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sábado, 10 de novembro de 2012

Como é uma sociedade laica?



O laicismo é um movimento emancipatório, um dos que mais contribuiu para combater a dominação e a lutar contra a perseguição ao pluralismo. Graças ao laicismo temos sociedades emancipadas da dominação eclesiástica e mais pluralistas. Em suas origens, é um movimento religioso, de inspiração cristã, que foi impulsionado por minorias protestantes perseguidas que se viram obrigadas a emigrar para a América do Norte e que, no nascimento dos Estados Unidos, tiveram muito cuidado em assegurar-se de que seria criada uma república laica.

O laicismo é uma tentativa de articular a diversidade e o pluralismo em todas suas manifestações pessoais e coletivas. É uma crítica do clericalismo político, à tentativa das castas sacerdotais de todas as religiões de controlar a ação do Estado. Também é a defesa do pluralismo, da autonomia da ordem jurídica e política, da dignidade e legitimidade de uma moral autônoma, e da liberdade de consciência. Além disso é a reivindicação de uma cultura de tolerância ativa. O laicismo não só se opõe à dominação, mas também é um humanismo que propõe virtudes, implicando na criação de cidadãos e, por isso, dá grande importância à educação.

UMA CULTURA DA TOLERÂNCIA ATIVA

Estamos muito necessitado de uma cultura de tolerância ativa, na qual todas as pessoas e grupos saibam autolimitar-se e escutar os outros. Temos de praticar uma amizade cívica entre pessoas e grupos que temos identidades, ideias e trajetórias culturais diferentes.

Temos de reconhecer que somos diversos. Temos diferentes identidades linguísticas, sexuais, políticas, ideológicas e religiosas e devemos aprender a conviver, mediante o cultivo da amizade cívica entre pessoas que são ou pensam diferentes. Deve-se superar a pretensão de alguns eclesiásticos de que a religião católica seja o núcleo da identidade nacional, pois isto produz enormes dificuldades para o diálogo interreligioso e o reconhecimento das contribuições das culturas atéias e agnósticas.

A legislação deverá ser fundamentada numa ética cívica de mínimos e os setores confessionais devem reconhecer o pluralismo moral da sociedade. Antes de legislar sobre assuntos delicados deve-se fazer uma cuidadosa deliberação ética. Devemos refletir sobre o papel da religião e das igrejas na vida pública. Devemos considerar as implicações da imigração para ativar o diálogo intercultural e interreligioso.

UMA AMEAÇA À DEMOCRACIA

O laicismo defende a liberdade religiosa, mas está contra as instituições que dificultam o pluralismo de uma cidadania diversa. Os fundamentalismos e integralismos religiosos radicais (chamem-se islamismo político, hinduismo identitário, judaísmo ultra-ortodoxo ou cristanismo neo-integrista (católico ou protestante) constituem uma ameaça para a democracia e devem ser enfrentados, a fim de não impedirem o pluralismo. Portanto, deve-se recusar suas tentativas de que se legisle a partir da verdade que dizem possuir.

Mas não se deve esquecer que a religião é uma questão pública. Nisto coincidem todos os grandes clássicos da sociologia. As religiões não devem ser privatizadas, devem ter uma presença na vida pública e contribuir para isso, mas em democracia, devem autocontrolar seu projeto de hegemonia. Não nasceram em âmbitos de laicidade e devem aprender a viver em contextos laicos, sabendo que existe algo inviolável: a liberdade de consciência.

O processo de globalização tem mostrado a grande força social, cultural e política das religiões. Estas exercem um importante papel público nas democracias avançadas.

Há duas formas de presença pública da religião e das instituições eclesiais. A primeira —forte nos Estados Unidos, Itália e Espanha— constitui um fundamentalismo ético-religioso, com implicações políticas, herdeiro dos integralismos tradicionais. A segunda conecta a inspiração religiosa de transformação social com a produção de cidadania politicamente ativa e o aprofundamento da democracia. É uma nova forma de radicalismo social religioso, vinculado a um cristianismo laico e republicano e aos movimentos por uma globalização alternativa que confluíram no Fórum Social Mundial.

Dentro de todas as religiões há tendências pluralistas. Muitos movimentos religiosos contribuem à emancipação social. Pensemos em sua atividade educativa e snaitária, de atendimento aos mais fracos ou de promoção comunitária em todo o mundo. Hoje, importantes pensadores laicistas franceses como Regis Debray, Edgar Morin ou Frederic Lenoir pedem que se tenha um maior conhecimento e compreensão do fenômeno religioso.

