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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Quem é ele que se vestia com a mesma roupa do Caio e que está ao lado da polícia?

Renato Rovai, / Blog do Rovai


"O melhor é assistir esse vídeo inteiro, mas se não tiver tempo, vá até o minuto 3:48 e siga ao menos até os 3:55. Antes disso fica claro que as cenas são do exato momento em que o cinegrafista, da Band, Santiago Andrade é atingido pelo rojão que acaba levando-o a morte. Há muitas circulando na rede a partir da divulgação desse vídeo. Veja o vídeo antes e depois leia as considerações abaixo dele.


1) Esse manifestante tem as roupas com as mesmas características que o acusado de jogar o rojão utilizava. E estava tão suado quanto o que apareceu no vídeo inicial.

2) Ao mesmo tempo apareceu hoje uma foto de Caio Silvo de Souza, que foi preso hoje pela manhã, em Feira de Santana, Bahia, brigando na catraca da estação da Central do Brasil naquele dia do conflito. E as fotos comprovam que ele também usava calça jeans e camisa cinza. Ao mesmo tempo surgiu essa montagem que pode ser apenas uma montagem diversionista (mas que também pode ser séria) onde ele não usa relógio na foto da Central e que estaria com relógio no momento em que é flagrado pelo vídeo que o levou a prisão.


Há ainda uma outra série de perguntas que estão sendo realizadas na rede.

3) Por que o advogado que está defendendo Caio é o mesmo que defende Fábio Raposo, que também foi preso por lhe entregar o rojão?

4) Qual a relação desse advogado, Jonas Tadeu Nunes, com as milícias do Rio de Janeiro?

5) Por que a primeira declaração que o advogado deu foi tentando levar Marcelo Freixo para dentro da história?

6) Por que ele antes mesmo de conversar por mais tempo com o seus clientes já saiu dizendo que eles recebiam dinheiro de partidos para participar das manifestações, mas não revelou quem os pagava? A quem essa narrativa interessa?

7) Por que o advogado Jonas Tadeu está usando uma estratégia tão arriscada para os seus clientes?

Há outras perguntas a serem feitas e este blogue não está afirmando nada.
Uma pergunta que é quase um xeque mate em todas as outras é:

8) Por que Caio assumiria um crime que não cometeu?

Essa é uma pergunta importante, mas que na opinião deste blogueiro não invalida todas as outras.

Se essas questões não forem respondidas rapidamente, vai se criar um clima de suspeita sobre as investigações. Até porque a polícia do Rio já foi flagrada mais de uma vez armando cenas contra manifestantes e utilizando P2 para isso. Até o Jornal o Globo já deu flagrante neles. Mas segue um vídeo da Mídia Ninja mostrando a farsa de forma clara."



Boechat e a Band também precisam pedir perdão à família de Santiago Andrade

Renato Rovai

A mais nova modalidade da praça é atribuir aos black blocs a responsabilidade por todos os problemas da violência no Brasil. E aproveitar o ensejo para criminalizar a todos os movimentos sociais que estão nas ruas. O mais estúpido dos atos neste sentido é a tentativa de aprovação a toque de caixa da lei anti-terrorismo no Senado.

Isso isenta a tática da violência por parte de grupos que estão nas ruas de suas responsabilidades? Claro que não. E aqui neste espaço alguns textos já foram escritos neste sentido. A quem interessar possa, seguem dois: este eeste.

Mas ao mesmo tempo será que não é o caso de verificar quem são os outros atores que apostaram nesta mesma violência que hoje condenam com tanta veemência? Um deles, você pode assistir no vídeo a seguir.

O jornalista Ricardo Boechat da TV Bandeirantes tem inúmeras qualidades. Mas fez neste vídeo o que muitos dos seus colegas fizeram, com, digamos, um pouco mais de acidez. Pede mais protestos violentos dizendo, entre outras coisas:

“Sou favorável a arranhar carro, sou favorável a revolta, sou favorável a quebra-quebra e o caralho. Mas isso é vandalismo? Vandalismo é o cacete.”

