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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O 7 de Setembro de máscaras e por um mundo sem catracas

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


Vamos relembrar. As manifestações de junho tiveram como pavio para explodirem nas ruas em reivindicações de toda ordem, violência e depredações do patrimônio público e privado, além do enfrentamento com as polícias, o Movimento Passe Livre (MPL), que defende a adoção da tarifa zero para o transporte coletivo de concessão pública. Seu bordão principal: “Por um mundo sem catracas!”

Como se observa, uma pauta e pleito nitidamente de esquerda e, evidentemente, não reivindicada pelos direitistas mascarados que oportunistamente tomaram as ruas, de forma anárquica ao tempo que fascista. Muitas dessas pessoas não sabiam por que estavam a protestar, pois não tinham pautas e muito menos conhecimento das questões brasileiras.

Os mascarados dos diferentes grupos de Ananymous e Black Blocs se autodenominaram “apartidários” e “apolíticos”, palavras estas muito usadas pelos seguidores de Adolf Hitler e Benito Mussolini — e deu no que deu. Alemães e italianos saíram às ruas para apoiá-los e depois viram suas cidades serem bombardeadas e ocupadas por forças estrangeiras. Aqui no Brasil, diversos grupos e partidos de direita, além dos coxinhas reacionários de classe média, realizaram a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade. E deu no que deu: 21 anos de ditadura militar.

A verdade é que o MPL foi fundado no Fórum Social Mundial em 2005, em Porto Alegre. O fórum, como todo mundo sabe, reúne ativistas, militantes, partidos e entidades do campo da esquerda, que discutem e debatem soluções para que o Brasil e as outras nações se transformem em sociedades mais justas e democráticas, a ter sempre como meta a melhoria da qualidade de vida das pessoas. 

Os protestos contra o preço alto e o aumento das tarifas começaram em 2013, na capital gaúcha. Logo depois o movimento se espalhou pelas principais capitais do País, sendo que em São Paulo o MPL foi reprimido pela PM paulista controlada pelos políticos do PSDB há 20 anos. A corporação é reconhecida mundialmente como uma força pública repressora e que trabalha como se fosse segurança da elite econômica do estado bandeirante, uma das mais conservadoras e perversas do mundo.

Hoje é véspera do dia 7, mas há cerca de dois meses os Ananymous e os Black Blocs anunciam, por intermédio da internet, “o maior protesto da história do Brasil”, como se este País estivesse a começar agora a sua história, bem como não tivesse ocorrido, no decorrer desses cinco séculos, guerrilhas, movimentos, protestos e manifestações, a exemplo das Diretas Já, do Comício da Central e de outras centenas de marchas e quebra-paus, que sacudiram a sociedade brasileira. É muita presunção.

Os Ananymous e os Black Blocs aproveitaram uma pauta de esquerda e foram às ruas e passaram a quebrar o que viam pela frente. Comportam-se como centuriões romanos da classe média coxinha e dos setores mais conservadores da sociedade brasileira, que, inconformados com a ascensão social e financeira de milhões de pessoas das classes desprivilegiadas, acreditam, equivocadamente, que tais mudanças vão prejudicá-las em seus interesses de classes e categorias tradicionais, que sempre tiveram acesso às sobras do establishment.

É ridícula a visão desprovida de senso crítico das classes médias tradicionais e de grupos mascarados que não percebem que o Brasil mudou e para melhor em todos os sentidos, segmentos, áreas da economia e da sociedade civil. Quando mascarados vão às ruas, de forma não representativa e ilegal, pois esconder o rosto é a mesma coisa que não assumir as conseqüências e desrespeitar os limites e as leis de um País plural, que se alicerça no estado democrático de direito.

Mascarados que não representam a si mesmos e não são representados por ninguém, conforme suas opiniões e decisões, mas que meteram medo nos coxinhas que rapidinho abandonaram as ruas e foram tratar de suas vidinhas burguesas, confortáveis, fazer festinhas, happy hour, viagens, poupançasn e realizar estudos, trabalho e afazeres domésticos. Enquanto isso, os mascarados, três meses após junho, continuam a fazer manifestações “apartidárias”, “apolíticas” e “pacíficas”, como gosta de afirmar a imprensa de negócios privados e que hoje morre de medo de ser alvo de violência e de contestações.


A imprensa burguesa que detesta ser questionada, contestada e principalmente receber retaliações dos Black Blocs, que expulsaram os repórteres da CBN e da Globo das ruas, jogaram literalmente merda na sede da Globo em São Paulo, e, juntamente com os partidos de esquerda, sindicatos e associações de trabalhadores, além de setores da academia, reivindicam a efetivação de um marco regulatório das mídias, bem como a quebra do monopólio e dos oligopólios controlados por meia dúzia de famílias bilionárias e que são useiras e vezeiras em promover golpes de estado, conflitos, discórdias e todo tipo de “disse me disse”, que inferniza a vida republicana brasileira.

