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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Roda Viva - Marcelo Freixo - 14/05/2012




O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) foi o centro do Roda Viva de segunda-feira (14/5). Ele falou sobre o combate às milícias fluminenses. Segundo o deputado, as UPP’s não enfraqueceram as milícias. “O Brasil tem historicamente uma polícia para ser violenta e manter a ordem. Isso gerou um controle de território. A polícia sempre fez o serviço sujo da política, nas áreas mais pobres”. Transportes, distribuição de gás, e mais inúmeros serviços básicos nas comunidades são as milícias que controlam nas favelas, é o que afirma.

Em 2008, ele presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Ele relata receber constantes ameaças de grupos criminosos. Até agora foram 38.

Na última semana, entrou com pedido de abertura de CPI para investigar os contratos da empreiteira Delta com o governo estadual. Dirigentes da empresa são suspeitos de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

“Eu sofro ameaça desde 2008, desde que a CPI começou. Enfrentar a máfia tem as suas conseqüências. Após a morte da juíza Patrícia Acioli, eu recebi sete ameaças detalhadas, com preço da minha morte. Tinham nomes ali. A morte de Patrícia foi um recado para calar o poder Judiciário".

Para o deputado, as milícias controlam muito mais o país do que o tráfico. “Eu concordo que o trafico internacional é organizado, mas não tem 10% de organização que as milícias possuem. A milícia tem projeto de poder, porque seus representantes se candidatam para domínio de território”.

Freixo revela que agiotagem é uma prática muito comum na milícia e que elas são as bases de governo. “Eu não tenho dúvida que nesse ano que tem eleição no Rio de Janeiro para vereador, a milícia vai voltar a se eleger. A milícia não presta serviço ao comerciante, pelo contrário, o comerciante tem que pagar para trabalhar. Eles invertem o sistema. O crime organizado está dentro do Estado”.

O parlamentar considera o Estado o principal violador dos Direitos Humanos. “A população não é consultada para nada no Rio. Temos o exemplo do metrô. Eles estão fazendo a linha 4 que é um escândalo. O que eles vão fazer é prolongar essa linha. E isso só para não precisar fazer licitação e beneficiar a empresa”.

Quando o assunto é maconha se diz a favor da descriminalização e acredita em um debate social sobre o melhor a fazer. “É importante de o país se pensar, porque a repressão fracassou".

O candidato a prefeito do Rio de Janeiro nas próximas eleições acredita que é importante ter artistas como Caetano Veloso, Padilha, a Dira Paes na campanha, mas também pretende ter apoio da sociedade civil. "Para ganhar essa eleição, tem que haver um nível de mobilização da sociedade muito grande. Além disso, pode ter uma relação mais profunda com as organizações sociais. É isso que chamamos de aliança com a sociedade civil".

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sobre a detenção do rapper Emicida em Belo Horizonte

O rapper Emicida foi detido na noite deste domingo (13) após terminar seu show no festival Palco Hip Hop, em Belo Horizonte (MG), acusado de desacato à autoridade.




O motivo foi o seguinte comentário do músico, feito antes de dar início à música “Dedo na Ferida”, a primeira de seu show. “Antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com ‘noiz’ nessa aqui, ó. Mandando todos eles se fuder, certo, BH? A rua é noiz.” O momento foi registrado em vídeo .

Policiais militares que prestavam serviço no evento consideraram o comentário ofensivo a eles, esperaram que Emicida terminasse seu show e deram voz de prisão ao músico, que foi levado ao 39 DP (Barreiro) pouco depois das 19h30 e liberado por volta das 22h35.

Na versão que foi registrada no Boletim de Ocorrência, policiais afirmam que Emicida teria dito uma frase diferente da que o vídeo e o áudio em anexo comprovam. Por isso, o músico não assinou o documento. A alegação dos policiais é a de que ele teria dito a seguinte frase: "Eu apóio a invasão do terreno Eliana Silva, região do Barreiro, tem que invadir mesmo, levantem o dedo do meio para cima, direcione aos policiais, pois todos esses tem que se fuder". 

Em nenhum momento o rapper se dirigiu diretamente aos policiais militares que trabalhavam no evento ou pediu que o público fizesse algum gesto obsceno a eles.


