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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Romper o cerco conservador

Do Escrevinhador

Teremos um Estado a serviço dos pobres ou dos ricos? Um Estado para a elite paulista, ou para as maiorias? Esse é o centro da disputa. E os tucanos sabem que essa disputa está perdida. Então, apelam para o moralismo seletivo.

por Rodrigo Vianna

O PT não é um partido de santos. Há gente boa e ruim ali – como em toda parte.
Mas você já reparou que, em toda eleição, há sempre uma onda de denúncias contra o PT? E só contra o PT?

Onde estão as investigações sobre os trens de São Paulo? Sobre a privatizações tucanas? Jamais prosperaram. Agora, a 15 dias da eleição, surge a delação premiada de um réu desesperado – jogando lama sobre Dilma, Lula e o PT como um todo. Não há chance de responder. Não. O rolo compressor midiático está acionado.

Beira o ridículo dizer que todo o problema do Brasil “é a corrupção do PT”. Não há corruptores? E os empresários? Não há uma reforma Política a fazer. Não.

Esse moralismo todo encobre o debate maior: teremos um Estado a serviço dos pobres ou dos ricos? Um Estado para a elite paulista, ou a serviço das maiorias? Esse é o centro da disputa. E os tucanos sabem que essa disputa está perdida. Então apelam para o moralismo seletivo.

Nada disso é novo: a ferramenta contra governos trabalhista sempre foi essa. Vargas foi tratado como um “bandido a acobertar criminosos”. Vejam bem: Vargas, o maior presidente da história brasileira foi cercado no Palácio por um boçal chamado Carlos Lacerda… Há 5 ou 6 anos, FHC lamentou que não tivéssemos um Lacerda no século XXI. Na verdade, temos sim: dezenas de lacerdinhas espalhados pelos jornais, rádios e revistas da marginal.

O círculo se fecha. E o bombardeio vai durar 15 dias.

O PT contava com a campanha de João Santana pra equilibrar o jogo: uma campanha da marquetagem. Só que o PSDB terá os mesmos 10 minutos na TV até o dia 26 – e mais a Globo, a Veja, todos os portais de internet, além das manchetes de jornal e rádio. Terá tudo… E esse discurso de que “é preciso varrer a quadrilha dos corruptos” ecoa pela internet.

Aqui, nos blogs, cansamos de dizer que o maior inimigo do projeto trabalhista no Brasil é a mídia velhaca. A diretora da Associação Nacional de Jornais (ANJ) disse, em 2009: “na falta de partidos de oposição, a imprensa virou o partido de oposição”. A mídia velhaca produz o conteúdo que depois se espalha pelas redes e pelas ruas.

Em 2010, blogs de esquerda conseguiram oferecer um contraponto à ofensiva da Globo de Ali Kamel e de Serra. Nunca mais isso acontecerá. Por que? Porque a elite e o PSDB nunca mais serão pegos de surpresa: criaram sua própria rede, e já atuaram fortemente nas redes em junho de 2013.

A Globo deu o roteiro para o Mensalão. A Globo criou os “aloprados” petistas em 2006. A Globo e seus parceiros midiáticos vão ecoar o escândalo da Petrobrás agora em 2014. Um escândalo de boca-de-urna.

Seria mais fácil enfrentar essa onda, se o PT tratasse a Globo, a Veja e outros como os inimigos que são. Brizola sempre fez isso. Requião sempre fez, no Paraná.

Dilma foi-se confraternizar com a Globo depois de eleita. Fez omelete com Ana Maria Braga, visitou a Folha, acreditou em relações “republicanas”. Os ministros petistas legitimam a Veja: correm para as páginas amarelas. Um candidato a governador petista, em conversa com blogueiros, disse que “não abria mão de ter uma boa relação com a imprensa”.

Sei… Na campanha, ele descobriu que relação é essa.

Agora, a onda vem forte como nunca.

Em 1954, a imprensa emparedou Vargas. Em 1964, emparedou Jango. Em 2014, Lula e o PT – com Dilma – estão emparedados.

Assistimos ao mais duro cerco conservador no Brasil, desde 1964. E há quem prefira se omitir, não escolha lado e se refugie no voto nulo.

O discurso – hoje – é o mesmo de sempre: tirar do poder os “corruptos”.

A elite brasileira assumiu toda sua ferocidade. O fascismo avança.

É preciso enfrentar a onda. Ainda que a direção partidária que teria a obrigação de tomar à frente da batalha prefira “conversar” e legitimar os inimigos.