Os Ananymous são grupos de direita e de extrema direita liderados por militares e policiais aposentados, executivos, comerciantes, empresários, estudantes direitistas, além da Juventude do PSDB, do DEM e do PPS. São pessoas também ligadas à área rural, que historicamente remonta o que temos de mais conservador neste País, a exemplo da UDR, sem me esquecer de citar o Instituto Millenium, que é uma concentração de neocons, sendo que muitos deles chegam às raias do fascismo.

Os Black Blocs se consideram anarquistas; mas, apesar de terem jogado merda na Globo, quebrarem bancos e sedes de instituições públicas e lojas de automóveis caríssimos, que simbolicamente representam poder econômico e status, muito de seus comportamentos tem conotação e coloração fascista, à direita do que pregam, com ações violentas e protegidas pelos rostos cobertos por máscaras negras.

Mascarados são um acinte à democracia, porque as máscaras permitem encobrir crimes, o que facilita, inclusive, a tentativa de golpes por parte daqueles que, em nome de um Brasil melhor, querem, na verdade, destituir quem está no poder eleito legitimamente, bem como, se possível, desmoralizar a autoridade e desconstruir as instituições republicanas e principalmente o que foi conquistado pelo povo brasileiro nos últimos 11 anos.

Para se ter uma ideia da incongruência e desfaçatez desses movimentos “apartidários” e “apolíticos”, bem como “pacíficos” para a imprensa cínica e alienígena, em nenhum momento vi os inúmeros grupos Ananymous pedirem pela reforma agrágria, defenderem os médicos cubanos e programas sociais da importância do Bolsa Família. Também não reivindicaram a quebra do monopólio nas comunicações ou exigiram para que o mensalão tucano e os escândalos de mais de R$ 600 milhões do PSDB denunciados pela Siemens e a sonegação de mais R$ 600 milhões da Rede Globo fossem duramente investigados e os seus autores punidos.

Nem pensar. Os Ananymous, os Black Blocs, em menor intensidade, e os coxinhas mequetrefes alienados e reacionários se preocuparam com a seguinte pauta: 1) Não à PEC 37; 2) Saída imediata de Renan Calheiros da Presidência do Congresso Nacional; 3) Investigação dos investimentos da Copa do Mundo; 4) Corrupção como crime hediondo; e 5) O fim do fórum privilegiado.

Como se observa, as lideranças dos mascarados reivindicam questões constitucionais e jurídicas, que não passam pelo crivo do Poder Executivo, pois são temas ligados ao Legislativo e ao Judiciário. Não tem nada haver com saúde, educação e segurança, porque o movimento de extrema direita é político e visa enfraquecer o governo trabalhista da presidenta Dilma Rousseff, bem como colocar a faca no pescoço do Congresso e do Judiciário. As reivindicações são políticas e constitucionais e essa gente do Anaymous distorce os fatos e deturpa a realidade. Afinal quem usa máscara só pode tergiversar e mentir.

Amanhã vai ser o Dia 7 de Setembro, data da Independência do Brasil. Os mascarados dos Black Blocs e dos Ananymous vão às ruas. Os primeiros se consideram anarquistas e sem lideranças e partidos. Os segundos pregam também a mesma coisa. Os Ananymous são fascistas quando não nazistas e pensam em golpe de estado. Os Black Blocs se promovem, pois querem aparecer como força política, apesar de serem “apartidários”. Eles querem fazer parte do panorama político e social brasileiro de máscaras!

Os Black Blocs se vestem de preto e se dizem anarquistas, mas na verdade são anarco-fascistas, pois são autoritários e querem ganhar a vez no grito e na violência pura e simples. Os anarquistas respeitam o indivíduo, o outro e prezam pela vida; e, sem sombra de dúvida, esses caras não respeitam ninguém. Viva o Brasil! É isso aí.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Clube Militar e a "traição" da Globo

O texto do Clube Militar repõe algumas verdades históricas sobre a participação da famiglia Marinho no golpe e também na ditadura, mas revela todo o rancor dos golpistas


Altamiro Borges

O artigo de O Globo que admitiu, finalmente, que foi "um erro" o apoio do jornal ao golpe de 1964 continua causando curiosas reações. Nesta terça-feira (3), o Clube Militar, que reúne os "milicos de pijama" saudosos da ditadura, divulgou em seu site uma dura nota contra "a covardia do último grande jornal carioca". O texto, assinado pelo general de divisão Clóvis Purper Bandeira, assessor da presidência da entidade, repõe algumas verdades históricas sobre a participação da famiglia Marinho no golpe e também na ditadura, mas revela todo o rancor dos golpistas. Vale conferir:

*****

Equívoco, uma ova



Numa mudança de posição drástica, o jornal O Globo acaba de denunciar seu apoio histórico à Revolução de 1964. Alega, como justificativa para renegar sua posição de décadas, que se tratou de um “equívoco redacional”.

