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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Democratização das mídias, plebiscito da reforma política e comunicação do Estado

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


Vamos direto ao ponto: se a presidenta Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores e o Governo Trabalhista não efetivarem o marco regulatório para os meios de comunicação — um dos poucos setores importantes da economia não regulado —, vai continuar a comer um dobrado, porque as tentativas sistemáticas de golpes institucionais e políticos vão ser a tônica, como tem acontecido no Brasil, principalmente a partir do segundo ano de Governo Dilma.

O PT e o Governo Popular que acabam de vencer uma das eleições mais difíceis da história da República tem a obrigação de compreender que a direita partidária, a burguesia brasileira em geral, por intermédio de seu braço midiático ideologicamente conservador e golpista jamais vão amenizar seus discursos agressivos e rancorosos, de conteúdos preconceituosos, vingativos e fascistóides, a exemplo das palavras do candidato derrotado, Aécio Neves, no plenário do Senado. Apesar de o tucano tergiversar, ficou claro que se tem alguma coisa que a oposição de direita não quer e nunca vai querer é ter qualquer diálogo com o Palácio do Planalto.

Não deve o Governo esquecer também dos senhores tucanos, o senador Aloysio Nunes Ferreira e o deputado federal, José Aníbal, que se mostraram contrários ao diálogo com o Governo, bem como apoiaram os movimentos de conotações golpistas de sábado passado, que contestaram os resultados das eleições presidenciais, além de considerarem pertinente a decisão de o PSDB pedir a recontagem dos votos junto ao TSE. A intenção foi prontamente rechaçada pelo tribunal, que se mostrou indignado com a paranoia conspiratória dos tucanos, sendo que alguns desses políticos emplumados falaram até sobre um possível impeachment de Dilma. Absurdo, pois total desfaçatez.

O pedido insensato de recontagem de votos de uma eleição limpa e livre de ocorrências graves, como a de 2014, foi feito por meio de ação do deputado Carlos Sampaio, tucano de Campinas conhecidíssimo por suas diatribes políticas e ações e atos ridículos, como, por exemplo, ter questionado, em 2013, na Procuradoria Geral da República (PGR), as roupas vermelhas usadas pela presidenta Dilma Rousseff. Surreal. Porém, acredite: o episódio mequetrefe e digno de uma comédia pastelão aconteceu.

O PSDB ataca, bate, acusa, denuncia e realiza ações antidemocráticas, porque judicializa a política e criminaliza seus adversários — o PT e seus aliados, além de apoiar e ser apoiado por setores reacionários, que odeiam a democracia e, com efeito, detestam a ascensão social dos pobres e de tudo aquilo que pode libertar o Brasil das amarras do subdesenvolvimento, da dependência e do jugo dos países considerados desenvolvidos e com históricos colonialistas.

Dissimulados e matreiros, os tucanos preferiram chamar a recontagem, que foi negada pelo TSE, de “auditoria especial”, o que é a mesma coisa, pois se trata apenas de uma ilação metafórica e que tem, na verdade, o propósito de colocar o Governo Trabalhista contra a parede, sem dar trégua, mesmo após a decisão do povo brasileiro de reconduzir a candidata Dilma Rousseff ao cargo de presidenta da República.

O resto é história de assombro publicada e veiculada pelos oligopólios e monopólios do setor midiático, que lutam principalmente para manter seus privilégios e seus poderes e influências intactos, mesmo a fazer, de forma sistemática e perene, uma oposição política que ultrapassa os limites do bom senso, da legalidade e da razoabilidade, pois que rasga muitos preceitos do estado de direito, pois é evidente que esses oligopólios familiares interferem, inegavelmente, no processo político brasileiro, às vezes até de forma criminosa.

Crimes investigados como os ocorridos nos casos de Época e Veja, em parceria com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador cassado, Demóstenes Torres, somente para citar apenas um caso, porque existem muitos outros, que nunca foram investigados para valer e seus autores punidos. O bicheiro e o ex-senador estão soltos, enquanto José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, por exemplo, foram para a prisão em que juízes se basearam no “domínio do fato”, sendo que suas respectivas culpas não foram até hoje comprovadas. Uma lástima a Justiça deste País, que necessita urgentemente ser reformada por intermédio de um plebiscito.

A Justiça, o sistema político e os meios de comunicação precisam de uma mini constituinte, cujo oxigênio é o plebiscito, com seus coordenadores legais a falar e explicar, por intermédio de inserções na televisão, sobre o que se trata, bem como o que vai melhorar para a sociedade, no que diz respeito ao País ter uma legislação partidária, política e eleitoral mais moderna e fiscalizadora, livre de interferências e financiamentos da iniciativa privada, onde atua e age a grande maioria dos corruptores.

