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sábado, 3 de maio de 2014

Jean Wyllys :O que vi (e ouvi) em minha visita à Papuda

Por Jean Wyllys em seu blog

Recentemente a imprensa noticiou a respeito da diligência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias ao presídio da Papuda, destacando, de forma equivocada, que a diligência tentava garantir melhores condições ao ex-ministro José Dirceu, ou que foram encontradas ali regalias em seu tratamento ou suas instalações.

Inúmeras notícias dão a entender que houve uma grande divergência de opiniões, em especial entre a minha avaliação e a da minha colega, Mara Gabrilli, uma grande parceira de lutas que vão muito além da questão partidária. Temos, em comum, a luta pela inclusão como um norte em nossos trabalhos. Apenas discordamos pontualmente, o que é natural. Todos visitamos, juntos, as instalações, e pudemos, ao mesmo tempo, avaliar as condições.

Fui ali a convite da própria Comissão, para averiguar se o ex-ministro José Dirceu gozava mesmo de regalias em relação aos demais presos da unidade denunciadas pela imprensa – denúncias que serviram de motivo para o STF lhe negar o direito de trabalhar fora da prisão – e inspecionar as condições gerais da unidade prisional, com ênfase na situação dos presos paraplégicos e gays e transexuais. Para cumprir esse objetivo, nós fizemos uma oitiva demorada o com o diretor da unidade (CIR), com gestores e agentes penitenciários e com o coordenador geral do sistema carcerário do DF, e, finalmente, uma visita às celas da unidade, entre elas a de Dirceu.

Houve, entre os parlamentares, divergências em relação às condições percebidas ali. Enquanto alguns apontaram que a cela tinha um tamanho maior que a dos demais presos, a situação de insalubridade das instalações é a mesma para todos eles. Nenhum dos deputados, porém, foi até ali com o objetivo de medir colchões ou testar as instalações. O objetivo, sim, foi o de verificar – e denunciar – as condições gerais daquele presídio. Conhecer, por exemplo, a realidade de presos cadeirantes, soropositivos, LGBTs, entre outros, para que a possibilidade de um cumprimento digno da pena esteja disponível a absolutamente todos, o que é uma responsabilidade e dever do Estado.

Faço, abaixo, um relatório do que vi e ouvi ali. Não é o relatório oficial desta diligência, mas é uma forma de esclarecer o que foi por mim percebido naquela visita. Outros deputados também fizeram suas considerações a respeito, assim como o faço agora.

Segundo os gestores da unidade prisional, é parte da política carcerária manter uma separação dos apenados cujos crimes tenham repercutido muito nos meios de comunicação – despertado paixões – dos demais carcerários, assim como é parte da mesma política separar os criminosos sexuais e os policiais criminosos dos outros detentos. O objetivo é proteger a vida do apenado – já que ele está sob a tutela do Estado – e ao mesmo tempo a própria massa carcerária (esta de motins e rebeliões). É parte da política carcerária também criar um regime diferenciado de visitas para esse tipo de apenado no intuito de evitar que seus parentes sejam tomados como reféns para negociação em rebeliões.

Sendo assim, o isolamento de Dirceu da massa carcerária e o regime diferenciado de visitas não são regalias, como noticiado na imprensa, mas uma política carcerária já posta em prática muito antes de seu ingresso na unidade. Ele não tem mais visitas que os demais presos, apenas as recebe em dia e hora diferentes por uma questão de segurança.

É também parte da política carcerária permitir a visita de advogados a seus clientes na hora e no dia que eles, os advogados, solicitarem. Se Dirceu recebe mais visitas de advogados que os demais presos não é porque isso seja uma “regalia”, mas tão somente porque a maior parte da massa carcerária – em sua quase totalidade pobre, jovem e negra – é privada do acesso à Justiça e não conta com advogados. A culpa não é de Dirceu, mas de um sistema excludente e injusto que priva contingentes de direitos, com o aval de boa parte da sociedade que advoga que, “bandido bom é bandido morto”.

Sendo assim, não se pode dizer que a visita dos advogados de Dirceu seja uma regalia, quanto menos a feijoada que José Dirceu comeu em um sábado. Segundo a administração do presídio, o funcionamento, dentro da unidade, de uma cantina com alimentos, cigarros e material de higiene é também parte da política carcerária, comprados com o dinheiro que os familiares são autorizados a deixar a cada visita. Aquilo, então, não era uma “regalia”, mas tão somente fruto dessa política.

Todos os presos recebem café com leite no café da amanhã. Já frutas – exceto as cítricas e com cascas -, só as recebem os presos com dietas recomendadas pelos médicos e profissionais de saúde que os atendem, como o caso de Dirceu.