Dos grandes jornais existentes à época, o único sobrevivente carioca como mídia diária impressa é O Globo. Depositário de artigos que relatam a história da cidade, do país e do mundo por mais de oitenta anos, acaba de lançar um portal na Internet com todas as edições digitalizadas, o que facilita sobremaneira a pesquisa de sua visão da história.

Pouca gente tinha paciência e tempo para buscar nas coleções das bibliotecas, muitas vezes incompletas, os artigos do passado. Agora, porém, com a facilidade de poder pesquisar em casa ou no trabalho, por meio do portal eletrônico, muitos puderam ler o que foi publicado na década de 60 pelo jornalão, e por certo ficaram surpresos pelo apoio irrestrito e entusiasta que o mesmo prestou à derrubada do governo Goulart e aos governos dos militares. Nisso, aliás, era acompanhado pela grande maioria da população e dos órgãos de imprensa.

Pressionado pelo poder político e econômico do governo, sob a constante ameaça do “controle social da mídia” – no jargão politicamente correto que encobre as diversas tentativas petistas de censurar a imprensa – o periódico sucumbiu e renega, hoje, o que defendeu ardorosamente ontem.

Alega, assim, que sua posição naqueles dias difíceis foi resultado de um equívoco da redação, talvez desorientada pela rapidez dos acontecimentos e pela variedade de versões que corriam sobre a situação do país.

Dupla mentira: em primeiro lugar, o apoio ao Movimento de 64 ocorreu antes, durante e por muito tempo depois da deposição de Jango; em segundo lugar, não se trata de posição equivocada “da redação”, mas de posicionamento político firmemente defendido por seu proprietário, diretor e redator chefe, Roberto Marinho, como comprovam as edições da época; em segundo lugar, não foi, também, como fica insinuado, uma posição passageira revista depois de curto período de engano, pois dez anos depois da revolução, na edição de 31 de março de 1974, em editorial de primeira página, o jornal publica derramados elogios ao Movimento; e em 7 de abril de 1984, vinte anos passados, Roberto Marinho publicou editorial assinado, na primeira página, intitulado “Julgamento da Revolução”, cuja leitura não deixa dúvida sobre a adesão e firme participação do jornal nos acontecimentos de 1964 e nas décadas seguintes.

Declarar agora que se tratou de um “equívoco da redação” é mentira deslavada.

Equívoco, uma ova! Trata-se de revisionismo, adesismo e covardia do último grande jornal carioca.

Nossos pêsames aos leitores.

Espionagem dos EUA: ou o Brasil fica de pé...Ou se agacha




Bob Fernandes


É do século XVII a definição de diplomacia de um certo Henry Wotton. Disse ele:" o diplomata é um homem correto enviado ao estrangeiro para mentir por sua pátria". Líderes dos Estados Unidos têm mentido para o Brasil.

Há meses, vazadas por Snowden, detalhes de como os EUA espionam o mundo e o Brasil. Há três semanas John Kerry, Secretário de Estado norte-americano, esteve em Brasília. E nem mentiu. Mas omitiu.

Kerry, em resumo, disse que para "se defender e ao mundo" seu país se vê no direto de espionar. A 19 de julho o vice-presidente Joe Biden ligou para a presidente Dilma. Lamentou a repercussão e disse que não era bem aquilo.

Como são muitos os interesses bilaterais a diplomacia entrou em campo. Os norte-americanos fingiram que se desculpavam e o Brasil fingiu que acreditava. Tudo se arrumava para a visita de Dilma a Obama em outubro.

O que agora é noticia não é novo nem deveria surpreender. Mas reabre a ferida. Via Snowden se conta que uma agência dos Estados Unidos espionou Dilma e assessores.

Há dois meses detalhamos aqui como agências americanas espionam o Brasil; CIA, FBI, DEA, NSA. Como até 2002, ao menos, a CIA operava em uma instalação da Polícia Federal. Instalação doada pela CIA ao Brasil nos anos 80.

Até 2002 a CIA tinha aqui 15 bases de operação. Para espionagem política e industrial. Em ação conjunta, grampeou o ex-presidente Fernando Henrique. Assim como grampeou o Palácio da Alvorada e o Itamaraty.

Entre 1999 e 2004 essa história foi contada. Em 8 reportagens e 72 páginas. Com nomes dos chefes das agências de espionagem. Com contracheques do dinheiro depositado para delegados da PF.

Antes a espionagem era artesanal, no Varejo. Em plena era digital, se aprofundou no Atacadão das infovias. Além do óbvio interesse de Estado, existe outro, mais prosaico, próprio dos humanos: a sobrevivência. O salário.

A cada ano, cada uma das dezenas de agências dos Estados Unidos disputa verbas no Congresso. Para manter seus empregos, precisa ter, ou inventar, inimigos.

Só as 12 agências do Programa Nacional de Inteligência consomem US$ 52,6 bilhões de um orçamento estimado em US$ 90 bilhões. A CIA briga por seu orçamento de US$ 22 bilhões. A NSA por seus US$ 16 bilhões...