No Brasil, fala-se muito dos corruptos e pouco dos corruptores. Por motivos óbvios, é claro. É como se fosse assim: aos empresários tudo! Até o direito de corromper livremente. E, de fato, é o que acontece, mas com o plebiscito da reforma política as coisas nesse setor vão melhorar para o povo brasileiro. Só que tem uma coisa: por causa desses motivos elencados é que a reação, por meio dos canais privados e concessionários de televisão, realiza uma propaganda caluniosa, injuriosa e mentirosa contra o marco regulatório para os meios de comunicação.

Esse processo insidioso e difamatório propagado pelas mídias privadas controladas por meia dúzia de famílias bilionárias tem de ser plenamente combatido pelo Governo Trabalhista e Popular de Dilma Rousseff. Os meios para isso são exatamente as mídias conservadoras de históricos golpistas. O Governo tem dar publicidade, realizar inserções sobre o plebiscito da reforma política e também explicar à população brasileira que o marco regulatório é tão importante quanto às reformas política e judiciária. Do contrário, fica tudo com dantes no quartel de Abrantes.

Além disso, o Brasil precisa de mais do fortalecimento, da modernização e da ampliação do sistema midiático do Estado. Os meios de comunicação estatais, através de televisões, rádios, internet e publicações, tem de chegar aos lares do povo brasileiro, como acontece na Inglaterra, na França, na Espanha, na Suécia e em Portugal, somente para dar cinco exemplos, porque existem muito mais.

Os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, seus empregados, a burguesia em geral e os coxinhas de classe média consumidores de seus produtos mequetrefes e rastaqueras adoram esses países, os consideram exemplos de administração e referências de sociedades civilizadas. Inclusive “aceitam” que tais países possuem meios de comunicações estatais fortes e abrangentes.

Por que, então, essa gente repetidora das papagaiadas da imprensa de negócios privados fica a falar bobagens maledicentes e matreiras quando se trata do Brasil? Disseminadores de um papo que não cola mais e que teima em evidenciar termos ridículos e propositalmente sórdidos e levianos como “bolivariano”, “venezuelização”, “cubanização” e outras idiotices sem fundamento, porque não retratam a realidade dos fatos e dos acontecimentos de um Brasil independente e que luta para emancipar seu povo, bem como protegido pelo estado democrático de direito.

Contudo, respondo por que tais grupos reagem à democratização total da sociedade brasileira. Primeiro, porque detestam a democracia, pois uma sociedade democrática abre as portas da educação, da saúde, da mobilidade social (ir e vir), do emprego, do consumo e do acesso a bens duráveis, como carros, eletroeletrônicos, casa própria, além de prazeres até então destinados àqueles que pensam até hoje que Deus os abençoou com um mundo VIP, cheios de privilégios e prazeres, como irem ao cinema, teatro, restaurantes, shoppings, aeroportos, dentre muitas outras coisas.

Ressalto ainda que uma das características dos abastados (burgueses e pequenos burgueses) é a territorialidade. Fator de imensa importância para as classes dominantes, que detestam verificar e perceber que os pobres se deslocam para seus bairros não apenas na condição de empregados de certa “elite”. Nos últimos tempos, a burguesia está a dividir suas praias ou lugares de lazeres, entretenimentos, e, evidentemente, também os educacionais, a exemplo das universidades públicas, que hoje tem suas cadeiras ocupadas por negros e pobres, independente de suas naturalidades e origens sociais e regionais.

É muito duro para essa gente egoísta, preconceituosa e muitas vezes violenta dividir o mundo, o planeta, apesar de que depois de morta nem o buraco para ser enterrada escolhe. O Governo Dilma Rousseff não tem mais o direito de empurrar com a barriga, protelar ou fazer ouvidos moucos sobre a efetivação da Ley dos Médios ou do marco regulatório para os meios de comunicação, tão necessários ao povo brasileiro e à segurança institucional do Brasil.

Não dá mais para se fingir de cego, mudo e surdo. Não tem mais cabimento para o Brasil, a sétima maior economia do mundo e onde viceja uma democracia consolidada ser ainda vítima de golpes e trapaças praticados por uma “elite” carcomida pelo tempo, saudosa de ditaduras, nostálgica dos tempos coloniais e corrompida por sua própria iniquidade. A democratização dos meios de comunicação, juntamente com o plebiscito da reforma política, são as ordens do dia. O resto é perfumaria. É isso aí.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Quem alimenta as “escolas do crime”

Em nome da segurança, mídia e conservadores exigem encarceramento em massa. Mas é esta política que entrega milhares de jovens às facções criminosas




Outras Palavras

Por Valesca Pinheiro

A política de encarceramento em massa vigente hoje no Brasil, além de ter provado sua ineficiência, acumula o perverso efeito de estimular a criminalidade e punir uma parcela específica da população. A conclusão de acadêmicos e especialistas em direitos humanos toma por base os números do próprio sistema e o cotidiano dos presídios do País.

