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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

As lutas dos trabalhadores e os governos Trabalhistas (Vargas, Jango , Lula e Dilma)!


Vargas, Jango e Lula foram presidentes que promoveram reformas que beneficiaram aos trabalhadores e aos mais pobres, procurando diminuir a concentração de renda e promover a justiça social.

Por Marcos Doniseti!
O Luis Nassif escreveu um bom texto, comparando os governos de Getúlio Vargas e o de Lula. 
Somente quero fazer alguns comentários sobre o mesmo. Então, vamos começar.

Getúlio Vargas governou o Brasil em dois momentos distintos. No primeiro, entre 1930-1945, de forma crescentemente autoritária e que resultou na Ditadura do 'Estado Novo' (1937-1945). 

Mesmo assim, este foi um período de modernização da economia e da sociedade brasileira, com a criação da Petrobras, da CLT, da Vale do Rio Doce e da CSN. 

Embora tenha procurado controlar o movimento sindical, Vargas enfrentou uma forte resistência do movimento operário. E isso fez com que o mesmo nunca tenha sido inteiramente dominado pelo Estado. 

E depois que o Estado Novo acabou e o Brasil se redemocratizou, o mesmo Vargas enfrentou lutas sociais muito mais amplas do que aquelas que ocorreram entre 1930-1945. Assim, por exemplo, em 1953 tivemos a chamada 'Greve dos 300 Mil', que paralisou as maiores cidades industriais do estado de São Paulo (a capital, Campinas, Santos, o ABC, etc). 

A principal reivindicação deste movimento era a reposição das perdas salariais acumuladas desde 1945, o que foi parcialmente alcançado. 

Foi como resultado deste maciço movimento grevista que Vargas percebeu que a política da época do 'Estado Novo', de controlar e submeter o movimento operário ao controle do Estado, era inviável nos tempos de Democracia Liberal que o Brasil vivia desde a Redemocratização, em 1945.

Por isso mesmo é que o próprio Vargas convidou João Goulart, presidente nacional do PTB e uma liderança renovadora e reformista do partido, para ser o Ministro do Trabalho. Em sua curta gestão, Jango modificou radicalmente a política trabalhista do governo Vargas, passando a dialogar com o movimento sindical, deixando de intervir nos sindicatos e de perseguir os comunistas que atuavam no mesmo e procurando, muitas vezes, se antecipar às mobilizações operários, dialogando com os seus líderes e representantes. 

E o ápice deste Novo Trabalhismo ocorreu quando Jango sugeriu ao Presidente Vargas que reajustasse o salário mínimo em 100%, o que foi acatado pelo presidente. Entretanto, isso acabou provocando uma fortíssima mobilização das Forças Armadas, da Grande Mídia, do empresariado e das classes médias tradicionais e isso levou à uma saída negociada de Jango do ministério do Trabalho. 

Com isso, Jango percebeu que a sua permanência no governo mais atrapalhava do que ajudava o governo Vargas e preferiu sair do mesmo. 

Porém, ele continuou influindo fortemente na política trabalhista do governo, que seguia as suas novas orientações, de dialogar com o movimento sindical e reconhecer uma maior autonomia na atuação do mesmo. 

Quando se tornou presidente da República, Jango levou adiante o projeto das chamadas Reformas de Base (agrária, urbana, financeira, estudantil, etc), mas tentava implementá-las através do diálogo com todos os segmentos da sociedade, em função das suas convicções democráticas. Ele também criou o Estatuto do Trabalhadores Rural, a primeira lei que reconhecia os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores rurais, e estimulou estes a criar sindicatos para que o Estatuto se transformasse em realidade e não ficasse apenas no papel. 

Jango queria aprovar e implantar as 'Reformas de Base', mas tentava levar isso adiante respeitando integralmente as regras do jogo democrático, sem apelar para soluções autoritárias, que eram tradicionais no Brasil. 

Enquanto isso, Brizola e significativos segmentos dos movimentos sociais do período (sindical, estudantil, camponês, intelectuais, estudantes, etc) faziam parte do grupo que queria promover as reformas na 'lei ou na marra' (como diziam Francisco Julião e as Ligas Camponesas que ele liderava) e defendiam uma ruptura com a Democracia Liberal vigente no período, pois diziam que as reformas eram inviáveis dentro deste sistema.

Grande parte das Esquerdas Nacionalistas radicais da época diziam que o Congresso Nacional era um antro de latifundiários, reacionários, etc, e justamente por isso defendiam o seu fechamento e posterior substituição por uma Assembléia Constituinte da qual as forças mais conservadoras não participariam. 

Jango sempre repudiou esse caminho.

O máximo que Jango aceitava era mobilizar a população (realizando gigantescas manifestações populares por todo o país, da qual a da Central do Brasil no dia 13/03/1964, foi a primeira) para, através disso, pressionar o Congresso Nacional para fazer com que o mesmo aprovasse as Reformas de Base.

Mas a solução, virtualmente revolucionária, de fechar o Congresso Nacional e substituí-lo por uma Assembléia Constituinte sem participação das forças conservadoras, sempre foi rejeitada por Jango. 

Além disso, nem todos os sindicatos da época eram 'pelegos' e, de fato, o 'peleguismo' se enfraqueceu bastante durante o período 1945-1964. 

Aliás, quem ressuscitou com o mesmo foi a Ditadura Militar, que apenas nos dois primeiros anos afastou (com prisões, exílios, torturas, assassinatos, etc) mais de dez mil dirigentes sindicais, justamente os mais combativos e atuantes. 

Na verdade, durante o período 1946-1964 ocorreu um processo de crescente autonomização do sindicalismo frente ao Estado e aos Governos da época, ou seja, o movimento sindical passou a agir com crescente independência em relação aos governos, promovendo greves, manifestações, lutando pela ampliação dos direitos sociais e trabalhistas. 

Exemplo disso: Durante a década de 1950 foi crescendo a luta do movimento sindical pela criação do que se chamava, na época, de 'Abono de Natal' (e que hoje se chama 13o. Salário).

Greves e manifestações começaram a acontecer, de forma cada vez mais intensa, para conquistar tal direito (e é claro que a imprensa empresarial do período era contra, dizendo que isso iria levar à quebradeira das empresas...).

