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domingo, 4 de novembro de 2012

Pra fechar a semana com chave de Ouro



Pretos e pardos: Por que 
a elite odeia o Enem

O Lula e a Dilma deram à filha da empregada doméstica o direito de entrar na universidade. Que horror ! Saiu no Globo

ENEM: Um 'País' maior que o Uruguai



Com 5,7 milhões de inscritos, exame só é menor que vestibular da China e provoca impacto nas escolas

Uma prova do tamanho de um país. Mais de 5,7 milhões de pessoas realizarão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste fim de semana, em 140 mil salas de 1.612 municípios do Brasil. O número de inscritos equivale à população da Nicarágua e supera a do Uruguai (3,4 milhões). Algo em torno de 400 mil fiscais atuarão nos locais de aplicação. Trata-se do maior exame público do país, e o segundo maior processo de seleção para ensino superior do mundo. Só perde para o vestibular da China.

Cerca de 48 mil malotes com 11,5 milhões de cadernos de provas estão sendo distribuídos. Este ano, dez mil desses malotes terão lacres eletrônicos contra fraudes. Os dispositivos registram quando as provas são lacradas na gráfica e o momento da abertura nos locais do exame. O cuidado é bem-vindo, para evitar falhas de anos anteriores. Milhares de vagas em universidades e institutos federais estão em jogo.

O Enem começou há 15 anos, com 157 mil inscritos, e se tornou um gigante, não só em números como também no impacto que causa no ensino médio. À medida que foi crescendo, mais e mais colégios adaptaram sua forma de lecionar ao conteúdo cobrado no exame do MEC. Estar bem colocado no “ranking do Enem” virou obsessão para escolas, que aplicam simulados nos moldes da prova antes mesmo de o aluno chegar ao ano do vestibular. Algumas realizam aulas com até três professores, totalmente voltadas para o conteúdo interdisciplinar do Enem.

Mas essas mudanças no programa letivo não significam melhoria no ensino, segundo o professor e pesquisador José Carlos Rothen, do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. Além disso, pondera ele, o movimento em direção ao conteúdo do Enem ocorre muito mais nas escolas particulares, aumentando o abismo entre realidades de ensino das redes pública e privada.

— Aproximar o conteúdo do que é cobrado no Enem não significa qualidade de ensino. Quando a escola se modifica em função de uma prova, considero preocupante. Estará formando alunos para responder a questões de um teste, e não para lidar com o mundo — critica ele.

A maioria dos alunos (e suas famílias) se sentem mais confortáveis numa escola sintonizada com o Enem, já que todos almejam um bom desempenho no exame. Na rede QI, as disciplinas de Biologia, Física e Química recebem abordagem focada menos em conteúdo e mais em raciocínio, assim como as questões do MEC. O pH contratou uma empresa para treinar os professores com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia que atribui pesos e níveis de dificuldade às questões do Enem. Já o Colégio Dínamis incorporou o exame a suas avaliações trimestrais. O resultado da prova conta como a última nota do 3º ano.

— Conseguimos fazer o aluno entender que estudar para a escola e para o Enem são a mesma coisa — explica Raphael Barreto, coordenador de ensino médio do Dínamis.

Coordenadora pedagógica do ensino médio do Colégio Sagrado Coração de Maria, a professora Rosa Xavier critica o fato de ter que encurtar o calendário por causa do Enem:

— Como a prova é aplicada antes do término do ano letivo, muitas vezes temos que correr com o conteúdo para dar conta de tudo.

Já a diretora-executiva da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz, acha que a prova do MEC vem apresentando uma constância no conteúdo. Para ela, o Enem exige mais raciocínio e o entrosamento com notícias atuais.

— Os que alcançam as melhores notas são aqueles que aprenderam mais — opina ela.

Mas Priscila vê uma sobrecarga de funções agregadas ao processo. O Enem foi criado como forma de acesso à universidade, mas também como avaliação do ensino médio. Ainda que reúna alunos de várias realidades, o exame falha em criar um diagnóstico escolar, avalia ela.

