legitimidade – impressões absolutamente falsas. Mas o que é mesmo a verdade, nessas coisas da mídia e da enunciação de seus conteúdos?

Um governo “ilegítimo”, pressionado externamente, ficaria acuado também pelos adversários internos. Estes amplificariam ao máximo possível os protestos e tentariam conduzir a sua pauta, exatamente como fizeram em 2013. Para criar um clima de megacrise, que nenhum ponto de contato tem com o real. Mas o que é exatamente o real, quando se tem o controle do que a mídia diz sobre ele?

Quem sabe se, em meio ao eventual fiasco da Copa – corre-corre e pancadaria nas imediações dos estádios, os inevitáveis problemas organizativos amplificados ao extremo, as queixas e angústias dos turistas constrangidos pelo clima de guerra política no Brasil e, prêmio final, uma boa derrota da seleção nacional -, os eleitores não embarquem na ideia de jogar toda a culpa em Dilma? Quem sabe não escolham na urna uma alternativa de oposição?

Acumulam-se as evidências de que setores conservadores, descrentes de sua capacidade de sedução do eleitorado pelas vias convencionais, cogitam se lançar na aventura catastrofista da Copa. Pretendem que o maior evento já realizado no país fracasse espetacularmente, para o máximo constrangimento e desgaste do governo atual. Acham que colherão os louros dessa ação de lesa-pátria.

É simplesmente doentia a ideia de que, para conquistar o poder de “consertar” o país, alguém considere aceitável que a nossa imagem internacional seja destruída. Que o Brasil seja penalizado por décadas, pela “incapacidade” de realizar grandes eventos internacionais. E que isso aconteça fundamentado em mentira e manipulação da opinião pública.

Mas, infelizmente, a possibilidade é bastante concreta. Daqui até junho, provavelmente veremos novas convocatórias para que as massas voltem às ruas e façam manifestações “espontâneas”. Assistiremos à incitação explícita de atos destinados à desestabilização do governo. “Não vai ter Copa!”, bradarão outra vez os carbonários – com todas as câmeras e microfones à sua disposição.

Dias atrás, na primeira vez em que externei essa preocupação, recebi o previsível fogo de barragem. Disseram que é paranóia minha, exagero. Que as convicções democráticas da oposição e de sua mídia são inquestionáveis. E que a eleição transcorrerá dentro das regras, sem tentativas de tapetão.

Será mesmo? O pré-golpe de 1964, em que muitos não acreditavam que a legalidade fosse demolida, talvez nos ensine melhor sobre os métodos do conservadorismo para tomar o poder. E sobre como ele é campeão em destruir a democracia, para “salvá-la” da ameaça dos governos populares.

Por que deveríamos confiar agora em quem não foi confiável no passado e segue não sendo?

brasil247.com

"Não vai ter copa", decreta a FOLHA DE SÃO PAULO. Desesperada por não ter candidato viável nem programa para apresentar ao país, Direita anuncia jogo sujo nas eleições presidenciais deste ano



COLUNISTA DA FOLHA: "NÃO VAI TER COPA"

do Brasil 247


"A Copa é, óbvio, um prato cheio de desperdício, politicagem autoritária, incompetência e outros acintes. A depender do gosto do freguês manifestante, não vai ser difícil contrastar essa despesa perdulária e arbitrária com algum motivo de revolta com a selvageria social e a inércia política brasileiras", diz o colunista Vinícius Torres Freire, que anuncia um ensaio das manifestações já em 25 de janeiro, em todas as cidades-sede do Mundial

"Não vai ter Copa". Esse é o título da coluna do jornalista Vinícius Torres Freire, colunista da Folha de S. Paulo (leia aqui seu texto), que anuncia um ensaio das manifestações já no dia 25 de janeiro, em todas as cidades-sede da Copa.

Razões para protestar, haveria de sobra, diz ele. "A Copa é, óbvio, um prato cheio de desperdício, politicagem autoritária, incompetência e outros acintes. A depender do gosto do freguês manifestante, não vai ser difícil contrastar essa despesa perdulária e arbitrária com algum motivo de revolta com a selvageria social e a inércia política brasileiras", afirma.

E ele reconhece que novas manifestações podem se transformar em arma eleitoral – especialmente contra o PT. "Pode haver oportunismos: as manifestações fizeram estrago sério no prestígio de governos. O tumulto nas ruas pode ser obviamente um instrumento para avariar, ao menos, o prestígio de quem quer que esteja no poder, mas de petistas em especial. Repetir 2013 pode ser arma eleitoral."