É preciso, pelas frestas que restam, mostrar que o discurso de “fora corruptos” e “vamos mudar tudo” encobre uma disputa de projetos.

Só isso permitirá romper o círculo conservador.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Carta para além do muro (ou por que Dilma agora) | por Jean Wyllys



O muro não é meu lugar, definitivamente. Nunca gostei de muros, nem dos reais nem dos imaginários ou metafóricos. Sempre preferi as pontes ou as portas e janelas abertas, reais ou imaginárias. Estas representam a comunicação e, logo, o entendimento. Mas quando, infelizmente, no lugar delas se ergue um muro, não posso tentar me equilibrar sobre ele. O certo é avaliar com discernimento e escolher o lado do muro que está mais de acordo com o que se espera da vida. O correto é tomar posição; posicionar-se mesmo que a posição tomada não seja a ideal, mas a mais próxima disso. Jamais lavar as mãos como Pilatos — o que custou a execução de Jesus — nem sugerir dividir o bebê disputado por duas mães ao meio.

Sei que cada escolha é uma renúncia. E, por isso, estou preparado para os insultos e ataques dos que gostariam que eu fizesse escolha semelhante às suas.

Por respeito à democracia interna do meu partido, aguardei a deliberação da direção nacional para dividir, com vocês, minha posição sobre o segundo turno. E agora que o PSOL já se expressou, eu também o faço.
Antes de mais nada, quero dizer que estou muito feliz e orgulhoso pelo papel cumprido ao longo de toda a campanha por Luciana Genro. Jamais um/a candidato/a presidencial tinha assumido em todos os debates, entrevistas e discursos — e, sobretudo, no programa de governo apresentado — um compromisso tão claro com a defesa dos direitos humanos de todos e todas. Luciana foi a primeira candidata a falar as palavras "transfobia" e "homofobia" num debate presidencial, além de defender abertamente o casamento civil igualitário, a lei de identidade de gênero e a criminalização da homofobia nos termos em que eu mesmo a defendo; mas também foi a primeira a defender, sem eufemismos, as legalizações do aborto e da maconha como meios eficazes de reduzir a mortalidade da população pobre e negra, a taxação das grandes fortunas, a desmilitarização da polícia e outras pautas que considero fundamentais. O PSOL saiu da eleição fortalecido.

Agora, no segundo turno, a eleição é entre os dois candidatos que a população escolheu: Dilma Rousseff e Aécio Neves. E eu não vou fugir dessa escolha porque, embora tenha fortes críticas a ambos, acredito que existam diferenças importantes entre eles.

A candidatura de Aécio Neves - com o provável apoio de Marina Silva (e o já declarado apoio dos fundamentalistas MAL-AFAIA e pastor Everaldo; do ultra-reacionário Levy Fidélix; da quadrilha de difamadores fascistas que tem por sobrenome Bolsonaro e do PSB dos pastores obscurantistas Eurico e Isidoro) - representa um retrocesso: conservadorismo moral, política econômica ultra-liberal, menos políticas sociais e de inclusão, mais criminalização dos movimentos sociais, mais corrupção (sim, ao contrário do que sugere parte da imprensa, o PT é um partido menos enredado em esquemas de corrupção que o PSDB) e mais repressão à dissidência política e menos direitos civis.

Mesmo com todos as críticas que eu fiz, faço e continuarei fazendo aos governos do PT, a memória da época do tucanato me lembra o quanto tudo pode piorar. Por outro lado, Aécio representa uma coligação de partidos de ultra-direita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no parlamento. Esse alinhamento político-ideológico à direita entre Executivo e Legislativo é um perigo para a democracia!
Vocês que acompanham meus posicionamentos no Congresso, na imprensa e aqui sabem o quanto eu fui crítico, durante estes quatro anos, das claudicações e recuos do governo Dilma e do tipo de governabilidade que o PT construiu. Mas sabem também que eu tenho horror a esse anti-petismo de leitor da revista marrom, por seu conteúdo udenista, fundamentalista religioso, classista e ultra-liberal em matéria econômico-social. Considero-o uma ameaça às conquistas já feitas, que não são todas as que eu desejo, mas existem e são importantes, principalmente para os mais pobres. As manifestações de racismo e classismo que eu vi nos últimos dias nas redes sociais contra o povo nordestino, do qual faço parte como baiano radicado no Rio, mais ainda me horrorizam!