Livro do historiador Jorge Ferreira, que mostra as lutas sociais do período 1946-1964 sob a perspectiva dos próprios trabalhadores. 

Como resultado disso, em 1963 (em pleno governo Jango, portanto) tivemos a chamada 'Greve dos 700 Mil'. Isso mesmo! 700 mil trabalhadores entraram em greve reivindicando a criação do 'Abono de Natal'. E o presidente João Goulart atendeu a reivindicação. 

Assim, foram as lutas dos trabalhadores, de forma cada vez mais intensa e autônoma em relação ao Estado, que propiciou essa conquista. 

E esse processo de crescente autonomização do movimento sindical em relação ao Estado foi tão forte que o governo Jango, um ex-ministro do Trabalho que tinha muitos amigos e aliados no movimento sindical, foi o que mais enfrentou greves neste período de 1945-1964.

Aliás, na história brasileira, os momentos de maior mobilização da classe trabalhadora se deram quando tivemos governos progressistas (segundo governo Vargas, governos JK, Jango, Lula e, agora, Dilma) e não quando tivemos governos de Direita, conservadores (Dutra, Ditadura Militar, Collor, FHC). 

Entendo que um dos motivos disso, embora não venha a ser o único, é que em momentos no qual temos governos com um perfil mais progressista administrando o país, existe um grau muito maior de liberdade de organização para o movimento sindical e para os movimentos sociais em geral. 

Com isso, as lutas sociais se intensificam, pois os trabalhadores podem fazer greves, protestos, sem que sejam tratados com brutalidade e de forma repressiva e violenta pelo Governo, Exército, Polícia, Justila, ou seja, pelo Estado. 

Por isso é que os maiores movimentos grevistas da história brasileira se deram quando tivemos governos com um perfil mais progressista no comando do país. 

Isso ajuda a explicar porque, hoje, temos muito mais greves e mobilizações trabalhistas do que na época da Ditadura Militar, por exemplo.

Os governos de Lula e Dilma contaram e contam, inclusive, com a participação de inúmeros representantes dos movimentos sociais (estudantil, sindical, feminista, LGBT, sem-terra, etc) em inúmeros ministérios e órgãos do governo federal. 

E tanto o governo de Lula, como o de Dilma, acabaram adotando políticas públicas que promoveram uma melhor distribuição de renda e uma melhoria nas condições de vida dos trabalhadores assalariados e dos mais pobres, como a do aumento real anual do salário mínimo (que era uma reivindicação antiga das Centrais Sindicais e que foi atendida pelos dois governos petistas), a criação e ampliação de políticas sociais (Bolsa-Família, Luz Para Todos, o Minha Casa Minha Vida), a geração de 18.600.000 empregos formais (entre 2003-2012) entre outras iniciativas que beneficiaram aos trabalhadores.

O governo Dilma dá continuidade e aprofunda políticas de inclusão social adotadas pelo governo Lula, visando melhorar a distribuição de renda e promover a justiça social.


Logo, há uma linha conectando os governos destes três presidentes da República (e, agora, também o de Dilma), embora o contexto histórico no qual eles governaram o país fosse muito diferente, é claro. 

E esta linha que os conecta é o da a ampliação dos direitos políticos e sociais dos trabalhadores brasileiros, visando resgatá-los da pobreza e da miséria na qual historicamente viveram. 

E isso aconteceu porque estes mesmos trabalhadores se mobilizaram, se organizaram e lutaram pela criação e ampliação destes direitos. E o mérito destes governantes foi o de perceber e de reconhecer a legitimidade destas mobilizações e lutas promovidas pelos trabalhadores brasileiros. 

Caso Vargas (o do segundo governo, eleito democraticamente) Jango, Lula e Dilma fossem governantes conservadores ou reacionários, eles teriam adotado políticas muito distintas, como as que foram adotadas na época da Ditadura Militar, que reprimiu de forma brutal a todas as mobilizações e lutas populares, promovendo prisões, torturas, assassinatos e desaparecimentos de líderes e militantes dos movimentos sociais populares organizados (estudantil, sindical, mulheres, sem-terra, sem-teto, etc). 

Portanto, foi a combinação da crescente capacidade de luta e de mobilização dos trabalhadores brasileiros e a sensibilidade social e política de lideranças que se tornaram Presidentes da República que viabilizou a expansão das lutas e dos direitos políticos e sociais em nosso país. 



Obs: Vários livros (excelentes) já trataram destes assuntos. Sugiro alguns: 

1) 'O Imaginário Trabalhista' - Jorge Ferreira;

2) 'PTB: Do Getulismo ao Reformismo' - Lucília de Almeida Neves;

3) A Invenção do Trabalhismo - Angela de Castro Gomes;

4) O Populismo e sua História - Jorge Ferreira (org.);

5) Os Sentidos do Lulismo - André Singer.

LULA, DILMA, CORRUPÇÃO, MARCO REGULATÓRIO, IMPRENSA, OPOSIÇÃO E 2014

O Partido dos Trabalhadores anuncia que a imprensa corporativa e de mercado está a fazer campanha para taxar o ex-presidente Lula de corrupto. Não é somente isso. A mídia de direita deseja, sobretudo, que Lula se cale, não articule composições políticas e que não apareça, de forma positiva, em suas telas televisivas, bem como nas páginas dos jornais e revistas. A ordem é não mostrar, de forma alguma, seu legado, além de superdimensionar até os fatos corriqueiros, além de criar polêmicas onde não existem polêmicas. E crises onde não há crise.

É o verdadeiro e autêntico jornalismo de esgoto, declaratório, elaborado na fofoca e na maledicência cujo objetivo é desqualificar o único político brasileiro de grandeza internacional e que se prepara para o combate das eleições de 2014. Por seu turno, até que enfim o PT saiu do imobilismo, porque se depender do Governo da presidenta Dilma Rousseff, política filiada ao partido, os integrantes do PT que estão na linha de frente a enfrentar uma oposição não partidária e sem voto vão ser imolados e calados sem o direito de se defender e muito menos se contrapor ao que é dito pela máquina midiática e por seus aliados incrustrados no STF.