O colunista afirma que mais um ano de crescimento baixo pode gerar o caldo necessário para os protestos. "Tudo isso intoxicaria o ambiente econômico e, assim, ânimos políticos, ao menos entre as elites."

Via:http://opensadordaaldeia.blogspot.com.br/2014/01/nao-vai-ter-copa-decreta-folha-de-sao.html

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Imprensa esportiva reacionária adentra o gramado

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


Há muitos meses percebi que os colunistas, comentaristas, repórteres, âncoras e blogueiros da velha imprensa corporativa passaram a fazer comentários, ilações e até mesmo a ironizar e desprezar, de forma sistemática, os megaeventos esportivos que vão acontecer no Brasil. Estranho. E explico por quê. Como pode os jornalistas, por exemplo, da CBN, do Sportv, da Globo, da Band, da Jovem Pan, do jornal Lance!, da revista Placar, do Esporte Espetacular, da ESPN, da Fox Sports e do Globo Esporte serem contra eventos que propiciarão lucros gigantescos às empresas nas quais eles trabalham? Respondo: pode.

O jornalista esportivo por vontade própria ou a mando de seu chefe editor ou diretor passou a fazer também oposição ao Governo Federal. Como qualquer ser que respira — mesmo se viver na ignorância e na alienação —, o jornalista esportivo tem instinto de preservação e de sobrevivência, sendo que o seu problema maior se traduz na preservação do emprego, que se soma ao reacionarismo arraigado em seus valores de classe média. Dos valores elencados, o principal deles é o de se livrar da companhia das massas, porque acreditam em um mundo VIP, onde se sintam “especiais” e bafejados pela sorte e pelos olhares e os cuidados dos deuses.

A maioria dos jornalistas esportivos é originária da classe média. Através das gerações aprenderam a desprezar e a menosprezar o Brasil e tudo o que representa o brasileiro, bem como, ultimamente, alinharam-se aos jornalistas de política e de economia da imprensa de negócios privados, porque passaram a fazer também uma campanha insidiosa, pérfida e sem trégua aos governantes trabalhistas, que assumiram, constitucionalmente, há 11 anos o poder no Brasil por meio das urnas, ou seja, conquistaram a maioria dos votos do povo brasileiro.

Eu quero dizer que os jornalistas esportivos ‘adentraram o gramado’, como afirmavam os narradores antigos, e passaram a fazer uma injusta e intolerante campanha contra, inclusive, os interesses da Nação, porque se juntaram, a mando de seus patrões, a seus colegas das editorias política e econômica, como forma de fazer uma frente que desqualifique o trabalhador brasileiro e desmoralize o governo da presidenta trabalhista Dilma Rousseff, além de atingir, sem sombra de dúvida, o ex-presidente Lula, cujo governo trabalhista garantiu que a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas fossem realizadas no Brasil.

Os jogos e os eventos esportivos vão fazer com que o País deixe como herança à população um legado em infraestrutura, receba bilhões em recursos financeiros no decorrer desta década, realidades que vão fomentar ainda mais a economia interna, e, consequentemente, vão propiciar a criação de milhares de empregos, além de fazer com que o Brasil fique exposto à mídia mundial, que vai mostrar o País a todos os povos, que, curiosos, poderão, um dia, visitá-lo como turistas e ajudar a desenvolver ainda mais a economia brasileira. Quaisquer governos ou povos desejam ou querem ser sedes de jogos com visibilidade planetária. Quem rema contra a maré, para variar, são sempre os mesmos portadores de complexo de vira-latas: a imprensa burguesa, a direita partidária, setores atrasados do empresariado urbano e rural e a classe média tradicional, que consome os produtos de péssima qualidade editorial da imprensa de mercado.

Mesmo assim a campanha nebulosa da imprensa esportiva não cessa. É intermitente. As grandes corporações de comunicação deste País vão ganhar dinheiro a rodo com a realização dos grandiosos eventos. A Globo e os seus canais fechados, por exemplo, vão lucrar como nunca lucraram, mas mesmo assim, por causa de ideologia e preconceitos históricos, apostam no “suicídio” financeiro, no fracasso dos jogos, e dão tiros nos pés, porque o ódio é incomensurável. A verdade é que as nossas “elites” brancas, reacionárias, perversas, colonizadas e de passado escravagista preferem aplicar o veneno em si mesmas do que cooperar para que o Brasil e seu povo se tornem um sucesso no que diz respeito a realizar os eventos esportivos, com competência somada à alegria tão comum ao povo brasileiro.