Por isso, avançando um pouco em relação à posição da direção nacional do PSOL, que declarou "Nenhum voto em Aécio", eu declaro que, nesse segundo turno das eleições, eu voto em Dilma e a apóio, mesmo assegurando a vocês, desde já, que farei oposição à esquerda ao seu governo (logo, uma oposição pautada na justiça, na ética, nas minhas convicções e no republicanismo), apoiando aquilo que é coerente com as bandeiras que defendo e me opondo ao que considero contrário aos interesses da população em geral e daqueles que eu represento no Congresso, como sempre fiz.

Hoje, antes de dividir estas palavras com vocês, entrei em contato com a coordenação de campanha da presidenta Dilma para antecipar minha posição e cobrar, dela, um compromisso claro com agendas mínimas que são muito caras a mim e a tod@s @s que me confiaram seu voto.

E a presidenta Dilma, após argumentar que pouco avançou na garantia de direitos humanos de minorias porque, no primeiro mandato, teve de levar em conta o equilíbrio de forças em sua base e priorizar as políticas sociais mais urgentes, garantiu que, dessa vez, vai:

1. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para convencer sua base a criminalizar a homofobia em consonância com a defesa de um estado penal mínimo;

2. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para mobilizar sua base no Legislativo para legalizar algo que já é uma realidade jurídica: o casamento CIVIL igualitário. (Ela ressaltou, contudo, que vai tranquilizar os religiosos de que jamais fará qualquer ação no sentido de constranger igrejas a realizarem cerimônias de casamento; a presidenta deixou claro que seu compromisso é com a legalização do CASAMENTO CIVIL - aquele que pode ser dissolvido pelo divórcio - entre pessoas do mesmo sexo);

3. fazer maior investimento de recursos nas políticas de prevenção e tratamento das DSTs/AIDS, levando em conta as populações mais vulneráveis à doença;

4. dar maior atenção às reivindicações dos povos indígenas, conciliando o atendimento a essas reivindicações com o desenvolvimento sustentável;

5. e implementar o PNE - Plano Nacional de Educação - de modo a assegurar a todos e todas uma educação inclusiva de qualidade, sem discriminações às pessoas com deficiências físicas e cognitivas, LGBTs e adeptos de religiões minoritárias, como as religiões de matriz africana.

Por tudo isso, sobretudo por causa desse compromisso, eu voto em Dilma e apoio sua reeleição. Se ela não cumprir, serei o primeiro a cobrar junto a vocês!

A vanguarda do atraso




A reeleição do governador Geraldo Alckmin, a eleição do senador José Serra, a expressiva votação de Aécio Neves e Marina Silva no último domingo, o número de votos obtidos pelos deputados Russomano e Feliciano (a lista desse apagão anti-humanista é extensa e enfadonha), embora confirmem o ‘exercício da democracia’, confirmam também que o estado de São Paulo se torna de fato o representante legítimo da vanguarda do atraso brasileiro.

Uma espécie de ‘volume morto’ do conservadorismo onde, na falta de ideias progressistas na superfície, o país pode se abastecer no subsolo da mediocridade. No esgoto da intolerância e do preconceito. As declarações do imortal sociólogo carioca após a apuração de votos apontam nesta triste direção.

Paira sobre São Paulo o ectoplasma de 1932 quando naquele ano se tentou resistir ao avanço industrializante da Revolução de 1930 sob as bombachas de Getúlio Vargas. Personagem que deveria ser esquecido pelos brasileiros na opinião do mesmo imortal sociólogo acima lembrado.

Ectoplasma que sempre se manifesta, aliás, quando o país toma rumos que desagradam àquilo que se convencionou chamar de elite brasileira: homens, mulheres e instituições que vivem sob o guarda chuva de um capitalismo também ele atrasado em muitos de seus aspectos, quando ainda se pode – invocando perverso exemplo – encontrar o trabalho escravo em fazendas ou empresas espalhadas pelo país.

Ou quando se manifestam aqui e ali algumas idéias econômicas e suas contrapartidas sociais eivadas de um rançoso dejà vu, cuja insistência na prática de seus fundamentos tem deixado várias das principais economias mundiais em apuros significativos.

