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sexta-feira, 5 de julho de 2013

A Globo e Joaquim Barbosa são um caso indefensável de conflito de interesses

Com seu filho empregado na Globo, JB fica moralmente impedido de julgar coisas relativas à Globo.



Devem imaginar que nós somos idiotas, a Globo e Joaquim Barbosa.

Não há outra explicação.

Como pode a Globo dar emprego ao filho de JB? E como JB pode deixar que isso ocorra?

Neste exato momento, a Globo enfrenta uma questão multimilionária na Receita Federal. Documentos vazados – demorou para que isso ocorresse – por alguém da Receita contaram uma história escabrosa.

Os documentos revelam, usemos a palavra certa, uma trapaça. Com o uso de um paraíso fiscal, a Globo fingiu que estava fazendo uma coisa quando comprava os direitos de transmissão da Copa de 2002.

A Globo admitiu a multa que recebeu da Receita. E em nota alegou ter quitado a dívida.

Mas a fonte da Receita disse que não é verdade. E pelo blog O Cafezinho, que trouxe o escândalo, desafiou a Globo a mostrar o recibo.

Apenas para constar.

O dinheiro que a Globo não recolheu constrói escolas, hospitais, portos, aeroportos etc etc.

Mas, não pago, ele termina na conta dos acionistas.

Foi, além do mais, usado um paraíso fiscal, coisa que está dando prisão na Europa hoje em dia.

Isto tudo posto, vamos supor que uma questão dessas termine no STF.

Qual a isenção de JB para julgar?

É uma empresa amiga: emprega o filho dele.

Dá para julgar?

E a sociedade, como fica?

Gosto de citar um dos maiores jornalistas da história, Joe Pulitzer. Às equipes que chefiei, citava exaustivamente uma frase que é vital para o exercício do bom jornalismo.

“Jornalista não tem amigo”, escreveu Pulitzer.

O que Pulitzer dizia: se você tem amigos, você não vai tratá-los com a neutralidade devida como repórter ou editor.

A Globo está cheia de amigos, e esta é uma das razões pelas quais seu jornalismo é tão viciado – e seus donos tão ricos.

Mas as amizades de JB são ainda mais preocupantes, dado o cargo que ele ocupa.

A Justiça brasileira é um problema dramático. Recentemente, os brasileiros souberam das estreitas relações entre o ministro Fux, também do Supremo, e um dos maiores escritórios de advocacia do Rio.

Sua filha, advogada, é empregada deste escritório. Como Fux pode julgar uma causa deste escritório?

Não pode.

Há um claro conflito de interesses.

O mesmo vale para Joaquim Barbosa.

Quem acredita que ele não enxergou o conflito de interesses no emprego dado a seu filho na Globo acredita em tudo.

É um caso tão indefensável que a Globo, inicialmente, negou a informação, obtida pela jornalista Keila Jimenez, da Folha. Procurada, a Globo, diz a Folha, negou a contratação. Disse que o filho de JB fora “apenas fazer uma visita ao Projac.

Só depois admitiu.

É uma história particularmente revoltante quando se lembra a severidade com que JB comandou o julgamento do Mensalão.

Ele fez pose de Catão com suas catilinárias anticorrupção, e impressionou muitos brasileiros que podem ser catalogados na faixa dos inocentes úteis.

Mas se fosse Catão não permitiria que seu filho trabalhasse na Globo. Não pagaria – como revelou o Diário – com dinheiro público a viagem de uma jornalista do Globo para uma viagem de completa irrelevância para a Costa Rica, apenas para obter cobertura positiva do jornal.

Não usaria, como se soube agora, recursos públicos para ver um jogo do Brasil num camarote de apresentadores – claro – da Globo.

E provavelmente Catão também jamais gastasse o equivalente a 90 000 reais, em dinheiro do contribuinte, para uma reforma.

Joaquim Barbosa não tem autoridade moral para ocupar o cargo que ocupa: infelizmente os fatos são claros.

Ele é um drama, uma calamidade nacional.