Os gestores negaram peremptoriamente que Dirceu tenha feito uso de celular. Sindicância realizada sob fiscalização do Ministério Público mostrou que a denúncia não procede. Os gestores, entretanto, admitem que, apesar da rigorosa fiscalização, celulares já foram apreendidos em celas de outros presos e que os aparelhos entram na unidade prisional “intocados” nas vaginas e ânus de familiares em dias de visita (segundo os gestores, o scanner de corpo é eficiente mas não infalível, dado os tamanhos e as levezas dos novos aparelhos celulares).

Na visita à cela de Dirceu, constamos que a mesma era uma antiga cantina que foi adaptada como cela para receber os réus do mensalão. Neste espaço em que cabem oito pessoas, foram colocadas 11. Dirceu encontrava-se sozinho porque os demais trabalham durante o dia, já que estão em regime semi-aberto. A cela continha infiltração e estava limpa. Havia uma tevê pequena. Nenhum dos diligentes testou o chuveiro da cela, portanto não há como saber se havia, ali, água quente ou não. Neste ponto, faço uma observação: apesar de todos termos visitados, juntos, as instalações, a entrada da minha colega, Mara Gabrilli, foi impossível, já que sua cadeira não passava pela porta, o que é algo realmente questionável em uma instalação que também precisa atender cadeirantes. Mais abaixo, falo das péssimas situações destes cadeirantes presenciadas por nós.

Visitamos também outras celas em que haviam mais aparelhos e conforto (tevê, microondas, sanduicheira e fogão) que a de José Dirceu. De acordo com os gestores, nem todas as celas dispõem desses bens porque 1) a maioria dos presos é pobre e seus familiares idem, o que lhes impede de comprar esses bens; 2) a direção da unidade não pode liberar a presença desses bens nas celas em que haja presos que possam causar dano a um colega ou à estrutura da prisão (como botar fogo em colchão ou queimar a mão de um colega na sanduicheira, por exemplo).

Vistamos, ainda, celas em que há mais presos que a capacidade máxima e constatamos que presos em cadeiras de rodas nem sempre são contemplados por uma política diferenciada que leve em conta sua vulnerabilidade e especificidades (banho de sol em horários diferentes e separação da massa carcerária para que sua cadeira de rodas não seja tomada para ser transformada em arma). Na mesma cela em que havia dois cadeirantes – acompanhados de um preso cuidador, o que é bom e recomendado – havia também dois com doenças infecto-contagiosas que não foram especificadas.

Um destes é um jovem rapaz mineiro, atingido por um tiro que o deixou paraplégico durante um assalto. Mesmo não tendo cometido crime contra a vida, está preso nestas condições degradantes, o que está muito distante de um cumprimento digno de uma pena. Situação que nunca recebe atenção por parte de nenhum veículo de imprensa.

Constatamos ainda o total despreparo dos gestores e agentes carcerários para lidar com as vulnerabilidades e especificidades do contingente de gays e transexuais presos, situação que pode ser mudada com o apoio dos deputados da Frente LGBT.

Em resumo, constatamos que a unidade, em que pese ser uma das melhores do país no quesito respeito aos direitos humanos da população carcerária, ainda tem muito que avançar. A maior parte da massa carcerária está privada de condições dignas para cumprir a pena devido a um processo de exclusão e violação de direitos que antecede o ingresso na prisão.

De forma pessoal, constatei que o senhor José Dirceu não goza de qualquer das “regalias” apontadas pela imprensa e que serviram de justificativa para o STF lhe negar o direito a um trabalho fora. O que espero é que seja feita a justiça de forma honesta e consciente, e que esta independa das condições do apenado. E, acima de tudo, nós, os deputados comprometidos com o respeito aos direitos humanos, cobramos que as cadeias ofereçam um espaço digno para que os presos possam ser reinseridos à sociedade, ao contrário do senso comum de que as cadeias devam ser apenas um depósito de foras da lei.


José Genoíno, os 68 anos de um preso político da máfia midiática e da justiça das oligarquias brasileiras



"DE AGORA EM DIANTE, QUEM CUIDA DELE SOU EU"

De volta à Papuda, ex-deputado José Genoino completa 68 anos neste sábado sem receber visitas; segundo amigos próximos, reencontro com o companheiro José Dirceu foi marcado por emoção e ex-ministro passou um recado para a família, preocupada com seu estado de saúde: "Fiquem tranquilos porque tomarei conta dele, verificarei horários, dosagens de remédios e farei tudo para que fique bem"; na próxima segunda-feira 5, os advogados de Genoino entrarão com recurso junto ao STF, pedindo que seja revista a decisão, em razão da necessidade de ele ser submetido a medicamentos e dieta rigorosos

3 DE MAIO DE 2014 ÀS 09:03

por Hylda Cavalcanti, da Rede Brasil Atual

Neste sábado (3), o ex-deputado José Genoino Guimarães Neto passará seu aniversário de 68 anos no complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, para onde retornou na última quinta-feira por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa. Seus filhos, Miruna, Ronan e Mariana, e a esposa Rioco planejam encaminhar uma encomenda e uma carta para que chegue às suas mãos, numa forma de homenagem pela data, mas ainda não sabem se isso será possível. Caso o presente – muito mais simbólico que de caráter material – seja entregue, será por meio de uma tentativa do advogado Cláudio Alencar, porque os dias de visita aos detentos na Papuda são quartas e quintas-feiras, nunca os sábados.

