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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Edir Macedo escreve que quem não paga dízimo é 'ladrão de Deus'

Foto usada pelo evangélico para
ilustrar o texto "Crentes ladrões"

O bispo Edir Macedo, chefe da Igreja Universal, transcreveu em seu blog vários trechos da Bíblia para afirmar que crente que não paga dízimo é “ladrão de Deus”. O blog reproduz uma foto de um bandido mascarado arrombando uma janela.

Ele disse que esses “crentes desobedientes são piores do que os malfeitores incrédulos”, porque “são ladrões diante do Deus-Pai, ladrões diante do Deus-Filho e ladrões diante do Deus-Espírito Santo”. 

Para Macedo, essa é a explicação de a maioria dos crentes ser “fracassada”. “Sabem confessar promessas como 'O Senhor é o meu pastor e nada me faltará…' Mas não vivem isso. Antes, são servos dos ímpios e incrédulos.” 

Argumentou que só é “parceiro” do Espírito Santo quem paga os 10% do dízimo. “Isso se chama atitude de pura fé.” 

Não é a primeira vez que Macedo cobra com contundência o pagamento do dízimo. Mas ele nunca tinha usado um tom agressivo, que chega a ofender os fiéis.

A Universal não deve estar conseguindo cumprir sua meta de arrecadação.

Fonte http://www.paulopes.com.br/

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Tese ridícula da nossa justiça

O apresentador da TV Bandeirantes Bori Casoy teceu comentários que ofendeu a honra dos garis e a Justiça paraibana achou tudo normal. Segundo o juiz que "absolveu" Boris Casoy, o gari que ajuizou ação de danos morais em face do reacionário apenas sofreu dissabor. Enquanto isso, lá no Rio de Janeiro, a Justiça, em nome da liberdade de imprensa , condena o apresentador do domingo espetacular da Rede  Record Paulo Henrique Amorim só porque ele afirmou no seu site que Daniel Dantas era um passador de bola.Segundo os desembargadores, a honra do banqueiro foi atingida.Honra atingida? Vê se pode! Fala sério! Só sendo brincadeira.





Crise Política


Vivemos uma crise política e cultural, que vem gerando um amplo debate para discutir temas vistos como "espinhoso", mas que necessita ser abordado sem discurso moralistas e discriminatório. O Deputado fala do movimento LGTB, Casamento Civil Igualitário e a descriminalização da maconha. 




Roda Viva - Marcelo Freixo - 14/05/2012




O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) foi o centro do Roda Viva de segunda-feira (14/5). Ele falou sobre o combate às milícias fluminenses. Segundo o deputado, as UPP’s não enfraqueceram as milícias. “O Brasil tem historicamente uma polícia para ser violenta e manter a ordem. Isso gerou um controle de território. A polícia sempre fez o serviço sujo da política, nas áreas mais pobres”. Transportes, distribuição de gás, e mais inúmeros serviços básicos nas comunidades são as milícias que controlam nas favelas, é o que afirma.

Em 2008, ele presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Ele relata receber constantes ameaças de grupos criminosos. Até agora foram 38.

Na última semana, entrou com pedido de abertura de CPI para investigar os contratos da empreiteira Delta com o governo estadual. Dirigentes da empresa são suspeitos de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

“Eu sofro ameaça desde 2008, desde que a CPI começou. Enfrentar a máfia tem as suas conseqüências. Após a morte da juíza Patrícia Acioli, eu recebi sete ameaças detalhadas, com preço da minha morte. Tinham nomes ali. A morte de Patrícia foi um recado para calar o poder Judiciário".

Para o deputado, as milícias controlam muito mais o país do que o tráfico. “Eu concordo que o trafico internacional é organizado, mas não tem 10% de organização que as milícias possuem. A milícia tem projeto de poder, porque seus representantes se candidatam para domínio de território”.

Freixo revela que agiotagem é uma prática muito comum na milícia e que elas são as bases de governo. “Eu não tenho dúvida que nesse ano que tem eleição no Rio de Janeiro para vereador, a milícia vai voltar a se eleger. A milícia não presta serviço ao comerciante, pelo contrário, o comerciante tem que pagar para trabalhar. Eles invertem o sistema. O crime organizado está dentro do Estado”.

