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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Haddad mantém promessa de campanha para habitação


Haddad se compromete a priorizar programas habitacionais em São Paulo


Compromisso foi assumido pelo prefeito em reunião nesta terça-feira (8), após mobilização dos movimentos que lutam por moradia. Mesmo com diálogo, lideranças dos sem-teto afirmam que pressão vai continuar


Após pressionar o governo com as últimas ocupações em prédios no centro e na zona leste de São Paulo, lideranças dos movimentos que lutam por moradia se reuniram nesta terça-feira (8) com o prefeito Fernando Haddad. O objetivo do encontro foi conseguir que Haddad reassumisse o compromisso de priorizar programas habitacionais na cidade, com a meta global de 55 mil novas unidades até o fim da gestão.

Depois do encontro, realizado na sede da prefeitura, os representantes afirmaram que, apesar de Haddad não ter recuado diante das propostas, as mobilizações irão continuar. “Essas moradias têm que sair de imediato, e não só no fim do governo. Nós temos mais de 40 mil imóveis abandonados no centro da cidade que não cumprem a função social da propriedade. Vamos fazer de tudo para que a meta seja cumprida”, afirmou Nelson da Cruz Souza, coordenador geral do Movimento de Moradia da Região Central (MMRC).

Das 55 mil habitações populares que estão inseridas no programa de governo do prefeito, 20 mil serão para atender as famílias organizadas pelos movimentos de moradia. Haddad reafirmou que a habitação é um dos quatro eixos de seu governo e que irá trabalhar para atingir o objetivo estabelecido.

“Mesmo tendo diálogo, não vamos parar de fazer a luta, porque a necessidade do povo fala mais alto”, disse Luiz Gonzaga da Silva (Gegê), coordenador da Central de Movimentos Populares.


Em Belém, zona leste de SP, prédio foi ocupado por 200 sem-teto.
Foto: Douglas Pereira Gomes


Ocupações

Na madrugada de segunda-feira (7), dois prédios foram ocupados em São Paulo. Um localizado no bairro Belém, na divisa entre o centro e a zona leste, e o outro no bairro Santa Ifigênia, região central. Em ambas as ocupações, as famílias aguardam as negociações entre o governo e as lideranças do movimento.

Fonte: brasildefato.com.br

A favela agora virou a alma do negócio


Unidades de Polícia Pacificadora garantem livre acesso do capital nas comunidades empobrecidas do Rio de Janeiro



Katarine Flor e Gláucia Marinho,

do Rio de Janeiro (RJ)


A atual política de intervenção militar nas favelas cariocas, implementada por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), criou um novo cenário nas comunidades empobrecidas da cidade. A imposição do Estado policial e a entrada do capital comercial nesses espaços geram novas tensões para a favela, sendo que uma das principais é a especulação imobiliária. Os preços dos alugueis e o custo dos serviços e das mercadorias provocam a saída de muitos moradores antigos. É o que chamamos de “remoção branca”. Esse aumento geral do custo de morar na favela levam a uma expulsão dos moradores sem precisar de tratores ou de dar um tiro.

A intervenção militar é legitimada pelo discurso de guerra civil, poder paralelo e regiões sitiadas por traficantes e/ou milicianos. Esta propaganda, repetida ao longo dos últimos anos pelos Governos e pela mídia, se espalhou por toda a cidade e virou quase um consenso. No Rio de Janeiro, mais de 20% dos habitantes vivem em favelas. São cerca de 1,3 milhão pessoas em 763 comunidades, que movimentam R$ 13 bilhões por ano. Este valor supera o Produto Interno Bruto (PIB) de diversas capitais brasileiras como Florianópolis, Natal e Cuiabá.

“Com a instalação das UPPs nas favelas o capital pode se instalar nessas regiões com algum nível de segurança jurídica e patrimonial, que antes ele não gozava”. Esta é a opinião do professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Rodrigo Castelo.