Na família Kayano Genoino, o clima é de inquietude e preocupação com o estado de saúde de Genoino, condenado a prisão em regime semiaberto na Ação Penal 470 (mensalão) em novembro passado, mas que vinha cumprindo a pena em regime domiciliar por conta de seu estado clínico até receber a decisão de Barbosa para que retornasse ao presídio.

"Eles estão preocupados e tristes, mas não abatidos", afirmou uma amiga próxima, numa forma de definir os principais sentimentos dos filhos e da esposa. Na próxima segunda-feira (5), a defesa do ex-deputado entrará com recurso junto ao STF, pedindo que seja revista a decisão, em razão da necessidade dele ser submetido a medicamentos e dieta rigorosos – além de outras especificidades que uma unidade prisional não tem condições de oferecer.

A família, desde que chegou o comunicado de que Genoino teria de retornar ao cumprimento da pena em regime semiaberto, passou a receber telefonemas diversos de amigos próximos. Três deles se deslocaram de São Paulo a Brasília, assim como o filho Ronan, para passar com o ex-parlamentar os últimos momentos antes de se apresentar. Conforme informações dessas pessoas, foi o próprio José Genoino que confortou a todos, dizendo que não se preocupassem porque estava se sentindo bem e resignado a cumprir o que lhe tinha sido determinado.


Reencontro emocionado

Um momento relatado como emocionante foi o reencontro dele com José Dirceu, no complexo penitenciário. José Genoino chegou ao presídio acompanhado do seu médico particular, Geniberto Paiva Campos, e do advogado, Cláudio Alencar, e recebeu grande e afetuoso abraço de Dirceu, que mandou um recado para a família. "De agora em diante, quem cuida dele sou eu", disse o ex-ministro. "Fiquem tranquilos porque tomarei conta dele, verificarei horários, dosagens de remédios e farei tudo para que fique bem".

No laudo elaborado pela junta que avaliou o quadro clínico de Genoino pela segunda vez, os médicos asseguraram que a situação de saúde do ex-deputado é estável e intensificaram o termo "sem excepcionalidades" para explicar suas condições de um modo geral. A filha mais velha de Genoino, Miruna, no entanto, divulgou notas com documentos de médicos cardiologistas renomados internacionalmente, além do laudo do seu médico particular, que mostram as exigências e cuidados necessários para pacientes com o mesmo problema de saúde.

Geniberto Paiva Campos, cardiologista que o atende desde o início, durante entrevista concedida ao site Viomundo, foi taxativo: "Genoino não conseguirá atingir o nível ideal de anticoagulação na cadeia". Ele chamou a situação de "temerosa". Conforme suas explicações, em razão de ter tido um pequeno derrame (acidente vascular hemorrágico) em meio às complicações cardíacas, o deputado precisa tomar varfarina, anticoagulante que afina o sangue e evita a formação de trombos (coágulos que vão crescendo e podem chegar a obstruir a passagem do sangue para áreas nobres do organismo).

Acontece que para que esse anticoagulante tenha o efeito desejado, é preciso que se atinja o nível ideal no sangue do paciente. E o índice necessário de regularização normatizada internacional (sigla identificada como RNI) fica entre os níveis 2 e 3. O do ex-deputado, segundo o médico, estaria pouco abaixo de 2.

"Mesmo Genoino tomando todos os cuidados com a varfarina e a alimentação em casa, ele ainda não está anticoagulado em nível ideal. Isso é grave, pois ele tem risco de novo tromboembolismo. Se o Genoino não atingiu o nível ideal de anticoagulação em casa, com todos os cuidados, protegido, não será na cadeia que conseguirá", afirmou. Paiva Campos, indo mais além, definiu o retorno do ex-parlamentar para o complexo penitenciário como "uma irresponsabilidade". "Genoino tem risco de novo tromboembolismo, que pode ser fatal", completou.