O parlamentar considera o Estado o principal violador dos Direitos Humanos. “A população não é consultada para nada no Rio. Temos o exemplo do metrô. Eles estão fazendo a linha 4 que é um escândalo. O que eles vão fazer é prolongar essa linha. E isso só para não precisar fazer licitação e beneficiar a empresa”.

Quando o assunto é maconha se diz a favor da descriminalização e acredita em um debate social sobre o melhor a fazer. “É importante de o país se pensar, porque a repressão fracassou".

O candidato a prefeito do Rio de Janeiro nas próximas eleições acredita que é importante ter artistas como Caetano Veloso, Padilha, a Dira Paes na campanha, mas também pretende ter apoio da sociedade civil. "Para ganhar essa eleição, tem que haver um nível de mobilização da sociedade muito grande. Além disso, pode ter uma relação mais profunda com as organizações sociais. É isso que chamamos de aliança com a sociedade civil".

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sobre a detenção do rapper Emicida em Belo Horizonte

O rapper Emicida foi detido na noite deste domingo (13) após terminar seu show no festival Palco Hip Hop, em Belo Horizonte (MG), acusado de desacato à autoridade.




O motivo foi o seguinte comentário do músico, feito antes de dar início à música “Dedo na Ferida”, a primeira de seu show. “Antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com ‘noiz’ nessa aqui, ó. Mandando todos eles se fuder, certo, BH? A rua é noiz.” O momento foi registrado em vídeo .

Policiais militares que prestavam serviço no evento consideraram o comentário ofensivo a eles, esperaram que Emicida terminasse seu show e deram voz de prisão ao músico, que foi levado ao 39 DP (Barreiro) pouco depois das 19h30 e liberado por volta das 22h35.

Na versão que foi registrada no Boletim de Ocorrência, policiais afirmam que Emicida teria dito uma frase diferente da que o vídeo e o áudio em anexo comprovam. Por isso, o músico não assinou o documento. A alegação dos policiais é a de que ele teria dito a seguinte frase: "Eu apóio a invasão do terreno Eliana Silva, região do Barreiro, tem que invadir mesmo, levantem o dedo do meio para cima, direcione aos policiais, pois todos esses tem que se fuder". 

Em nenhum momento o rapper se dirigiu diretamente aos policiais militares que trabalhavam no evento ou pediu que o público fizesse algum gesto obsceno a eles.


As revoltas conquistaram a Abolição



Infelizmente, os estudantes desconhecem a verdadeira história da abolição da escravidão no Brasil. Na escola, desde o ensino fundamental, as únicas recordações que ficam no imaginário popular são da princesa boazinha que “libertou” os escravos. E por aí vai se reproduzindo a “história oficial”.

Brasil e Cuba foram os dois últimos países do mundo a eliminar a escravatura como base de um modo de produção. A Guerra da Secessão (1861-65), nos Estados Unidos, cobrou o preço de mais de um milhão de mortos para que se encerrasse a escravidão e, de fato, se unificasse a nação. O Haiti se tornou a primeira nação negra das Américas quando, após ter conquistado a libertação, em 1794, com uma insurreição dos escravos negros, expulsou a bala e a facão, em 1803, os colonialistas franceses.

No meio do século XIX já não havia mais como manter a escravidão no Brasil. As lutas contra escravidão negra tomavam conta do país. De longe vinha o Quilombo de Palmares, sobre o qual não é preciso se estender. As homenagens que até hoje recebe Zumbi são o testemunho da luta heróica e dolorosa dos negros, hoje parte integrante da classe trabalhadora brasileira, para se libertar de toda opressão e exploração. Inúmeras revoltas populares se somavam às rebeliões de escravos, aos assaltos às fazendas e assassinato de fazendeiros.