Todos os setores e segmentos da economia vão ter lucros. Cresci a ver os jornalistas esportivos a choramingar misérias porque o Brasil estava há décadas a não receber e realizar eventos esportivos internacionais. Era o sonho dos empresários midiáticos e de seus empregados, que, diuturnamente, apregoam o “fracasso” e a “incompetência” do Brasil. Até a África do Sul foi sede de uma Copa do Mundo, mas o Brasil, que é um País industrializado, a sexta maior economia do mundo e que sempre teve tudo por causa de sua competência, como bem comprova a privatização de suas estatais, porque só vende quem tem o que vender, não vai conseguir fazer uma Copa do Mundo, talvez porque vai faltar bolas e apitos, o que, sobremaneira, vai inviabilizar os jogos e a vinda de milhões de turistas. Dá um tempo, né? É o complexo de vira-lata e a baixa estima na veia!

Contudo, sabemos que o Brasil foi sede de uma Copa no já longínquo ano de 1950. O Brasil rural, onde quase 70% da população morava no campo realizou a Copa. Agora em pleno século XXI, no terceiro milênio, o Brasil, o seu governo trabalhista e os trabalhadores brasileiros não têm competência, segundo a nossa imprensa alienígena, derrotista, negativista e de essência arbitrária. Tornou-se impossível ouvir, assistir e ler as "abobrinhas" e ter paciência com a insensatez e a total falta de sabedoria de tais escribas, agentes da derrota, da baixa estima e do ódio ao Brasil. Antes, os jornalistas esportivos eram proibidos de comentar sobre política e até mesmo falar sobre economia.

Entretanto, com o advento dos megaeventos no Brasil em um tempo em que os mandatários eleitos são do campo trabalhista e do PT, a ordem nas redações é para boicotar as Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas até esses eventos começar. A partir daí, como sempre, as aves de mau agouro, os abutres dão um tempo, pois afinal eles têm que comer carniça, que se traduz em ganhar muito dinheiro, para logo depois de encerrado os jogos recomeçar a flagelação e a desqualificação de quem proporcionou tamanhas festas esportivas. Afinal, as eleições presidenciais vão ser realizadas em outubro de 2014.

A direita brasileira é assim: uma das mais perversas e poderosas do mundo. Os senhores da casa grande não vão dar água a quem necessita, no caso o Brasil. Onde e quando se viu os senhores de escravos e os seus capatazes de classe média a cooperar e a se solidarizar? Se alguém viu é porque está completamente equivocado, desnorteado ou de porre. A corrente dos entreguistas e colonizados que não desejam um Brasil independente, soberano e com seu povo emancipado é, na verdade, o campo político mais antigo do País e composto por escravagistas desde 1500, em que seus latifúndios estão, geração após geração, disseminados, simbolicamente, nas mentes, na cultura, nas estruturas sociais e no imaginário da classe média tradicional e de grande parte dos donos dos meios de produção.

E é por isto que jornalistas de política, de economia e agora os esportivos estão escalados no mesmo time, a compor uma grande frente contra o Brasil e o povo brasileiro. Quando, certo dia, os trabalhistas do PT saírem do poder, talvez tudo que é feito neste País vai merecer os aplausos dos escribas reacionários e dos pequenos mussolinis das classes média e rica. Mesmo assim me arrisco a afirmar que os barões da imprensa, se tiverem de escolher, sempre optarão pelos interesses dos grandes bancos e dos trustes internacionais e dos governos imperialistas, a exemplo da Inglaterra, da França e principalmente dos EUA. Eles são autoritários, arrogantes, presunçosos com o Brasil, a África e a América Latina.

Por sua vez, falam grosso com a Bolívia e o Paraguai, e fino com os EUA e a Inglaterra. Essas pessoas se transformam em seres subservientes, venais, colonizados e pusilânimes quando tratam com seus senhores, que dominam o capitalismo em âmbito mundial e financiam e propagam a guerra por meio de invasões armadas de pirataria e rapinagem, como ocorreu e ocorre com a Líbia, o Iraque, o Afeganistão, a Palestina e a Síria, cuja oposição armada é financiada pelas potências ocidentais, por intermédio da Otan, da CIA e do Departamento de Estado dos EUA. A imprensa esportiva reacionária adentrou o gramado. Este lamentável campo, sem ter conhecimento e discernimento para meter a mão em tal cumbuca. A maioria dos jornalistas esportivos, por ideologia ou meramente oportunismo, aposta no fracasso dos eventos. Contudo, eles vão, mais uma vez, perder o jogo para o povo brasileiro. É isso aí.

sábado, 23 de março de 2013

Cabral invade a aldeia

Marx escreveu que 'a história só se repete como tragédia ou como farsa'. Taí: Cabral invadiu a Aldeia Maracanã, com suas naus cruzadistas, e expulsa seus nativos. Mas a luta vai prosseguir, e os 'conquistadores' contemporâneos, mercadores dos espaços urbanos, encontrarão resistência!
 