O mercado sobe o morro

E isso vem acontecendo massivamente desde a instalação das primeiras UPPs. O mercado está de olho no potencial de compra dos moradores destas localidades. “O poder econômico da favela é muito forte”, avalia Romualdo Ayres, diretor de Sustentabilidade na Associação Brasileira de Franchising. Todas as franquias brasileiras juntas faturarão, em 2012, quase R$ 14 bi. Enquanto isso, o PIB das favelas é de R$ 13 bi. “A disponibilidade de renda desse povo todo é quase a disponibilidade de renda de todas as franquias do Brasil. Tem toda uma alimentação econômica deixada pelo tráfico que precisa ser substituída”, afirma Ayres.

Histórias de empreendimentos bem sucedidos, mesmo antes da implementação das UPPs, animam ainda mais os investidores. É o caso do curso de idiomas Yes, na favela da Rocinha. A unidade instalada no morro tinha 750 alunos matriculados, bem acima da média das 550 matrículas registradas nas demais unidades da cidade. Esse tipo de investimento é muito seguro e tem um baixíssimo índice de inadimplência.

A entrada massiva das empresas nas favelas evidencia um interesse do capital por trás do discurso de segurança pública. “Esse processo que acontece nas comunidades populares aqui do Rio de Janeiro integra claramente os interesses do capital apoiado pelos interesses do Estado”, afirma Rodrigo Castelo. Ele lembra que até pouco tempo, as favelas eram tidas como um repositório de mão de obra barata para regiões centrais do Rio e, ao mesmo tempo, como "antros da criminalidade".


O novo olhar do capital para as favelas


A mudança de posicionamento do mercado, apoiado pelo Estado, se dá a partir do momento em que as favelas passam a ser vistas como espaços muito lucrativos. “Daí vem a instalação das grandes cadeias de cinema, alimentação, de bancos e de financeiras”, diz Castelo. Segundo o professor, a entrada destas empresas pode gerar o aumento do emprego e renda nestas comunidades, entretanto pode, também, trazer o empobrecimento. “Vai gerar emprego e renda nas favelas. Não há como negar essa realidade, mas estes empregos e esta renda vão ser suficientes para cobrir o aumento das despesas que as pessoas que moram lá vão passar a ter?”, questiona.

O professor avalia que em um primeiro momento este movimento vai gerar riqueza, que poderá ser seguido do empobrecimento de muitos moradores. “Vai ocorrer, de fato, algo que já está acontecendo em algumas localidades: as pessoas não terão capacidade financeira de se manterem naquele espaço”, avalia.

Em novembro, a Prefeitura do Rio anunciou que vai encaminhar à Câmara um projeto de reforma do IPTU. Atualmente, moradores de áreas consideradas de risco são isentos da taxa. Apenas 40% dos imóveis residenciais cadastrados pagam o imposto. Com a mudança, esse percentual vai para 97%. E vai ter dinheiro para tudo isso?




Especulação imobiliária invade as favelas

De acordo com o Sindicato da Habitação do Rio (Secovi/RJ), o Rio de Janeiro ganhou, recentemente, pelo menos mais um componente inflacionário: a criação das UPPs instaladas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. De 2008 para cá, a Secretaria de Segurança Pública implantou 31 UPPs. Deste então, em algumas favelas e morros os preços dos imóveis foram valorizados em 100% ou mais.

Além do custo dos imóveis, a regularização dos serviços de luz e água, sem programas específicos para pessoas de baixa renda, eleva o custo da vida na favela. Ao morador que não puder pagar por estes serviços, restará a opção de vender o imóvel e se mudar para uma área da cidade distante e sem serviços púbicos adequados. É esta a chamada remoção branca. Sem usar a palavra remoção, o Estado estaria fomentado a saída dos antigos moradores de áreas hoje valorizadas. E então, a classe média vai ocupar aqueles morros com vista divina sobre a “cidade maravilhosa”.

As UPPs têm duas pernas: a militarização e a mercantilização nas favelas. Atualmente, o teleférico do Morro do Alemão recebe mais turistas do que o bondinho do Pão de Açúcar. Chegando a registrar em novembro de 2012 mais que o dobro das visitas recebidas pelo Pão de Açúcar, tradicional cartão postal do Brasil.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Mercadante: "vender hora-aula não é vender sabonete". MEC reprova cursos universitários da PUC -São Paulo, PUC-Rio e Mackenzie

ÓDIO AO ENEM


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

“O Enem é um sucesso. O ódio dos conservadores ao Enem tem origem na exclusão social, no sentimento arraigado da escravidão, no elevador de serviço, no quartinho da empregada doméstica e no serviçal que limpa as ruas, os escritórios e as residências”.