Um dos indicadores é o crescimento da população carcerária, que vai no sentido oposto à sensação de segurança na sociedade. Enquanto entre 2004 e 2014, a população carcerária cresceu 67%, a população brasileira cresceu 8,6%. Com um total de 563.526 presos, o país tem o quarto maior número de presos do mundo, perdendo para Estados Unidos, China e Rússia. E é um número que só cresce: a cada 9.000 presos ingressando por mês, 8.000 são liberados, revela Marcos Fuchs, diretor das organizações Conectas Direitos Humanos e Instituto Pro Bono. Isto é, há um acréscimo mensal de 1.000 presos. “Ao contrário do que muitos pensam, o Brasil não é o país da impunidade”, diz Fuchs. Ao menos não para as classes populares, que representam a maior parte da população carcerária.

Esse contingente de meio milhão de pessoas espreme-se em instalações onde faltam 200 mil vagas. “A situação nos presídios é caótica, desumana, covarde”, afirma Fuchs. Em alguns centros de detenção provisória, visitados por ele, há 50 presos em celas com capacidade para 8. Eles chegam a dormir em pé, amarrados à cela para não caírem no chão ou se arriscando em redes presas ao teto. “Você acha que alguém vai sair daí recuperado?” questiona.

A resposta pode estar no índice de reincidência entre os egressos do sistema penitenciário: sete de cada dez voltam ao crime. Na avaliação de Fuchs, é preciso mudar urgentemente essa política de encarceramento, que, além de todas essas deficiências, acaba abrindo caminho para que jovens infratores, muitos deles autores de pequenos delitos, sejam abrigados pelo crime.

Várias unidades prisionais em São Paulo são controladas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). É dentro delas que a facção forma muitos de seus soldados. Uma pesquisa conduzida por Fábio Mallart, mestre em Antropologia pela Universidade de São Paulo, em unidades da Fundação Casa e presídios em São Paulo, revelou cadeias dominadas, com presos hierarquizados que gerenciavam as unidades, orientados por preceitos PCC. Apesar de criticar a expressão “escola do crime” por entender que o termo simplifica o problema, ele aponta que até na Fundação Casa a maioria dos internos orienta-se a partir da cartilha da facção.

Boa parte dessa mão de obra que vem sendo posta à disposição do PCC é formada por jovens, negros e sem antecedentes criminais que chegaram à prisão enquadrados pela Lei de Drogas (11.343/2006). Dados levantados pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da USP, revelaram um aumento de 320% das prisões por tráfico de drogas desde a sua implantação. É que a lei acabou com a pena de prisão para usuários e porte de pequena quantidade de drogas e aumentou a pena para o traficante – punindo com regime fechado mesmo aqueles que não têm antecedentes criminais. Mas ao não especificar o que caracteriza quem usa e quem trafica, a atribuição ficou especialmente a cargo dos policiais, o que levou a um encarceramento massivo da parcela da população tradicionalmente marginalizada.

O resultado, aponta a pesquisa, é que hoje a maior parte dos presos provisórios, que somam 180 mil pessoas, responde por tráfico de drogas. Eles são jovens de 18 a 29 anos, pobres, pouco escolarizados, sem antecedentes criminais, que portavam até 100 gramas de apenas um tipo de droga quando foram apreendidos pela polícia. Parece haver aqui o que Rafael Custódio, advogado, especialista em direito penal, chama de dupla punição: essa população vulnerável, que teve diversos direitos considerados essenciais negados no decorrer de sua vida, será agora punida por se desviar dos padrões de comportamento que não lhe foram ensinados. E, ao entrarem no sistema prisional, eles serão tutelados por mestres do crime e entrarão de fato no mundo do crime.

Avance Dilma… e leve o Brasil com você!




LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN (“Liberdade ainda que tardia“), na bandeira do Estado de Minas Gerais





O Brasil progressista, ao reeleger a presidente Dilma Rousseff em 26 de outubro de 2014, avançou mais alguns passos na direção de um país em busca da sua nova identidade, embora alguns arroubos antidemocráticos dos últimos dias tenham sido insuflados aqui e ali para que não se reconheça o resultado das urnas e impeça tal caminhada.

No pódio das democracias emergentes, o Brasil levanta o caneco do tetra, isto é, em quatro eleições presidenciais consecutivas o país escolheu o caminho da sua reconstrução. Um passo de cada vez, como deve ser, mas com segurança, não importa o ódio da direita nem as queixas de alguns radicais de esquerda.

Assumo a ousadia de dizer que com uma direita dessas o Brasil não precisa de esquerda. O ditado, eivado de alguma irresponsabilidade retórica e aqui empregado com o viés ideológico normalmente invertido, nunca foi tão verdadeiro.

Com erros políticos primários, denunciadores de um conservadorismo e de uma viseira ideológica acachapantes, para dizer o menos, a oposição ao governo de Dilma Roussef acabou colhendo o resultado que fez por merecer.