É a ditadura da imprensa de negócios privados, que tem lado, cor e ideologia. A imprensa alienígena e de direita controlada, a ferro e a fogo, pelos patrões da oligarquia midiática e por setores poderosos do Judiciário (STF, STJ e PGR), que interferem no processo politico brasileiro, por intermédio da desconstrução da imagem de Lula, da criminalização do PT e da judicialização da política, que acarreta o engessamento da autonomia do Congresso e do seu direito constitucional de legislar.

Agora o PT “descobriu” que a direita sempre vai proceder e agir como direita, ou seja, tal qual ao escorpião, que vai sempre agir e proceder como escorpião. Então, vamos às perguntas que não querem calar: por que o PT até o momento não lançou ainda, em âmbito nacional, uma campanha a favor da efetivação do marco regulatório para as mídias? E por que a presidenta Dilma Rousseff tem tanta parcimônia com os plutocratas de mídias, que há quase um século golpeiam os políticos que não rezam por suas cartilhas, ou seja, aqueles que não seguem seus princípios políticos e seus interesses econômicos? Com a resposta, a própria presidenta, a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann e o ministro das comunicações Paulo Bernardo.

A verdade é que a imprensa de caráter golpista pauta seus aliados, a oposição partidária (PSDB, PPS e DEM) e o Judiciário, e cria as estratégias políticas e criminosas de boicote e de sabotagem contra os governos trabalhistas de Lula e agora o de Dilma. A presidenta sabe disso e sempre soube. Afinal, ela militou na esquerda armada, foi presa e vitimada pela tortura. Ninguém está mais consciente do que a presidenta sobre o fato e a realidade de que os barões da imprensa jamais comporão politicamente com mandatários trabalhistas. Essa gente de direita tem uma imensa compreensão de quem são os trabalhistas e o que representam: o segmento ideológico e político brasileiro que deu fim definitivo à escravidão em 1930, bem como modernizou e industrializou o País, além de distribuir renda e garantir os direitos trabalhistas.

Os barões da imprensa conservadora e os homens e mulheres que alugam suas forças de trabalho e servem como porta-vozes de seus patrões sempre souberam que foram os trabalhistas que modernizaram e criaram ferramentas de controle estatal no que diz respeito à arrecadação do estado e à fiscalização do setor privado, que teima em sonegar impostos e desviar recursos de forma criminosa para o exterior. A direita sempre soube disso e por isso, na verdade, nunca se preocupou muito, apesar de tê-los perseguidos, com os comunistas que se tornaram ex-comunistas e que hoje, desavergonhadamente, são aliados de seus algozes, a exemplo de Roberto Freire, Raul Jungmann, Fernando Gabeira, Ferreira Gullar e muitos outros, como o Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal —, que vendeu o País e não satisfeito foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires na mão, porque quebrou o Brasil três vezes.

Acontece que nada vai adiantar se o Governo de Dilma Rousseff não propiciar as condições para que o povo brasileiro tenha um sistema de comunicação democrático e aberto à sociedade. Enquanto houver meia dúzia de oligarcas a dominar um setor econômico da maior importância para qualquer País, a sociedade vai ficar à mercê dos ditames de empresários que são capazes, como ocorreu no passado, de conspirar contra governantes eleitos pela população e, de forma real, concretizar golpes de estado. Lembremos, sempre, de Getúlio Vargas, de João Goulart e até mesmo Leonel Brizola, que não foi presidente da República, mas pagou um preço altíssimo por jamais ter sido cooptado pelos senhores condestáveis da mídia privada brasileira.

Como se percebe, no Brasil e em muitos países vizinhos da América do Sul presidentes trabalhistas foram, recorrentemente, alvos de uma direita cruel, perversa e capaz de qualquer ato ou ação para derrubar do poder mandatários trabalhistas que colocaram em prática seus programas de governo e a projetos de estado. A direita midiática, política e judiciária, com o apoio de setores da indústria, do campo, do comércio e dos banqueiros, querem a derrota de Dilma Rousseff em 2014, que insiste a não enxergar a montanha que está à frente de seus olhos. Contudo, é preciso ter discernimento e coragem. Não haverá paz para governar e muito menos para efetivar as políticas públicas se a presidenta continuar a tergiversar, a dissimular sobre a séria questão que é a implementação do marco regulatório para o setor midiático.

Para início de conversa, a bancada do PT no Congresso e alguns de seus aliados, como o PCdoB, têm de questionar o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que “esqueceu”, talvez para sempre, o projeto do jornalista Franklin Martins, que dispõe sobre um novo marco regulatório para o segmento midiático brasileiro, tanto na esfera pública quanto no âmbito privado. Afirmo e reafirmo o que já se tornou um mantra: a oligarquia midiática brasileira é historicamente golpista, não tem compromisso com a Nação brasileira, porque é aliada dos interesses de governos estrangeiros, representa os banqueiros, além de ser herdeira da escravidão. Por isso e por causa disso tem um profundo desprezo pelas conquistas sociais e econômicas do povo brasileiro, bem como odeia os políticos trabalhistas que ousaram a ouvir e a atender os anseios e os desejos dos trabalhadores deste País que cooperaram, e muito, para que as “elites” ficassem podres de ricas.

A direita gosta da direita e atura os de fora do seu círculo que foram cooptados, a exemplo de José Serra, aquele que tem sérias dificuldades para terminar um mandato, e, quando a cumpri-lo, recusa-se a melhorar as condições de vida da população. E os barões da imprensa e seus sabujos ainda o chamam de “elite da elite”. Seria cômico se não fosse trágico. Todavia o que está em jogo é a eleição presidencial de 2014, e por isso a campanha sistemática e insidiosa contra o PT e o maior líder político deste País — o ex-presidente Lula.

Lula é um intelectual orgânico, ponderado e sábio, pois conhece profundamente a política brasileira e seus meandros. Tenho a impressão de que quanto mais o jogo político ficar intrincado e radicalizado, mais o Lula gosta, porque, como no futebol, as provocações e as jogadas desleais são o combustível para a reação, ou seja, para o debate e a apresentação de propostas e do que já foi feito por ele e sua equipe, além do que pode ainda ser realizado. Lula elegeu dois técnicos para dois dos cargos mais importantes da República — a Presidência e a Prefeitura de São Paulo.