Jornalista fuinha da "grande" imprensa: reacionário e porta-voz dos interesses patronais.




Eu me formei em meados da década de 1980 em Comunicação Social, no curso de Jornalismo. Estudei na Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Assistia às aulas no Campus da Urca, bairro de classe média alta onde se localizam o Pão de Açúcar e o Forte de São João. Um paraíso, com praias e mata atlântica e animais silvestres de pequenos portes. Entretanto, uma realidade me chamava atenção. Dos cerca de 250 alunos, apenas dois eram negros. Um homem e uma mulher, porém, filhos da classe média.

No período que cursei a faculdade conheci gente endinheirada, de classe média e média alta e até remediada — esta última era minoria. Filhos ou parentes de grandes empresários ou de pessoas famosas também frequentavam os bancos universitários da ECO. Os professores, muitos deles, eram conhecidos no meio acadêmico, cultural, político e até artístico. Poder-se-ia dizer que era a “elite” da “elite”, como gostam de falar as fuinhas sobre FHC e José Serra, que escrevem suas opiniões nos grandes jornais e revistas e vivem a tecer seus comentários nas rádios e nas televisões do empresariado proprietário dos meios de comunicação de negócios privados.

Fuinhas predadoras que gostam do sabor e do cheiro de sangue daqueles que não foram cooptados pelo establishment e muito menos se tornaram cúmplices ou aliados de seus patrões, que são os porta-vozes dos trustes nacionais e internacionais e por isso fazem um jornalismo de combate sistemático aos governos trabalhistas, bem como criam crises intermináveis como forma de minar o trabalho de reconstrução do Brasil que está a ser feito, além de tomarem para si o papel que deveria ser efetivado pela oposição partidária (PSDB, DEM e PPS), que, incompetente e fracassada, abriu mão de seu espaço político e ficou à mercê de pautas elaboradas por jornalistas e empresários que, sabidamente, não compreendem a revolução silenciosa que aconteceu no Brasil, em todos os sentidos, a partir de 2003.

Aliás, quando o povo resolveu votar no líder trabalhista Lula, o próprio deu início à revolução, sem sequer dar um tiro naqueles que durante séculos lhe negaram até o acesso à segurança alimentar, porque no Brasil sectário, ou seja, edificado para poucos, construído pelas “elites” brasileiras proprietárias dos meios de produção não havia emprego para os trabalhadores deste poderoso País da América do Sul, na verdade até então um paraíso para que os ricos e os muito ricos ganhassem muito dinheiro, especialmente por intermédio da recessão e do arrocho salarial, porque a grana dessa gente era praticamente oriunda da especulação. Por isso e por causa disso, a gritaria da imprensa golpista contra a diminuição das taxas de juros e, principalmente, contra o ministro da Economia, o trabalhista Guido Mantega, que tem apostado na produção e não na jogatina do mercado. Ponto.

Quando Lula paga a dívida externa e fomenta a economia interna, como trabalhista que é, volta-se à educação, por saber que com o crescimento exponencial do comércio, da indústria e do consumo seria necessário construir escolas técnicas, universidades, cursos de extensão, aumentar o orçamento para a educação, e, sobretudo, democratizar o ensino público, especialmente no que tange às oportunidades para que os filhos de pobres pudessem entrar nas universidades federais, até então clubes privados para as classes sociais hegemônicas, que se beneficiaram durante décadas com os vestibulares, os cursinhos e com os anos estudados em escolas primárias e secundárias privadas, consideradas de ponta por causa de excelência do ensino oferecido.

Um sistema viciado, porque privilegiava aqueles que podiam pagar estudos para seus filhos em detrimento dos filhos de trabalhadores, que, se quisessem estudar, teriam de trabalhar de dia e frequentar a faculdade particular à noite. Esta é a realidade e a verdade. Todavia, considero que os ricos ou os muito ricos tenham também o direito de frequentar os bancos universitários financiados pelo estado nacional, porém, totalmente inapropriado e superado o sistema antigo de acesso à universidade pública, no qual negros, índios, pobres e deficientes simplesmente não tinham a oportunidade de sonhar com uma vaga, por exemplo, na UFRJ ou na UnB, quanto mais ocupá-la.