Idem o FBI, a DEA.... Agências e espiões lutam também por seus empregos e salários. Para tanto, como soube o mundo nos últimos meses, espionam até a mãe e o pai.

A presidente Dilma e Obama se encontrarão na Rússia, no G.20. Depois Dilma discursará na ONU. A visita a Obama e Washington está marcada para 23 de outubro.

Até lá os Estados Unidos terão que se desculpar. Ou, ao menos, diplomaticamente fazer de conta. Se isso não ocorrer, restarão duas alternativas ao Brasil: manter-se de pé, ou se agachar.

Via:http://saraiva13.blogspot.com.br/

domingo, 1 de setembro de 2013

APOIO DA GLOBO EM 64 FOI COMÉRCIO, NÃO IDEOLOGIA


Em 1964, quando João Goulart foi deposto pelos militares, a Globo noticiou o golpe que lançou o Brasil nas trevas como a restauração da democracia; quase 50 anos depois, os Marinho pedem desculpas, como se aquele tivesse sido um erro meramente editorial; na verdade, foi uma aposta comercial, que permitiu à Globo se transformar num dos maioresgrupos de mídia do mundo, contando com favores oficiais


247 - O fato político mais importante deste fim de semana, sem dúvida, foi o histórico mea culpa das Organizações Globo, em relação ao regime militar de 1964. Em editorial do jornal O Globo, publicado no sábado, a família Marinho reconheceu como erro seu apoio à ditadura que mergulhou o Brasil nas trevas, um dia depois de a emissora ter sido alvo de um inusitado protesto, quando integrantes do grupo Black Blocs jogaram esterco na sede da emissora em São Paulo (saiba mais aqui sobre o pedido de desculpas).

No texto do Globo, no entanto, a empresa da família Marinho aponta o apoio ao golpe – noticiado pelo Globo, em 1964, como a restauração da democracia – como um "erro editorial". Uma questão de ideologia, talvez.

Na verdade, essa é uma desculpa canhestra. A adesão de Roberto Marinho aos militares foi, antes de tudo, uma opção comercial, que permitiu à Globo se transformar num dos mais poderosos grupos de de mídia do mundo – hoje, seus três filhos (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto) têm fortunas estimadas em US$ 7 bilhões para cada um deles.

Chegar até lá envolveu competência, qualificação técnica, mas também uma série de privilégios, como no polêmico acordo da Globo com a Time-Life, que deu ao empresário Roberto Marinho condições de lançar sua televisão, que tomou o lugar da Tupi e ajudou a afundar o império de Assis Chateaubriand.

Abaixo, um resumo do que foi o acordo Globo-Time-Life, segundo o Museu da Corrupção:

A inauguração da TV Globo ocorreu em 26 de abril de 1965. Dois meses depois, Carlos Lacerda denunciou como ilegais as relações da emissora com o grupo norte-americano Time-Life.Três anos antes, um acordo polêmico assinado entre Time-Life e as Organizações Globo, permitiu à empresa brasileiro acesso a um capital em torno de 6 milhões de dólares, o que lhe garantiu recursos para comprar equipamentos e montar sua infra-estrutura. Em troca, o Time-Life teria participação em 30% de todos os lucros aferidos pelo funcionamento da TV Globo. O acordo foi considerado ilegal, pois a Constituição Brasileira naquela época proibia que qualquer pessoa ou empresa estrangeira possuísse participação em uma empresa brasileira de comunicação.

A questão foi levada ao conhecimento do Contel (Conselho Nacional de Telecomunicações), que em junho de 1965 abriu um processo para investigar o caso. Paralelamente, em outubro do mesmo ano, o deputado Eurico de Oliveira apresentou um requerimento à Câmara pedindo a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

No dia 20 de abril de 1966, o presidente da empresa, Roberto Marinho (na foto acima com a esposa, Lili de Carvalho, durante a posse na ABL) depôs e explicou aos congressistas que dois contratos haviam sido firmados com o Time-Life, um contrato de assistência técnica e uma conta de participação. Como uma tentativa de legalizar o acordo, mencionava-se claramente nos termos deste acordo que a Time-Life ou Time Inc. não tinha o direito de participar ou de interferir na administração da Globo.

Na prática, Time-Life possuía grande influência dentro da Globo: Joseph Wallach, o ex-diretor da Time-Life na Califórnia, se tornou de fato um diretor executivo dentro da Globo.

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito terminaram em setembro de 1966, com um parecer desfavorável à Globo. Os parlamentares consideraram que os contratos firmados com o Time-Life feriam a Constituição, alegando que a empresa norte-americana estaria participando da orientação intelectual e administrativa da emissora.