Ao analisar essas realidades cheguei à conclusão que não adiantou muito aos jornalistas que prestam serviços à oligarquia midiática composta por meia dúzia de famílias. Por isso, torna-se importante a atuação do Judiciário integrado por juízes e promotores conservadores, que fizeram de seus ofícios um auto de fé nada republicano e voltado para combater politicamente os trabalhistas que conquistaram o poder em um tempo de 11 anos e que têm grandes possibilidades de vencer as eleições presidenciais de 2014 e, consequentemente, darem continuidade a programas e projetos sociais e de infraestrutura que deixaram de ser de governo e passaram a ser de estado. E é exatamente essa realidade que incomoda a direita e àqueles que querem e desejam um País VIP, para poucos privilegiados, que de tão autoritários, petulantes e arrogantes pensam que estão “em uma boa” porque, quiçá, consideram-se escolhidos por Deus.

Quando a presidenta Dilma Rousseff compõe extraoficialmente com o baronato midiático procede, a meu ver, de forma arriscada. Quem não se previne fica aberto a contratempos, como ocorre com o boxeador que baixa a guarda ou quando um visitante ou curioso mesmo ao lado do treinador de grandes felinos permite que, por exemplo, um tigre o abrace. Não é de bom alvitre, e considero que a presidenta trabalhista é cônscia dessa realidade. Não se empenhar para que o Brasil tenha um marco regulatório que atenda e seja coerente com a época atual é nada mais e nada menos do que uma grande insensatez, um despropósito inominável, porque sabemos que a mídia de negócios privados é a voz viva e atuante dos interesses dos grandes conglomerados e trustes nacionais e principalmente internacionais. Ponto.

Dilma Rousseff é a responsável maior por esse estado de coisas no que tange à falta de regras, de um marco regulatório que faça com que o setor midiático atue e aja dentro da legalidade, a seguir preceitos éticos e morais sem ser falso moralista, coisa que muitos homens e mulheres de imprensa se comportam e se conduzem, e, contraditoriamente, transformam-se em lubrificadores da máquina midiática moedora de almas e reputações e que não concede o direito de defesa ao agredido e desrespeitado, porque no Brasil não existe legislação adequada e específica que regulamente a imprensa corporativa e de mercado, que neste País atua e age como se estivesse em um mundo paralelo, alheio às leis a totalmente apropriado a seus devaneios e desejos, a seus interesses e á sua pauta.

É assim que a banda toca nesses pagos verdejantes, de céu anil e do gorgeio do sabiá. Existe uma certa “elite” econômica que se pudesse rasgaria a Constituição, a exemplo da posse do deputado José Genoíno, condenado, sem provas, no caso “mensalão” e que vai assumir uma cadeira na Câmara por ser suplente de um deputado que vai assumir a prefeitura de São José de Campos (SP). A imprensa questiona, maldosamente, a posse do petista de passado histórica e que participou da Guerrilha do Araguaia na década de 1970. Contudo, Genoíno ainda pode recorrer e sua punição ainda não foi publicada pelo Judiciário.

Os jornalistas que servem ao sistema sabem disso, bem como eu sei que o “mensalão” não foi juridicamente comprovado. O julgamento foi de ordem política, e a posse do petista histórico na verdade evidencia, sobretudo, que o País vive uma normalidade democrática tão substancial e sólida que mesmo o cidadão que foi punido pela maioria dos juízes de direita do STF (mas que pode ainda recorrer) tem o direito constitucional de assumir sua cadeira e com o apoio de seu partido, que, ao que parece, começou a reagir à malhação promovida pela imprensa direitista com a cumplicidade e a operacionalidade de juízes e procuradores que se aliaram aos tucanos e seus apêndices (DEM e PPS) que foram derrotados em três eleições presidenciais, perderam São Paulo, bem como, apesar do “mensalão”, vão ter de ver o PT governar o maior número de brasileiros, porque os políticos petistas eleitos vão administrar a maioria das maiores cidades do Brasil. Ponto.

Esta é a verdade que não sai nos jornais conservadores. A direita brasileira herdeira da escravidão e do golpe civil-militar violento e de caráter alienígena, articulado e efetivado para atender os interesses geopolíticos e econômicos dos Estados Unidos, bem como impedir a concretização das reformas de base propostas pelo grande presidente trabalhista João Goulart não se importa se o crescimento econômico experimentado no Brasil nos últimos 11 anos a beneficiou.

O preconceito ideológico e a crença em um mundo privado que se autorregulamenta, a liberdade excessiva dos banqueiros para jogar no mercado, a valorização dos rentistas em detrimento dos que produzem, os juros altos, a especulação imobiliária, bem como a diminuição dos estados nacionais com a venda de estatais estratégicas de inúmeros países levam os que militam no campo da direita a nadar contra a maré, porque foi exatamente por isso que os países europeus e os Estados Unidos foram vitimados por um tsunami econômico e financeiro que já dura cinco anos e, conforme os especialistas, não tem data para terminar, ou seja, para os países estabilizarem suas economias.

Contudo, os “especialistas” do Instituto Millenium, entidade de direita financiada pelas famílias Marinho e Civita, insistem com a ladainha que não deu certo como demonstram as economias combalidas da maioria dos países europeus e as sérias dificuldades pelas quais passam os EUA. Ademais, quem tem um mínimo de discernimento e sensatez sabe que os inquilinos do Millenium se recusam a pensar o Brasil, como sempre se recusaram as nossas “elites” em todos os tempos.

Ridiculamente tratam o mercado como “deus” e, inquestionavelmente, “esquecem” de trabalhar em prol do bem-estar de grande parte de população que necessita do apoio e da cooperação do estado. Tal entidade conservadora não passa de um foco de golpistas, autênticos reacionários inconformados com os trabalhistas no poder. De forma alguma esses homens e mulheres que posam de sábios vão perder seu tempo a pensar o Brasil, porque simplesmente, antes de tudo, eles servem aoestablishment e se reportam à sociedade, especificamente à parcela conservadora da classe média ressentida e que acredita que manter o status quo é o caminho para que ela, inadvertidamente, tenha ascensão de classe social e, por conseguinte, livrar-se da massa.