Sêneca dizia que era mais fácil começar uma coisa errada do que depois resolvê-la.

A nomeação de JB por Lula – que procurava um juiz negro para o Supremo — foi um erro monumental.

Resolvê-lo agora é uma enorme, uma trágica dificuldade.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata!

Considerações sobre elogios racistas


Por Charô Nunes para as Blogueiras Negras

Elogio racista é toda demonstração de admiração, afetividade ou carinho que se concretiza por meio de ideias ou expressões próprias ao racismo. Com ou sem a intenção de, que fique bem claro. Um dos mais conhecidos é o famoso “negro de alma branca” que nossos antepassados tanto ouviram. Mas não são apenas nossos homens que conhecem muito bem os elogios racistas. Nós mulheres negras também somos agraciadas com esses pequenos monstrinhos, usados inadvertidamente por amigxs, familiares. Muitas vezes até por nossos parceirxs.

Decidi fazer uma lista com 5 elogios racistas (e sexistas, diga-se de passagem) que muitas de nós escutamos quase que diariamente. Alguns são consenso, acredito. Outros nem tanto. Fico aguardando ansiosa para que você, mulher negra, deixe seu comentário dizendo se também acontece com você. Se concorda, se discorda. E sobretudo, o que você faz para deixar bem claro que esse tipo de comentário pode ser tudo, menos benvindo e apreciado.


Adriana Alves é atriz e frequentemente é chamada de morena


01. “Você é uma morena muito bonita”

Esse é o elogio racista que mais escutei em toda minha vida. Minhas primeirass lembranças são do tempo da escolinha. Mesmo mulheres como Adriana Alves ainda são chamadas de morenas, pois se acredita que chamar alguém de negra é uma ofensa racial. Se você precisa se expressar, tente um simples “você é bonita ou atraente”. Ou ainda “você é uma negra linda”, o que, dependendo do contexto pode ser tão ruim quanto.

Mas em hipótese alguma diga que uma negra é morena, moreninha, morena escura. Que não é negra. Isto sim é racismo dos graúdos, pura e simplesmente. Quando acontece comigo, digo que não sou morena e nem moreninha, sou n.e.g.r.a. O bom é que, dependendo de como essa resposta é dada, a pessoa já se toca que ela não deveria ter começado o conversê, que simplesmente não estou disponível para esse tipo de diálogo. Nem com conhecidos, muito menos com estranhos.

Não toque no meu cabelo. Foto Afrobella.


02. “Seu cabelo é muito bonito, posso pegar?”

Há alguns anos atrás, uma senhora ultrapasssou todos os limites de uma convivência pacífica ao se aproximar de mim, cheia de dedos, me tocando sem permissão e dizendo que eu tinha uma “peruca muito bonita”. Não retruquei de caso pensado, antecipando seu constrangimento por jamais ter cogitado que uma mulher negra pudesse ter um cabelo comprido, ao natural. Minha vingancinha, e sou dessas, foi olhar aquela expressão de arrependimento por ter percebido o que fez.

Entendo que simples visão de uma negra com cabelo natural pode ser inebriante. Que persiste a completa desinformação sobre o nosso cabelo. Porém, isso não justifica o toque sem permissão. Não importa se é cabelo natural ou não. A menos que você conheça muito bem a pessoa, não toque em seu cabelo sem consentimento. Eu iria mais longe. Para mim a boa etiqueta simplesmente reza que não se deve nem mesmo pedir para tocar o cabelo de uma pessoa desconhecida

Alek Wek também é uma modelo de traços delicados


03. “Você tem os traços delicados”

Dizer que uma negra tem traços “delicados” muitas vezes tem a ver com a ideia de que será bonita se tiver uma expressão “fina”, leia-se semelhante a de uma pessoa branca. Como se determinado tipo de nariz (ou bochechas) fosse exclusivamente dessa ou daquela etnia. Uma de suas variantes é outra expressão igualmente racista – “você é uma mulher negra bonita” – algo que ao meu ver é a mesma coisa de dizer que “você é bonita para uma negra”.