Portanto, é por causa dessas questões que o sistema midiático de caráter hegemônico e que se recusa, terminantemente, a pensar o Brasil tem tanto ódio de Lula. Seus porta-vozes, verdadeiras fuinhas “mauricinhas” não se conformam e sabotam e boicotam o quanto possível qualquer programa ou projeto de governo que vise desenvolver a economia do País e principalmente diminuir as diferenças entre as classes sociais, bem como as regionais. Realidades que estão a acontecer, sendo que o maior sintoma é a diminuição da migração interna. Para se certificar, basta acessar os números do IBGE, da FGV e dos ministérios do Planejamento e da Fazenda e consequentemente verificar que o brasileiro está vivenciando um ciclo formidável, que, inclusive, colocou o Brasil na sexta posição das nações mais ricas e poderosas do mundo.

Durante o período de FHC — o Neoliberal —, o Brasil saiu da nona posição para a 15ª. Um disparate e desfaçatez. Irresponsabilidade e inconsequência. Nem emprego o País tinha para oferecer ao povo brasileiro. FHC vendeu o Brasil e não investiu na população e muito menos na infraestrutura. O salário mínimo era ridículo (ainda é baixo, mas teve aumentos substanciais, porque virou política de estado), os funcionários públicos ficaram oito anos sem aumento, não havia concurso público, os salários dos trabalhadores foram achatados, porque não havia o ganho real e nem reposição, as reservas internacionais chegaram a patamares perigosos, enquanto o ex-presidente Lula quando saiu do poder deixou o Brasil com reservas de quase US$ 350 bilhões de dólares. A verdade é que o Brasil de devedor passou a emprestar dinheiro para o FMI cujos técnicos nunca mais vieram ao País na condição de fiscais que davam sermões e ordens.

FHC não construiu uma única escola técnica e abandonou as universidades públicas, pois, além de não construir também uma sequer, gente de seu governo privatista ainda propôs que os alunos pagassem mensalidades para frequentá-las, o que iria, sobremaneira, elitizá-las ainda mais do que já eram. A ironia é que FHC — o Neoliberal — é professor vinculado à academia, e como gestor também foi um fracasso nessa área. Lula construiu 214 escolas técnicas, número maior do que todos os presidentes do Brasil juntos, no que diz respeito à construção dessas escolas. O político trabalhista e do PT ainda construiu dez novas universidades federais e 45 extensões universitárias.

Incomparáveis os números de Lula com os de FHC, mas mesmo assim, por causa de preconceito, intolerância e ideologia, a imprensa, setores conservadores da sociedade e parte da classe média abduzida pelos valores e princípios das classes dominantes se recusam a reconhecer, quiçá perceber que o Governo Lula, por intermédio do Enem, do Sisu, do Fies, do ProUni e do aumento do orçamento para a Educação propiciou o acesso dos estudantes ao ensino público universitário, porque para o sistema de universidades e de escolas técnicas abrir suas portas para os brasileiros filhos de famílias de baixa renda seria necessário essa revolução, que se sedimenta aos poucos, paulatinamente, porque se atende muita gente, o que é sempre um complicador. Em 2012, por exemplo, quase 5,8 milhões de estudantes se inscreveram no Enem.

Esse sistema é grandioso, mas é sabotado pela imprensa alienígena, por alguns promotores, principalmente os do Ceará, e por criminosos, a exemplo daquele que furtou provas na gráfica da Folha de S. Paulo, sendo que, de forma surreal, tal furto virou manchete do próprio jornal. Posteriormente, o diário de direita foi punido pela Justiça e pagou multa alta. É o modus operandi de os conservadores fazerem oposição, de forma ilegal, porque o que importa não são os meios e, sim, os fins, afinal 2014 se aproxima e para essa direita herdeira dos escravos ficar mais quatro anos sem ocupar a cadeira da Presidência da República é como ficar sem respirar, pois compreende que o estado nacional longe de suas mãos não vai poder beneficiá-la de maneira patrimonialista e, por conseguinte, privilegiar seus negócios mesmo se o preço for a exclusão social.