Coitada da classe média de caráter lacerdista e que está sempre disposta a participar de marchas da Família com Deus pela Liberdade atualmente reeditada em movimentos Cansei que não atraem mais do que dois mil gatos pingados enraivecidos e obcecados, pois manipulados pelas informações que recebem de uma imprensa que acredita em um mundo para poucos e que pretende perpetuar a hegemonia de classe social e para isso tem como sua principal aliada e irradiadora de suas ideias a reacionária classe média. Bucha de canhão dos ricos e do sistema midiático privado é o que ela é, e que a usam como porta-voz de seus valores e princípios sectários e que luta, ferozmente e rotineiramente, contra a emancipação do povo brasileiro.

O que a direita não compreende ou finge não entender é exatamente isto. Para o povo, Lula simboliza sua própria emancipação, realidade esta que transforma o fundador do PT e da CUT em um político orgânico, inserido na profundamente na sociedade em todas suas faces, tanto a organizada e a desorganizada composta por milhões de brasileiros, que até então não tinham acesso à segurança alimentar quanto mais a um modesto emprego ou a uma simples conta em um banco.

Por sua vez, Lula sabe quem ele é e a quem representa. E a direita sabe disso e por causa disso tenta desmoralizá-lo e desconstruí-lo, como ocorreu com os trabalhistas de todas as épocas, nas pessoas de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Lula veio do trabalho. Sua origem é o trabalho, e não há nada que incomoda mais os barões da imprensa e a direita em geral do que um trabalhista no poder, como ocorre no momento com Dilma Rousseff na cadeira da Presidência da República.

Lula não é corrupto, com não o foram Brizola, Jango e Getúlio. O tempo é o senhor da razão e a história é escrita de maneira fria e isenta. A história é escrita por historiadores sérios e estudiosos e não pelos escribas do Instituto Millenium a soldo de empresários proprietários da Folha de S. Paulo, da Veja e de o O Globo. Quero deixar claro e a quem possa interessar que corrupta é a velha imprensa empresarial, pois golpista e mentirosa; dissimulada e manipuladora. Todo mundo sabe disso. Até mesmo a classe média reacionária, que acredita um dia ficar rica, como muita gente crê em Papai Noel, na mula-sem-cabeça, no lobisomem ou no boitatá. 

Desconfio que os donos das mídias privadas e seus papagaios de pirata também compreendem que o candidato de Lula para 2018 talvez seja o prefeito recém-eleito de São Paulo, Fernando Haddad. E por que, não? Dilma Rousseff, segundo as pesquisas, tem 78% de aprovação popular. Creio que a mandatária vai ser a candidata do PT, em 2014. Lembro aos navegantes que tal qual à Dilma, Haddad é um político de perfil técnico, nunca antes tinha concorrido a uma eleição, bem como é um político novo em idade, além de ter sido um competente e eficiente gestor à frente do Ministério da Educação. 

O prefeito de São Paulo é o responsável pela inclusão social de negros e pobres nas universidades públicas até então um reduto ou redoma de cristal dos filhos da classe média abastada e dos ricos, que, contraditoriamente, quando crianças e adolescentes foram matriculados por seus pais em escolas particulares que oferecem serviços escolares e educacionais muito melhores do que as escolas públicas, que foram sucateadas pelas “elites” brasileiras no decorrer das décadas, principalmente a partir de 1964, ano do violento golpe empresarial e militar. 

Sob a administração de Haddad, o MEC propiciou o ingresso de centenas de milhares de negros e, portanto, de pobres, porque centenas de milhares de cidadãos de baixa renda são oriundos dos bairros populares, dos subúrbios, enfim, da periferia. Estive, há cerca de três anos, no Morro do Urubu, no bairro do Engenho da Rainha, no Rio de Janeiro. O sol estava inclemente e a temperatura nos relógios de rua marcava 39°.

Subi o morro em uma comitiva. O acesso à comunidade é dificílimo porque a ladeira é de quase 90°. Muito inclinada e longa. Conversei com alguns moradores. Eles me disseram que muitos idosos moram na comunidade, não descem para a cidade há dez e até 20 anos por falta de condições físicas e de saúde. E quando Lula financiou o teleférico do Complexo do Alemão, a direita o criticou açodadamente, debochou e seus apaniguados escreveram textos cretinos e sem noção da realidade nas páginas dos grandes jornais. Hoje os teleféricos são essenciais para a vida da comunidade, dos idosos, dos enfermos, das donas de casa e dos trabalhadores. Por ironia do destino, os bondinhos do Alemão servem como paisagem para a novelaSalve Jorge da TV Globo, que anteriormente também criticou a ocupação das favelas e hoje, na mesma novela, personagens militares andam pelas comunidades. Nada como um dia após o outro.

A direita não realiza nada e nada dá para a população quando está no poder. Nem os impostos ela devolve em forma de investimentos sociais e de infraestrutura. Sempre foi assim. A direita, sim, sempre se beneficiou dos legados dos governantes trabalhistas, que, ao contrário dos comunistas, conquistaram quatro vezes a Presidência da República. A direita sabe do que se trata, e por isso transborda seu ódio pelos olhos, boca e ventas. Lula sabe disso tudo. Quem parece que esqueceu é a presidenta Dilma Rousseff, que, aparentemente, está a compor com quem não deveria para não ser alvo de ataques. Porém, em 2014, Dilma vai enfrentar uma campanha agressiva e baixa por parte de seus adversários, como ocorreu em 2010. A direita é como um felino: ronrona e ronrona... e depois dá o bote. É isso aí.

DAVIS SENA FILHO

O PSDB está escalando a sua milícia de rola-bosta para protestar à posse do Deputado José Genoino.