Há que insistir e alertar as novas gerações, ao pessoal do “é muito mais que vinte centavos”, à desorganizada “voz das ruas que é contra tudo o que está aí” que sem consciência política e conhecimento histórico, a direita come o mingau pela beirada. Ou tenta fazê-lo… Dentro ou fora da lei, é bom que não se esqueça esse importante pormenor, nessa caminhada para o segundo turno. Pior ainda quando a extrema direita arreganha os dentes…

A manipulação e as mentiras da imprensa foram de tal ordem nos últimos anos que até a esquerda, ou parte dela pelo menos, encheu-se de dúvidas sobre si mesma não sabendo se apoiava ou criticava o governo.

Muitos, inclusive, caíram na rede do “mensalão” e aderiram ao coro cotidiano da direita insuflado pela mídia e de um judiciário irresponsável, que criou um cordão de isolamento entre os desmandos, a impunidade e a verdadeira corrupção praticada há quinhentos anos em nosso país, sobretudo nos recentes governos tucanos, hipocrisia essa que ajudou a difundir a mística de que a política está dividida entre os honestos e os desonestos. Qualquer coisa minimamente semelhante a céu e inferno… Cinismo, má fé e pobreza intelectual a um só tempo.

Foi assim com Getúlio Vargas, com Juscelino em 1955 (ocasião em que um general de exército nacionalista deu um basta nos golpistas de direita que tentaram impedir a posse de Juscelino), com João Goulart. E tem sido assim com Lula e Dilma há doze anos.

Em todos esses momentos de crises e definições como agora com as eleições presidenciais, São Paulo colocou-se ao lado do mais nefasto reacionarismo, contribuindo com seu peso econômico para comprar, por conta própria ou com ajuda internacional, a lei e a ordem.

Estão aí as gordas verbas publicitárias, sobretudo de empresas transnacionais e dos governos federal, estadual e municipal, a fazer a alegria de jornalões, revistões e televisões para mais uma vez comprovar a tese. Sem contar com a presença de algumas ONGs espalhadas pelo país que não se sabe muito bem o que fazem e de onde recebem dinheiro para atuar em solo brasileiro. E contra os brasileiros.

Contudo, a obsessão costuma ser inimiga do discernimento e a mentira costuma se transformar em mãe de crises políticas e sociais profundas. A História está repleta de exemplos nesse sentido. E de surpresas também, é bom que se diga como a do general nacionalista em 1955.

A comemoração pela votação obtida por Aécio Neves no primeiro turno abriu a boca de um dragão cujo hálito recende a fascismo, a intolerância, a vingança e ao ódio contra as camadas mais pobres da população. Contra a soberania e o progresso brasileiros.

A direita e sua nova geração de militantes digitais, apoiados e insuflados por velhas raposas da política nacional agitam bandeiras perigosas para um Brasil pós monárquico que, até esse início de século XXI, jamais dormiu vinte e cinco anos seguidos no berço esplendido da democracia. Repito: vinte e cinco anos seguidos.

A quem interessa o ódio e o preconceito? O que fariam no governo aqueles que já quebraram o país três vezes, cuja noção de soberania e independência não cabe numa caixa de fósforos, arautos subservientes da dependência e do servilismo, dilapidadores do patrimônio nacional, sucateadores das Forças Armadas, cáftens da brasilidade e da alma nacional?

No próximo dia 26 o Brasil escolhe se avança mais um passo na direção de se tornar uma grande nação, soberana e desenvolvida, ou se escolhe alinhar-se com a vanguarda do atraso.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Racismo paulista de FHC: dos marmiteiros aos 'grotões mal informados'

Brasil 247 - 6 de Outubro de 2014 às 20:14

EMIR SADER

A elite brasileira – cujo setor mais significativo vive em São Paulo – nunca engoliu o Getúlio Vargas, nem o Lula, como expressões de amplos setores populares que saem do seu controle. Perderam sempre do Getúlio e perdem sempre do Lula. 

Aí apelam para a discriminação e o racismo. Nos anos 1950, a UDN chegou a propor o voto qualitativo. Onde se viu o voto de um engenheiro valer o mesmo que o voto de um operário, oras? Um valeria 10, o outro valeria 1. Cansados de perder para a maioria trabalhadora, queriam mudar as regras do liberalismo que eles mesmo pregavam, para ver se tinham melhor sorte.

Quanto à linguagem, naquela época umpolítico, Hugo Borghi, qualificou os trabalhadores que votavam no Getúlio como “marmiteiros”, de forma depreciativa para quem levava comida de casa para o trabalho. Era a forma de discriminar os trabalhadores vinda da parte de quem nem trabalhava, menos ainda conhecia o que era uma marmita.