As revoltas conquistaram a Abolição



Infelizmente, os estudantes desconhecem a verdadeira história da abolição da escravidão no Brasil. Na escola, desde o ensino fundamental, as únicas recordações que ficam no imaginário popular são da princesa boazinha que “libertou” os escravos. E por aí vai se reproduzindo a “história oficial”.

Brasil e Cuba foram os dois últimos países do mundo a eliminar a escravatura como base de um modo de produção. A Guerra da Secessão (1861-65), nos Estados Unidos, cobrou o preço de mais de um milhão de mortos para que se encerrasse a escravidão e, de fato, se unificasse a nação. O Haiti se tornou a primeira nação negra das Américas quando, após ter conquistado a libertação, em 1794, com uma insurreição dos escravos negros, expulsou a bala e a facão, em 1803, os colonialistas franceses.

No meio do século XIX já não havia mais como manter a escravidão no Brasil. As lutas contra escravidão negra tomavam conta do país. De longe vinha o Quilombo de Palmares, sobre o qual não é preciso se estender. As homenagens que até hoje recebe Zumbi são o testemunho da luta heróica e dolorosa dos negros, hoje parte integrante da classe trabalhadora brasileira, para se libertar de toda opressão e exploração. Inúmeras revoltas populares se somavam às rebeliões de escravos, aos assaltos às fazendas e assassinato de fazendeiros.

Nas décadas de 1830 e 1840, o país havia vivido algumas das suas maiores rebeliões ou guerras internas. Entre 1835 e 1840 a província do Grão-Pará (atualmente os estados do Pará, parte do Amazonas, Amapá e Roraima) conheceu as revoltas da “cabanagem”, nome dos negros, índios e mestiços, que viviam nas cabanas. Eles chegaram a tomar Belém e instituir um governo próprio, em choque frontal com a monarquia escravagista. Esta grande luta popular pagou um tributo de 40 mil mortos tombados na luta por liberdade e igualdade.

A Balaiada, no Maranhão, que durou de 1838 a 1841, teve como herói da monarquia o militar que ganhou ali seu primeiro título de nobreza, o Barão de Caxias (uma das mais importantes cidades do Maranhão), que viria a ser o Duque de Caxias. Como herói das classes populares, teve o negro Cosme, líder de um quilombo, que comandou cerca de três mil homens armados em combates contra as tropas da monarquia. Mesmo na Guerra dos Farrapos, que se estendeu de 1835 a 1845, no Rio Grande do Sul, quando a elite local chegou a proclamar a República do Piratini, os negros jogaram um papel importante e conquistaram a reivindicação de libertação de todos os negros que lutaram ao lado de Bento Gonçalves contra a monarquia.

O Brasil chegava ao fim do século passado marcado por rebeliões e imerso numa profunda crise econômica. Esta situação tensa, fruto do agravamento constante das crises econômicas no mercado mundial, juntava-se à pressão internacional da burguesia, que não podia permitir a continuidade da concorrência de produtos da mão-de-obra escrava. Mas a escravidão não caiu de madura: foi derrotada pela primeira luta popular de caráter nacional da história brasileira.

A luta abolicionista juntou negros, brancos, mestiços e mulatos. Entre seus líderes, estavam ex-escravos. Enquanto, nas fazendas, os escravos se rebelavam e fugiam, ajudados pelos abolicionistas, outros atores entravam em cena. Os trabalhadores das ferrovias e os operários gráficos, núcleos de uma classe operária ainda em formação, participaram ativamente do movimento, escondendo os negros fugidos e imprimindo os panfletos anti-escravistas. Essa história permanece oculta da maioria dos jovens estudantes.

A princesa Isabel, quando assinou a Lei Áurea, estava firmando um documento de derrota – a prova da falência do próprio Império, que caiu no ano seguinte. Mas, para aqueles que trabalhavam a terra, e praticamente só sabiam fazer isto, o fim da escravidão não significou o acesso a terra. Significou, isso sim, seu despejo das fazendas. E assim os escravos foram expulsos de um modo de produção e a maquinaria da economia se desenvolveu através de uma abundante mão-de-obra livre, basicamente estrangeira, imigrada com amplo financiamento do Estado para suprir as necessidades da atrasada burguesia rural brasileira. É por isso que a burguesia brasileira nasce no campo e não nas cidades.