CASO GENOINO: SE A POSSE É LEGAL, NÃO É IMORAL




O 247 publica resposta ao artigo de Ricardo Noblat, reproduzido no site do PSDB. Segundo o colunista do Globo, a presença do deputado José Genoino, condenado na Ação Penal 470, no Congresso é legal, mas, ao mesmo tempo, imoral. Na nossa visão de mundo, o que traduz o senso moral de uma sociedade é o cumprimento das leis, e não a covardia e a submissão à pretensa ética de pretensos formadores de opinião. Portanto, se a Constituição brasileira confere aos eleitores de José Genoino o direito de serem representados por ele, Genoino não tinha escolha moral, a não ser tomar posse.



247 - Os jornais desta sexta-feira amanhecerão coalhados de indignação. Pretensos formadores de opinião, todos eles com contas bancárias bem mais recheadas do que as do deputado José Genoino (PT-SP), hoje acusado de ser um dos grandes corruptores da nação, reproduzirão a tese publicada nesta quinta-feira por Ricardo Noblat, colunista do jornal O Globo, e reproduzida no site do PSDB. Em resumo, a de que a presença de José Genoino no Congresso Nacional pode até ser legal (o que de fato é), mas seria também imoral segundo a ética da chamada "opinião pública".

Há, no entanto, uma contradição central nesse argumento, propalado por aqueles que, nos últimos meses, foram tão enfáticos na defesa dos posicionamentos do Supremo Tribunal Federal. O que expressa com maior precisão o senso moral de uma nação? A Constituição Brasileira, que garante aos eleitores de José Genoino o direito de serem representados por ele, ou a opinião de algumas famílias midiáticas, que é traduzida para o público (uma vez que os "publishers" raramente escrevem) por seus colunistas? Que moral deve ser seguida: a da lei brasileira ou a dos Marinho, dos Civita et caterva?

José Genoino, ao contrário do que pregam seus detratores, não tinha escolha. Está condenado na Ação Penal 470, mas a decisão não transitou em julgado. O acórdão não foi publicado. Sua condenação por formação de quadrilha se deu por seis votos a quatro e caberão embargos à decisão. A pena de prisão, portanto, poderá ser revista – ainda que isto seja improvável. Se ele não tomasse posse, estaria se acovardando diante de seus eleitores. E a covardia é – quase sempre – uma das piores escolhas morais.

É possível que, em algum momento, José Genoino venha a ser cassado e preso. Mas, até que isso aconteça, ele é um parlamentar com os mesmos direitos de um Paulo Maluf (procurado pela Interpol), de um Tiririca (eleito pelos paulistanos), de um Carlos Leréia (amigão de Cachoeira) e mesmo daqueles que se vangloriam de suas fichas-limpas. Genoino poderá integrar comissões, relatar projetos e até se candidatar a voos mais altos na Casa – não há, afinal, nada que o impeça, neste momento, de exercer seu mandato em toda a sua plenitude. E é apenas isso que, hoje, ele deve ao País.

Abaixo, o artigo de Ricardo Noblat:


* Artigo do jornalista Ricardo Noblat publicado nesta quinta-feira (03) no Blog do Noblat

O PT sente-se em dívida com seu ex-presidente José Genoino – aquele que estava à frente do partido quando Roberto Jefferson deflagrou o escândalo do mensalão.

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Genoino a seis anos e 11 meses de cadeia em regime semiaberto.

Durante parte da pena ele ficará preso em colônia penal agrícola. Ou industrial. Ou em estabelecimento similar.

Há consenso dentro do PT: Genoino foi um inocente. Assinou sem ler ou sem medir as consequências papéis que Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, pediu que assinasse.

Eram papéis relativos a falsos empréstimos bancários arranjados por Delúbio e o publicitário mineiro Marcos Valério – os dois condenados a muitos anos atrás das grades.

Abriu-se uma vaga de deputado federal do PT com a saída do seu titular para assumir o cargo de prefeito. Na condição de primeiro suplente, Genoino ocupará a vaga a partir de hoje.

É a homenagem que o PT lhe prestará. Quer dizer: homenagem por ter sido um bobão – na versão edulcorada do PT.

A condenação dos réus do mensalão ainda não transitou em julgado – o que só deverá ocorrer em meados deste ano.

Nada impede, portanto, que Genoino atravesse os próximos meses na condição de deputado. Nada impede, mas…

Em país onde a política é levada a sério um fato como esse seria considerado impensável.

Onde já se viu um condenado pela Justiça exercer função de representação popular? E o pudor? E o respeito à sacralidade do mandato eletivo? E a deferência ao eleitor?

Por meio do seu advogado, Genoino explicou que assumirá o mandato justamente em deferência aos mais de 90 mil paulistanos que votaram nele.

Quantos votaram em Genoino na eleição de 2002? O mensalão data de 2005.

Por que ele faltou com o respeito aos eleitores daquela época se metendo com o que não devia se meter?

Tem mais: Genoíno tomará posse durante o recesso da Câmara dos Deputados. Assim embolsará salário, verba de representação e outros benefícios referentes a 30 dias de férias.

É legal proceder assim? É. É moralmente defensável? Não, não é.

Até meados do primeiro semestre do ano passado, o PT imaginou que a maioria dos réus do processo do mensalão acabaria inocentada pelo STF.

Pouco antes do julgamento começar em agosto, contava com sua condenação – mas sem cadeia.

Quando a cadeia pareceu certa, facções do PT, quase todas influenciadas pelo ex-ministro José Dirceu, passaram a defender a tese de que o partido estava obrigado a reagir ao que viesse.

Dirceu pregou a ida para as ruas dos chamados movimentos sociais em protesto contra a previsível condenação dos mensaleiros. Uma vez condenado, bradou:

- Precisamos julgar o julgamento.

O Diretório Nacional do PT recusou a proposta de Dirceu. Menos por prudência, mais por realismo político.

Não viu ninguém disposto a ir para as ruas. De resto, concluiu que nada teria a ganhar desafiando o STF.

Rui Falcão, presidente do PT, insistiu ontem, em São Paulo, em dizer que o erro mais grave cometido pelo PT foi ter cedido à práticas de outros partidos apelando para o Caixa 2 como meio de financiar campanhas.

Negou o mensalão, pois.

Mas o que Rui poderia ter dito sem correr o risco de colidir com a maioria do PT? Jamais o partido admitirá que o mensalão existiu.