Em fevereiro de 1967, o governo federal mudou a legislação sobre concessões de telecomunicações, criando efetivas restrições aos empréstimos de origem externa e à contratação de assistência técnica do exterior. Contudo, tratava-se de um dispositivo legal sem efeito retroativo, e os contratos do Time-Life com a TV Globo eram de 1962 e 1965.

Em outubro de 1967, o consultor-geral da República Adroaldo Mesquita da Costa emitiu um parecer sobre o caso Globo/Time-Life. Ele considerou que não havia uma sociedade entre as duas empresas e assim a situação da TV Globo ficou oficialmente legalizada.

JOGARAM M... E O GLOBO PEDE DESCULPAS

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


As Organizações(?) Globo sempre tentaram passar uma ideia que é querida pelo povo brasileiro. Ledo engano. As pessoas sabem do que se tratam tais organizações e do que os seus proprietários, os irmãos Marinho, são capazes para terem seus interesses concretizados, bem como são conhecidos como porta-vozes não somente dos conservadores tupiniquins, mas também da direita internacional, que luta desde o início da humanidade para limitar e estancar o desenvolvimento social e econômico da humanidade.


Com a conquista da Presidência da República há 11 anos por parte dos trabalhistas, além da ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT), partido reformista e não revolucionário, os meios de comunicação privados e de concessão pública dos Marinho deixaram de lado o pudor e passaram a fazer oposição política e intermitente contra os governos dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Algo que somente se viu no Brasil nos governos, coincidentemente trabalhistas, de Getúlio Vargas e João Goulart, presidentes igualmente trabalhistas e que foram ilegalmente derrubados do poder por criminosos que rasgaram a Constituição, a fim de atender os seus anseios financeiros, ideológicos e de submissão rastaquera aos Estados Unidos, país useiro e vezeiro em promover e financiar golpes de estado, bem como invasor contumaz de territórios de incontáveis nações através dos séculos.

O problema de organizações, a exemplo da Globo e de O Globo, é que os seus proprietários por serem poderosos e influentes pensam que governam o Brasil, sem, contudo, terem sido eleitos. Considero arrogância e prepotência tais disparates e insensatez, que chegam às raias da insanidade de homens que administram um poderoso grupo econômico quererem pautar um País que recentemente superou os 200 milhões de habitantes e atualmente é a sexta maior economia do mundo.

O Brasil não é o quintal da casa dos irmãos Marinho e muito menos de seus empregados tão dedicados em agradá-los, que chegam ao ponto de superar os seus afazeres e a fazer mais do que as suas realidades de empregados lhes permitem. A cumplicidade, o apoio desavergonhado e a aliança com a direita partidária brasileira herdeira direta da escravidão é uma mácula que as Organizações(?) Globo não vão conseguir retirar de suas peles, porque o apoio aos militares golpistas está marcado como tatuagem de um regime crudelíssimo que torturou e matou os seus adversários políticos, que foram tratados como inimigos, mesmo a ter sob controle os órgãos de repressão do estado nacional, além das Forças Armadas.

Quem tem o controle do estado não usa o estado para massacrar os seus adversários, mesmo se eles pegarem em armas, porque somente pega em armas é quem se sente reprimido, oprimido e perseguido. As ditaduras não dialogam. Por isto que censuram, demitem, perseguem, exilam, prendem, torturam e matam.

E a Globo e O Globo e a imprensa de mercado em geral compactuaram, serviram, apoiaram e participaram da ditadura militar, bem como se locupletaram das benesses do estado brasileiro, a quem esses empresários magnatas e bilionários combatem, desejam e apostam na efetivação de um estado mínimo, que não controle e fiscalize as megas corporações como a Globo, que está a ser acusada de sonegar mais de R$ 600 milhões em apenas um escândalo relativo aos direitos da Copa do Mundo de 2002.

Agora, vamos à pergunta que não quer calar: o que as Organizações(?) Globo e o restante da imprensa burguesa já não fez no sentido de sonegar em uma existência empresarial que remonta há décadas? Não sei responder e acho que nem a Receita ou o Banco Central sabem. Mas sei que os irmãos Marinho não vão enganar o povo brasileiro para sempre, por intermédio de bravatas e leviandades de seus áulicos da moralidade e dos bons costumes também chamados de jornalistas.

O jornal O Globo fez hoje uma mea culpa sobre as suas falhas, em forma de editorial. Contudo, talvez para amenizar os seus golpes baixos e não ficar sozinho na condição de golpista, no decorrer de sua história, afirmou que outros órgãos da imprensa comercial e privada também, tal qual ao jornal impresso dos Marinho participaram do golpe militar, bem como o apoiaram efetivamente.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, emprestava os seus carros com logotipo aos policiais e militares de órgãos de repressão como o DOI-Codi e o Dops do policial civil reconhecidamente torturador e assassino da dimensão do delegado Sérgio Paranhos Fleury, morto depois como queima de arquivo da ditadura militar. A verdade é que esses magnatas do setor midiático lutam, diuturnamente, contra a emancipação do povo brasileiro e a independência do Brasil.