E que só não foi pior porque a impunidade dos principais órgãos de comunicação brasileiros (a maioria deles desrespeitando a própria lei eleitoral, como a Rede Globo de Televisão e a revista Veja em particular), se lançaram como cães vorazes sobre a leniência do governo em não reagir à altura aos ataques que recebe há alguns anos.

Isso contribuiu para diminuir o voto de muitos indecisos em Dilma Rousseff. Indecisos, por definição, não têm opinião própria e são fáceis de manipular.

Contudo, na contramão da intolerância e do ódio espalhados pelo Brasil do atraso, com o Estado de São Paulo na vanguarda, quero aproveitar o momento e a oportunidade deste artigo para, além de felicitar os quase 54 milhões de eleitores que fizeram a opção por um Brasil que se quer mais democrático, desenvolvido e soberano, enviar meus agradecimentos aos oposicionistas.

Um sincero agradecimento a todos àqueles oposicionistas que, com seus atos, palavras e obras (já que citar o apóstolo Paulo entrou na roda) ajudaram – e de que maneira – a reeleger a presidente Dilma Roussef.

Nesse sentido, agradeço em primeiro lugar ao PSDB cuja perspicácia levou o partido à acertada escolha de Aécio Neves como o principal candidato da oposição, mesmo sabendo nós que o naipe de alternativas ao eterno neto de Tancredo Neves não fosse assim dos mais animadores.

Aécio, jogado na cova dos leões como paladino no combate à corrupção alheia, até então razoavelmente desconhecido para muitos brasileiros fora do triângulo Minas, Rio, São Paulo, teve a oportunidade de ser exposto, desculpem, de ser mostrado ao Brasil na sua integridade: quando muito um playboy a serviço de teses e fundamentos neoliberais.

Um fantoche nas mãos do “mercado”, disposto a tomar medidas impopulares, como declarou inúmeras vezes. Ele e seu hipotético ministro da Fazenda, o cidadão de dupla cidadania Armínio Fraga.

Um segundo agradecimento vai para a senhora Marina Silva, essa contradição viva de idéias e atitudes que, abençoada pela providencia divina, segundo suas próprias palavras, desempenhou muito bem o seu papel de falsa alternativa à direita, mas logo abatida por sua própria gente que não se sentiu lá muito segura com as inconstâncias da candidata.

Até mesmo para evitar desagradáveis lembranças históricas, como as de Jânio Quadros e Collor de Melo, seus “apoiadores” trataram logo de cortar o mal pela raiz. Em política, nem sempre é preciso o uso dos genéricos.

Atriz de perfil emotivo, Marina Silva chorou e reclamou. Vitimizou-se e desempenhou razoavelmente bem o seu papel shakespereano de traição numa rede de intrigas e lances de indisfarçável hipocrisia. Demonstrou em menos de quatro semanas sua incompetência para o cargo pretendido.

No mesmo diapasão, agradecimentos também ao Partido Socialista (sic) Brasileiro, cuja ilusória perspectiva de fazer um “gato” e ligar-se ao poder político pegando carona com a direita, transformou-se em barriga de aluguel de uma candidatura sustentada pela inveja, pelo ódio e pela falta de programa de governo, ou melhor, optando por um programa “colcha de retalhos” de última hora, costurado com linhas dos mais variados interesses e sob o inacreditável e cínico slogan de “nova política”. Oportunismo, traição, sede de poder, enfim, absorvendo o partido esses “ingredientes tão reveladores” dos ideais socialistas. Eu é que não os havia entendido até agora.

Seguindo o rol de agradecimentos, não poderiam ficar sem destaque: a desfaçatez de uma imprensa cada vez mais parcial e partidarizada que esconde as informações aos leitores, isso quando não mente e as manipula; a justiça que condena sem provas, engaveta partes de processos e seleciona as ações a julgar como se ainda vivêssemos sob inquisição medieval; o imortal que entrou para a Academia Brasileira de Letras, mesmo tendo pedido para que esquecessem as letras que escreveu (contradição de doer), e que do alto da sua sociologia acusou antidemocraticamente aos que não votaram no seu partido de serem pessoas desinformadas e ignorantes.

Sim, agradecimentos encomiásticos e especiais, pois, a Fernando Henrique Cardoso pela sua preconceituosa sinceridade contra os nordestinos e cuja clareza de raciocínio, no caso, não é nada encontrável em seus escritos; ao ex-juiz do STF, doutor Joaquim Barbosa, ativo batalhador pela democracia em causa própria, por investigar, relatar, julgar e condenar à fogueira, acesa pelos “homens de bem desse país”, os réus que não puderam se defender, escancarando para o Brasil e para o mundo um julgamento forjado, escamoteado, de exceção; ao cineasta Fernando Meireles, convém aqui lembrar de passagem, que filmou Saramago e não entendeu nada; ao vituperioso Arnaldo Jabor, esse Machado de Assis às avessas, cujo ressentimento contra esquerdistas, exalado de seus textos, o aproxima de um bom psicanalista. Ou psiquiatra?