Chico Alencar*

Não, não estamos em 1500. O fato truculento se deu há pouco, no Rio. Mais de 200 PMs, apoiados por carros blindados e helicóptero, desalojaram indígenas que ocupavam há anos o antigo Museu do Índio, no Maracanã.

O prédio público se tornara 'ruína dirigida', para a prevalência de interesses da especulação imobiliária e dos negócios privados - entre eles, o assumido pelo governo do estado, de ali fazer um... estacionamento! Esse projeto nem a Fifa, argentarista como é, segurou! Graças à tenaz ocupação, o governo teve que recuar e prometeu preservar o imóvel. Mas não aceita a proposta de criar ali um Centro de Referência das Culturas Indígenas, muito menos de vê-lo ocupado por representantes de povos originários.

A Justiça injusta concedeu reintegração de posse para quem nunca zelou pelo local. E a Polícia de Cabral não cumpriu integralmente o acordo mediado com parlamentares do PSOL e um procurador da República: invadiu o prédio antes mesmo dos 10 minutos solicitados para um ritual de finalização da ocupação.

Às centenas de pessoas que apoiavam, extra-muros, a boa causa, a tropa de choque distribuiu bombas, balas de borracha, gás pimenta e prisões, perseguindo os manifestantes pela rua afora.

Com uma ânsia de bater que, entre outras anormalidades, pode refletir não apenas o despreparo, mas também as condições de trabalho impostas pelo governo cujas ordens seus soldados são tão violentamente fiéis em obedecer ('o opressor introjeta seus valores no oprimido' - Paulo Freire).

Marx escreveu que 'a história só se repete como tragédia ou como farsa'. Taí: Cabral invadiu a Aldeia Maracanã, com suas naus cruzadistas, e expulsa seus nativos. Mas a luta vai prosseguir, e os 'conquistadores' contemporâneos, mercadores dos espaços urbanos, encontrarão resistência!



*Chico Alencar é deputado federal pelo PSOL/RJ. 

É assim que se faz uma Copa do Mundo? Com spray de pimenta, bombas, violência?







É assim que se faz uma Copa do Mundo?
Por Fernanda Sánchez*

Nesta sexta-feira, o Batalhão de Choque da Polícia Militar invadiu a Aldeia Maracanã, antigo Museu do Índio, e agiu com extraordinária truculência. Os policiais jogaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, gás pimenta, bateram nos manifestantes e prenderam ativistas e estudantes. A Aldeia estava ocupada desde o ano de 2006 por grupos representativos de diferentes nações indígenas que, nos últimos tempos, diante do projeto de demolição do prédio (para aumentar a área de dispersão do Estádio do Maracanã, estacionamento e shopping), vinham resistindo.

As lideranças indígenas são apoiadas por diversos movimentos sociais, estudantes, pesquisadores, universidades, comitês populares, organizações nacionais e internacionais de defesa dos Direitos Humanos, redes internacionais e outras organizações da sociedade civil. A luta dos índios e o conflito estabelecido entre o governo e o movimento resultaram num importante recuo do governo, que diante da pressão social desistiu da demolição do prédio e passou a defender a sua “preservação”. A desocupação do prédio foi decretada, com hora marcada. Os índios, no entanto, continuaram a resistir, apoiados por diversas organizações.

Certamente essa posição política ensina muito mais aos cidadãos cariocas e ao mundo sobre preservação, direitos e cidades do que as violentas ações que vêm sendo mostradas nos diversos meios. Para os índios e para as organizações sociais que os apoiam, preservar o prédio vai muito além de preservar sua materialidade. A essência da preservação, neste caso como em muitos outros, está na preservação das relações sociais, usos e apropriações que lhe dão sentido e conteúdo. Seria um exemplo para o Brasil e para o mundo a preservação da Aldeia Maracanã, o reconhecimento de seu uso social e a pactuação democrática acerca da reabilitação arquitetônica do edifício.