O Getúlio assumiu a expressão, que passou a ser usada positivamente, identificando marmiteiro com trabalhador.

A relação dessa elite com o Lula reproduz, em termos cotidianos, o mesmo tipo de clichê e de discriminação. Por um lado, tenta passar a ideia de que os setores populares que votam no PT foram subornados pelo Bolsa Família e por outras políticas do governo, da mesma forma que se fazia em relação ao salário mínimo na época do Getúlio.

Agora FHC vem falar de gente “dos grotões, mal informados”, que por essa razão não se renderiam às denúncias e aos argumentos tucanos e seguiriam votando no PT. Aponta ele certamente para a população nordestina e as populações das periferias urbanas, beneficiárias de políticas sociais ou detentoras de um posto de trabalho assalariado e que votam concentradamente nos candidatos que sentem identificados com o efeito dessas políticas em suas vidas.

Anteriormente, quando essa população nordestina, totalmente abandonada, inclusive pelo governo de FHC, votava majoritariamente na direita – na Arena, no PFL e no seu sucessor, o DEM –, não era considerada “mal informada”. Quando começa a despertar sua consciência, aparecem essas formas discriminatórias.

Como não leem ainda os artigos do FHC, ficam mal informadas, se deixam enganar, subornar, ser instrumentalizadas pelo governo e pelos partidos de esquerda. Quando a informação chegar devidamente a esses grotões, eles reconhecerão que o melhor governo que o Brasil já teve foi o do FHC, os que o sucederam foram empulhações, que distribuíram migalhas, para enganar ao povo.

Reproduz-se assim o velho sentimento elitista da contrarrevolução de 1932, que tem como ícones, até hoje venerados pela elite paulista, os bandeirantes – caçadores de índios – e Washington Luís, famoso por achar que “a questão social é questão de polícia”..

domingo, 5 de outubro de 2014

10 motivos para ser contra a isenção de impostos para igrejas, sem a prestação de contas

Acid Back Nerd


Sem preconceito
Antes de qualquer coisa, preciso deixar uma coisa bem clara. Não sou nenhum ateuzinho revoltado do Facebook, tampouco um desses revoltados com a religião. Cresci numa religião, visitei e frequentei outras e creio que as religiões têm um papel positivo na sociedade..

Constituição
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI – instituir impostos sobre:
b) templos de qualquer culto;

País laico
Vivemos num país laico. Não vejo por qual motivo nós deveríamos dar privilégios às igrejas sem que estas precisem prestar contas. Se somos um país laico, deveríamos tratar as igrejas com a mesma ética que tratamos as demais instituições.

Bom negócio

Caridade
Igrejas funcionam como empresas. Pastores e músicos muitas vezes recebem gordos salários para exercer seu “santo ofício”. Ao invés de viverem para deus, muitos são os que vivem de deus. A justificativa para a isenção de impostos para as igrejas seria o fato de que elas possuem um trabalho social que por si só contribuiria a sociedade.

Não irei discutir a importância social das igrejas, mas é muito estranho que essas igrejas não precisem prestar contas de seus gastos. Portanto, qualquer espertalhão pode abrir uma igreja e recolher as ofertas dos fiéis, sem praticar qualquer tipo de trabalho social. Esse sistema acaba sendo prejudicial até para as igrejas sérias, que veem malfeitores recorreream à religião para lucrar em cima dos privilégios têm.

Justiça
Se uma empresa tem uma arrecadação de 100 mil reais e é obrigada a pagar, digamos, 30% de impostos, uma igreja que tem uma arrecadação de 100 mil reais deveria ter que comprovar que gastou 30% de sua arrecadação no trabalho social (distribuindo cestas básicas, oferecendo serviços, doando roupas, doando remédios, etc).

10 motivos para ser contra a isenção tributária para as igrejas sem prestação de contas









9-“Dai a Cézar o que é de Cézar, e a Deus o que é de Deus.” Mt 22.20 – O texto bíblico é muito conhecido e no meio dos cristãos há quase uma unanimidade de que àqueles que querem seguir fielmente às Escrituras Sagradas devem “Dar a Cézar o que é de Cézar”, ou seja, pagar os seus tributos.Observa-se que esta ordenança bíblica deve ser aplicada a todas as pessoas, quer sejam pessoas físicas (naturais) ou jurídicas (empresas, entidades, igrejas, etc.). Logo, num país de maioria cristã, é inconcebíbel que igrejas não cumpram com aquilo que até a bíblia impõe.