Agradecimentos especiais ainda ao camarote VIP do Itaú, que na abertura da Copa do Mundo em São Paulo, demonstrou a toda gente sua cultura cívica e sua delicada intolerância, porventura conquistada em ambientes refinados de salões parisienses, universidades alemãs e inglesas ou mesmo em resorts de Miami.

Em sua contradição cultural os VIPs comportaram-se como a ralé, que tanto gostam de condenar e lançaram a palavra de ordem contra a presidente Dilma expressando aos gritos e com galhardia suas próprias fantasias sexuais…

Agradecimentos também aos comunistas arrependidos e convertidos ao mais indisfarçável oportunismo político como as patéticas figuras de Roberto Freire, Alberto Goldman, Aloysio Nunes Ferreira, José Aníbal que muito provavelmente no passado abraçaram o comunismo como quem abraça a um dogma religioso e acreditaram que operários só chegam ao poder através da “revolução do proletariado”. Marx, em seu túmulo londrino, deve ter rolado de rir pela leitura mecanicista que fizeram e continuam a fazer da História.

Aos atores, atrizes, cantores e cantoras que no início de seu ostracismo profissional pegaram uma carona no antipetismo para ver se ainda conseguem aparecer na mídia e, quem sabe, emplacar uma novelinha ou um cedezinho qualquer.

Quem tem medo do Lobão mau? Heim? Terá ele confundido a Chapeuzinho Vermelho como uma terrível comuno-petista?

Por último, mesmo não sendo o mais importante, um carinhoso agradecimento a Diogo Mainardi que, vivendo no país de Dante e Michelangelo, estranhamente aprofundou seus conhecimentos em antas e bovinos, estendendo a outros seres vivos, como ele, o tão caro direito à liberdade de expressão e de opinião, pois ao ofender o nordeste brasileiro chamando seus habitantes de bovinos, Mainardi inaugurou e ampliou o alcance dessa liberdade aos asininos.

Contudo, apesar desses sinceros agradecimentos e até por causa deles, toda atenção é pouca. Diante de tantas ações de inegável estultícia política e desconhecimento do país real, esse que a mídia insiste em esconder ou denegrir, o que sobra para a direita mais exaltada e seus ideólogos e militantes de Twitter e Facebook, diante de mais uma derrota eleitoral, é o caminho da irresponsabilidade. Ou o respeito à democracia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

TODOS SOLTOS!




IVAN VALENTE

TODOS SOLTOS!

O jornalista, escritor e colunista da Folha de São Paulo, Elio Gaspari, publicou um artigo neste jornal no último domingo (19), em que faz um inventário dos casos de corrupção durante o governo FHC, envolvendo diretamente os tucanos. o Artigo de Gaspari é uma contribuição importante para a memória nacional e para a desmistificação do falso moralismo tucano. Por isso acreditamos que o PSDB não é alternativa para combater a corrupção no Brasil. O que precisamos de fato é de pressão social por uma reforma política democrática, que acabe com o financiamento privado de campanha e estabeleça regras capazes de ampliar a participação e a fiscalização popular, única forma de se garantir uma política com ética e transparência.


Segue o artigo na íntegra.


Elio Gaspari - Folha de São Paulo 19/10/2014

http://www1.folha.uol.com.br/…/1534741-todos-soltos-todos-s…



TODOS SOLTOS, TODOS SOLTOS, ATÉ HOJE

Nos debates medíocres da TV Bandeirantes e do SBT, em que Dilma Rousseff parecia disputar a Presidência com Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves parecia lutar por um novo mandato em Minas Gerais, houve um momento estimulante. Foram as saraivadas de cinco "todos soltos" desferida pela doutora.

Discutia-se a corrupção do aparelho petista e ela arrolou cinco escândalos tucanos: "Caso Sivam", "Pasta Rosa", "Compra de votos para a reeleição de FHC", "Mensalão tucano mineiro" e "Compra de trens em São Paulo". A cada um, ela perguntava onde estavam os responsáveis e respondia: "Todos soltos". Faltou dizer: todos soltos, até hoje.

Não foi Dilma quem botou a bancada da Papuda na cadeia, foi a Justiça. Lula e o comissariado petista deram toda a solidariedade possível aos companheiros, inclusive aos que se declararam "presos políticos". Aécio também nada tem a ver com o fato de os tucanos dos cinco escândalos estarem soltos. Eles receberam essa graça porque o Ministério Público e o Judiciário não conseguiram colocar-lhes as algemas. O tucanato deu-lhes graus variáveis de solidariedade e silêncio.

Pela linha de argumentação dos dois candidatos, é falta de educação falar dos males petistas para Dilma ou dos tucanos para Aécio. Triste conclusão: quando mencionam casos específicos, os dois têm razão. A boa notícia é que ambos prometem mudar essa escrita.