Junta médica

Outra crítica que tem sido feita diz respeito à junta médica que elaborou, pela segunda vez, o laudo com avaliação do ex-deputado. Com exceção da médica Hilda Barros, que não integrou a segunda junta por estar de licença, os demais profissionais são os mesmos designados anteriormente. Embora não tenha sido questionada a credibilidade destes médicos – detentores de currículo renomado – alguns se destacam por já terem apresentado preferências políticas contrárias ao PT e favoráveis ao julgamento do mensalão, motivo pelo qual a escolha tem sido questionada quanto à isenção.

Quando foram convocados para integrar o grupo pela segunda vez, o entendimento que prevaleceu, inclusive apresentado por representantes do STF, foi de que é considerado mais preciso um laudo médico efetuado por profissionais que já tinham avaliado o paciente anteriormente. Mas a repetição dos nomes não agradou a militantes do PT e tem sido vista como um erro de percepção por parte do presidente do tribunal, inclusive na opinião de acadêmicos e operadores de Direito.

Dos integrantes da junta designada para examinar a situação de Genoino, ao menos três médicos chegaram a se manifestar explicitamente favoráveis à prisão dos réus da AP-470. Paulo Machado Ribeiro Junior costuma publicar, em sua página no Facebook, várias críticas ao PT e à vinda de médicos cubanos ao país. Ele também elogia o resultado do julgamento da AP-470 constantemente nas redes sociais. Fernando Antibas Atik, outro dos médicos, festejou, em comentários diversos no Twitter, a condenação dos réus da ação, pelo STF, em novembro passado.

Hilda Arruda, que não integrou a última junta, também tem feito em mídias sociais reclamações diversas ao programa Mais Médicos, do governo petista. Mesmo os demais componentes do grupo que não expressaram posições sobre a AP-470, são tidos como profissionais que possuiriam ligações antigas com parlamentares da oposição.

"O que está em jogo é a questão do critério médico, da ética, não a ideologia política destas pessoas. Um profissional da medicina examina um paciente e ponto. O partido que ele apoia é irrelevante", chegou a colocar, em reunião, representante de uma entidade médica de Brasília, em tom irritado e defendendo tal colegiado, diante das especulações sobre as preferências político-partidárias desses profissionais.

Mesmo assim, o ex-diretor de um hospital de São Paulo e uma cardiologista que atua no Distrito Federal, que preferiram manter seus nomes reservados, disseram, em entrevista à RBA, que independentemente de ideologias políticas ou qualquer contestação ao laudo emitido pela junta designada pelo STF, o tribunal poderia ter escolhido quaisquer outros profissionais sem que isso viesse a representar problemas para a avaliação do paciente.

Isso porque o exame de ressonância do miocárdio, ao qual foi submetido José Genoino, é de grande precisão, sem falar na quantidade de exames correlatos realizados no paciente. Um destes médicos chegou a afirmar que, clinicamente, consideraria mais viável, até, que a junta tivesse sido formada por médicos diferentes – para uma melhor percepção sobre o paciente.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dilma: “Sempre estive convencida que sem a participação popular não teremos a reforma política que o Brasil exige. Por isso, além da ajuda do congresso e do judiciário, preciso do apoio de cada um de vocês, trabalhador e trabalhadora”.

Primeiro de Maio: Herói não é Senna. É Antônio, que vende churrasco na rua


Leonardo Sakamoto


Apesar de respeitar as trajetórias de esportistas que se dedicam a superar seus próprios limites, não consigo – mesmo tentando muito – considerá-los heróis de alguma coisa.

Ayrton Senna – cuja triste morte, há 20 anos, em um acidente no circuito de Ímola, na Itália, é lembrada nesta quinta – ocupou espaço de herói da TV quando a seleção brasileira de futebol (que é a heroína de plantão) estava em baixa.

Usineiros de cana já foram chamados de heróis pelo ex-presidente Lula.

Quando um grande empresário morre, há um esforço para que ele se torne o herói que não foi em vida.

Alguém vai me tacar uma pedra por colocar um ídolo do esporte e um usineiro de cana no mesmo bote. Mas não estou discutindo caráter, apenas dizendo que nós, da mídia, e o poder criamos heróis sem nenhum constrangimento quando nos convém.

Quem mora em São Paulo sabe que havia uma avenida chamada Águas Espraiadas. Mas a prefeitura acabou por rebatizá-la, homenageando um morto ilustre. Seria preferível, na minha opinião, que ganhasse o nome do jornalista Vladimir Herzog, que se dedicou à liberdade e foi assassinado pela ditadura.

Esconder os verdadeiros heróis, seja largando-os ao ostracismo, seja fazendo suas biografias competir com histórias de outros “heróis'' diz muito sobre um país.

Ao centrar o foco em exemplos valiosos para os grupos dominantes, que nos vendem essas biografias como caminhos a serem seguidos, nos distanciamos de quem mereceria ganhar uma medalha de verdade.