Afinal, qual a dificuldade de dizer que uma mulher negra simplesmente é… Uma mulher bonita? Porque Alek Wek tem de ser descrita como uma “mulher negra bonita” enquanto as mulheres brancas são apenas “mulheres bonitas”? Mais uma vez, toda a sutileza do elogio racista. Ele reconhece que você é uma pessoa admirável, mas sempre fazendo questão de te colocar “no seu lugar”, como se algumas fronteiras jamais pudessem ser cruzadas.

Cena de Vênus Negra, de Abdellatif Kechiche


04. “Você tem a bunda linda”

Essa é uma opinião que certamente não é unânime. Faço questão de expressá-la como uma provocação que representa o pensamento de uma parcela significativa de mulheres negras. Para muitas de nós, esse comentário expressa a hipersexualização a que somos historicamente submetidas como exemplifica a triste biografia de Saartjie, denominada a Vênus Hotentote, exposta como atração circense em função da admiração que suas nádegas causaram na Europa do século XIX.

Apesar de todo respeito que tenho por tudo aquilo que acontece entre duas pessoas, preciso considerar a tradição racista secular desse tipo de discurso. Trata-se de reduzir a mulher negra a um pedacinho do seu corpo, desconsiderar sua humanidade, transformá-la num pedaço de carne exposto no açougue como aconteceu e acontece diariamente. Meu conselho é perguntar se a mulher a quem você pretende cumprimentar tem a mesma leitura sobre esse tipo de elogio.

Mulata da Leandro de Itaquera

05. “Você é uma mulata tipo exportação!”

Esse elogio resgata o tratamento dispensado à mulher negra no seio da senzala, da casa grande. O pensamento que nos reduz em brinquedos sexuais. Dizer que uma mulher negra é uma “mulata tipo exportação” é esquecer uma tradição escravocrata secular, que transforma a mulher negra em “peça” que alcancará boa cotação no mercado onde a carne mais barata é a nossa. O nome desse mercado é exotificação. Em alguns casos, hiperssexualização.

Infelizmente também estamos falando sobre o modo racista com que as mulatas de escola de samba, mulheres que respeito e admiro, são mostradas e consumidas. Mulheres que levam o samba no pé, no sorriso, na raça. Que, ao invés de serem uma referência de beleza, são vendidas como frutas exóticas na temporada do carnaval. Mulheres que recentemente tem sido preteridas por “personalidades da mídia” em nome de uma pretensa “democracia racial” e muitas vezes com a anuências de algumas agremiações.
Qual é a sua opinião?

Porém, preciso dizer que os elogio racistas podem (e devem) subvertidos. Quando o assunto são as mulatas de quem já falei aqui, isso é bastante evidente. Ser uma mulata exportação também atesta um padrão de excelência e traduz qualidades como perseverança, força. Minha professora de dança adora dizer que a graça de uma bailarina é diretamente proporcional à sua força. Mulatas são a expressão mais concreta desse enunciado.

Por isso fiz questão de usar como título desse post, um trecho do poema de Elisa Lucinda, Mulata Exportação, que resume tudo o que tentei dizer até aqui: “deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata” como muita gente gosta de pensar. E acrescento, “opressão, barbaridade, genocídio, nada disso se cura trepando com uma escura!”. Muito menos tecendo elogios racistas, diga-se de passagem. Quem o diz é a mulata exportação do poema. Sou eu, somos todas nós que já ouvimos essas porcarias.

Confesso que essa lista tem algo de muito pessoal, cujas entrelinhas tem muitas dedicatórias alimentadas por ironia. Nem por isso menos pertinente. Por isso adoraria ouvir a opinião de vocês. Esqueci algum elogio racista que te incomoda? Que te fez espumar de ódio, revirar os zóios e dizer algumas verdades? Você também acredita que esse tipo de comentário, como tudo aquilo que é racista e preconceituoso, diz muito sobre a pessoa que o faz do que sobre a pessoa a quem se destina?

Me conta!