10- Medidas como essas acabam sendo ruins para as religiões. Tocqueville já diziam que a religião que se mistura com o governo acaba sempre sendo prejudicada. A igreja não deve precisar de favores do Estado para não ser influênciada por ele. Em muitos países, clérigos são pagos pelo governo e por causa disso acabam sendo influenciados pelo governo, servindo de massa de manobra para interesses alheios a fé.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O genocídio contra a Palestina acontece todos os dias – com ou sem mídia


A única coisa que mudou depois do cessar-fogo é que agora é até possível contar nos dedos as mortes diárias.


Lara Sartorio

da Cisjordânia (Palestina)

Passado o momento do espetáculo, em termos midiáticos, dos bombardeios contra a Faixa de Gaza e os assassinatos indiscriminados na Cisjordânia, a Palestina retorna à sua invisibilidade cotidiana.

Na última semana, tanques adentraram diversos pontos da Cisjordânia, prendendo dezenas de jovens e crianças palestinos. Em Hebron, a cidade foi tomada pelo terror, com tanques, bombardeio de gás lacrimogêneo, tiros de balas de borracha e munição letal, além de invasões de casas. A operação na cidade deixou dois jovens mortos e um número não confirmado de feridos.

E o que mudou depois do cessar-fogo?

Certamente as centenas de assassinatos diários promovidos por Israel contra os moradores de Gaza. Agora é até possível contar nos dedos as mortes diárias.

Isso mesmo! O cessar-fogo em Gaza significou o retorno à vida cotidiana palestina, que nada mais é que encarar a morte de frente e todo tipo de restrições e humilhações em seu próprio território.

Somado a isso, os palestinos na região da Cisjordânia enfrentam o maior roubo de terras de sua história e uma repressão nos moldes do holocausto judaico, transformando o território em uma câmara de gás ampliada com o lançamento de gás tóxico contra manifestantes cercados pelo Muro do Apartheid.

A derrota de Israel na operação realizada contra a Faixa de Gaza, levando em conta seu desprestígio na opinião pública internacional e – ainda que mínimas – as concessões realizadas em negociação com a autoridade de Gaza (Hamas), fez com que a reação após o cessar-fogo fosse de intensificar a brutalidade da ocupação militar colonialista.

Histórico

Não vamos esquecer que a injusta partilha, conduzida pela então recém-criada ONU, entregou 53% do território nas mãos da minoria de judeus; restando à época 47% da Palestina para os árabes, que representavam 70% da população total no território.

Do mesmo modo, temos que lembrar que, com o forte apoio de grandes potências, a dizer, o protagonismo dos Estados Unidos na região, Israel estufou o peito e orgulhou seus financiadores ao comprar uma guerra contra o mundo árabe, em 1967.

Posto isso, desde então, Israel mantém uma ocupação militar colonialista naquele pouco território que havia restado para os palestinos. Ao longo dos anos, construiu um muro que tomou mais 10% do território habitado pelos palestinos, isolou Gaza da Cisjordânia e transformou as duas regiões nas maiores prisões a céu aberto do mundo.

Sionismo

Tomando a colonização europeia e o nazismo como espelhos, Israel, lado a lado com os Estados Unidos, promove o mais brutal terrorismo de Estado da história. O sionismo, ideologia nacionalista judaica que fundamenta o Estado de Israel, não para por aí. Quando a sua liderança, Ben-Gurion, afirmou que era necessário arrancar da Palestina todos os árabes, seus súditos levaram bem a sério.

Foi com os acordos de “paz” de Oslo que se legitimou o roubo e controle de toda a água da Palestina, de suas terras férteis e cultivadas por gerações e gerações árabes, o controle total do espaço aéreo e marítimo e o controle militar oficial de mais de 80% do território palestino, que é transformado em 100%, na prática.

Os palestinos foram impedidos de ir à cidade santa, Jerusalém, onde foi delimitada uma pequena área que apenas aqueles que nasceram em Jerusalém poderiam habitar e visitar, com a condição de que perderiam sua identidade palestina – tornando-se israelenses em termos legais, mas sem direitos políticos.

Construções de assentamentos de colonos israelenses, através da expulsão e roubo de casas na região, aprisionamentos e torturas intermináveis fazem com que a pequena região de palestinos tenha cada vez menos palestinos.

Pontos de controle (checkpoints) são instalados por toda a região da Cisjordânia, onde soldados bem armados revistam, humilham e torturam palestinos cotidianamente. Além dos pontos, barreiras de pedra, muros, grades, portões cercas definem a arquitetura de destruição da Palestina, construída por Israel.