A doutora Dilma listou os cinco escândalos tucanos, todos do século passado, impunes até hoje. Vale relembrá-los.

CASO SIVAM

Em 1993 (governo Itamar Franco), escolheu-se a empresa americana Raytheon para montar um sistema de vigilância no espaço aéreo da Amazônia. Coisa de US$ 1,7 bilhão, sem concorrência. Dois anos depois (governo FHC), o "New York Times" publicou que, segundo os serviços de informações americanos, rolaram propinas no negócio. Diretores da Thomson, que perdera a disputa, diziam que a gorjeta ficara em US$ 30 milhões. Tudo poderia ser briga de concorrentes, até que um tucano grampeou um assessor de FHC e flagrou-o dizendo que o projeto precisava de uma "prensa" para andar. Relatando uma conversa com um senador, afirmou que ele sabia "quem levou dinheiro, quanto levou".

O tucano grampeado voou para a Embaixada do Brasil no México, o grampeador migrou para o governo de São Paulo e o ministro da Aeronáutica perdeu o cargo. Só. FHC classificou o noticiário sobre o assunto como "espalhafatoso".

PASTA ROSA

Em agosto de 1995, FHC fechou o banco Econômico. Estava quebrado e pertencia a Ângelo Calmon de Sá, um príncipe da banca e ex-ministro da Indústria e Comércio. Numa salinha do gabinete do doutor, a equipe do Banco Central que assumiu o Econômico encontrou quatro pastas, uma da quais era rosa. Nelas estava a documentação do ervanário que a banca aspergira nas eleições de 1986, 1990 e 1994. Tudo direitinho: 59 nomes de deputados, 15 de senadores e 10 de governadores, com notas fiscais, cópias de cheques e quantias. Serviço de banqueiro meticuloso. Havia um ranking com as cotações dos beneficiados e alguns ganharam breves verbetes. No caso de um deputado, registravam 43 transações, 12 com cheques.

Nos três pleitos, esse pedaço da banca deve ter queimado mais de US$ 10 milhões. A papelada tornara-se uma batata quente nas mãos da cúpula do Banco Central. De novo, foi usada numa briga de tucanos e deu-se um vazamento seletivo. Quando se percebeu que o conjunto da obra escapara ao controle, o assunto começou a ser esquecido. FHC informou que os responsáveis pela exposição pagariam na forma da lei: "Se for cargo de confiança, perdeu o cargo na hora; se for cargo administrativo, será punido administrativamente". Para felicidade da banca, deu em nada.

COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO DE FHC

Em maio de 1997, os deputados Ronivon Santiago e João Maia revelaram que cada um deles recebera R$ 200 mil para votar a favor da emenda constitucional que criou o instituto da reeleição dos presidentes e governadores. Ronivon e Maia elegiam-se pelo Acre e pertenciam ao PFL, hoje DEM. Foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Ronivon voltou à Câmara em 2002. De onde vinha o dinheiro, até hoje não se sabe.

MENSALÃO TUCANO MINEIRO

Em 1998, Eduardo Azeredo perdeu para o ex-presidente Itamar Franco a disputa em que tentava se reeleger governador de Minas Gerais. Quatro anos depois, elegeu-se senador e tornou-se presidente do PSDB. Em 2005, quando já estourara o caso do mensalão petista, o nome de Azeredo caiu na roda das mágicas de Marcos Valério. Quatro anos antes de operar para o comissariado, ele dava contratos firmados com o governo de Azeredo como garantia para empréstimos junto ao banco Rural (o mesmo que seria usado pelos comissários.) O dinheiro ia para candidatos da coligação de Azeredo. O PSDB blindou o senador, abraçou a tese do "caixa dois" e manteve-o na presidência do partido durante três meses.

Quando perdeu a solidariedade de FHC, Azeredo disse que, durante a disputa de 1998, ele "teve comitês bancados pela minha campanha". Em fevereiro passado, o Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia do procurador-geral contra Azeredo e ele renunciou ao mandato de deputado federal (sempre pelo PSDB). Com isso, conseguiu que o processo recomeçasse na primeira instância, em Minas Gerais. Está lá.

COMPRA DE TRENS EM SP

Assim como o caso Sivam, o fio da meada da corrupção para a venda de equipamentos ao governo paulista foi puxado no exterior. O "Wall Street Journal" noticiou em 2008 que a empresa Alstom, francesa, molhara mãos de brasileiros em contratos fechados entre 1995 e 2003. Coisa de US$ 32 milhões, para começar. O Judiciário suíço investigava a Alstom e tinha listas com nomes e endereços de pessoas beneficiadas. Um diretor da filial brasileira foi preso e solto. Outro, na Suíça, também foi preso e colaborou com as autoridades.

Um aspecto interessante desse caso está no fato de que a investigação corria na Suíça, mas andava devagar em São Paulo. Outras maracutaias, envolvendo hierarcas da Indonésia e de Zâmbia, resultaram em punições. Há um ano a empresa alemã Siemens, que participava de consórcios com a Alstom, começou a colaborar com as autoridades brasileiras e expôs o cartel de fornecedores que azeitava contratos com propinas que chegavam a 8,5%.