Eles são párias no que diz respeito à nacionalidade e se comportam como alienígenas no que é referente a se alinhar com os interesses do Brasil, porque, invariavelmente, são os porta-vozes dos grandes capitalistas e por isto e por causa disto essas realidades se contrapõem à luta dos que querem o desenvolvimento do Brasil, que ainda tem muita pobreza, que vitima o seu povo, alvo de todo tipo de violência e discriminação.

Todavia, O Globo fez a sua mea culpa e, consequentemente, tenta amenizar a sua condição de um dos verdugos protagonistas da ditadura militar de 21 anos que ceifou vidas e, de forma infamante, torturou corpos, deixou rotas milhares de almas e causou dor sem fim a incontáveis famílias brasileiras. O estado a matar os seus próprios cidadãos em nome de um regime draconiano, que foi edificado para garantir a uma elite empresarial e política de direita a concentração das riquezas deste País, bem como evitar que elas fossem distribuídas, além da dar fim a programas e projetos econômicos, estruturais e sociais efetivados pelos socialistas e trabalhistas em um período de 34 anos (1930/1964).

Agora, a família Marinho, aquela que sempre boicotou e sabotou o desenvolvimento e a emancipação do povo brasileiro, juntamente com a família Mesquita, do jornal O Estado de S. Paulo, e a família Frias, de a Folha de S. Paulo, faz um mea culpa, como lobo em pele de cordeiro. Com a nova ascensão ao poder dos trabalhistas, a partir de 2003, os magnatas bilionários das comunicações resolveram fazer uma oposição acirrada e inquestionavelmente voltada para desqualificar os projetos de País e os programas de governo de Dilma e Lula, bem como desconstruir as suas imagens perante o povo brasileiro que, majoritariamente, votou e elegeu os dois presidentes socialistas e trabalhistas e, portanto, de esquerda.

A partir do fortalecimento e da disseminação da blogosfera de esquerda na internet, ou seja, dos sites e dos blogs progressistas também chamados de “sujos”, os meios de comunicação hegemônicos e corporativos passaram a ser combatidos e o jornalismo produzido por essas poderosas companhias passou a ser frontalmente questionado por jornalistas experientes que conhecem o ofício, o sistema de controle e de manipulação da informação, bem como os bastidores da grande imprensa empresarial.

A partir desse processo, milhares de blogs e sites “sujos” se tornaram também fonte de informação e referência para milhões de pessoas que desejavam e ainda querem se informar além do sistema de monopólio de informação das grandes corporações midiáticas. E por quê? Porque o trabalho da blogosfera mostrou, inquestionavelmente, que a imprensa de negócios privados tem cor, tem lado, tem partido e ideologia. E por isto e por causa disto faz política, oposição e se alia a partidos conservadores como o PSDB dos tucanos e o DEM, legítimo herdeiro da escravidão ao tempo que o pior partido do mundo, que já foi Arena, PDS e PFL.

Porém, não acaba por aqui. Os executivos, os jornalistas e os “ideólogos” das Organizações(?) Globo, que estão aboletados no Instituto Millenium, continuam os seus périplos históricos e continuam a maldizer e a propagar intrigas por meio de notícias irrefragavelmente distorcidas e manipuladas. Eles são os escribas das más notícias e das falas polêmicas, pois o objetivo é sabotar o programa de Governo e, por conseguinte, inviabilizar o processo de desenvolvimento do Brasil e com isso submetê-lo aos interesses do grande capital.

O Globo hoje se arrepende de sua participação golpista, mas apoia efetivamente o conservadoríssimo Instituto Millenium, onde empresários, políticos e jornalistas defendem teses já derrotadas e fracassadas do modelo neoliberal, que derreteu as economias de países poderosos e comprovou que a ausência de fiscalização e regulamentação dos banqueiros, por exemplo, é a mesma coisa do que uma pessoa se suicidar. Ponto.

Somente os lorpas e os pascácios, como diria o jornalista Nelson Rodrigues, que ainda, por serem caras-de-pau e mentalmente lentos, defendem o neoliberalismo, um modelo de pirataria e rapinagem, que levou à bancarrota inúmeros países da América Latina, bem como deixou na miséria povos trabalhadores, que ficaram, inclusive, sem acesso ao emprego. Realmente, tempos duros e o fim da picada. E tem gente que tem ainda a desfaçatez de defender um mau negócio como foi o neoliberalismo. Durma-se com um barulho desse.

O Milleninum, lugar onde os direitistas deste País propõem, por meio de palavras “leves” e pouco usuais no palavreado popular, até golpe de estado. O Millenium, que, incontestavelmente, lembra os golpistas pré 1964, a exemplo do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), fundado em 1959, e do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), de 1961. As duas entidades reuniram militares, empresários, jornalistas, diplomatas e partidos e políticos de oposição, que conspiraram contra o governo popular do presidente trabalhista João Goulart (PTB), deposto em 1964 e que somente retornou morto à sua terra, em 1976.