Menino palestino e soldado israelense diante do Muro da Cisjordânia. Foto: Justin McIntosh/CC

Paz para quem?

Fica evidente, com tantas experiências de acordos frustrados, que “soluções de paz” somente significariam paz para Israel.

Essa região de latentes conflitos e esse povo que o Ocidente adora chamar de “balconizado”, pronto para brigar entre si, é, na verdade, o tabuleiro de jogo preferido para as potências globais garantirem seu poder de dominação.

Uma região que detém o futuro energético (maiores reservas de hidrocarbonetos inexploradas do mundo), que ainda sofre os efeitos de uma independência tardia da colonização europeia e é culturalmente estranhada pelo resto do mundo globalizado em processo de ocidentalização se apresenta como o terreno perfeito para os detentores do capital moverem as peças do jogo ao seu bel prazer.

Não é à toa que a limpeza étnica promovida pelos Estados Unidos e Israel contra a Palestina segue seu massacre impune como gritos em mudo. Diferente do que nos fazem crer os meios de comunicação de massas, a questão da Palestina nunca foi uma questão étnica e muito menos religiosa.

Esse povo com história milenar, que conviveu harmonicamente com os judeus até o fim do século 19, foi prejudicado por interesses de dominação claros das grandes potências. A questão que está colocada quando analisamos a situação palestina é uma luta entre opressores e oprimidos, colonizadores e colonizados, exploradores e explorados, capitalistas e trabalhadores.

A colonização e o imperialismo são expressões evidentes e radicais do sistema capitalista. A luta de classes apresentada sem mediações, que transfere para a colônia as mazelas do capital, é o que determina a população palestina hoje: 85% abaixo da linha de pobreza e 56% de desemprego.

O bloqueio realizado por Israel contra a Palestina garante que cerca de 80% dos produtos que chegam à Palestina sejam israelenses, criando ali um grande mercado próprio, além das taxações realizadas por Israel dos palestinos que vivem lá, que representam parte significativa da economia palestina, e que não são repassadas à Autoridade Palestina como deveria ser feito.

E a ANP?

Como criação dos Acordos de Oslo, não poderia ser diferente: a Autoridade Nacional Palestina (ANP) nada mais é que uma extensão do poder colonial na correlação de forças internas da Palestina.

É a elite governante da Palestina que não se importa em fazer o jogo do capital e articular pela manutenção do controle da classe dominante. Não é à toa, por exemplo, que a polícia palestina é treinada pelos Estados Unidos e seus salários são pagos diretamente pelos imperialistas.

Foi chocante observar a postura da polícia palestina que durante as manifestações da Cisjordânia fez um muro humano de proteção do Muro do Apartheid contra a resistência palestina. Seu desserviço ficou ainda mais evidente quando foram iniciados aprisionamentos indiscriminados de palestinos pelo exército de Israel de maneira articulada também pela polícia palestina.

Um ou dois Estados?

A discussão em torno da solução do “conflito” vem sendo promovida de forma a polarizar a questão com a solução de “dois Estados para dois povos” ou de “um Estado palestino para os dois povos”.

A solução de dois Estados já vem sendo arquitetada por debaixo dos panos há algum tempo. Não é à toa que a despeito da discordância dos discursos oficiais dos EUA e de Israel já exista há alguns anos – ao passo que os EUA declaram apoio aos dois Estados.

Há quatro anos, a demanda de dois Estados que se concentrava no discurso da esquerda israelense foi aderida também pela extrema-direita de Israel. O que isso significa? Significa que há uma mudança tática, mas que a estratégia permanece a mesma.

Ou seja, em vez de criar um Estado israelense na Palestina, o projeto sionista é o de arrancar o máximo de território e deixar o mínimo possível de palestinos nele. O objetivo colonizador permanece o mesmo, e é o que vem sendo implementado nos últimos 66 anos, a solução de dois Estados nada mais é que a garantia da realização do projeto sionista.

O sionismo está moldando ao seu interesse mais uma dessas soluções de paz que somente lhes serve. As expropriações de terra, a expansão dos assentamentos ilegais de colonos israelenses na Palestina, a divisão da terra – de maneira que posteriormente não importará se os palestinos chamarem de Estado ou não –, os bombardeios genocidas regulares, as condições de vida palestina e os ataques que fizeram dos palestinos a maior população de refugiados do mundo – tudo isso faz com que a realidade presente seja garantida na realidade futura de uma legitimação internacional da ideia de dois Estados formados.