Em 2008, surgiu o nome de Robson Marinho, chefe da Casa Civil do governo de São Paulo entre 1995 e 2001, nomeado ministro do Tribunal de Contas do Estado. Em março passado, os suíços bloquearam uma conta do doutor num banco local, com saldo de US$ 1,1 milhão. Ele nega ser o dono da arca, pela qual passaram US$ 2,7 milhões. (Marinho tem uma ilha em Paraty.) O Ministério Público de São Paulo já denunciou 30 pessoas e 12 empresas. Como diz a doutora, "todos soltos".

Porque toda mulher deve ser tratada com dignidade e respeito, mesmo quando puta.

sábado, 1 de novembro de 2014

Carta aberta aos jornalistas da Abril e da Globo



Por José Carlos de Assis*


Vocês perderam a eleição. Protagonizaram a campanha mais sórdida jamais realizada por órgãos de imprensa em toda a história da República, e assim mesmo perderam. Tentaram envenenar a opinião pública brasileira contra uma candidatura, distorceram fatos, inventaram outros, e orquestraram no mesmo diapasão uma opinião seletiva sobre inquéritos policiais em andamento, atropelando todos os protocolos de comportamento ético de uma imprensa que, mesmo não sendo nunca imparcial na opinião, deveria ao menos tentar sê-lo no noticiário.

Entretanto, não escrevo para celebrar a sua derrota. Muitos já o tem feito. Ao contrário, tomo a liberdade de lhes escrever pelo cuidado que tenho com o seu destino. Gosto da alta qualidade material dos produtos que oferecem à sociedade. As novelas da Globo são sem paralelo no mundo. Os casos de ficção e mesmo as reportagens especiais são de categoria internacional. O mesmo se aplica às revistas não ideológicas da Abril. Contudo, tudo isso está sendo colocado em risco pelo jornalismo sórdido que vocês praticam.

Tenho idade para ter visto muitos impérios jornalísticos brasileiros que se destruíram, ou que foram destruídos pela concorrência. O seu pode ser o próximo. Vocês, nessa campanha presidencial, ao escolheram um lado com o sectarismo principista de um Estado Islâmico, foram além da crítica ao governo para atacar as próprias bases do Estado democrático. Vocês foram ao extremo de subverter o processo judicial envolvendo o poder da República que deveria ser o mais respeitado, a Justiça, em maquinações eleitoreiras rasteiras e macabras. Não fosse a internet, depurando o noticiário, e vocês teriam ganho.

Sei que o caminho suicida que escolheram era uma aposta na candidatura que lhes parecia a mais adequada para tirá-los das dificuldades empresariais e afastar o risco de uma regulamentação mais democrática da mídia. No primeiro caso, o fato de ambas as organizações serem os beneficiários das duas maiores contas de publicidade do governo parece não lhes ser satisfatório. Ou querem mais ou tem medo de perder o que tem. No segundo caso, o risco é um marco regulatório que quebre o monopólio de algumas mídias.

Sim, porque os verdadeiros democratas brasileiros não querem muito mais do que aquilo que os norte-americanos têm. Não me consta que a NBC, a ABC ou a CNN sejam proprietárias de jornais e revistas nos Estados Unidos. Por outro lado, não me consta que o New York Times ou o Wall Street Journal sejam donos de televisões e rádios. Quebrar o monopólio jornalístico da Globo no Brasil não seria diferente do que Cristina Kirchner fez com o Clarín na Argentina, e isso, é preciso reconhecer, simplesmente segue o padrão americano e não tem nada a ver com violação da liberdade de imprensa.

Esta é uma questão política da mais alta relevância, e se alguém, de um ponto de vista imparcial, analisa a campanha presidencial que acaba de ser encerrada encontra amplas justificativas para querer a busca de um marco regulatório adequado. Entretanto, isso é também uma questão econômica, tendo em vista a concorrência no mundo da mídia. A articulação de jornal, televisão e rádio traz óbvias vantagens comerciais monopolísticas para seu dono, além de um inequívoco poder político que pode ser manipulado contra concorrentes, mas também contra a democracia.

Trabalhei sete anos no Jornal do Brasil até pouco antes do início de sua decadência. O JB, quando lá entrei no começo dos anos 70, era dono absoluto do mercado de pequenos anúncios. Quando muitos, e esse era o caso, era a melhor fonte de receita do jornal porque o anúncio era pago adiantado na boca do caixa. Pois bem, a certa altura O Globo decidiu entrar pra valer no mercado de pequenos anúncios. Se fosse jornal contra jornal, tudo bem. Mas o Globo lançou todo o peso da televisão para anunciar seus classificados. Aos poucos, liquidou com o negócio do JB, que não tinha televisão para defender-se.