É muito pouco o que se sabe de fenômenos religiosos emancipatórios como o ecobudismo, que trabalha com os mais pobres; o hinduísmo gandhiano, que incentiva o movimento Via Campesina, o judaísmo pacifista, o feminismo islâmico ou o cristianismo republicano que tem ramos evangélicos, anglicanos e protestantes. O papel emancipatório das religiões não se conhece muito, pois a informação religiosa nos meios de comunicação é muito pobre, está muito clericalizada e muito concentrada em assuntos relacionados com os bispos.

Sem laicidade, não há um futuro alternativo para o mundo árabe. Em qualquer um destes países, antes das eleições, deve-se redigir Constituições que impeçam a imposição do fundamentalismo islâmico. O mundo árabe é pluralista, o Islã é pluralista, nos países árabes existem outras religiões. A laicidade do Estado é a única que torna possível que esse pluralismo não seja reprimido e possa desenvolver-se.

Todos nós precisamos aprender a cultura da tolerância ativa, que é a pedra angular da laicidade. Não deveríamos utilizar nossos símbolos de identidade simbólica como armas de negação de outras identidades. Os países, inclusive os micro-países, são plurais e, portanto, países arco-íris. Devemos evitar as guerras de bandeiras. Expressemos nossos símbolos, vendo-os como complementares. Aprendamos a conviver na sociedade civil. Ninguém deveria pretender ter com exclusividade uma pátria ou monopolizar a cultura de um país. Laicidade é o sentido do limite e a capacidade de aprender do outro.


Autor: Rafael Díaz Salazar
Fonte: Mirada Global


terça-feira, 6 de novembro de 2012

E no Congresso brasileiro... Cantar música e fazer culto evangélico, pode, fazer homenagem a Luiz Gonzaga é inadequado

"Deputados podem utilizar os plenários das comissões para expressar a fé" Jean Wyllys



[VERGONHA] Chambinho do Acordeon é impedido de cantar no plenário do Senado

Chambinho do Acordeon, que interpreta Luiz Gonzaga no filme "Gonzaga de Pai para Filho", passou por um constrangimento no Senado na tarde desta segunda-feira. Levado ao plenário pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), ele foi impedido de cantar pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), que presidia a sessão. Recorrendo ao 
regimento da Casa, Mozarildo alegou que o local não era adequado. (O globo)

Fazer uma homenagem a Luiz Gonzaga, maior artista que esse pais já viu não pode, é inadequado. Já mentir, roubar, desviar verbas públicas, formar quadrilha e fazer o povo de palhaço pode!

No mais, esse senador Mazarildo Cavalcante é apenas parte de uma instituição corrupta e ultrapassada a ponto de impedir que um artista do povo manifeste a mais pura cultura Brasileira/Nordestina ao cantar um clássico de Seu Luiz Gonzaga. A verdade é que a obra de nosso rei está muito acima de tudo isso e talvez, aquele antro de corruptos não seja realmente adequado e muito menos dígno de apreciar uma obra tão nobre.

Compartilhe esse protesto no facebook com seus amigos e se você tem twitter, proteste usando a hashtag #CantaChambinho

Eu não vou ficar calado! E você?

Da página no Facebook Nação Nordestina

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Veja imagens e informações exclusivas da guerra urbana que tomou conta de SP

Nota da Comissão de Professores Kaiowá Guarani: "A revista VEJA não está a serviço dos indígenas, nem dos mais pobres"


Ao contrário do que escreveram os jornalistas da Revista VEJA, Leonardo Coutinho e Kalleo Coura, quem luta pelos territórios tradicionais é sim o povo Kaiowá e Guarani. Somos nós que estamos retomando nossos territórios antigos.

A matéria publicada foi racista, preconceituosa, discriminatória, estimulou o ódio contra os povos indígenas. Tenta desmotivar o nosso povo, ignora que nós temos língua própria, sentimento próprio, natureza própria. Não fala que a gente sabe o que a gente quer. Acaba colocando as pessoas contra nós, não a favor.

A revista VEJA não está a serviço dos indígenas, nem dos mais pobres. Está a serviço de quem manda. Age com coronelismo. Parece estar a serviço de quem paga.

Os jornalistas precisam estudar mais um pouco. Conhecer o que é índio, o que é cultura, o que é tradição, o que é história, o que é língua, o que é Bem Viver. A terra, para nós, é o nosso maior bem viver, coisa que ainda a imprensa não entendeu muito bem. Não entendeu que é possível escrever coisa boa sem prejudicar.