E o jornal O Globo pede desculpas em seu editorial mequetrefe, como se estivesse arrependido, quando na verdade não está. Lobo é lobo! Escorpião é escorpião! E quanto a essas realidades e verdades nada se pode fazer. A natureza desses empresários é de dominância contra os mais fracos e os que podem menos. São somente subservientes quando seu “deus” começa a diminuir a sua presença. Trata-se do “deus dinheiro”, combustível de poder das seis famílias midiáticas que dominam o mercado de mídias e não aceitam, de forma alguma, ter que viver em um Brasil democrático, justo, autônomo e independente.

Os grandes capitalistas ganham dinheiro com a pobreza alheia. E, para isso, contam com a simpatia de parte da população para seus propósitos mercantilistas. As pessoas que compram a ideologia e o pensamento torto dos barões da imprensa fazem parte de uma classe muito peculiar: a conservadora e preconceituosa classe média e média alta. São com as classes médias que os donos do capital contam, e para elas fazem política. Só que, com o tempo, a classe média vai, irremediavelmente, dividir-se, porque ninguém é enganado a vida inteira e a verdade é que nunca conheci qualquer pessoa que gostasse de ser considerada trouxa.

Entretanto, a partir das manifestações de junho, os barões da imprensa e os seus asseclas perceberam uma mudança, que através do tempo vai recrudescer: é que as palavras de ordem “O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!” se transformaram em realidade latente e, consequentemente, descambou para a violência.

De repente e não mais do que de repente, os repórteres da Rede Globo e até mesmo da CBN tiveram de, em um primeiro momento, cobrir os protestos à distância, depois passaram a encobrir os logotipos dos microfones de suas empresas e, posteriormente, somente conseguiram cobrir as manifestações de helicópteros e que os jornalistas da Globo inadvertidamente insistiam em chamá-las de “pacíficas”.

A palavra “pacífica” se tornou uma metáfora na boca dos jornalistas da Globo, pois tal palavra usada teve e tem por finalidade amenizar ou suavizar a violência dos protestantes e as depredações do patrimônio público, privado e histórico. E por que os repórteres, comentaristas e apresentadores da Globo e da CBN se transformaram em pessoas tão suaves e singelas quando se tratava de falar das manifestações “pacíficas”?

Porque a Globo, uma empresa privada, transformou-se em partido de direita que ocupou, inconsequentemente e irresponsavelmente, o lugar dos derrotados PSDB, DEM e PPS na oposição política e ideológica aos governos trabalhistas de Lula e Dilma. Por causa disso, a Globo, além de outras empresas de comunicação e informação, estrategicamente passaram a chamar de “pacíficas” as manifestações de junho, pois perceberam naquele momento uma oportunidade para fazer oposição a Dilma Rousseff, afinal o Brasil vai ter eleições presidenciais em outubro de 2014, e se tem alguma coisa que esses magnatas da comunicação não querem é a continuação de políticos trabalhistas no poder por mais quatro anos.

Como pau que bate em Chico também bate em Francisco, e o Brasil está neste momento com a inflação controlada, o PIB a aumentar, a vivenciar a estabilidade das instituições republicanas e do regime democrático, além do crescimento da indústria, do agronegócio, do emprego, bem como a presidenta Dilma voltou a subir os seus índices de aprovação nas pesquisas, a Globo e os seus coirmãos aparentemente deram uma recuada.

A nova postura talvez seja porque o dinheiro da propaganda que ia para as empresas dos bilionários das comunicações diminuiu desde os tempos do presidente Lula, o que, sem sombra de dúvida, levou a Globo a redirecionar as suas estratégias de luta política e econômica e, por sua vez, abrir diálogo com o Governo Federal, com o presidente Lula (João Roberto Marinho solicitou encontro com o ex-presidente) e se reportou à sociedade brasileira por intermédio de editorial que reconhece o erro de as Organizações(?) Globo ter apoiado a ditadura militar.

Por seu turno, não acredito que lobos se transformem em ovelhas, ainda mais quando se trata dos donos dessa megaempresa, que se confunde com o estado dentro do estado. Um estado privado, evidentemente, mas que sempre foi sustentado pelo dinheiro público. Deveria haver uma campanha para que a Globo se privatizasse, pois já que defende com unhas e dentes a iniciativa privada e um País VIP para poucos privilegiados.

Jogaram, em manifestação recente, literalmente merda nas paredes e vidraças da sede da Globo, e os seus repórteres são alvos de chacotas, protestos, de cantos de guerra e até mesmo de violência física, com a qual explicitamente não concordo, por parte de quem protesta. A Globo sentiu o golpe, como se fosse atingida por um boxeador peso pesado na boca do estômago ou na ponta do queixo.