O teatro da solução de dois Estados está sendo armado de tal forma que Israel se apresentará em breve como o democrático e flexível a propor a solução de dois Estados, e os palestinos serão os que “não querem a paz”. Claro, a paz para o grande capital. Isso se ainda persistir uma maioria na Palestina que não aceite a solução sionista.

Mesmo que não tivermos clara uma solução imediata para o conflito, é preciso ter em mente que não se divide uma terra entre colonos e nativos. Eles continuam sendo colonos e nativos.

Para que velhos dicionários sejam rompidos, é preciso primeiramente debater o fim do Estado sionista, racista e terrorista de Israel. A partir daí, é possível construir novas concepções, tendo em mente os limites de reivindicar um Estado, seja ele qual for.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Também, peço voto em Dilma! Vote 13

VOTO EM DILMA





Nunca foi tão necessário derrotar o pensamento conservador, o eterno obscurantismo que tenta fazer a roda da História andar para trás

Minha razão para votar em Dilma tem origem na convicção fundamental de que o dever principal do Estado e dos governantes é defender os humildes e os desprotegidos, os que não tiveram oportunidade.

Também se baseia nas melhores estatísticas, que podem ser lembradas sempre que necessário, e ajudam a entender quem fez o quê, quando, para quem.

Estou falando da distribuição de renda, para lembrar que queremos viver num Brasil de cidadãos iguais, homens e mulheres. Acredito que é preciso manter a prioridade no emprego e no salário, no mercado interno, porque sabemos que só progresso no bem-estar da população de baixo gera melhoras reais para o conjunto da sociedade.

Não tenho religião mas tenho uma fé política: creio que numa democracia todos os poderes emanam do povo. Não imagino um país de cabeça baixa, refúgio de escravos tristes e senhores de sorriso amarelo pelo excesso de esperteza.

Não acredito em contos de fada nem admiro heróis de álbum de figurinha.

Não creio num futuro de privilégios nem de favores. A hierarquia não eleva. A inferioridade incomoda.

Só a luta pela igualdade é ética.

Penso em Dilma quando tentam nos assustar com o medo ridículo de mais uma queda na Bolsa, querendo ligar o destino do país ao enriquecimento de tubarões de um cassino pobre e podre, habituados a embolsar seus lucros e transferir suas desgraças para a maioria da população.

Penso em Dilma quando vejo um candidato aparecer na TV sem conseguir — apesar de muito treinamento — disfarçar sua conversa vazia. Nada consegue dizer porque muito tem a esconder.

Penso nela quando até um ator de Hollywood, envergonhado, sentiu-se no dever de informar que fez papel de bobo e retira o apoio a uma concorrente.

Os analistas de gabinete estão atônitos, os economistas de encomenda e os consultores milionários fogem de clientes inconformados. Faltam poucos dias para o povo ir às urnas e tudo que imaginaram, prometeram, deu errado. Mentiram, apenas mentiram, mentiram de novo.

Apesar do massacre cotidiano, das cortinas de fumaça, das trapaças, das demonstrações de má fé, milhões de brasileiros foram capazes de compreender aonde estão seus interesses, distinguir quem zela por suas necessidades e tem disposição de lutar por elas. Não é de hoje que aprenderam o que é classe social.

Por vários caminhos, com as idéias mais exóticas, incongruentes na origem mas idênticas na finalidade, formou-se uma grande aliança para tentar fazer a roda da história andar para trás. Deu errado.

Dilma só é chamada de agressiva, e suas críticas são chamadas de ataques, porque é assim que acontece com quem desafia o coro das ideias dominantes.

Nunca os mais pobres conseguiram vencer tantos enganos, tantas ilusões.

Nunca tiveram a mesma oportunidade de arrumar o país para ficar um pouco do seu jeito, onde possam fazer valer sua vontade e serem tratados com dignidade.

Nunca foi tão necessário derrotar o preconceito, a ideologia nefasta dos senhores de sempre, o pensamento conservador do eterno obscurantismo — marcas daquilo que muitos anos atrás nosso maior poeta do século XX chamou de mundo caduco.

Em meio a tanta dificuldade, tanta injustiça, tanta mudança a ser feita, vivemos num país onde 94% dos favelados dizem que estão felizes com a vida que levam.

Por isso, voto e peço voto em Dilma.