Post scriptum
01. Em nenhum momento esse post quis dizer que é errado manifestar carinho e amor. A questão é sobre consentimento e preconceito.

02. Fica implícita a dupla incidência de racismo e sexismo desses comentários, conforme ditto no corpo do texto.

Movimento corporativista

Médicos das principais cidades do país, fizeram manifestações contra a vinda dos médicos estrangeiros. Cabe lembrar que, essa medida adotada pelo governo, é para o atendimento das áreas periféricas deste país. Agora me responda: Algum desses médicos(as) irá para lugares distantes e pobres?


Fotos do TERRA

Fotos do UOL

terça-feira, 2 de julho de 2013

Referendo é cambalacho contra reforma política

Os principais partidos de oposição não tardaram em manifestar seu ponto de vista sobre a proposta presidencial de plebiscito. A nota assinada por PSDB, PPS e DEM propõe, ao revés, a convocação de um referendo. O parlamento resolve em suas coxias as novas regras político-eleitorais, para depois consultar, nas urnas, a cidadania.

A explicação oficializada pela direita: muito complicado submeter ao voto popular o conjunto de questões que determinam a reforma política. A conclusão desse raciocínio é que seria bem mais prático forjar um acordo entre deputados e senadores, deixando aos eleitores apenas a missão de aceitar – ou não – o pacote já fechado para embrulho.

Os oposicionistas não conseguem esconder seu desgosto com uma iniciativa que pode produzir duplo resultado. O primeiro é a radicalização da democracia, com o desmonte do sistema que garante maioria parlamentar aos grupos conservadores. O segundo: frustrar o plano de ver a presidente e seu partido enfrentando o longo desgaste de uma crise sem fim.

Manter a discussão sobre reforma política no Congresso constitui manobra para amarrar as mãos de Dilma, com o intuito de deixa-la ser fritada pela escalada de protestos e reivindicações. Afinal, não é mais possível, com a atual correlação de forças nas duas casas legislativas, avançar seriamente em medidas distributivistas, ampliação de direitos e fortalecimento do Estado (incluindo os serviços públicos justamente demandados pela cólera popular).

Vozes mais afoitas do reacionarismo, especialmente na imprensa tradicional, rechaçam o plebiscito como “bolivariano” ou “chavista”, apesar de esse instrumento estar previsto na Constituição. Além de revelarem aversão à soberania das urnas, preferindo o cambalacho dos palácios, tornam pública sua intenção de defender o sistema eleitoral que mais lhes interessa.

A preferência confessa no conservadorismo é pelo voto distrital. Se não der para emplacar, melhor deixar tudo como está. A lógica parece simples. O voto em lista aprofunda o confronto de programas, desfaz laços de clientelismo e reduz a individualização da política. Pelos cálculos da direita, esse ambiente seria claramente favorável aos partidos de esquerda, que poderiam até formar uma nova maioria.

O voto uninominal, com financiamento empresarial, tem sido bom antídoto para amenizar cenários de confronto político-ideológico. O caminho fica livre para candidatos a deputado, alavancados por fartos recursos financeiros, estabelecerem identidade de favores e providências paroquiais com seus eleitores.
Essa é uma das razões fundamentais pelas quais, apesar do PT ter elegido três vezes o presidente da República, a esquerda não representar sequer um terço do Congresso. A engenharia política vigente multiplica o peso dos parlamentares ideologicamente nanicos e dissemina a cultura do personalismo fisiológico por todas as agremiações.

O voto distrital tornaria os deputados uma espécie de vereadores servindo na capital da República. Tornaria as campanhas eventualmente mais baratas, pois limitaria a circunscrição eleitoral, mas aprofundaria a despolitização e a fragilidade dos partidos, além de deformar a proporcionalidade. Uma legenda cujos candidatos fizessem 51% em todos os distritos, por exemplo, teoricamente poderia obter 100% das cadeiras legislativas. Como já aconteceu na Inglaterra, para citar caso menos radical, agrupamentos com 15% ou 20% dos votos nacionais poderiam ficar sem representação.