Tempos atrás um amigo que cobre a área de esportes disse que heróis no esporte são “fabricados” com frequência, entre os exemplos de superação pessoal que mereceriam ser seguidos pelo restante da população.

Seguindo essa lógica, trago uma história que já havia apresentado neste blog para ser incensado como herói neste Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora.

Antônio acorda às 5h da manhã, pega suas coisinhas e, com duas conduções, sai da periferia da periferia e vai até o bairro de Santo Amaro para vender café da manhã na rua. Depois, quando os clientes desaparecem, é hora de começar a trabalhar o serviço de pintor, bico que rende algo no final do mês que, sinceramente, não vale a pena – mas como ele tem três crianças e uma mulher com câncer em casa, que luta há anos para não morrer na rede pública, pois não tem acesso ao Sírio Libanês, é o jeito.

À noite, acende o fogo e começa a vender “churrasquinho de gato'' no ponto de ônibus para completar a renda. Chega em casa cinco horas antes de ter que acordar novamente.

Como mora não muito distante do autódromo de Interlagos, pôs sua churrasqueira perto de casa para conseguir algum em um final de semana lotado de corrida. A Guarda Civil Metropolitana, contudo, levou tudo embora.

Como ele ia trabalhar no dia seguinte? Sei lá. Superação? Heroísmo?

É claro que ninguém gostaria de seguir a vida de merda de Antônio.

Ela nunca sentirá o glamour do paddock de Mônaco e sua mulher, quando teve um problema sério e quase perdeu o braço, não pegou helicóptero, mas sim um busão para ir ao pronto-socorro. Não adianta dizer que ele é feliz, que tem Deus no coração, que a família o ama. Isso é apenas jogar purpurina em cima da merda para que ela brilhe.

A sua vida, muito provavelmente, não terá um final feliz para ser levada às telas do cinema. Não irá vencer a pobreza do sertão de Pernambuco e virar presidente ou superar o racismo da sociedade norte-americana e virar presidente. Também não será usado como exemplo de programas de educação estranhos como o “Amigos do Joãozinho'', em que crianças que comem biscoitos de lama seca, brincam com ossinhos de rabo de zebu e andam 115 quilômetros diários para ir à escola superam tudo e, graças a Deus sem a ajuda do Estado, viram presidentes de multinacionais para, depois, superexplorarem sua terra natal – tornando-se exemplos. Tampouco tem um equipe de marketing para manter seu nome vivo e resplandecente pela eternidade.

É Antônio, mas podia colocar aqui uma relação de nomes, grossa como uma lista telefônica, de pessoas que aceitam a mesma batalha no dia-a-dia porque se desistirem, morrem – e nunca ganharão uma medalha por isso. Não foram criados em berço de ouro e se houvesse uma escala justa que pudesse comparar diferentes superações, esses trabalhadores e trabalhadoras fariam nossos heróis da TV comerem poeira.

Pelo contrário, são tratados como restolho da sociedade, mão de obra barata, voto fácil, massa burra pelos mais ricos.

Apesar de servi-los, alimentá-los, transportá-los, enriquecê-los. Se usineiros são heróis, cortadores de cana são o quê?

Esperemos que os livros de história e nós, narradores da contemporaneidade (não apenas os profissionais, mas todos os que têm uma conta de rede social, um blog, uma rádio comunitária ou um jornal mural e, portanto, são tão jornalistas quanto os outros), tenhamos a decência de registrar que não foram apenas reis, ditadores e presidentes e mesmo pilotos, jogadores de futebol e famosos, que fizeram a realidade do nosso tempo mas, sim, o conjunto dos carregadores de pedra, como diria José Saramago.

Na hora em que o nome de qualquer um desses milhões, cuja desgraça é apenas um detalhe e por isso mantém-se escondida embaixo do tapete, for retirado das entranhas da sociedade e gritado a plenos pulmões como alguém que merece ser um herói, não precisaremos mais de heróis. E a vida seria outra.

Lula não se cala e causa ódio aos inquilinos da Casa Grande


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Vamos lá. Luiz Inácio Lula da Silva concedeu recentemente entrevista à Rádio e Televisão de Portugal (RTP) porque está convencido, tal qual a milhões de brasileiros que não votam nos candidatos da direita partidária e da imprensa mercantil e alienígena, que suas palavras jamais vão ser repercutidas fidedignamente pelos jornalistas empregados das mídias tradicionais, que, por conta própria ou a mando de seus patrões magnatas bilionários de imprensa, deturpam e manipulam o que foi dito, a fim de, evidentemente, colocá-lo em xeque, bem como impedi-lo de se fazer entendido pelo público ouvinte, leitor ou telespectador.