Recentemente a apresentadora Racquel Sherazade, do concorrente SBT, também defendeu a legitimidade da violência contra “o marginalzinho amarrado ao poste”. E tratou a ação como legítima defesa coletiva.

A morte de Santiago Andrade precisa ser levada em consideração e se tornar um ponto de inflexão para aqueles que nas ruas ou no conforto do Facebook defendiam a tática da violência como instrumento legítimo de luta. Mesmo que houvesse quase nada a justificar essa opção no contexto atual. Mesmo que não houvesse nenhum indício de que isso poderia levar o movimento e o país a algum ponto melhor do que o atual.

Mas ao mesmo tempo a morte de Santiago Andrade não pode se tornar uma bandeira na mão de grupos da violência. Que em geral são mobilizados por discursos midiáticos do tom de Sherazade. E até de um jornalista muito mais responsável, como Boechat.

E que também são mobilizados por veículos de comunicação como a Band, que tem nos programas de violência policial suas principais audiências.

PS: Agrego neste post o editorial da Band pedindo as forças de reação para punir os baderneiros.


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Esqueça Sheherazade. A culpa é de Silvio e do governo

Foi Silvio Santos quem criou Sheherazade e abriga outros âncoras fascistas Brasil afora. O governo, por sua vez, permite o uso criminoso de uma concessão pública

por Lino Bocchini - Carta Capital


Sheherazade é um alvo menor. A moça é uma mera testa-de-ferro, uma boneca de ventríloquo. A verdadeira voz dos discursos diários pregando o ódio, a violência, o preconceito e a intolerância é a de Silvio Santos. Foi ele quem decidiu trazer a jornalista da TV Tambaú, afiliada de sua emissora na Paraíba, para o palanque nacional do Jornal do SBT. É o empresário quem a mantém intocada e lhe protege para que siga discursando no horário dito nobre. É Silvio quem a segura para que, ao noticiar a polêmica em torno de suas declarações, ela possa zombar de nossa cara e bravatear que não abrirá mão de seu “direito de liberdade de expressão”.

E tem mais. Sob o comando ou conivência de Silvio, outras vozes semelhantes ganham força nas afiliadas do SBT. É o caso, por exemplo, de Paulo Martins. Comentarista do Jornal da Massa, veiculado toda noite pela afiliada do SBT do Paraná, Martins passeia pelos mesmos temas de sua colega Sheherazade, como por exemplo o rolezinho:

“Aposentaram a cinta, essa é a geração mãozinha na cabeça. Ninguém tem direito de se organizar em bando e tumultuar uma propriedade privada, atrapalhar a vida de quem é responsável e honrado, tem compromissos e não tem tempo pra perder com rolezinho”.

O jornal da Massa faz parte da programação da Rede Massa, o maior grupo de comunicação do Paraná. O conglomerado é de propriedade de Carlos Massa, o Ratinho, que tem seu programa na grade nacional do SBT.

Em seus comentários diários Martins já afirmou, por exemplo, que os presidentes do Brasil, do Equador, da Argentina e da Venezuela formam “a gangue do Foro de São Paulo”. Ao ver que seu parceiro de bancada assustou-se com a palavra “gangue”, emendou: “Os caras são parceiros das Farc, você quer que eu chame eles do quê?”. Há coerência com a forma que ele refere-se à atual administração federal: “a ditadura Dilma Roussef”.

Em Santa Catarina, o SBT de Silvio Santos mantém um outro apresentador-comentarista que cerra fileiras com Sheherazade e Martins. É Luiz Carlos Prates, que todo dia fala o que bem entende na bancada do SBT Meio Dia, levado ao ar pela afiliada catarinense do SBT, propriedade do Sistema Catarinense de Comunicação.

Prates tem 50 anos de carreira e é figura conhecida no estado. Passou por diversas emissoras antes de instalar-se no SBT e tem uma longa lista de frases, digamos, de destaque. É o tipo de comentarista que, ao falar do trânsito em Florianópolis, lamenta que “hoje em dia qualquer miserável tem um carro”. Ou, ao analisar o drama das meninas que têm sua intimidade escancarada em fotos ou vídeos na internet, diz que “só uma débil mental se expõe promiscuamente desse jeito”.