— O Enem vive uma crise de identidade. Quem passa pelo teste são alunos com perspectiva de entrada na faculdade. O resultado acaba sendo melhor do que se a participação fosse obrigatória. Muitos não fazem a prova. Num modelo ideal, essas pessoas não ficariam fora.

Se o Enem fosse um país, teria algumas características semelhantes ao Brasil. A proporção de pretos, pardos ou indígenas, por exemplo, é de 54% dos inscritos. Perto dos 51% da população brasileira que declaram pertencer a essas raças. Além disso, 80% dos candidatos que concluíram o ensino médio este ano cursaram escolas públicas. Mas a “nação” do Enem tem muito mais mulheres do que homens. Enquanto no Brasil elas são 51,5% da população, no exame do MEC representam 59%.

— De certa forma, isso mostra uma democratização da educação. As mulheres, depois de muitos anos de privação, estão tendo um grande acesso ao ensino superior. Por outro lado, também indica que os homens estão ficando para trás e isso não é bom — comenta o professor de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj João Feres Júnior.
Fonte: Globo

sábado, 3 de novembro de 2012

Bob Fernandes / Pergunta: por que a PM é alvo único do PCC?



Os desesperados esperneiam

Marcos Valério de Souza teve inúmeras oportunidades durante 7 anos para envolver o presidente Lula no famigerado mensalão. Eu me lembro pois assisti as oitivas nas CPIs, verdadeiras torturas psicológicas. A oposição interrogou Marcos Valério com ameaças, com truculência. Queria que ele dissesse que o presidente Lula estava envolvido no esquema, que ele manteve encontros com o presidente Lula, que ouviu de Delúbio, Dirceu ou de quem quer que fosse que Lula sabia do esquema. 

A resposta sempre foi NÃO. Confesso que na época fiquei com pena de Marcos Valério e de sua esposa Renilda, assistindo eles sofrerem todo tipo de ameaça, violência e humilhação. Passaram por verdadeiras sessões de tortura porque a oposição feroz e virulenta queria um nome, Lula. Nenhum depoente, nenhum, nem mesmo o delator Roberto Jefferson, citou o nome do presidente Lula. Muito ao contrario, afirmou que ele não sabia o que ocorria. Disse com todas as letras que Lula era inocente. Na CPI dos Bingos, a CPI do Fim do Mundo, estiveram depondo os irmão do prefeito assassinado Celso Daniel, e NÃO citaram o nome do presidente Lula; citaram o nome do Dirceu, mas na presença do juiz, após um processo movido por Dirceu, recuou e desmentiu todas as acusações feitas a Dirceu.

 Agora, depois de 7 anos, sabendo muito bem durante todos esses anos que seria condenado também pelo mensalão do PSDB de MG, de Eduardo Azeredo, Valério resolveu achar uma alternativa para não cumprir a pena: "delação premiada" pedindo proteção. Por trás da esperteza de Marcos Valério tem gente da oposição feroz e virulenta infiltrada na Procuradoria. Ele sabe, o advogado sabe, que se receber as benesses da "delação premiada" e entrar no programa de proteção a testemunha, fica livre, muda de nome, muda para um endereço desconhecido, e vai viver livre e rico.

Mas para conseguir isso Marcos Valério sabe, e seu advogado também sabe, que precisa de provas, provas cabais do que relatar, para apresentar ao MP e ao STF, provas verdadeiras, não fabricadas e falsificadas. Ele tem essas provas, elas existem? Ele tem as tais gravações tão anunciadas pela Veja, que durante 7 anos ficaram escondidas? Não tem, tudo não passa de um jogo de cena, de uma tentativa de enganar, de tumultuar o processo e postergar a sua prisão. Mas como um fax sigiloso do STF foi parar na mídia? Quem vazou? Quem mais está em conluio com Marcos Valério para prejudicar o presidente Lula?

Durante mais de 7 anos a vida de Lula, foi investigada à exaustão: com quem falava, o que falava, aonde ia, com quem ia, como dormia, como acordava, para quem telefonava, de quem recebia telefonemas, e nada, absolutamente nada, deu ao menos algum indício que Lula houvesse cometido algo ilícito. O desespero de Marcos Valério prestes a ir para a prisão somou-se ao desespero da oposição, do PIG, que não sabe como disputar o poder em 2014. Os desesperados esperneiam a caminho do fim.