O negócio é o seguinte: a imprensa burguesa, as seis famílias que a controla e seus empregados de confiança, que agem como feitores da Casa Grande, “lutam” e “defendem” ferozmente as liberdades de imprensa e de expressão, mas somente as liberdades deles, porque a verdade é que esses grupos econômicos e financeiros querem falar sozinhos.

Por isto e por causa disto é necessária a efetivação urgente do marco regulatório para as mídias, pois, do contrário, esses poderosos conglomerados, vinculados a interesses internacionais, vão continuar a trilhar por veredas tortuosas, que visam, primordialmente, desestabilizar governantes eleitos, principalmente se eles forem chefes de estado e de governos populares, a exemplo de Getúlio Vargas, João Goulart, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A imprensa de negócios privados é a favor da liberdade de expressão dela. Só isto, e nada mais. Lula, o maior e mais importante político da América Latina, além de ser incrivelmente conhecidíssimo no mundo, bem como premiadíssimo por seu profícuo trabalho à frente da Presidência da República durante oito anos, não pode falar no Brasil e muito menos aparecer nas televisões abertas e fechadas, notadamente os inúmeros canais pertencentes às Organizações(?) Globo, um dos maiores e mais poderosos oligopólios de comunicação do mundo.

Isto mesmo, meus camaradas! Lula não pode falar e ser ouvido no Brasil. Ponto! E quando o líder petista e trabalhista fala, por mais que ele seja democrático, sensato e lógico, quase que instantaneamente os porta-vozes da Casa Grande tratam de rebatê-lo com intolerância e veemência, pois para essa gente herdeira da escravidão já foi de mais que um nordestino de origem pobre e depois operário de fábrica, que chegou ao Estado de São Paulo em um pau-de-arara tivesse tido a ousadia e a petulância de subir a rampa do Palácio do Planalto, caminhado por seus tapetes e sentado na cadeira da Presidência da República.

Ainda mais quando se trata de um político de esquerda que nunca abaixou a cabeça para essa burguesia perversa, violenta e preconceituosa, que acha que sua suposta e ridícula “superioridade” retrata a realidade dos fatos quando todo mundo sabe, aqui e no exterior, que o ex-presidente Lula teve uma performance administrativa infinitamente superior à dos ex-presidentes “doutores”, cujos governos se atolaram na areia movediça da inflação, desempregaram, não criaram programas sociais que sustentassem as economias das diferentes regiões deste País, sucatearam as estatais e a infraestrutura brasileiras e, terrivelmente, venderam o Brasil, como se vendessem qualquer bugiganga em simples feiras. Verdadeira privataria e traição da pátria, que em muitos países acabaria em processos e cadeia.

A privataria tucana foi, de longe, o maior caso de desmantelamento do Estado brasileiro, bem como de corrupção da história deste País. O tucano Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I — conseguiu superar em traição o traidor da Inconfidência Mineira, Joaquim Silvério dos Reis, um coronel de Cavalaria que delatou seus companheiros inconfidentes para ter suas dívidas perdoadas pela coroa portuguesa, bem como angariar benefícios, como ganhar 30 moedas de ouro, pensão vitalícia, título de fidalgo da Casa Real, uma mansão para morar, além de ter sido recebido pelo príncipe regente Dom João, na corte de Lisboa, entre outras coisas. Deu no que deu: os inconfidentes foram presos e exilados. Tiradentes, porém, foi enforcado, esquartejado e suas partes espalhadas por vários pontos da cidade do Rio de Janeiro. 

Obviamente, que FHC, aquele que foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires nas mãos, porque o gênio tucano e seus economistas mequetrefes quebraram o País três vezes, não recebeu as vantagens, digamos pecuniárias, de Joaquim Silvério dos Reis, mas vendeu o País e o administrou como se fosse um caixeiro viajante.

Incompetente, mas caixeiro viajante, pois jamais quis ser um estadista, porque ser um estadista não é uma questão mera de querer sê-lo ou não. Ser um estadista é nato; e apenas poucas lideranças em todo o mundo e em todos os tempos possuem a vocação e a compreensão de que o ofício de governar é intrinsecamente ligado ao conhecimento daquele que se fez estadista, no que concerne a conhecer os anseios do povo e defender os interesses da sociedade, bem como do estado quando este se submete ao direito e à democracia. Definitivamente, Lula compreendeu essas questões, o que, evidentemente, não aconteceu com FHC, que optou por governar para os ricos, ou seja, para poucos, pois homem das elites, que sempre lutaram por um País VIP.