Mensalão teve a ver com desvio de dinheiro público. Caixa 2, com dinheiro privado escondido da Justiça.

Lula chamou o mensalão de farsa nos últimos sete anos. À luz da decisão do STF, mentiu.

Era só o que faltava o PT dar de barato que Lula, de fato, mentiu.

Fonte: http://www.brasil247.com/

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Exploradores da fé e da ignorância!!




Um tempo novo para São Paulo



"TEREMOS DE LUTAR TODOS OS DIAS CONTRA A MISÉRIA"


Bem humorado e solto, novo prefeito de São Paulo destaca esposa Ana Estela, a vice Nádia Campeão e o fato de ter cinco secretárias municipais mulheres, além das funcionárias públicas. Logo na abertura do discurso, ele lembrou que houve um manifestação na Praça Roosevelt três dias antes do segundo turno no qual "o tema me tocou bastante: existe amor em São Paulo". Haddad lembrou que aquele ato não foi partidário, nem queria angariar votos, mas disse muito "sobre o que a cidade espera de nós"; Lula, aguardado, não apareceu.



SP247 – Fernando Haddad (PT) é o novo prefeito de São Paulo. O petista foi empossado pouco antes das 16h na Câmara Municipal e seguiu para a Prefeitura, onde assinou o livro como prefeito às 16h37. Antes de Haddad, foram empossados os 55 vereadores eleitos em outubro. Logo na chegada à Prefeitura, o petista deve ter percebido a responsabildiade de administrar a maior capital do País. "Haddad, por que você veio de carro?", gritavam cicloativistas, provavelmente inspirados pelo novo prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), que prometeu assumir de bicicleta.

Estavam presente à cerimônia o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o cardeal Dom Odilo Scherer e os presidentes do PT, Rui Falcão, e do PC do B, Renato Rabelo, mas o primeiro a discursar foi Geraldo Alckmin. "Governar São Paulo é um grande desafio, e muito extenuante", disse o governador de São Paulo. "Os interesses de São Paulo não conhecem interesses partidários", completou.

Em seu discurso, o agora ex-prefeito Gilberto Kassab se emocinou ao fazer um balanço de sua gestão. "Eles passarão, eu passarinho, e vou cantar em outra freguesia", disse o presidente nacional do PSD. Não haverá monotonia. O trabalho é muito estimulante", acrescentou, destacando que deixou um programa de moradia que beneficiou meio milhão de pessoas.

"Estaremos próximos, trabalhando pelo Brasil, no governo ou fora dele", disse que assim demonstrou não ter definido a posição de seu PSD em relação ao governo Dilma Rousseff. "Avançamos com Fernando Henrique, avançamos decididamente com Lula e Dilma", comparou, em seguida, Kassab.

Desafios

O Fernando Haddad que assume nesta terça-feira 1 a Prefeitura de São Paulo terá pela frente problemas proporcionais ao tamanho da maior cidade da América Latina para resolver. E um dos primeiros que já bate à sua porta é político. Na ponta contrária do Viaduto do Chá, onde fica o gabinete do prefeito, cerca de 500 integrantes de dois movimentos por moradia – um ligado ao MST e outro à igreja católica – ocuparam nos últimos dias, desde o Natal, pelo menos cinco edifícios vazios, cujos processos de desapropriação ainda não se concluíram. Localizados na ruas Marconi, Xavier de Toledo e imediações, os prédios são reivindicados há anos pelos militantes sem teto.

Com o objetivo de fazer pressão sobre Haddad, para que dê prioridade a uma de suas bandeiras de campanha e promova a ocupação organizada de edifícios centrais praticamente abandonados, os sem teto não demonstraram ter a menor paciência para esperar a posse do novo prefeito – e o fato consumado das primeiras invasões deverá suscitar uma primeira grande tomada de decisão do novo prefeito. Proprietários antigos de imóveis em prédios invadidos no centro de São Paulo se acostumaram a ganhar ações de reintegração de posse, cumpridas pela Justiça sempre com o apoio da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar. O que os sem teto querem saber é se esses procedimentos irão prosseguir na gestão Haddad ou se haverá abertura de negociações, diálogo e, finalmente, um processo organizado de ocupação.

A relação do novo prefeito com seu partido também já é delicada. Dirigentes e militantes dos diretórios de bairros não se viram contemplados nas nomeações para os comandos das subprefeituras. Anunciados por último, depois da nomeação de todo o secretariado, os subprefeitos escolhidos são essencialmente técnicos, com formação em engenharia. Em reuniões partidárias, o recado da administração, dado por integrantes do primeiro time de Haddad como o presidente municipal do PT Antonio Donato, é o de que o partido poderá, a tempo certo, indicar quadros para ocuparem os terceiros e quartos escalões das subprefeituras. Essa promessa, é claro, não agradou as bases do partido. À medida em que houver mais dificuldades para nomeações, novas pressões em encontros partidários irão ser feitas na direção do prefeito.

As chuvas que costumam afundar boa parte de São Paulo nesta época do ano, especialmente, já são vistas como o maior adversário natural do início da gestão. Sem condições de realizar nada de estrutural imediatamente, o novo prefeito se reuniu com os subprefeitos para fazer soar um alerta máximo a favor de ações emergenciais.

Uma radical transformação no sistema de inspeção veicular, que irá terminar com a obrigatoriedade de vistoria para veículos com até cinco anos de fabricação, além da extinção da taxa de R$ 44, é a maior bondade que o prefeito fará, de imediato, para a classe média.

Cerca de 1,5 mil convidados são esperados para a cerimônia de transmissão de cargo na sede da Prefeitura, marcada para 15h30 desta terça 1. A grande incógnita é a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Haddad conta com ele para aplacar suas primeiras dificuldades com o PT, mostrando-se um cabo eleitoral de primeira hora. Ele afirmou que Lula tem todo o direito de ser novamente candidato a presidente da República. Entre o ex e a atual Dilma Rousseff, o novo prefeito já mostrou em que campo está.