Jussara Seixas

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Ditadura: mal necessário?


João Quartim de Moraes *

Já desconfiávamos, mas a partir de fevereiro de 2010, tivemos certeza: o garboso supremo ministro M. A. Mello considera a ditadura “um mal necessário”. Foi o que ele respondeu ao estafeta da mediática televisiva que perguntou sua opinião sobre o escabroso tema e em especial sobre se havia em 1964 o risco de uma “ditadura comunista”. Mello comentou: “Tendo em vista o que se avizinhava, teríamos que esperar para ver; foi melhor não esperar”.

É o mesmo argumento surrado e vicioso dos milicos golpistas, das marchadeiras e outros clérico-fascistas: “vamos almoçar os comunistas antes de que eles nos jantem”. O preciosismo léxico e sintático do ministro sugeria que ele tivesse algum refinamento intelectual, mas pelo visto só tem pose. O fundo de seu pensamento é muito raso. Corrobora o preceito atribuído em latim de araque aos meganhas de delegacia: “in dubio, pau no réu”. 

Há adjetivos que pedem um complemento nominal: mal necessário “a quem?” ou “para que?”; “não esperar” (para dar o golpe) foi “melhor” para quem? Se for consequente com suas ideias cavernosas e com as consequências do que diz, Mello deverá esclarecer se, assim como o general Ernesto Geisel declarou em conhecido depoimento, considera que além da ditadura, também a tortura é um mal necessário. Suas opiniões se tornam ainda mais preocupantes se considerarmos que Mussolini, Hitler e Franco chegaram ao poder exatamente com o mesmo argumento. A Marcha sobre Roma de 1922, o incêndio do Reichstag em 1934 e a sublevação militar-fascista de 1936 contra a República Espanhola tinham por objetivo imediato e principal acabar com os comunistas. 

É livre a manifestação da opinião. Mas não é preciso ser hermeneuta profissional da Constituição para saber que essa liberdade não é, nem deve ser, absoluta. Quem pensa que alguns humanos são superiores aos outros, que há raças inferiores, que o mais forte deve eliminar o mais fraco etc., deve abster-se de propagar esses odiosos anti-valores. Sem dúvida, defender a ditadura, como mal menor, ou mesmo como salvação nacional, é um direito. Causa porém espanto e suscita repúdio que um magistrado cuja função precípua é defender a Constituição justifique um regime que rasgou a que tínhamos. Não sei se, entre os males necessários para evitar que nossas criancinhas fossem comidas pelos comunistas, o douto jurisconsulto inclui a cassação, por meio do Ato Institucional nº 2, de dois membros do STF que se recusavam a inclinar a cabeça perante os atropelos da clique militar no poder. O certo é que os membros restantes da Suprema Corte preferiram o “mal menor”: calaram-se para manter o cargo. 

As opiniões do ministro M.A.Mello seriam menos preocupantes (embora não menos lamentáveis) se o STF não tivesse assumido, nos últimos anos, posição tão central no poder de Estado. A questão merece ser mais seriamente debatida na esquerda, principalmente entre os marxistas. Foi a Constituição vigente, fortemente inspirada, como as anteriores, nas instituições estadunidenses, que o colocou nessa posição. Nos Estados Unidos, a Corte Suprema está investida de grandes poderes, mas o STF, segundo juristas que merecem respeito, dispõe de poderes ainda maiores. 

Causa certa perplexidade o fato de que nesses dois países, que se afirmam democráticos, um colégio de magistrados que não foram escolhidos pelo sufrágio universal, exerce poderes que chegam a sobrepujar aqueles que o povo conferiu pelo voto a seus representantes e mandatários. Afinal, o voto é a expressão constitucional da soberania do povo e esta é o princípio de legitimidade do poder político em qualquer regime que se pretenda democrático. A previsível réplica de que os membros do STF são designados pelo Executivo e aprovados pelo Senado não satisfaz. O modo de nomeação de embaixadores é o mesmo, mas nem por isso há um Poder Diplomático.