Um acinte completo, bem como, inquestionavelmente, traição ao povo brasileiro. E eles estão aí... Livres, leves e soltos, a fazerem caras e bocas, além de cinicamente se arvorarem como “nacionalistas”, interessados que são pelo destino da Petrobras e de outras empresas públicas, que a direita, os tucanos e seus aliados trataram quando no poder de sucateá-las para vendê-las bem barato para os gringos, que até hoje deitam e rolam com as remessas de lucros bilionárias provenientes, por exemplo, da Telebras, megaempresa de comunicação, que foi fatiada em partes e que hoje gera lucros incontáveis para que europeus possam, inclusive, por intermédio dessa derrama, combater suas crises econômicas, que desde 2008 afligem quase todos os países europeus. Ponto!

Lula tem de ficar calado. Mas ele não fica, e concede entrevista a uma empresa de comunicação europeia, de língua portuguesa, como se desse um aviso ao sistema midiático monopolizado que não vai ficar quieto e vai falar quando quiser e na hora que desejar. Lula é a personalidade política mais internacional do Brasil, sem sombra de dúvida, e pretende falar muito mais quando se der o início do horário político gratuito nas televisões e rádios.

E aí, meus camaradas, o governo trabalhista vai mostrar as milhares de obras e programas e projetos que não têm visibilidade, porque os magnatas bilionários donos da imprensa-empresa boicotam, sabotam e censuram, de todas as formas e maneiras, as conquistas sociais e econômicas do povo brasileiro acontecidas nos últimos 12 anos. São muitas e vão ser mostradas na televisão. Somente nesse interregno eleitoral é que a grande mídia conservadora e reacionária deixa de falar sozinha.

É no decorrer desse curto espaço de tempo que as liberdades de expressão e de imprensa tão decantadas falsamente e cinicamente pelos barões da imprensa realmente funcionam. De quatro em quatro anos, mas o suficiente para os trabalhistas, os socialistas, o PT e seus aliados se comunicarem com a população brasileira e mostrar o que foi feito e o que poderá ser realizado. E essa realidade incomoda de mais a Casa Grande. 

Venhamos e convenhamos, duvido que o povo abra mão de suas conquistas para colocar, no lugar dos presidentes trabalhistas, políticos privatistas, colonizados, complexados e subservientes aos interesses internacionais, como o são geralmente os políticos do espectro ideológico à direita, a exemplo de Aécio Neves, José Serra e, evidentemente, Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I. Lula não se cala, pois fala, e causa ódio aos inquilinos da Casa Grande. É isso aí.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Quem tem medo do Lula?



Ninguém é mais atacado do que Lula, ninguém causa mais temor nas elites tradicionais do que o Lula, pela força política e moral que ele adquiriu.

Emir Sader, Blog do Emir

Lula incomoda. Basta ele falar sobre algo, que as que se creem “autoridades” deitam falação para contestá-lo, criticá-lo, acusá-lo, denunciá-lo, homenageando-o como a ninguém se homenageia, com sua atenção, sua energia, seu rancor, suas insônias.

Lula nasceu do nada, do quase nada, de uma região que era para não dar nada ao país, de uma mãe amorosa, que lutava para que seus filhos sobrevivessem e, se pudessem, chegassem àescola – como o extraordinário filme sobre o Lula recorda. Ele foi chegando: da sobrevivência à escola, da formação profissional ao emprego industrial, do operário metalúrgico ao líder sindical, do desafio à vida para sobreviver ao desafio aos patrões e à ditadura. Se houve um milagre brasileiro, foi ele.

Entre paternalismo e temor, lideres políticos tradicionais e meios da imprensa tiveram que reconhecer seu papel, que tentavam restringir a um dirigente corporativo, com um papel determinado num certo momento, que mereceria carinho e compreensão. Mas quando ele foi se transformando em dirigente político, em fundador de um partido dos trabalhadores começou a incomodar não apenas ao Dops e à ditadura, mas aos que pretendiam restringi-lo a um papel limitado.

Até que aquele nordestino, operário, que perdeu um dedo na máquina, mas que nunca perdeu a esperança, ousou ser candidato a presidente e a quase ganhar. Denunciando a desigualdade e a injustiça, apontando que um Brasil melhor era possível e necessário. Até que um dia, depois de fracassarem bacharéis e políticos de profissão, o Lula se tornou presidente.

Ia fracassar, tinha que fracassar, para que as elites pudessem governar com calma o Brasil – como chegou a dizer um ex-ministro da ditadura. Haviam fracassado a ditadura, Sarney, Collor, FHC, ia fracassar Lula e a esquerda e o movimento popular estariam condenados por décadas – como ameaçou um outro ex-procer da ditadura.

Mas Lula encontrou a forma de dar certo. Em meio à herança maldita de uma década de desarticulação do Estado, da sociedade e das esperanças nacionais, Lula foi o responsável por uma arquitetura que permite ao Brasil resgatar a esperança, combater a desigualdade e a miséria, resgatar o Estado, projetar um Brasil soberano e solidário. Lula preferiu enfrentar os desafios de construir uma alternativa a partir do pais realmente existente do que dormir tranquilo com seus sonhos nunca realizados, em meio a um povo sem sonhos.