E o governo com isso?

Por mais antipatia de uma parcela da população que uma revista Veja ou um jornal O Estado de S. Paulo possam despertar, faz parte do jogo democrático a sua existência. São negócios como outro qualquer e, por mais que incomodem, têm todo o direito de existir e publicar o que bem entenderem, dentro dos limites da Constituição.

No caso de uma rádio ou televisão, contudo, a história é outra. Eles operam por meio de outorgas concedidas pelo Ministério das Comunicações com o aval do Congresso. E aí há regras. Afinal, é uma autorização de uso de um bem público, não é uma mera iniciativa privada, como querem nos fazer crer.

Pela legislação em vigor, é o Ministério das Comunicações o órgão responsável por fiscalizar o conteúdo veiculado pelas emissoras e responsabilizá-las se houver violação da lei. No caso de Sheherazade, por exemplo, há uma lista de violações. Foram desrespeitados os direitos humanos assegurados pela Constituição Federal, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e há violação explícita do Código Brasileiro de Telecomunicações, que determina que o serviço de radiodifusão não pode ser usado para humilhar pessoas e expô-las a condições degradantes, "nem que seus fins sejam jornalísticos".

Ou seja, está tudo muito explícito. É só o Ministério das Comunicações, comandado por Paulo Bernardo, começar a agir e multar as empresas. Só não o faz porque não quer.

É importante sublinhar também que Carlos Massa ou o proprietário de qualquer outra emissora brasileira tem o mesmo direito de usufruir daquele espaço do que qualquer universidade, ONG, empresa ou pessoa física. São eles os donos unicamente por acordos políticos.

E é no mínimo questionável o uso de tais concessões para enriquecer bispos de igrejas suspeitas, faturar bilhões a cada ano com a venda de publicidade ou colocar no ar comentaristas como Sheherazade, Martins e Prates, que diariamente desrespeitam as leis, deseducam e pregam a violência e o preconceito para milhões de brasileiros.

Só o governo, por meio do Ministério das Comunicações, pode mudar isso. E só a sociedade civil organizada pode pressionar o governo e o Congresso para que isso aconteça.

Continuemos criticando Sheherazade, ela merece. Até gosta. A apresentadora estava se deliciando ao noticiar a polêmica em torno do seu nome na noite de quinta-feira 6. O sorrisinho constante era o retrato da confiança de quem está sendo não apenas protegida pelo patrão, mas também sendo beneficiada pela omissão de quem poderia fazer algo em Brasília. Ela e Silvio estão rindo da sua cara.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Professores da categoria "O" lutam por igualdade em São Paulo


Em reunião com os participantes do ato de ontem, decidimos convidar outros coletivos para agregar ao nosso movimento. Cabe ressaltar que, o próximo ato continuará com a mesma pauta....Ato vai acontecer na avenida paulista 14/02/2014 às 16:00 no vão do Masp...Conto com a presença de todos companheiros(as)



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Não participava dos protesto e foi condenado. Justiça?: O catador que virou bode expiatório de Junho

Direto de Bangu 5, entrevista com o único condenado pelos protestos: o perigoso homem que carregava dois frascos de PinhoSol e agora cumpre pena de cinco anos

Por Matias Maxx, na Vice


Rafael Braga Vieira fez 26 anos dia 31 de janeiro. Nascido e criado na Vila da Penha, no Rio de Janeiro, trabalhava como garimpeiro urbano, coletando antiguidades e objetos usados no lixo para vender no “Dingo Mall” como é conhecida a feira de coisas usadas montada por moradores de rua nas proximidades da feira de antiguidades da Praça XV. No dia 20 de Junho de 2013, a PM carioca utilizou cavalaria, Tropa de Choque, muitas bombas e o famigerado Caveirão contra as centenas de milhares de pessoas que se manifestavam contra o aumento das passagens em frente à prefeitura. Enquanto alguns resistiam com escudos e barricadas, impedindo o avanço da tropa, vários manifestantes se espalharam pelo centro ateando fogo em lixo e quebrando vidraças de bancos. Por volta das 18h, Rafael, que diz nunca ter participado de manifestação nenhuma, voltava de seu garimpo para um sobrado abandonado onde ele morava. Ele declara que lá encontrou duas garrafas de produtos de limpeza que pretendia levar para uma tia, quando foi abordado por PMs e conduzido à delegacia, onde as garrafas se transformaram em coquetéis molotovs.