Por isso, na época, o presidente Lula, a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, o ministro da Educação e hoje prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega — hoje alvo preferencial da direita brasileira e estrangeira por causa de o PAC ser considerado investimento (e o é), da redução dos juros e do controle e fiscalização das remessas de lucros oriundas das jogatinas do mercado — aperfeiçoaram esse sistema que tem por finalidade fazer com que a educação pública recupere a credibilidade e a qualidade, bem como abra as portas para todos os estudantes brasileiros que queiram estudar e edificar uma vida digna e livre de preconceitos infames, muitas vezes demonstrados por gente “branquinha” de “olhos azuis” e que se considera superior, porque acha, talvez, que foi escolhida por Deus e por isso merece tratamento privilegiado e acima do que determina a Constituição e a cidadania.

A verdade é que as fuinhas da imprensa, seus patrões e a direita em geral, inclusive os setores conservadores do Ministério Público, do STJ e do STF sabem que o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma têm alta popularidade, e um dos motivos é que o Enem, o Sisu, o ProUni e o Fies são as razões desse apreço que se transforma em milhões de votos para os trabalhistas, que há dez anos estão no poder e têm muita chance de conquistar mais um mandato presidencial em 2014. Esta é a razão do ódio político, racial e de classe social da direita brasileira, que nunca deu nada para o povo, porque somente soube tirar quando esteve no poder.

Os números do Enem e do Sisu de 2013 são grandiosos e inquestionáveis para o desgosto e o inconformismo ressentido dos tucanos, que estão a cortar os pulsos e da imprensa de mercado, alienígena e que odeia o Brasil. Observe os números: 101 instituições participantes; 3.751 cursos ofertados; 129.279 vagas ofertadas no Brasil; 8.296 vagas ofertadas no Ceará (estado onde o Ministério Público e a Justiça mais sabotam o Enem); 6.258 vagas ofertadas na UFC; 5,79 milhões de inscritos do Enem de 2012; e 4,175 milhões de candidatos compareceram ao de 2012.

Quer saber de uma coisa, leitor? Não está longe o dia que o sistema midiático privado de caráter golpista vai aderir ao Enem. E sabe por quê? Porque são quase seis milhões de inscritos, números que vão aumentar ano a ano. E a Globo e sua patota vão ter que pedir arrego, porque não vai ser bom para seus negócios falarem mal de um processo educacional que beneficia milhões de cidadãos, sendo que grande parte dessas pessoas é de origem simples, de baixa renda. As Organizações(?) Globo e sua trupe não vão querer perder leitores, telespectadores e principalmente consumidores. Essa gente é perversa, mas não é burra.

O Enem é um sucesso. O ódio dos conservadores ao Enem tem origem na exclusão social, no sentimento arraigado da escravidão, no elevador de serviço, no quartinho da empregada doméstica e no serviçal que limpa as ruas, os escritórios, as residências e os lares. Por isso e por causa disso, a luta incessante e violenta dos que têm muito e querem manter as coisas como estão, a ferro e fogo. É o apreço exacerbado pelo status quo; a tirania dos aquinhoados de um mundo VIP, ou seja, para poucos. Mas não importa, porque essa gente se combate com trabalho e esperança de termos um Brasil melhor. É isso aí.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

ANTONIO CANDIDO HOMENAGEIA GENOINO EM CARTA





"Tenho pensado muito em ti e na rede de destino que o colheu de maneira tão injusta. No entanto, todos os que o conhecem nunca tiveram um minuto de dúvida quanto à sua integridade de caráter e quanto à limpidez de sua trajetória de vida", escreveu o intelectual



247 - O intelectual Antonio Candido prestou sua homenagem ao "companheiro José Genoino" em carta escrita no último dia de 2012 e divulgada pelo blog Conversa Afiada. Leia:

S. Paulo, 31.12.12
Prezado companheiro José Genoino

Neste último dia de um ano tão tormentoso, quero dizer-lhe que tenho pensado muito em ti e na rede de destino que o colheu de maneira tão injusta. No entanto, todos os que o conhecem nunca tiveram um minuto de dúvida quanto à sua integridade de caráter e quanto à limpidez de sua trajetória de vida. Entre eles estou eu, admirador que sempre o considerou um militante exemplo pela sua dignidade, a coragem e a lucidez, bem como pela clarividência na evolução ideológica, registrada em livro que li faz anos e é notável como prova de percepção política.