O Império pintou a imagem do 13 de Maio como um presente da princesa benfeitora. Os defensores das chamadas políticas de ações afirmativas pintam hoje o 13 de Maio como a mentira da princesa malfeitora. A divergência é superficial, pois ambos se apegam ao ato da autoridade, ocultando atrás dele as lutas de classes no Brasil e no mundo neste período. É como atribuir o fim da ditadura militar à candidatura de Tancredo Neves ao Colégio Eleitoral, escondendo as lutas dos trabalhadores e estudantes que derrotaram os generais.

Comemorar o 13 de Maio é trazer a tona a verdadeira história de lutas do povo brasileiro. É homenagear centenas de milhares de brasileiros que lutaram e, em muitos casos, deram sua vida para que se inscrevesse na lei o fim da escravidão. Acima de tudo, é retomar o fio de continuidade da luta pela igualdade que inspirou os abolicionistas.

Nós temos a convicção de que não se derrota o racismo por meio da divisão dos trabalhadores e estudantes em “brancos” e “negros”, como querem os defensores das leis raciais. Só se derrota o racismo superando o imenso abismo entre as classes sociais, pela extensão dos serviços públicos de qualidade para todos e pela conquista de empregos para todos os trabalhadores, seja qual for o tom da sua pele.



*José Carlos Miranda é vice presidente do PT Caieiras (SP) e Coordenador Nacional do Movimento Negro Socialista (MNS).
Vi no esquerda Marxista.

sábado, 12 de maio de 2012

Nostalgia

Segundo Nietzsche, a vida sem música seria um erro ... Acredito que seja verdade. Música é poesia que nos faz viajar , nos faz sonhar , recordações, imaginações, enfim música é algo sei la..(:






Ouça no volume máximo! Acompanhe a letra..



quarta-feira, 9 de maio de 2012

Absurdo: no Maranhão escola Paulo Freire vira Roseana Sarney



Essa gente não se emenda, além de fazer do Maranhão, um dos estados mais pobres do País, sua capitania hereditária, a família do patrono do fisiologismo pátrio, José Sarney, batiza 161 escolas com o sobrenome de sua raça ruim. Não satisfeitos trocaram o nome de uma escola que homenageava o grande educador Paulo Freire para o da deseducadora e atual mandatária da capitania, Roseana Sarney.
Isto no ano em que Paulo Freire foi proclamado patrono da educação brasileira, e o Brasil é governado por um governo de esquerda, que por um troço que chamam de governabilidade, é aliado do imortal e dono do Maranhão, o crápula José Sarney.
Paulo Freire, gostando-se ou não de suas propostas, foi um dos grandes brasileiros do século passado, um homem que passou sua vida dedicando-se a construir um mundo mais justo e solidário, não merecia uma desfeita deste porte, realizada por gentinha que acha que batizando prédios públicos com seus nomes, ficarão para a História. Ficarão sim, no lixo que ela reserva a este tipo de gentalha!
A diferença entre Paulo Freire e José Sarney é que um foi cassado, preso e depois exilado pela ditadura militar, por não se vergar perante os coturnos da opressão; já o outro, se verga perante qualquer poder ou ideologia, desde que se mantenha ao lado dos poderosos da vez!
Quem quiser conhecer um pouco sobre a vida e a obra de Freire vá no Instituto Paulo Freire

Ditadura foi nazista


A notícia é estarrecedora: militantes políticos envolvidos no combate à ditadura militar tiveram seus corpos incinerados no forno de uma usina de cana-de-açúcar em Campos dos Goytacazes, no Norte do estado do Rio de Janeiro, entre 1970 e 1980.O regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985 merece, agora, ser comparado ao nazismo. A revelação é do ex-delegado do Dops (polícia política) do Espírito Santo, Cláudio Guerra, hoje com 70 anos. 