Rafael foi condenado no estatuto do desarmamento, por posse de explosivos e cumpre a pena de cinco anos no Presídio Elisabeth Sá Rego, também conhecido como Bangu 5. Trata-se de uma penitenciária de regime fechado, destinada normalmente a condenados ligados à facção criminosa Comando Vermelho, que controla a comunidade onde Rafael foi criado. Mesmo sem envolvimento com o crime organizado, o fato de ser cria de uma comunidade dominada por uma facção rival costuma ser uma sentença de morte no sistema prisional do Rio de Janeiro. Acompanhado de agentes e da assessoria de imprensa da SEAP, conversei por vinte minutos com Rafael. Com fala mansa e um triste conformismo, ele me contou a história da única pessoa condenada após ser presa nos protestos que tomaram conta do país desde junho do ano passado.



Me conta, o que aconteceu no dia 20 de Junho?
Rafael Braga Vieira: Tinha manifestação no centro, e eu estava chegando do trabalho e fui para o casarão onde eu morava. Quando eu saí, os PMs já me abordaram e falaram que eu estava com coquetel molotov na mão, mas eu não tava com coquetel molotov nenhum… Era uma garrafa de Pinho Sol que achei quando eu cheguei no casarão. Lá é aberto, é um casarão que foi invadido, na hora que eu cheguei lá, tinha essa garrafa e uma daquelas garrafas verdes de cloro… Aí pegaram a garrafa de Pinho Sol e esvaziaram, botaram lá algo que eu acho que era gasolina, amarraram um paninho e falaram que era coquetel molotov perante ao juiz. Só isso…

Você morava nesse casarão?
Eu morava sozinho nesse casarão aberto que tem na Lapa, dormia lá. Sou camelô, trabalho na feira da Praça XV. Como eu não tinha lugar para guardar minhas coisas, guardava lá. Minhas peças usadas. Trabalho com peças usadas, peças raras, não tenho nada a ver com essa manifestação aí. Nunca participei, nunca vi…

Você foi assistido por algum advogado quando foi preso?
Quando fui preso vieram dois advogados que me acompanharam, assinei até um papel lá com eles… Foram até lá na casa da minha família… Mas só isso mesmo… Não sei se tão acompanhando ainda, não pediram dinheiro… Lá no juiz eu tava com a Defensoria Pública…

E você viu os PMs esvaziando a garrafa?
As duas garrafas estavam lacradas quando eu peguei, não era molotov não. Peguei porque tem uma tia minha que mora lá no outro casarão do lado desse onde eu moro, eu ia dar pra ela. Aí eles me abordaram na saída do casarão, que fica de frente à delegacia das crianças lá na Lapa. Nem tinha visto eles quando eu saí, estava carregando as garrafas na mão, já chegaram me agredindo já, me deixaram no portão e seguraram as garrafas. Me levaram lá pra 5ª [DP], e lá as garrafas já estavam com gasolina. Eles esvaziaram e colocaram gasolina pra dizer que era coquetel molotov, mas isso não tem nada a ver não. Falaram isso pro juiz e ele foi e me condenou sei lá por quê, acho que é porque eu já tenho passagens.

Quais foram essas passagens?
Cheguei a ser condenado já em outras passagens por roubo. Cumpri pena e saí por ordem do juiz, saí de condicional e eu tava trabalhando tranquilão na paz de Deus, aí aconteceu isso aí.

E em quais presídios você passou antes de chegar aqui em Bangu 5?
Primeiro eu fui pra Japeri, depois pro setor B e ai me mandaram pra cá. Me mandaram pra cá. Eu tô aqui mesmo porque eu sou morador da comunidade da Penha, desde pequeno, minha família é de lá… Aí me botaram aqui. O convívio é tranquilo, tranquilão… Mas não tenho recebido visita, porque aqui fica um pouquinho distante pra eles.