O povo pobre não tem acesso à imprensa, quem tem são os latifundiários e os empresários. São eles que comandam. Nós somos brasileiros, somos filhos da terra. É preciso valorizar todas as culturas, o que a imprensa não faz. Mas precisava fazer.

O direito à terra é um direito conquistado pelo povo brasileiro que precisa ser cumprido. E é possível fazer essa luta com solidariedade, com amor, com carinho, que é a competência do ser humano. Não é com maldade, como fez essa reportagem.

A matéria quer colocar um povo contra outro povo. Quer colocar os não-índios contra os índios. Essa matéria não educa e desmotiva. Ao invés de dar vida, ela traz a morte. Porque a escrita, quando você escreve errado, também mata um povo.

Começa hoje a ação do governo federal para conter a violência em São Paulo



Depois de quase seis meses de um recrudescimento contínuo e sem precedentes da violência no Estado, o descontrole da segurança pública em São Paulo encaminha-se para a superação com a parceria acertada entre a presidenta Dilma Rousseff e o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Por ela, o governo federal passa a ajudar a administração tucana estadual a conter e a debelar o problema.

Em reunião programada para hoje, o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, e autoridades da área de segurança de São Paulo acertam os detalhes da parceria. A transferência de lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) para presídios de segurança máxima federais - em Mossoró (RN), Cabreúvas (PR), Campo Grande (MS) e Porto Velho (RO) - e o apoio da Força Nacional de Segurança, com ação nas favelas paulistas, podem ser os pontos iniciais desse trabalho conjunto.

A parceria pode trazer, também, a ocupação (ou "pacificação", como chamam no Rio) de favelas em São Paulo pela Força Nacional de Segurança. Inicialmente da favela Paraisópolis. A imprensa noticiou que o PCC esconde ali criminosos comandantes do tráfico no Rio desde que as favelas de lá começaram a ser ocupadas.

Ocupação de favelas paulistas

O governo federal oferece esta ajuda a São Paulo desde junho pp. e é uma pena que a solução não tenha vindo antes e que o PSDB e o governador politizem a questão, para não reconhecer o fracasso da política de segurança tucana no Estado - se é que ela existe.

Um editorial publicado pelo Estadão 6ª feira pp. sob o título "Proposta indecente" e notas veiculadas pela Folha de S.Paulo são uma confissão e uma confirmação explícitas dessa politização. No editorial o Estadão posiciona-se contra atuação da Força Nacional em favelas paulistas argumentando que nelas há a presença do poder do Estado e de sua ação, situação diferente das favelas do Rio.

O editorial do Estadão chega a ser ridículo ao estabelecer esta diferença entre as favelas do Rio e de São Paulo, já que as favelas cariocas têm, como em São Paulo, todos os serviços públicos prestados pelo Estado.

A questão é outra. O crime organizado controlava essas favelas e seu território, o mesmo que já acontece em São Paulo em várias regiões da área metropolitana. Sem falar no poder que ele exerce nas penitenciárias do Estado, muitas sob o controle do PCC.

A politização da questão

Notas publicadas no Folhão reforçam a politização ao explicarem que o governo Alckmin resiste à parceria porque vê a ofensiva do governo federal para ajudar no combate ao crime organizado como tentativa de fragilizar a gestão do PSDB no Estado cuja conquista seria a próxima meta petista.

Além da resistência política à parceria, e de o secretário de segurança pública Antônio Ferreira Pinto ter afirmado várias vezes que a oferta de ajuda da União era "oportunismo barato", também o comandante da PM, coronel Roberval França, fez declarações inoportunas. Numa destas, afirmou que a parceria é desnecessária porque o chefe do Comando Militar do Sudeste, general Ademar da Costa Machado Filho, confia no trabalho da polícia paulista.

A citação é extemporânea e até mesmo ilegal. Quem responde pela segurança é o Ministério da Justiça e não as Forças Armadas. Muito menos um comandante de região. Se é que o comandante da PM não o citou sem autorização. Afinal, responsáveis, cada um por uma área distinta, que tipo de relação eles mantêm?

20 anos de fracassos: por que querem continuar no governo?

Como vocês acompanham diariamente, na ausência de uma verdadeira política de segurança pública que dê respostas a nova realidade do crime organizado, o que salta à vista é o fracasso da política de extermínio que o governo adotou e a PM colocou em prática.

Infelizmente, como vemos pela reação do governo e de sua mídia, a preocupação central é com a manutenção do poder nas mãos do PSDB. Cabe, então, só uma pergunta: para quê depois de 20 anos de governo em que os tucanos fracassaram tão rotundamente em todas as áreas?