Com os melhores votos, receba a expressão do constante apreço e o abraço cordial de

Antonio Candido

O dilema da Reforma Agrária no Brasil do agronegócio






O governo ainda não entendeu a natureza e a gravidade dos problemas sociais no campo

por João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST

A sociedade brasileira enfrenta no meio rural problemas de natureza distintos que precisam de soluções diferenciadas. Temos problemas graves e emergenciais que precisam de medidas urgentes. Há cerca de 150 mil famílias de trabalhadores sem-terra vivendo debaixo de lonas pretas, acampadas, lutando pelo direito que está na Constituição de ter terra para trabalhar. Para esse problema, o governo precisa fazer um verdadeiro mutirão entre os diversos organismos e assentar as famílias nas terras que existem, em abundância, em todo o País. Lembre-se de que o Brasil utiliza para a agricultura apenas 10% de sua área total.

Há no Nordeste mais de 200 mil hectares sendo preparados em projetos de irrigação, com milhões de recursos públicos, que o governo oferece apenas aos empresários do Sul para produzirem para exportação. Ora, a presidenta comprometeu-se durante o Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre, em 25 de janeiro de 2012, que daria prioridade ao assentamento dos sem-terra nesses projetos. Só aí seria possível colocar mais de 100 mil famílias em 2 hectares irrigados por família.

Temos mais de 4 milhões de famílias pobres do campo que estão recebendo o Bolsa Família para não passar fome. Isso é necessário, mas é paliativo e deveria ser temporário. A única forma de tirá-las da pobreza ó viabilizar trabalho na agricultura e adjacências, que um amplo programa de reforma agrária poderia resolver. Pois nem as cidades, nem o agronegócio darão emprego a essas pessoas.

Temos milhões de trabalhadores rurais, assalariados, expostos a todo tipo de exploração, desde trabalho semiescravo até exposição inadequada aos venenos que o patrão manda passar, que exige intervenção do governo para criar condições adequadas de trabalho, renda e vida. Garantindo inclusive a liberdade de organização sindical.

Há na sociedade brasileira uma estrutura de propriedade da terra, de produção e de renda no meio rural hegemonizada do modelo do agronegócio que está criando problemas estruturais gravíssimos para o futuro. Vejamos: 85% de todas as melhores terras do Brasil são utilizadas apenas para soja/ milho; pasto, e cana-de-açúcar. Apenas 10% dos fazendeiros que possuem áreas acima de 200 hectares controlam 85% de todo o valor da produção agropecuária, destinando-a, sem nenhum valor agregado, para a exportação. O agronegócio reprimarizou a economia brasileira. Somos produtores de matérias-primas, vendidas e apropriadas por apenas 50 empresas transnacionais que controlam os preços, a taxa de lucro e o mercado mundial. Se os fazendeiros tivessem consciência de classe, se dariam conta de que também são marionetes das empresas transnacionais.

A matriz produtiva imposta pelo modelo do agronegócio é socialmente injusta, pois ela desemprega cada vez mais pessoas a cada ano, substituindo-as pelas máquinas e venenos. Ela é economicamente inviável, pois depende da importação, anotem, todos os anos, de 23 milhões de toneladas (s/ç) de fertilizantes químicos que vêm da China, Uzbequistão, Ucrânia etc. Está totalmente dependente do capital financeiro que precisa todo ano repassar: 120 bilhões de reais para que possa plantar. E subordinada aos grupos estrangeiros que controlam as sementes, os insumos agrícolas, os preços, o mercado e ficam com a maior parte do lucro da produção agrícola. Essa dependência gera distorções de todo tipo: em 2012 faltou milho no Nordeste e aos avicultores, mas a Cargill, que controla o mercado, exportou 2 milhões de toneladas de milho brasileiro para os Estados Unidos. E o governo deve ter lido nos jornais, como eu... Por outro lado, importamos feijão-preto da China, para manter nossos hábitos alimentares.