Enquanto os democratas consequentes, que defendem a plena soberania do povo, não considerarem prioritária a questão dos superpoderes do STF, continuaremos a assistir a revoltantes espetáculos como os proporcionados por Gilmar Mendes, interrompendo seu fim de semana para pôr na rua o financista espertalhão Dantas e perseguindo honrados funcionários do Estado, como o delegado federal Protógenes Queiroz e o juiz De Sanctis por pretenderem apurar com seriedade os crimes dos colarinho branco e mãos sujas. M.A.Mello também é gentil com os banqueiros. Se dependesse dele, Cacciola, outro malandro engravatado a quem ele concedeu habeas corpus a despeito de provas acachapantes de que tinha fraudado os cofres públicos num montante de 1,5 bilhões de reais, estaria ainda passeando na Itália.

Não será fácil a luta contra a hipertrofia dos poderes assumidos pela cúpula da burocracia judiciária. Um bom começo seria perguntar a quem se candidatar ao STF o que pensa do golpe de 1964. Estaríamos purgando aquela altíssima corte de novos partidários da doutrina do “menor mal”

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Velha Schin



São Paulo neoliberal afunda no crime




DAVIS SENA FILHO 

Policiais militares, à paisana e de folga, são mortos em emboscadas, muitos deles desarmados. Episódios vergonhosos, que deixam o governo tucano do senhor Geraldo Alckmin em uma situação de calamidade pública

O banho é de sangue. É São Paulo. Capital e Estado. São 1.716 homicídios de janeiro a setembro, sendo que 86 das pessoas mortas são policiais. No último fim de semana (27/28), 42 cidadãos foram assassinados na grande São Paulo. Na madrugada de hoje (30), dez pessoas foram baleadas, sete morreram e três ficaram feridas. Policiais militares, à paisana e de folga, são mortos em emboscadas, muitos deles desarmados. Episódios vergonhosos, que deixam o governo tucano do senhor Geraldo Alckmin em uma situação de calamidade pública, pois que a violência quando atinge patamares dessa envergadura se torna uma epidemia, a pior das doenças e das enfermidades, que dobram os joelhos da sociedade paulista e paulistana, vítima de um governo tucano de mentalidade neoliberal, em que o ente humano não é a prioridade, mas, sim, prioritários são os interesses do mercado de capitais e das classes sociais dominantes.

É o jeito de governar dos neoliberais, que transformaram São Paulo em “seu” reduto para exercerem e efetivarem o típico modus operanditucano de governar, totalmente divorciado dos interesses e desejos da população, que luta para ter acesso a uma vida de melhor qualidade. São os tucanos a continuar sua política de “enxugamento” do estado, do controle exacerbado e distorcido do orçamento (consideram investimentos como gastos), a diminuir as ações públicas de cunho social, a privatizar o patrimônio público e a terceirizar serviços que são da competência do estado. É a falta proposital de investimento em educação, saúde e segurança pública, cujos profissionais de cada área estão estupefatos, de queixo caído por saberem, no fundo, que o povo paulista está abandonado, e há muito tempo.

São os políticos e administradores tucanos, que, em âmbito nacional, venderam o Brasil e o afundaram como ocorreu, na Bacia de Campos, com a maior plataforma do mundo de prospecção de petróleo — a P-36 —, que, simbolicamente, iguala tal incompetência e desleixo com a coisa pública ao apagão energético de oito meses consecutivos, bem como à ida do Brasil ao FMI a pedir esmolas de joelhos e com o pires na mão, porque o ex-presidente FHC — o Neoliberal — quebrou o País três vezes e por isto teve de se submeter aos ditames da pirataria internacional para pagar os juros dos empréstimos, sem, no entanto, investir no povo brasileiro, que ficou à deriva, porque parte significativa da população brasileira ficou desempregada, sem acesso a empréstimos, à educação técnica e universitária, bem como não teve facilidade para consumir, por não ter poder de compra naquele período, além de sofrer com os juros escorchantes cobrados àqueles que, porventura, ousassem pedir empréstimo para comprar uma casa ou reformá-la ou construí-la. Simplesmente, o povo brasileiro não tinha acesso ao crédito fácil, por intermédio de bancos de fomento da grandeza da Caixa Econômica, do Banco do Brasil ou do BNDES, banco estatal que atualmente empresta mais dinheiro que o Banco Mundial — o Bird.