Nas décadas de 1830 e 1840, o país havia vivido algumas das suas maiores rebeliões ou guerras internas. Entre 1835 e 1840 a província do Grão-Pará (atualmente os estados do Pará, parte do Amazonas, Amapá e Roraima) conheceu as revoltas da “cabanagem”, nome dos negros, índios e mestiços, que viviam nas cabanas. Eles chegaram a tomar Belém e instituir um governo próprio, em choque frontal com a monarquia escravagista. Esta grande luta popular pagou um tributo de 40 mil mortos tombados na luta por liberdade e igualdade.

A Balaiada, no Maranhão, que durou de 1838 a 1841, teve como herói da monarquia o militar que ganhou ali seu primeiro título de nobreza, o Barão de Caxias (uma das mais importantes cidades do Maranhão), que viria a ser o Duque de Caxias. Como herói das classes populares, teve o negro Cosme, líder de um quilombo, que comandou cerca de três mil homens armados em combates contra as tropas da monarquia. Mesmo na Guerra dos Farrapos, que se estendeu de 1835 a 1845, no Rio Grande do Sul, quando a elite local chegou a proclamar a República do Piratini, os negros jogaram um papel importante e conquistaram a reivindicação de libertação de todos os negros que lutaram ao lado de Bento Gonçalves contra a monarquia.

O Brasil chegava ao fim do século passado marcado por rebeliões e imerso numa profunda crise econômica. Esta situação tensa, fruto do agravamento constante das crises econômicas no mercado mundial, juntava-se à pressão internacional da burguesia, que não podia permitir a continuidade da concorrência de produtos da mão-de-obra escrava. Mas a escravidão não caiu de madura: foi derrotada pela primeira luta popular de caráter nacional da história brasileira.

A luta abolicionista juntou negros, brancos, mestiços e mulatos. Entre seus líderes, estavam ex-escravos. Enquanto, nas fazendas, os escravos se rebelavam e fugiam, ajudados pelos abolicionistas, outros atores entravam em cena. Os trabalhadores das ferrovias e os operários gráficos, núcleos de uma classe operária ainda em formação, participaram ativamente do movimento, escondendo os negros fugidos e imprimindo os panfletos anti-escravistas. Essa história permanece oculta da maioria dos jovens estudantes.

A princesa Isabel, quando assinou a Lei Áurea, estava firmando um documento de derrota – a prova da falência do próprio Império, que caiu no ano seguinte. Mas, para aqueles que trabalhavam a terra, e praticamente só sabiam fazer isto, o fim da escravidão não significou o acesso a terra. Significou, isso sim, seu despejo das fazendas. E assim os escravos foram expulsos de um modo de produção e a maquinaria da economia se desenvolveu através de uma abundante mão-de-obra livre, basicamente estrangeira, imigrada com amplo financiamento do Estado para suprir as necessidades da atrasada burguesia rural brasileira. É por isso que a burguesia brasileira nasce no campo e não nas cidades.

O Império pintou a imagem do 13 de Maio como um presente da princesa benfeitora. Os defensores das chamadas políticas de ações afirmativas pintam hoje o 13 de Maio como a mentira da princesa malfeitora. A divergência é superficial, pois ambos se apegam ao ato da autoridade, ocultando atrás dele as lutas de classes no Brasil e no mundo neste período. É como atribuir o fim da ditadura militar à candidatura de Tancredo Neves ao Colégio Eleitoral, escondendo as lutas dos trabalhadores e estudantes que derrotaram os generais.

Comemorar o 13 de Maio é trazer a tona a verdadeira história de lutas do povo brasileiro. É homenagear centenas de milhares de brasileiros que lutaram e, em muitos casos, deram sua vida para que se inscrevesse na lei o fim da escravidão. Acima de tudo, é retomar o fio de continuidade da luta pela igualdade que inspirou os abolicionistas.

Nós temos a convicção de que não se derrota o racismo por meio da divisão dos trabalhadores e estudantes em “brancos” e “negros”, como querem os defensores das leis raciais. Só se derrota o racismo superando o imenso abismo entre as classes sociais, pela extensão dos serviços públicos de qualidade para todos e pela conquista de empregos para todos os trabalhadores, seja qual for o tom da sua pele.



*José Carlos Miranda é vice presidente do PT Caieiras (SP) e Coordenador Nacional do Movimento Negro Socialista (MNS).
Vi no esquerda Marxista.