Os donos da Globo e os seus jornalistas enfrentam, arrogantemente, até o Governo, mas quando se trata de enfrentar o povo eles optam, espertamente, por recuar. Pega muito mal para as suas imagens quase “assépticas”. A Globo e O Globo gostam muito de pichar os outros, as pessoas e instituições, mas detestam verem o seu mundinho provinciano, tacanho, presunçoso, egoísta e medíocre a ser questionado, e, o pior, agredido.

As Organizações(?) Globo e os seus donos são gigantes com os pés de barro e as suas paredes são pichadas com merda, produto animal também chamado de esterco. Se daqui a alguns meses os proprietários dessa empresa alienígena e descompromissada com a cidadania brasileira perceberem que os tucanos do PSDB vão perder mais uma eleição presidencial, eles certamente vão negociar para amenizar as diferenças políticas e as perdas financeiras, afinal o Governo tem a Receita Federal e a Polícia Federal e impostos sonegados e remessas ilegais são crimes que estão a ser combatidos.

Os Marinho são espertos, pediram desculpas pela ditadura, mas o povo não é bobo... É isso aí. 

Boa Noite


Que bom seria se conseguíssemos amar sem nunca cobrar nada, aceitar a pessoa exatamente do jeito que ela é...

Se ouvir “Eu não sou preconceituoso, mas…”, corra para longe

Leonardo Sakamoto

Eu não sou preconceituoso, mas…

Esta frase é deliciosa. Não é um aviso de “olha, não encare isso como preconceito”, mas um alerta. Do tipo “segura, que lá vem um preconceito”. A ressalva, completamente inútil, serve, pelo contrário, para reforçar que a pessoa em questão é exatamente aquilo pelo qual não gostaria de ser tomada.

Cultivamos nosso medo e ódio, mas, às vezes, pega mal expressá-los em público assim, tão abertamente. Porque pode ser visto como crime ou delito. Ou serem criticados – mesmo que os críticos compartilhem da mesma visão de mundo que você. E, além do mais, como todos sabemos, o Brasil é o país da alegre miscigenação, em que todos são considerados iguais em direitos. Os que discordam disso devem se mudar ou levar um corretivo para deixarem de serem bestas. É isso: ame-o ou deixe-o.

É engraçado como o preconceituoso não se vê como tal. Quem solta um “Eu não sou preconceituoso, mas…” separa essa palavra de seu significado e pensa o preconceito como algo abstrato, etéreo. Uma ideia que não teria nada a ver com tratar pessoas de forma diferente ou fazer um julgamento prévio de seu caráter devido à sua classe social, orientação sexual, cor de pele, etnia, nacionalidade, identidade de gênero, pela presença de alguma deficiência e por aí vai.

E cabe tanta abobrinha em um “Eu não sou preconceituoso, mas…” que ele se tornou o novo “Amar é…”, presente naqueles livrinhos simpáticos da minha infância.

Duvida?

Eu não sou preconceituoso, mas bandido bom é bandido morto.

Eu não sou preconceituoso, mas baiano é foda. Quando não faz na entrada faz na saída.

Eu não sou preconceituoso, mas mulher no volante é um perigo.

Eu não sou preconceituoso, mas tenho medo desses escurinhos mal encarados qe pedem dinheiro no semáforo.

Eu não sou preconceituoso, mas cigano é tudo vagabundo.

Eu não sou preconceituoso, mas os gays podiam não se beijar em público. Assim, eles atraem a violência para eles.

Eu não sou preconceituoso, mas acho o ó ter um terreiro de macumba na nossa rua.

Eu não sou preconceituoso, mas é aquela coisa: não estudou, vira lixeiro.

Eu não sou preconceituoso, mas não gostaria de ver minha filha casada com um negro. Não por ele, é claro, mas eles sofreriam muito preconceito.

Eu não sou preconceituoso, mas esses sem-teto são todos vagabundos.

Eu não sou preconceituoso, mas chega de terra para índio, né? Se eles ainda produzissem para o país, mas nem isso acontece.

Eu não sou preconceituoso, mas esses mendigos deviam ir para a periferia onde não incomodariam ninguém.

Eu não sou preconceituoso, mas sabe como é esse pessoal de esquerda. É tudo petralha.

Eu não sou preconceituoso, mas sabe como é pessoal da direito. É tudo tucanalha.

Eu não sou preconceituoso, mas São Paulo é São Paulo, né amiga? Não é Fortaleza.

Eu não sou preconceituoso, mas esse aeroporto tá parecendo uma rodoviária.

Eu não sou preconceituoso, mas adoro esse shopping. Só tem gente bonita por aqui.

Eu não sou preconceituoso, mas sobe o vidro, amor. Você não tá nos Jardins.

Eu não sou preconceituosa, mas vocês não acham que essas médicas cubanas têm cara de empregada doméstica?

Cuidado, seja sutil. Preconceito é para ser dito, repetido e aplicado, mas com naturalidade. Diluído no dia a dia, aparece como uma forma de manter a ordem das coisas e de lembrar quem manda. E quem obedece.