Jean Wyllys: "Cura Gay" é Charlatanismo



Kabengele Munanga, estudioso do racismo


“A educação colabora para a perpetuação do racismo”


Nascido no antigo Zaire, atual República Democrática do Congo, em 1942, o professor de Antropologia da Universidade de São Paulo Kabengele Munanga aposentou-se em julho deste ano, após 32 anos dedicados à vida acadêmica. Defensor do sistema de cotas para negros nas universidades, Munanga é frequentemente convidado a debater o tema e a assessorar as instituições que planejam adotar o sistema. Nesta entrevista, o acadêmico aponta os avanços e erros cometidos pelo Brasil na tentativa de se tornar um país mais igualitário e democrático do ponto de vista racial.

CartaCapital: O senhor afirma que é difícil definir quem é negro no Brasil. Por quê?

Kabengele Munanga: Por causa do modelo racista brasileiro, muitos afrodescendentes têm dificuldade em se aceitar como negros. Muitas vezes, você encontra uma pessoa com todo o fenótipo africano, mas que se identifica como morena-escura. Os policiais sabem, no entanto, quem é negro. Os zeladores de prédios também.

CC: Quem não assume a descendência negra introjeta o racismo?

KM: Isso tem a ver com o que chamamos de alienação. Por causa da ideologia racista, da inferiorização do negro, há aqueles que alienaram sua personalidade negra e tentam buscar a salvação no branqueamento. Isso não significa que elas sejam racistas, mas que incorporaram a inferioridade e alienaram a sua natureza humana.

CC: O mito da democracia racial, construído por Gilberto Freyre e vários intelectuais da sua época, ainda está impregnado na sociedade brasileira?

KM: O mito já desmoronou, mas no imaginário coletivo a ideia de que nosso problema seja social, de classe socioeconômica, e não da cor da pele, faz com que ainda subsista. Isso é o que eu chamo de “inércia do mito da democracia racial”. Ele continua a ter força, apesar de não existir mais, porque o Brasil oficial também já admitiu ser um país racista. Para o brasileiro é, porém, uma vergonha aceitar o fato de que também somos racistas.

CC: O senhor observa alguma evolução nesse cenário?

KM: Houve grande melhora. O próprio fato de o Brasil oficial se assumir como país racista, claro, com suas peculiaridades, diferente do modelo racista norte-americano e sul-africano, já é um avanço. Quando cheguei aqui há 37 anos, não era fácil encontrar quem acompanhasse esse tema. Hoje, a questão do racismo é debatida na sociedade.

CC: O sistema de cotas deve ser combinado com a renda familiar?

KM: Sempre defendi as cotas na universidade tomando como ponto de partida os estudantes provenientes da escola pública, mas com uma cota definida para os afrodescendentes e outra para os brancos, ou seja, separadas. Por que proponho que sejam separadas? Porque o abismo entre negros e brancos é muito grande. Entre os brasileiros com diploma universitário, o porcentual de negros varia entre 2% e 3%. As políticas universalistas não são capazes de diminuir esse abismo.

CC: Somente os estudantes vindos da escola pública são incluídos nas cotas?

KM: Sim, com exceção da Universidade de Brasília (UnB). Lá, as cotas não diferenciam os que vêm da escola pública e os da particular. Porém, em todas as universidades o critério é uma porcentagem para os negros, outra para os brancos e outra para os indígenas, todos provenientes da escola pública. Dessa forma, os critérios se cruzam: o étnico e o socioeconômico. Tudo depende da composição demográfica do estado. Em Roraima, por exemplo, sugeri que se destinasse um porcentual maior para a população indígena, proporcional à demografia local.

CC: Quantas universidades adotaram o sistema de cotas no Brasil?

KM: Cerca de 80. É interessante observar que há muita resistência nas regiões Norte e Nordeste. Lá eles ainda acreditam que a questão seja apenas social.

CC: O sistema deve passar por avaliação para definir a sua renovação ou suspensão?

KM: Qualquer projeto social não deve ser por tempo indeterminado. No sistema em vigor, algumas universidades estabeleceram um período experimental de 10 anos, outras de 15. Posteriormente, vão avaliar se seguem adiante.

CC: Em sua opinião, por que a Universidade de São Paulo ainda não aprovou as cotas?

KM: A USP poderia ter sido a primeira universidade a debater o sistema, porque aqui se produziram os primeiros trabalhos intelectuais do Sudeste que revelaram o mito da democracia racial. Como é uma universidade elitista, ficou presa à questão de mérito e excelência. Não é oficial, mas está no discurso dos dirigentes. A outra refere-se à questão do mérito. Eles ainda acreditam que o vestibular tradicional seja um princípio democrático. De certo modo acredito que a Universidade de São Paulo ainda esteja presa ao mito da democracia racial. Entre as universidades paulistas, apenas a Federal de São Paulo adotou as cotas. A Unesp também está de fora.

CC: O racismo é uma ideologia. De que forma podemos desconstruí-la? Qual o papel da escola?

KM: Como todas as ideologias, o racismo se mantém porque as próprias vítimas aceitam. Elas o aceitam por meio da educação. É por isso que em todas as sociedades humanas a educação é monopólio do Estado. Falo da educação em sentido amplo, ou seja, aquela que começa no lar. A socialização começa na família. É assim que, enquanto ideologia, o racismo se mantém e reproduz. A educação colabora para a perpetuação do racismo.

CC: A escola brasileira está preparada combater o racismo?

KM: As leis 10.639 e 11.645 tornam obrigatório o ensino da cultura, da história, do negro e dos povos indígenas na sociedade brasileira. É o que chamamos de educação multicultural. As leis existem, mas há dificuldades para que funcionem. Primeiro é preciso formar os educadores, porque eles receberam uma educação eurocêntrica. A África e os povos indígenas eram deixados de lado. A história do negro no Brasil não terminou com a abolição dos escravos. Não é apenas de sofrimento, mas de contribuição para a sociedade.

CC: Uma estudante angolana foi assassinada recentemente em São Paulo, mas a mídia não deu a devida atenção. Por que isto acontece?

KM: A imprensa é um microcosmo da sociedade e ignora, ou finge ignorar, o racismo. Por isso, quando ocorre um fato desta natureza, não o julga devidamente. Mas a mídia brasileira também não dedica espaço para o continente africano.

Carta Capital