Você acha que foi preso injustamente?
Fui preso injustamente com certeza, é porque eu tive duas passagens, por isso aí… Eu não fiz nada, sou inocente de verdade. Mas já fui condenado mesmo, o juiz me condenou, cinco anos… Tô pagando…

E o que você pretende fazer quando sair?
Quando sair pretendo voltar a trabalhar mesmo, resolver minha vida, arrumar um trabalho de carteira assinada que é melhor, ajudar minha família. Eu que ajudo minha família em casa, o mais velho dos irmãos sou eu. Minha mãe não tem marido. Tá morando sozinha agora, comigo somos sete irmãos e eu que ajudava.

E agora? Como eles estão se virando?
Pô! Não tenho nem notícias. Não sei como o pessoal tá se virando aí.
Me conta mais sobre seu trabalho na Praça XV.
Trabalho lá há muito tempo, desde os treze anos de idade. Vendo peças usadas que acho no garimpo, sou garimpeiro. Vou juntando lá no casarão, levo pra feira, espalho lá e começo a vender, pra arrumar dinheiro. Tudo que eu acho, liquidificador, televisão, aí eu alugo uma barraca lá e armo. É maneiro. Televisão funcionando, coisas boas que eu acho no lixo… Tudo vende lá cara, até peça ruim vende lá (risos), os caras compram pra tirar alguma coisa. Pô! Porcelana! Porcelana dá dinheiro legal, jarrinhos, quadros antigos, molduras… Eu tirava um dinheiro lá, de 300 a 500 por semana. Dava pra ajudar minha família tranquilo…
Eu ficava três semanas ali por baixo, ia pra casa lá na Penha, ficava uma semana em casa… Acabava ficando mais tempo lá embaixo do que em casa. Só ia lá em casa mesmo pra levar um dinheiro pra minha família, tô com duas irmãs recém-nascidas. Minha mãe chegou até a trabalhar comigo lá, mas não tava dando mais não…

Você já tinha participado de alguma manifestação? Ou sabe o porquê dessas manifestações?
Na manifestação anterior eu nem tava por perto. Nem sei por que estavam rolando essas manifestações. Não sei de nada, eu tava só voltando do trabalho, vi aquele monte de gente e aí isso aconteceu do nada. Tava vindo do Largo do Machado, eu garimpo lá, em Laranjeiras. Foi eu chegar e aconteceu isso comigo, mais ou menos umas seis horas da tarde.
Quatro meses depois, quase 200 pessoas foram presas numa manifestação, chegaram a passar um tempo aqui em Bangu, mas já foram todos liberados. 

Por que você acha que é o único que foi condenado e continua preso?
É… Só eu… É porque eu já fui condenado antes por roubo. Realmente, estava roubando, mas parei com isso, não quero mais saber de roubo, nem de mais nada dessa vida. Estava trabalhando tranquilão na rua, tô voltando do trabalho aí o cara pega, me agride. E acho que porque eles me agrediram lá na frente de um monte de pessoas eles tiveram que esvaziar aquilo ali e dizer que era molotov. Já tinham me agredido, já foram me chamando, falando que eu tava no meio… “Você tava ali né? No meio daquela bagunça ali né?”, tava nada. Falaram pro juiz que já tinham me visto por lá, que tinham me visto com uma mochila, realmente eu andava todo dia com mochila, vindo do meu garimpo, várias bolsas só com as peças usadas que eu achava no lixo. Eles falaram pro juiz que eu andava com bolsas. Pô! Nada a ver! Forjado. Foi tudo forjado.

Então você acha que eles inventaram essa história na delegacia para justificar o abuso de autoridade que tinham cometido antes?
Isso! Eles chegaram me agredindo à pampa, me deram coronhada, bateram minha cabeça na parede da delegacia. Tinha um montão de policial lá mesmo, dois já me levaram lá pra dentro já me metendo a porrada, chegaram lá dentro acabaram de me arrebentar e colocaram no “porquinho”, me deixaram um tempão lá e depois me chamaram, “tua casa caiu, não sei o quê…”. Aí me levaram pra 5ª e apresentaram a garrafa de Pinho Sol já com gasolina e com um pano na garrafa. Só isso mesmo. Falaram que era molotov, eu falei que não era. Mas não tava ninguém comigo, eu tava sozinho. Mas um montão de gente que tava com molotov mesmo foi tudo embora. Tudo liberado. Eu não tava com nada disso não e fui condenado.