Cada vez que se comete um ato de violência que coloca em risco a integridade de um grupo social indígena, se esfacela sua cultura, seu modo de vida, suas possibilidades de expressão. É uma porta que se fecha para o conhecimento da humanidade, como dizia Levi-Strauss. É essa a Copa do Mundo que o governo quer fazer? É esse espetáculo da violência, a lição civilizatória que o Rio de Janeiro tem para mostrar ao mundo? A política-espetáculo tem um efeito simbólico: mostrar que o avanço do projeto de cidade, rumo aos megaeventos esportivos, far-se-á a qualquer custo.

Direitos humanos, democracia e pactuação estão fora da agenda deste projeto de cidade. Os manifestantes, em absoluta condição de desigualdade frente à força policial e seu aparato de violência, lançaram mão de instrumentos bem diferentes daqueles utilizados pelo Batalhão de Choque: ocuparam o prédio para apoiar os índios, resistiram à sua desocupação e manifestaram, no espaço público, nas ruas e avenidas do entorno do complexo do Maracanã, sua reprovação e indignação frente à marcha violenta desta política.


*Fernanda Sánchez é professora da UFF e pesquisadora sobre megaeventos e as cidades.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Copa 2014 – Farra e corrupção dos gastos públicos....



Esse documentário começou a ser filmado um ano atrás, de forma independente, com pouquíssimo recurso conseguido através da produção de um evento cultural. A equipe abriu mão de seus salários e os equipamentos foram cedidos gratuitamente. Percorremos as comunidades do Vidigal, Vila Autódromo, Providência, toda a Zona Portuária do Rio de Janeiro e o Maracanã, obtendo diversas imagens, entrevistando muitos moradores, participando de reuniões, debates e conflitos. Além disso, entrevistamos o professor Carlos Vainer do IPPUR/UFRJ, pesquisador de megaeventos, o Deputado Estadual Marcelo Freixo e o Deputado Federal Romário. Nesse período, investigamos para onde estão indo todos os bilhões investidos no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, visando a Copa do Mundo e as Olimpíadas  Está muito claro para nós, que grande parte desse dinheiro sairá dos cofres públicos e servirá para enriquecer um grupo muito restrito de empreiteiros, políticos, bancos e empresários envolvidos com esses megaeventos. O legado que vai ser deixado para a população é muito pequeno. E o pior de tudo: várias comunidades estão sendo removidas, ilegalmente, das áreas de forte interesse imobiliário para periferias distantes, sem nenhuma infraestrutura e dominadas por milícias fortemente armadas e extremamente violentas.





Fonte:http://contextolivre.blogspot.com.br

domingo, 7 de outubro de 2012

A Fifa desrespeita à cultura Baiana



O tradicional bolinho de quitute (Acarajé) da culinária baiana, corre risco de não ser comercializado durante o evento futebolístico organizado pela Fifa. A entidade proíbe todo comercio ambulante no raio de 2Km da Arena Fonte Nova. Essa medida absurda visa proteger os hambúrgueres da rede McDonald’s, patrocinadora oficial da Fifa.  Não estaria na hora da baiana rodar a saia? – Afinal, acarajé é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio  imaterial. 
 


domingo, 3 de junho de 2012

Cariocas criticam entrega do estádio para ser controlado por Eike Batista

Neste domingo (03) na cidade Maravilhosa, na orla de Ipanema, manifestantes dos quatros maiores clubes do estado protestaram contra a concessão do Estádio Mario Filho - conhecido como Maracanã - ao mega empresário Eike Batista. Os torcedores reivindica também, garantias de setores populares no estádio. 
“É inaceitável que o Estado arque com as despesas e depois entregue o estádio, que é um bem de todos, para a exploração lucrativa de grupos financiadores de campanhas políticas”, disse João Hermínio Marques, da Frente Nacional dos Torcedores, um dos grupos que integra a campanha. 

Vejam os valores desta obra.

Em 1999 foram gastos 237 milhões para o mundial de clubes da fifa.
No Pan de 2007 mais 397 milhões, com promessa de deixar o estádio pronto para a copa.
Em 2010 o custo girava em torno de 600 milhões. Mas o valor ultrapassou para quase 1 bilhão. Cabe lembrar que, para a realização da olimpíadas de 2016 o maracanã terá que passar por uma reforma para adaptá-lo às exigências do COI.

Enquanto isso a população sofre nas filas dos hospitais para obter um atendimento.  








Fotos do JB