Esse modelo é insustentável para o meio ambiente, pois pratica a monocultura e destrói toda a biodiversidade existente na natureza, usando agrotóxicos de forma exagerada. E isso desequilibra o ecossistema, envenena o solo, as águas, a chuva e os alimentos. O resultado é que o Brasil responde por apenas 5% da produção agrícola mundial, mas consome 20% de todos os venenos do mundo. C) Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelou que a cada ano surgem 400 mil novos casos de câncer, a maior parte originária de alimentos contaminados pelos agrotóxicos. E 40% deles irão a óbito. Esse é o pedágio que o agronegócio das multinacionais está cobrando de todos os brasileiros! E atenção: o câncer pode atingir a qualquer pessoa, independentemente de seu cargo e conta bancária.

Uma política de reforma agrária não é apenas a simples distribuição de terras para os pobres. Isso pode ser feito de forma emergencial para resolver problemas sociais localizados. Embora nem por isso o governo se interesse. No atual estágio do capitalismo, reforma agrária é a construção de um novo modelo de produção na agricultura brasileira. Que comece pela necessária democratização da propriedade da terra e que reorganize a produção agrícola cm outros parâmetros. Em agosto de 2012, reunimos os 33 movimentos sociais que atuam no campo, desde a Contag até o movimento dos pescadores, quilombolas, MST etc., e construímos uma plataforma unitária de propostas de mudanças. É preciso que a agricultura seja reorganizada para produzir, em primeiro lugar, alimentos sadios para o mercado interno e para toda a população brasileira. E isso é necessário e possível, criando políticas públicas que garantam o estímulo a uma agricultura diversificada em cada bioma, produzindo com técnicas de agroecologia. E o governo precisa garantir a compra dessa produção por meio da Conab.

A Conab precisa ser transformada na grande empresa pública de abastecimento, que garante o mercado aos pequenos agricultores e entregue no mercado interno a preços controlados. Hoje já temos programas embrionários como o PAA (programa de compra antecipada) e a obrigatoriedade de 30% da merenda escolar ser comprada de agricultores locais. Mas isso atinge apenas 300 mil agricultores e está longe dos 4 milhões existentes.

O governo precisa colocar muito mais recursos em pesquisa agropecuária para alimentos e não apenas servir às multinacionais, como a Embrapa está fazendo, em que apenas 10% dos recursos de pesquisa são para alimentos da agricultura familiar. Criar um grande programa de investimento em tecnologias alternativas, de mecanização agrícola para pequenas unidades e de pequenas agroindústrias no Ministério de Ciência e Tecnologia.

Criar um grande programa de implantação de pequenas e médias agroindústrias na forma de cooperativas, para que os pequenos agricultores, em todas as comunidades e municípios do Brasil, possam ter suas agroindústrias, agregando valor e criando mercado aos produtos locais. O BNDES, em vez de seguir financiando as grandes empresas com projetos bilionários e concentradores de renda, deveria criar um grande programa de pequenas e médias agroindústrias para todos os municípios brasileiros.

Já apresentamos também ao governo propostas concretas para um programa efetivo de fomento à agroecologia e um programa nacional de reflorestamento das áreas degradadas, montanhas e beira de rios nas pequenas unidades de produção, sob controle das mulheres camponesas. Seria um programa barato e ajudaria a resolver os problemas das famílias e da sociedade brasileira para o reequilíbrio do meio ambiente.

Infelizmente, não há motivação no governo para tratar seriamente esses temas. Por um lado, estão cegos pelo sucesso burro das exportações do agronegócio, que não tem nada a ver com projeto de país, e, por outro lado, há um contingente de técnicos bajuladores que cercam os ministros, sem experiência da vida real, que apenas analisam sob o viés eleitoral ou se é caro ou barato... Ultimamente, inventaram até que seria muito caro assentar famílias, que é necessário primeiro resolver os problemas dos que já têm terra, e os sem-terra que esperem. Esperar o quê? O Bolsa Família, o trabalho doméstico, migrar para São Paulo?