Os partidos conservadores, por isso mesmo, tratam de embaralhar as cartas e pressionar os aliados mais flácidos do governo, ao lançar a proposta de referendo. O risco de mudança no sistema, potencializado por plebiscito que condicione o Congresso, amedronta os que apostam no isolamento da presidente ou investem em mantê-la sob chantagem de bancadas estrategicamente antagônicas a seu programa.

A operação da direita, nessas circunstâncias, visa emparedar a reforma política nos corredores onde se encontra travada há vinte anos. A discussão pública desse tema não é confortável para quem quer, ainda que algo mude, deixar tudo como está.

Breno Altman, jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.

No Limpinho&Cheiroso
Via:http://saraiva13.blogspot.com.br/

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A classe média que Aécio Neves gosta


Segundo Aécio Neves, o "PT não gosta da classe média e por ela parece estar sendo correspondido na rejeição".O PT gosta da classe média, sim, o PT não gosta da classe média estupida, reacionária, conservadora, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. A classe que abomina a política, porque ela é fascista, que abomina a ética, porque ela é violenta, e é uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante", conforme disse a filósofa Marilena Chauí.Vou mais além, o PT não gosta da classe média cheirosa, que frequenta a Daslu, que paga propina para não ser multada no trânsito, que sonega imposto de renda.O PT mão gosta da classe média hipócrita, que critica a corrupção do PT e acha a do PSDB, DEM, PPS, PSOL, PV nornal. Quem gosta desse tipo de classe média é o PSDB. O eleitor do PSDB é a tradução perfeita dessa música de Max Gonzaga.

Percepção é realidade

Dizer que vivemos no paraíso seria alienação, mas dizer que vivemos hoje num país pior do que aquele que nos deixou a turma de Aécio e FHC, é má vontade. Não se supera quinhentos anos de abandono em dez anos de opção preferencial pelos mais pobres

A ascensão social de 40 milhões de pessoas, a redução das desigualdades sociais, a geração de mais de 20 milhões de empregos com carteira assinada, o ingresso de milhões de jovens nas universidades, a ampliação de oportunidades para todos, enfim o surgimento de um novo Brasil é real.

Esse novo país atravessou a crise econômica mundial sofrendo os menores abalos entre as grandes economias globais e permitiu a seres humanos de carne e osso o acesso à faculdade, férias, casa própria, formação no exterior, aquisição de carro, carne na mesa, emprego formal ou mesmo compras em shoppings – benefícios que grande parte dos brasileiros desconhecia até a expansão da chamada “nova classe média”, criada a partir de 2003.

Na área de mobilidade urbana, que levou às ruas manifestantes em centenas de cidades do país, o partido que comanda a frente de governo foi, historicamente, protagonista de medidas inovadoras, como o Bilhete Único, em São Paulo com Marta Suplicy, que resultou na redução de 30% no valor da tarifa. Fernando Haddad, o atual prefeito da maior cidade do país, projeta ampliar o benefício, com validade mensal e novos ganhos para os usuários que ainda serão beneficiados com a decisão da abertura de corredores e duplicação de importantes vias de acesso à periferia.

Lembrada pelo nefasto salário mínimo de 100 dólares, a era FHC passou ruidosamente sem que nenhum trabalhador fosse beneficiado com casa própria. Depois de décadas sem construir nenhuma unidade habitacional, o governo federal criou o programa Minha Casa Minha Vida. Mais de R$ 2,8 bilhões foram aplicados na construção de moradias populares em 2012.

Outros R$ 33 bilhões foram destinados para o PAC da Mobilidade Urbana e Medida Provisória zerou as alíquotas de PIS/PASEP e Cofins incidentes sobre as empresas operadoras de transporte coletivo municipal rodoviário, metroviário e ferroviário de passageiros, possibilitando a redução das tarifas.