Era a época do neoliberalismo. A época do fracasso retumbante para as sociedades em termos globais. O capitalismo selvagem, desregulamentado, falsamente competitivo e efetivado pelo Consenso de Washington, em 1989, para favorecer o neocolonialismo financeiro, pois que o mundo neoliberal e globalizado, por intermédio da informática e de outras ferramentas midiáticas, preencheu o espaço do colonialismo de ocupação de territórios por parte de tropas armadas regulares pertencentes aos países considerados desenvolvidos. No Brasil, o PSDB e o DEM, que é o pior partido do mundo e filhote quase extinto da UDN lacerdista e da Arena da ditadura militar, implementaram, juntamente com os banqueiros e as bolsas, o neoliberalismo e para isso resolveram diminuir o tamanho do estado, apesar de a população do País estar próxima dos 200 milhões de pessoas, sendo que grande parte dessas pessoas são pobres e por isto necessitam de um estado fortalecido e ativo, que financie o desenvolvimento social e propicie oportunidades de estudo e de emprego a todos os brasileiros.

Realmente, os neoliberais, os chicago boys do FHC se esmeraram e por isto e por causa disto saíram do poder com índices negativos de popularidade, além de o Brasil ficar praticamente sem reservas internacionais e sem moral perante os governantes dos países ricos e os representantes dos banqueiros encastelados no FMI, no Bird e na OMC. Era o Brasil governado por uma elite de mentalidade colonizada, com um imenso e imponderável complexo de vira-lata, que nunca percebeu e até hoje não percebe que o Brasil é um País poderoso, com um território gigantesco, onde vive um povo que compõe uma Nação multirracial, multicultural e extremamente talentosa, no que concerne a trabalhar e estudar em qualquer área ou setor de atividade humana, como tem comprovado no decorrer desta década cujos governos trabalhistas efetivaram programas e projetos os quais valorizam a sociedade brasileira, por intermédio de programas sociais da envergadura e da importância do Enem, das cotas, do ProUni, do Bolsa Família, das Upas, do Saúde da Família, do Minha Casa, Minha Vida, do Luz para Todos e de obras de infraestrutura, a exemplo da transposição do Rio São Francisco, da construção de hidrelétricas, como a de Belo Monte, da melhoria, ampliação e construção de portos, aeroportos e rodovias, bem como a construção de refinarias, que tem o propósito de atender, em futuro próximo ou não muito longe, às demandas do pré sal, sem esquecer de lembrar sobre o apoio ao agronegócio e à agricultura familiar e da valorização do mercado interno, responsável maior pelo Brasil praticamente não sentir a crise internacional dos países ricos, que se envenenaram com seu próprio veneno — o neoliberalismo.

Tudo isto o que relato foi o que os tucanos e os udenistas do DEM quando estiveram a ocupar o Palácio do Planalto não fizeram e continuam a não fazer como acontece em São Paulo, espécie de bastião do violento e antissocial neoliberalismo no Brasil. Minha intenção é mostrar e dizer que a violência assassina de São Paulo é o reflexo da forma que os tucanos governam. O neoliberalismo foi derrotado, porque era um gigante com pés de barro e alicerçado em papéis podres do setor financeiro e imobiliário. Quando governantes não investem em seu país, estado ou cidade é sinal de que não acreditam ou desprezam seu próprio povo. Evidentemente, mais cedo ou mais tarde, a violência vem à tona. É o que acontece em São Paulo há duas décadas.

O patrimônio do estado bandeirante foi alienado e é visível nas ruas das cidades paulistas a falta de investimento e a ausência do poder público junto à população, principalmente a mais carente. José Serra, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab e principalmente o FHC — o Neoliberal — por ter sido presidente da República são os responsáveis diretos pela decadência econômica de São Paulo, que, inclusive, teve diminuída sua participação no PIB nacional. Diminuiu porque, entre outros fatores, os governos de Lula e de Dilma combateram as desigualdades regionais e investiram, de forma republicana, em todas as regiões, o que favoreceu também a diminuição do trânsito migratório no País, responsável pela explosão demográfica no Sudeste, que, entre outras questões sociais, ocasionou o número crescente de favelas e de condições de vida indignas para milhões de cidadãos brasileiros.