Presidenta Dilma, como a senhora lê a CartaCapital, espero que leia este artigo, porque dificilmente algum puxa-saco que a cerca o colocaria no clipping do dia.


domingo, 6 de janeiro de 2013

MORTE DE RAPPER ALARGA CINTURÃO DE ÓDIO EM SP





Grande São Paulo radicalizada; jovens morrem sob balas de bandidos que chegam gritando “é polícia!”; PMs são gravados matando a tiros; distinção entre trabalhadores, marginais, comerciantes, viciados, doentes, traficantes, artistas, estudantes e chefes de família acabou; basta estar de pé para se arriscar a tombar; ídolo dos racionais, Mano Brown (à esq.) quer impeachment do governador Geraldo Alckmin; seu parceiro DJ Lah não canta mais: “Você tem a Glock na mão, não tem a humildade de um sangue bom”; foi enterrado em Campo Limpo



247 – Na primeira chacina do ano, os bandidos encapuzados chegaram gritando: "É polícia!". Acabou tragicamente, ali, a distinção entre bandido e mocinho. Sete pessoas, sentadas à porta de um bar, morreram. Os bandidos falaram a verdade? Eram polícia mesmo? Ninguém sabe, até agora. Mas que a palavra polícia mete medo e pânico, isso é consenso. Mais de dois mil moradores da periferia foram mortos em assassinatos no último ano, nos bairros mais pobres de São Paulo. A maioria, jovens negros. Um morticínio que motivou o surgimento do Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra.

Entre o tráfico de drogas multiplicado pelas esquinas, as duplas assassinas que circulam em motocicletas atirando em aglomerações e as patrulhas mortíferas da Polícia Militar, saber quem é quem, hoje, na periferia de São Paulo, é uma missão impossível. Todos são suspeitos e são vítimas, todos podem abater e tombar nessa guerra aberta.

Mais de uma centena de jovens participaram, neste domingo 6, do enterro do rapper Laércio Grima, o DJ Lah, do grupo Conexão do Morro. Parceiro do famoso Mano Brown, o líder dos Racionais MC´s, cujo talento é reconhecido pela chamada inteligentsia, Grima tinha seu lado bem definido. Ele cantava protesto contra a pobreza e a discriminação social verificadas na região em que mora. Uma situação que levou seu parceiro Mano Brown, com quem fez algumas músicas, a pedir o impeachment do governador Geraldo Alckmin. Brown acredita que o governador tucano pratica com voz macia uma grossa política de verdadeiro extermínio da juventude periférica (assista vídeo abaxo).

Os protestos estão em cada palavra das músicas da Conexão do Morro. Há suspeita que o DJ Lah foi morto por policiais militares neste fim de semana, na chacina ocorrida no Campo Limpo. Em trechos de uma canção, intitulada como Viver No Gueto, os músicos detalham a vida de um trabalhador simples e pobre, mas sempre cercado pela polícia, que está ali não, necessariamente, para fazer a segurança de moradores:

"Ninguém é mais que ninguém / Os ratos do esgoto em cima na febre enquadrando você / Na mesma hora sabendo que pode morrer / Enquadra o cidadão, cadê o documento / Ta na mão... / Fala mais baixo que eu não sou seu irmão / Discriminação, preto ou pobre enquadrado estirado no chão / Pode crê cachorrão, eu não vacilo não / No mundo em que vivemos, pode ser, é assim que tem que ser".

Em outras canções, como a CDM, a crítica à postura da Polícia Militar é mais explícita:
"Agora a terra treme longe dos PM's...annnnnnn / A sigla é de ladrão três manos sangue bom, dj lah, mano cobra e cachorrão / agora a terra a treme aqui é cdm, cdm... / me acertaram uma perna, caralho que merda / você com essa farda mete marra / se julga o mais forte / você tem uma glock, não tem a humildade de um sangue bom"

O certo é que esse tipo de pensamento não se restringe apenas ao grupo do falecido DJ Lah, de seu Mano Brown ou de um punhado pequeno de jovens pobres. O ódio contra o sistema, a polícia e, também, a justiça está se espalhando. A continuar com a mesma falta de soluções, essa raiva ampliada pela ausência de diálogo com as autoridades, e efetivo combate ao crime, só irá aumentar.