Lula saiu dos 8 anos mais formidáveis de governos no Brasil com mais de 90% de referências negativas da mídia e mais de 80% de apoio do povo. Não pode haver maior consagração. Elegeu sua sucessora, está prestes a conseguir que ela tenha um segunda mandato, mas ele não dá trégua aos que achavam que eram donos do Brasil, que ainda acham, apesar de terem perdido as três ultimas eleições presidenciais e estarem em pânico pelo risco iminente de perderem uma quarta, ficando já quase duas décadas sem dispor do Estado que construíram para perpetuar-se como donos do Brasil.

Lula incomoda. Uma forma de tentar neutralizá-lo é especular que ele vai ser candidato de novo agora. Ele nega, mas não aceita comprometer-se a que não volte a ser candidato. E quando abre a boca, quando escreve, quando aparece em publico, as elites tradicionais entram em pânico. Porque sabem que atrás daquelas palavras, daquela figura, está o maior dirigente político, o maior líder popular que o Brasil já teve, que quando se pronuncia, suas palavras não são palavras que o jornal amanhecido leva pro lixo, mas expressam realidades pelas quais ele é responsável.

Quando ele fala de miséria e de desigualdade, fala com a autoridade de quem mais contribui para sua superação. Quando fala da construção de um outro tipo de Brasil, se pronuncia a partir de mais de uma década de passos nessa direção, iniciados por seu governo. Quando critica as elites tradicionais – sua mídia, seus juízes, seus partidos e seus políticos – fala como quem é um contraponto real e concreto a essas elites. Fala como quem é reconhecido pelo povo como um dos seus, como alguém em quem confiam – ao contrario da mídia, de juízes, de partidos que já mostraram ao que vieram e em quem o povo não confia.

Lula incomoda. Não apenas pelo que foi, pelo que é, pelo que pode vir a ser. Mas por sua vida, argumento contra o qual ninguém pode contrapor nada. Ele é a prova viva que se pode nascer na pobreza e se tornar um dos maiores estadistas do mundo atual, se pode nascer na miséria e se tornar quem mais faz para superar a miséria. Se pode enfrentar as maiores dificuldades na vida e na política e manter a dignidade, a grandeza, o sorriso franco e o espirito de solidariedade. Se pode ser de esquerda e enfrentar os desafios de construir uma vida melhor para o povo, em meio a aliados e instituições que foram feitos para outra coisa. Se pode topar os desafios de receber um país desfeito e recuperar a esperança, a auto-estima, uma vida melhor para dezenas e dezenas de milhões de pessoas. Se pode prometer que ia fazer com que todos os brasileiros teriam três refeições diárias e cumprir. 

Isso é insuportável para quem promoveu sempre a miséria e a passividade do povo, para quem governou para as elites e foi sempre recompensado pelas elites, enganando o povo e se enganando que iam ficar para sempre no controle do Estado e da política. 

Lula incomoda. Por isso é atacado, atacado, atacado. Ninguém é mais atacado do que o Lula, ninguém causa mais temor nas elites tradicionais do que o Lula, pela força política e moral que ele adquiriu e que o povo reconhece nele.

Lula mostrou que se pode governar sem falar inglês, sem almoçar e jantar com os donos da mídia, sem ter medo das elites tradicionais, sem temor a aliar-se com quem se faz necessário para fazer o que é necessário e fundamental para o povo e para o Brasil. Lula mostrou que se pode defender os interesses do Brasil e ao mesmo tempo ser solidário com os outros países e com os outros povos.

Lula desmentiu mitos, sua vida é uma afirmação de que um outro mundo é possível, de que as elites podem falar todos os dias contra os interesses populares, mas quando o povo consegue visualizar uma política diferente e lideres que as defendem, se pronuncia contra as elites.

Lula tinha que dar errado, na vida e na política. E deu certo. Isso é insuportável para as elites tradicionais, isso gera medo neles, acordam e dormem com o fantasma do Lula na cabeça, nas redações dos jornais, revistas televisões, nas reuniões dos especuladores e dos seus partidos, nos organismos que pregam um mundo de poucos e para poucos.

Quem tem medo do Lula, tem medo do povo, tem medo das alternativas populares, tem medo que o Brasil vá se tornando, cada vez mais uma democracia social, de forma irreversível. Por isso cada palavra do Lula, cada sorriso, cada viagem, cada homenagem, cada abraço que dá e recebe do povo, incomoda tanto a alguns e provoca esse sentimento de confiança que o Brasil está dando certo em tanta gente. 

Ter medo ou esperança no Lula é a própria definição de onde está cada um no Brasil e no mundo de hoje."