Esse pequeno incidente revela o verdadeiro poder dos monopólios midiáticos. Quando se trata de política, esse poder é multiplicado. Basta lembrar das consultas obrigatórias que os presidentes faziam a Roberto Marinho sobre iniciativas importantes no tempo em que ele estava em pleno vigor físico. Os herdeiros estão longe da habilidade política do pai, e estão entrando num terreno perigoso de oposição sistemática ao governo. Isso acontece sobretudo na Veja e, principalmente, no Jornal da Globo.

Quando William Waack, Carlos Alberto Sardenberg e Arnaldo Jabor extrapolam sua função de apresentadores e comentaristas para assumirem o papel de doutrinadores raivosos contra a política externa ou interna do governo, manipulando descaradamente o noticiário, é, em sua essência, uma violação das regras de concessão pública de televisão e põem em risco uma organização que, fora da política, é líder absoluta da produção audiovisual na América Latina. Acho que interessa a todos os brasileiros que essa liderança seja conservada e ampliada. Espera-se que o jornalismo da Globo e de Veja não ponham tudo a perder, não junto ao governo, mas junto a telespectadores, leitores e anunciantes, sendo varrido da cena pelo noticiário plural da internet.




*José Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB

A ‘nova direita’ brasileira lembra cada vez mais a velha direita venezuelana

Herdeiro do Estadão em evento do PSDB



Via: Diario de Centro do Mundo

Paulo Nogueira

A direita brasileira lembra cada vez mais a venezuelana.

Tumultua, dá golpes baixos, mente — se agarra loucamente, enfim, a privilégios que fizeram do Brasil um dos grandes campeões mundiais em desigualdade.

Veja esta questão da recontagem de votos pedida pelo PSDB.

O mesmíssimo expediente foi utilizado pela direita venezuelana depois que Maduro venceu Caprilles.

A mídia venezuelana – como a brasileira, a voz da direita enraivecida – tentou de todas as formas transformar a vitória nas urnas de Maduro e do chavismo numa fraude para justificar a tentativa de golpe branco.

Observadores estrangeiros isentos acompanharam as eleições venezuelanas. Jimmy Carter, pessoalmente, investigou o método eleitoral da Venezuela e o classificou como um dos mais seguros do mundo.

Mas nada disso deteve o tumulto promovido pela direita.

Lá, como todos sabiam que ia acontecer, a recontagem apenas confirmou a vitória de Maduro.

A mesma coisa ocorre agora no Brasil.

Não bastam todas as delinquências durante a campanha: o uso de pesquisa fajuta por Aécio, a complacência da mídia amiga em investigar coisas como o helicóptero dos Perrelas e o aeroporto de Cláudio – e sobretudo a capa criminosa da Veja em cima das eleições.

Não bastam também as monstruosidades pós-eleições, como a torrente de insultos aos nordestinos partida da direita, dos quais o mais simbólico foi o de Diogo Mainardi na Globonews.

Não basta nada, na verdade: agora, o ataque é dirigido contra os votos dos brasileiros.

É a plutocracia contra a democracia, como escreveu recentemente Paul Krugman, Nobel da Economia. Ele estava se referindo aos Estados Unidos, mas podia estar falando do Brasil, tamanhas as semelhanças.

O filósofo Paulo Eduardo Arantes, professor aposentado da USP, fez há poucos dias considerações interessantes sobre o que definiu como “nova direita” brasileira.

Para ele, ela surgiu depois das Jornadas de Junho. Seu objetivo, segundo Arantes, não é fazer política e conquistar votos: é apenas impedir qualquer mudança no status quo.

Ele nota o que classifica como “relação assimétrica” entre a “nova direita” e a esquerda. A esquerda – moderada, como ele corretamente assinala – se vale dos instrumentos clássicos de fazer política.

A direita atropela qualquer coisa. E, para reforçar a assimetria, é bancada pelas grandes corporações.

O novo governo Dilma está sendo forçado a realizar uma coisa que Luciana Genro na campanha disse ser vital quando você quer promover uma sociedade mais igualitária: contrariar interesses.

Lula, como o grande conciliador que sempre foi, evitou isso ao máximo em seus oito anos, e foi seguido por Dilma.

A maior demonstração disso está nas bilionárias verbas publicitárias federais que nestes anos todos abasteceram os cofres da voz da direita: as grandes companhias de mídia.

Sem enfrentar essa voz a assimetria de que fala o filósofo será cada vez maior.

O primeiro passo, aí, seria um simples choque de capitalismo.

Examinar, a partir da chamada base zero, o quanto se está colocando de dinheiro público na grande mídia para verificar quanto é justo que se coloque.

Isto está em todo manual de administração.

O SBT, para ficar apenas num caso, merece 150 milhões de reais por ano?

Isto se chama meritocracia.

A real meritocracia, não aquela cínica que Aécio usou demagogicamente em sua campanha.