Desde 2003, o salário médio real dos trabalhadores cresceu acima dos ganhos de produtividade no Brasil. Entre 2003 e 2010 o aumento acumulado da produtividade foi de 13,2% ante a expansão de 20,8% do salário médio real. Para cada aumento de 1% na produtividade, o salário médio real aumentou 1,6% durante os governos Lula e Dilma, enquanto nos governos imediatamente anteriores, a quase inexistência de aumentos na produtividade resultou no decréscimo da remuneração dos trabalhadores.

No combate à miséria, o Brasil silente também avançou. De acordo com a FAO, apenas vinte países cumpriram o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, reduzindo pela metade a proporção de pessoas que sofrem de fome, de acordo com critério estabelecido pela comunidade internacional na Assembleia Geral da ONU em 2000. O Brasil foi o primeiro a cumprir a meta.

Dizer que vivemos no paraíso seria alienação, mas dizer que vivemos hoje num país pior do que aquele que nos deixou a turma de Aécio e FHC, é má vontade. Não se supera quinhentos anos de abandono em dez anos de opção preferencial pelos mais pobres.

Embora ainda haja muito que fazer em educação e existam distorções em função da distinção entre o que é responsabilidade das prefeituras, dos estados e do governo federal, a expansão do ensino superior mostra o quanto o país vem avançando na área. Os últimos dez ano presenciaram um crescimento de 150% em matrículas. Hoje são 6,7 milhões de alunos. Até 2003, o país contava com 148 campi de universidades federais, em 114 municípios. Em 2010, o número chegou a 274, em 230 municípios. Até 2014, serão criadas mais quatro universidades federais, totalizando 63 instituições com 321 campi em 275 municípios.

Lançado pela presidente Dilma Rousseff, em 2011, para qualificar estudantes brasileiros de áreas-chaves para o desenvolvimento tecnológico do país, como engenharia, física e computação, o Programa Ciência sem Fronteiras enviará, até 2015, 100 mil universitários para cursar parte do ensino superior fora do Brasil. Os estudantes selecionados pela iniciativa federal recebem ajuda financeira para pagar o curso, as despesas da viagem, alimentação e hospedagem

Um dos gritos mais ouvidos nas ruas dá conta do desmonte da saúde pública no Brasil, que deveria receber “o mesmo tratamento que a Copa do Mundo”, mesmo com a insistência do governo da inexistência de recursos públicos diretos investidos nas obras da copa Copa e sim na infraestrutura das cidades que receberão os jogos, para viabilizar o acesso e garantir a rentabilidade do evento para as cidades-sedes.

Se o Brasil fosse gastar com saúde o que gastou com a Copa zeraria seu investimento em saúde, que é de aproximadamente R$ 109 bilhões/ano, a maior parte repassado às prefeituras e governos estaduais. De acordo com dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), 56% do que é investido em saúde no Brasil vem de recursos federais.

Um governo com esse histórico, com esse cabedal, com essas realizações e com o prestígio internacional que angariou graças a um desempenho acima da média, não deveria sofrer com críticas de ineficiência e incompetência, nem deveria assimilar críticas por prática de corrupção, que sempre combateu.

Por que sofre, então? Porque essa informação, de modo claro e insofismável, não chegou à população, não alcançou a juventude, não integrou os setores alcançados pelos benefícios através de pontos de contato formais e participação virtual ou real. Sem identificar o que era produto de políticas públicas e o que era obra das orações nos cultos, uma parte expressiva das massas não reconhece os avanços nem identifica sua origem.

Isso acontece quando a arrogância do “estamos certos” encontra eco numa política de comunicação conservadora e autossuficiente, que retroalimenta o poder da grande mídia e acha que poderá dobrar com dinheiro o que foi edificado em ideologia e preconceito.

A indigente comunicação do governo federal, burocratizada, despolitizada e pasteurizada por uma linguagem desengajada, por uma dissociação de ferramentas e pelo entendimento incorreto da função da comunicação pública, fala javanês em um país onde os nativos falam português.

Em busca de tradutor, o governo não deve perder a oportunidade de aprender com o alarido das ruas aquilo que sua comunicação foi incapaz de entender desde sempre: percepção é realidade. Tudo o mais é ilusão.