Na senzala do DEM



Sem querer desmerecer as razões dessa médica cubana prestes, ao que parece, a pedir asilo político no Brasil, mas essa história tem uma dessas tristes ironias muito típicas da nossa indigência moral e cívica.

A principal e mais escandalosa delas diz respeito à participação do deputado Ronaldo Caiado, do DEM de Goiás, auto intitulado libertador de cubanos escravizados pelo programa Mais Médicos, do governo federal. 

É mais uma dessas piadas de mau gosto que a mídia brasileira, dominada pelo cretinismo de direita, deixa passar de má fé, embora saiba exatamente o mal que está fazendo. 

Caiado é um dos símbolos da moderna escravidão brasileira, fundador e ex-presidente da União Democrática (sic) Ruralista, a UDR. O deputado é um dos 29 parlamentares que, em 2012, votaram contra a Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, a chamada PEC do Trabalho Escravo.

Trata-se de uma medida que garante o confisco de propriedades em que for flagrado trabalho escravo e seu encaminhamento para reforma agrária ou uso social. A médica Ramona Matos Rodriguez tem todo direito de deixar o programa e pedir asilo, assim como o Ministério da Saúde tem o direito de descredenciá-la e, da mesma maneira, mandá-la de volta para Havana – claro, se ela não conseguir o status de asilada. 

O que nem ela, nem ninguém, vai conseguir é convencer o Brasil de que a dobradinha do DEM, herdeiro político da ditadura militar, com a UDR, um de seus cancros mais conhecidos, é o caminho para essa discussão. Ramona talvez não tenha atinado, mas se ela se considera mesmo uma escrava, acabou de cometer a maior burrice de sua vida: fugiu para os braços de um coronel da Casa Grande.


Leandro Fortes

Via:http://wwwterrordonordeste.blogspot.com.br/

Nota de repúdio do Sindicato e da Comissão de Ética contra declarações da jornalista Rachel Sheherazade

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Comissão de Ética desta entidade se manifestam radicalmente contra a grave violação de direitos humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros representada pelas declarações da âncora Rachel Sheherazade durante o Jornal do SBT.

O desrespeito aos direitos humanos tem sido prática recorrente da jornalista, mas destacamos a violência simbólica dos recentes comentários por ela proferidos no programa de 04/02/2014 http://www.youtube.com/watch?v=nXraKo7hG9Y. Sheherazade violou os direitos humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente e fez apologia à violência quando afirmou achar que “num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível” — Ela se referia ao grupo de rapazes que, em 31/01/2014, prendeu um adolescente acusado de furto e, após acorrentá-lo a um poste, espancou-o, filmou-o e divulgou as imagens na internet.

O Sindicato e a Comissão de Ética do Rio de Janeiro solicitam à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que investigue e identifique as responsabilidades neste e em outros casos de violação dos direitos humanos e do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, que ocorrem de forma rotineira em programas de radiodifusão no nosso país. É preciso lembrar que os canais de rádio e TV não são propriedade privada, mas concessões públicas que não podem funcionar à revelia das leis e da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Eis os pontos do Código de Ética referentes aos Direitos Humanos:

Art. 6º É dever do jornalista:

I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios
expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;

XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias
individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos,
negros e minorias;

XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais,
econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física
ou mental, ou de qualquer outra natureza.

Art. 7º O jornalista não pode:

V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;

Também atuando no sentido pedagógico que acreditamos que deva ser uma das principais intervenções do sindicato e da Comissão de Ética, realizaremos um debate sobre o tema em nosso auditório com o objetivo de refletir sobre o papel do jornalista como defensor dos direitos humanos e da democratização da comunicação.

Estúpida: Âncora do SBT Rachel Sheherazade, incita publicamente a violência