A violência em São Paulo não é endêmica, pois acontece em outros lugares do Brasil. Contudo, é uma epidemia, que tem cura, porque pode ser combatida, como aconteceu impressionantemente e verdadeiramente no Rio de Janeiro, estado cujos membros da segurança pública estão a ensinar e a dar cursos em todo o Brasil e até no exterior, por causa dos bons resultados no que é relativo ao combate à violência e a todos os tipos de crimes, por meio da inteligência, da prevenção e da repressão quando necessária, bem como da retomada de territórios dominados por traficantes. Tudo isto aconteceu recentemente e ainda acontece. Porém, os territórios ocupados por forças policiais e militares fluminenses recebem atenção social da Prefeitura e dos governos do Estado e Federal. Ocupação e o apoio de serviços sociais, de forma que a população até então oprimida percebe que as coisas mudaram e que a cidadania é algo inegociável e que é intrínseca ao estado democrático de direito. Esses fatores, definitivamente, não acontecem em São Paulo, porque governantes conservadores, de direita e tucanos tem outra visão de mundo, a visão de uma sociedade VIP, patrimonialista, de perfil classista e separatista, onde poucos privilegiados pelo poder econômico e financeiro determinam e definem o futuro da maioria a seu bel-prazer, porque controlam o estado, que serve apenas aos interesses dessa camada elitista.

O governo de São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo se recusam a implantar as Unidades de Polícia Pacificadora. O orgulho, a arrogância e a prepotência da direita paulista a leva a proceder dessa maneira, ou seja, sem raciocinar. Alckmin e seus secretários e assessores consideram a UPP um projeto do Governo Federal e do Rio de Janeiro, aliado de Brasília. Por isto, a negativa, a insensatez e a desfaçatez. “Dane-se!” — gritam os tucanos de ego separatista e porta-vozes dos herdeiros das fazendas de café e de gado. Só que as UPPs do Rio de Janeiro têm o papel fundamental de mostrar a quem quer violar as leis que o estado está presente e, o mais importante, de forma ostensiva. Obviamente que o caminho a trilhar é longo, mas é o começo de um Rio melhor, justo, seguro e democrático para todos os cidadãos. São Paulo perde quando tergiversa sobre a realidade da violência em suas cidades e as autoridades governamentais paulistas tentam manipular e escamotear a verdade dos fatos, as ocorrências dolorosas e que contêm um significado de que as coisas no estado e na cidade bandeirantes vão de mal a pior.

O candidato vitorioso do PT, o trabalhista Fernando Haddad, venceu as eleições para a Prefeitura de São Paulo. Derrotou o ministro do Planejamento do FHC que vendeu o Brasil na década de 1990, o tucano neoliberal José Serra. O povo de São Paulo sinalizou que não quer mais a forma, o jeito de administrar do PSDB, pois alienada em relação às necessidades do ser humano e divorciada das questões sociais. Não adianta a Globo amenizar a violência paulista em seus jornais, a publicar e veicular, sistematicamente, fatos ocorridos no Rio de Janeiro sempre após as matérias sobre a violência em São Paulo. Não cola. Ninguém é bobo. Também não adianta evitar falar no PCC. Ele existe. O chefe da maior facção criminosa do País, Marcos Camacho, o Marcola, está preso em Presidente Bernardes em regime disciplinar diferenciado, e, portanto, vivo. O que está a acontecer é semelhante a 2006 quando agentes públicos de segurança foram mortos às dezenas, bem como mais de 500 pessoas morreram em cerca de três meses. São Paulo precisa, a meu ver, de quatro coisas: investir pesadamente em políticas públicas sociais, abandonar para sempre o modelo neoliberal que fracassou em todo o planeta, reconhecer que a política de segurança tem de mudar, e ser, evidentemente, menos reaça, porque não estamos em 1932. É isso aí.