Segundo seu depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, no livro Memórias de uma guerra suja (Topbooks), no forno da usina Cambahyba – de propriedade de Heli Ribeiro Gomes, ex-vice-governador do Rio de Janeiro entre 1967 e 1971, já falecido –, foram incinerados Davi Capistrano, o casal Ana Rosa Kucinski Silva e Wilson Silva, João Batista Rita, Joaquim Pires Cerveira, João Massena Melo, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira.

Os militantes teriam sido retirados de órgãos de repressão de São Paulo – Deop e DOI-Codi – e do centro clandestino de tortura e assassinato conhecido como Casa da Morte, em Petrópolis. Cláudio Guerra acrescenta às suas denúncias que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra, um dos mais notórios torturadores de São Paulo, teria participado, em 1981, do atentado no Riocentro, na capital carioca, na véspera do feriado de 1º de Maio. 

Se a bomba levada pelos oficiais do Exército não tivesse estourado no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, ceifando-lhe a vida, centenas de pessoas que assistiam a um show de música popular teriam sido mortas ou feridas. O objetivo da repressão era culpar os “terroristas” pelo hediondo crime e, assim, justificar a ação perversa da ditadura. 

Guerra aponta ainda os agentes que teriam participado, em 1979, da Chacina da Lapa, na capital paulista, quando três dirigentes do PCdoB foram executados. Acrescenta que a “comunidade de informação”, como eram conhecidos os serviços secretos da ditadura, espalhou panfletos da candidatura Lula à Presidência da República no local em que ficou cativo o empresário Abílio Diniz, vítima de um sequestro em 1989, em São Paulo, de modo a tentar envolver o PT.

Uma das revelações mais bombásticas de Cláudio Guerra é sobre o delegado Sérgio Paranhos Fleury, o mais impiedoso torturador e assassino da regime militar, morto em 1979 por afogamento. Tida até agora como um acidente, a morte, segundo o ex-delegado, teria sido“queima de arquivo”, crime praticado pelo Cenimar, o serviço secreto da Marinha. Guerra assume ter assassinado o militante Nestor Veras, em 1975, alegando que apenas deu “o tiro de misericórdia” porque ele havia sido “muito torturado e estava moribundo”.

Das notícias da repressão há sempre que de sconfiar. Guerra fala a verdade ou mente? Tudo indica que o ex-delegado, agora travestido de pastor adventista, não se limitou, na prática de crimes, à repressão política. Em 1982, a Justiça o condenou a 42 anos de prisão pela morte de um bicheiro, dos quais cumpriu 10 anos. Em seguida mereceu 18 anos de condenação por assassinar sua mulher, Rosa Maria Cleto, com 19 tiros, e a cunhada, no lixão de Cariacica, em 1980. Ele alega inocência nos três casos, embora admita que matou o tenente Odilon Carlos de Souza, a quem acusa de ter liquidado sua mulher Rosa.

Espera-se que a presidente Dilma anuncie, o quanto antes, os nomes dos sete integrantes da Comissão da Verdade, que deverá apurar crimes e criminosos da ditadura. E investigar as denúncias do policial capixaba. Infelizmente a comissão ainda não será da Verdade e da Justiça. O Brasil é o único país da América Latina que se recusa a punir aqueles que cometeram crimes em nome do Estado, entre 1964 e 1985. O pretexto é a esdrúxula Lei da Anistia, consagrada pelo STF, que pretende tornar inimputáveis algozes do regime militar. 

Ora, como anistiar quem nunca foi julgado e punido? Nós, as vítimas, sofremos prisões, torturas, exílios, banimentos, assassinatos e desaparecimentos. E os que provocaram tudo isso merecem o prêmio de uma lei injusta e permanecer imunes e impunes como se nada houvessem feito? O nazismo foi derrotado há quase 70 anos, e ainda hoje novas revelações vêm à tona. Enganam-se os que julgam que a Lei da Anistia, o silêncio das Forças Armadas e a leniência dos três poderes da República haverão de transformar a anistia em amnésia. Como afirmou Walter Benjamin, a memória das vítimas jamais se apaga. 





Frei Betto
Escritor, autor de Diário de Fernando %u2013 Nos cárceres da ditadura militar brasileira (Rocco), entre outros livros.